Dicas sobre monitoramento e avaliação de projetos sociais de educação

27 de janeiro de 2022

Este conteúdo foi produzido por Partilha

Em um espaço tão rico de dicas sobre gestão, comunicação, voluntariado, inovação e captação de recursos para o terceiro setor, parece ter sido ousado falar especificamente sobre projetos sociais de educação. Nos últimos meses, tivemos um cantinho aqui no Portal do Impacto para conversar sobre como a Educação pode contribuir com o Desenvolvimento Social e oferecemos diversas dicas para as etapas de um projeto educacional. Relendo os textos, reforço ainda mais minha crença de que trabalhamos incansavelmente para transformar a realidade social das comunidades nas quais atuamos. Este trabalho precisa, cada vez mais, de uma estrutura sólida para que gere o impacto tão sonhado.


Ao longo dos últimos textos, conversamos muito sobre os bastidores de um projeto social. O que está “por trás” deste tipo de projeto, o que o antecede, o que é preciso cuidar para que os nossos beneficiários e nosso time de educadores consigam, de fato, ter experiências transformadoras e impactantes…? Falar dos bastidores foi uma forma muito simbólica e especial de representar o papel, a atuação e a importância de um trabalho efetivo e eficaz na
gestão dos projetos sociais de educação.


Sem o trabalho de uma equipe focada, dedicada e competente, os artistas não brilham! Falo isso por experiência própria. No começo da minha carreira, além de educadora social e gerente de projetos culturais e educacionais, eu também era artista profissional e, por isso, essa comparação me parece tão pertinente. Para que um espetáculo aconteça, é preciso um trabalho hercúleo e consciente antes, durante e depois do show. Cada detalhe, cada escolha e cada ação fazem a diferença.


Assim é a gestão de projetos educacionais.
Estruturar, executar e avaliar projetos é como compor uma obra, ajudar a realizá-la, comunicar aos envolvidos, gerir os recursos, envolver o público e, ainda, prover estratégias para que ela seja sustentável. Por isso, é tão fundamental conhecer o contexto, dialogar com dados oficiais e políticas públicas; fazer escolhas assertivas sobre o planejamento pedagógico; e, ainda, “cuidar” do time.


Depois de tudo isso, fecham-se as cortinas, mas o projeto não acaba! É preciso guardar tudo, “acertar” as contas com a equipe, fechar a bilheteria, programar a próxima turnê… No nosso caso,
é necessário avaliar.


Porém, como quase tudo que conversamos aqui, avaliar não é uma ação pontual; na verdade, refere-se a um processo.
A avaliação de um projeto social não começa na confecção do relatório final, mas em sua elaboração. Avaliar nada mais é do que fazer as perguntas certas para identificar se vamos chegar aonde nós gostaríamos.


Por isso, é fundamental ter clareza sobre aquilo que se quer avaliar. É imprescindível monitorar a trajetória. 


A avaliação de um projeto social de educação deve contemplar, minimamente, três aspectos:
execução, resultados e impacto. De nada adianta esperar o projeto terminar para observar aspectos que poderiam ser corrigidos pelo caminho. O GPS pode até nos indicar as melhores rotas, mas ele não é responsável pela viagem real. Por isso, ainda que seu planejamento esteja impecável, é preciso observar o caminhar, não é mesmo?


Para isso, há várias ferramentas que podem nos fornecer os
indicadores de execução de um projeto. É preciso monitorar se o que eu disse que ia fazer está sendo feito. Se está, devemos compreender o que colabora para isso. E, se não está, o que é necessário ajustar. Podemos criar materiais novos ou usar o que está disponível para acompanhar se tudo vem ocorrendo conforme o previsto e para analisar quais variáveis interferem em nosso projeto.


Mas não basta monitorar a execução; é fundamental saber se tivemos os resultados pretendidos, já que é para isso que o projeto existe, certo?! A melhor e mais eficaz forma de realizar uma
avaliação de resultados é ter clareza dos objetivos do projeto. Como transformar aqueles objetivos específicos em perguntas que trarão métricas para analisarmos os resultados? Se estamos falando de um projeto que oferece uma formação em informática, por exemplo, quais são os objetivos pedagógicos dessa formação? Como você gostaria que os beneficiários saíssem desse projeto? Quais conteúdos e habilidades serão aprendidos e desenvolvidos? Neste aspecto, o mais importante é garantir a coerência entre o que foi proposto, o que foi realizado e o que pode ser mensurado.


E, por fim, o aspecto mais desafiador de todos (e talvez o mais cobrado de nós):
avaliar os impactos do projeto. Afinal, começamos essa série falando que os projetos sociais de educação são meios para que possamos transformar a realidade, impactar a comunidade e fazer a diferença na vida das pessoas que atendemos.


Primeiramente, é preciso ter aquela clareza sobre a qual falamos lá no início! Projetos têm foco e, sozinhos, não gerarão toda a transformação pretendida. Assim, é preciso entender em qual recorte social o projeto vai impactar, para então avaliar se o impacto foi gerado ou não. Vale lembrar que o impacto pode levar tempo para ser efetivo, então precisa ser mensurado a médio prazo e, por conta disso, é necessário manter o contato com o público beneficiado. 


Mas preciso confessar algo para vocês: o mais desafiador desse tipo de avaliação é o investimento de tempo e recursos que ela exige e que, muitas vezes, não conseguimos realizar. De qualquer forma, precisamos, enquanto gestores de projetos educacionais e educadores, progressivamente adquirir conhecimentos sobre esse tipo de avaliação e ter no radar formas de implementar esses processos na instituição.


Pensando na construção deste texto, cheguei a três imagens: a imagem do “fechar as cortinas”, que já compartilhei com vocês, e mais outras duas –
o espelho e o farol. Avaliar nada mais é do que ter um espelho e um farol sempre em vista. O espelho nos ajuda a ver o que estamos fazendo e quais resultados estamos alcançando. E o farol nos indica para o futuro. De nada adianta avaliar nosso impacto se não for para aprimorar o espetáculo.


E, já que estamos fechando essa primeira série, na qual tive a alegria de compartilhar algumas das minhas experiências como educadora, gestora e formadora de educadores sociais, peço licença para mostrar mais uma metáfora.


No terceiro texto, quando conversamos sobre a equipe do projeto, eu disse que a transformação social é fruto de uma longa colheita, para a qual preparamos a terra, adubamos o solo, escolhemos as sementes, plantamos e cuidamos. Avaliar projetos sociais de educação é ter um olhar presente, atento e crítico para tudo isso. Não é ser um burocrata que fica fechado atrás de planilhas, mas um
lavrador, que observa o processo, “acode” quando as condições climáticas mudam, colhe com amor e cuida para que a próxima safra seja ainda melhor.


Que possamos usar técnicas e ferramentas que nos ajudem a construir a transformação com a qual tanto sonhamos, com amor, competência e melhoria contínua.



Este conteúdo foi produzido por Partilha

Ana Carolina Ferreira, apaixonada por educação e terceiro setor, graduada em Letras, especialista em Gestão de Projetos e graduanda em Psicologia. Fundadora da Partilha, dedica-se ao desenvolvimento de pessoas, empresas e instituições sociais, assessorando programas educacionais.


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A experiência mostra que articular financiamento privado, cooperação técnica com o poder público e o engajamento de organizações de base é um caminho consistente para gerar impacto real e sustentável. Nesse novo cenário, o uso de dados e evidências deixou de ser opcional. A atuação precisa ser responsiva às necessidades reais dos territórios, e isso só é possível por meio da observação sistemática, da geração cidadã de dados e da tomada de decisões baseadas em evidências. O investimento social privado no Brasil amadureceu — e espera projetos bem estruturados, com governança sólida e clareza de resultados. É impossível falar de inovação sem falar de ética. Tecnologias como a Inteligência Artificial precisam ser desenvolvidas e utilizadas com base em princípios claros: respeito à privacidade e à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), justiça social, mitigação de vieses discriminatórios, controle social sobre dados e sistemas, segurança da informação e responsabilidade ambiental. O impacto climático da tecnologia, muitas vezes invisível, também precisa entrar na equação. Regulamentação e compromisso das empresas e investidores são indispensáveis. O financiamento das organizações também passa por mudanças relevantes. Doações online, campanhas como o Dia de Doar, cessão de tecnologias e licenças por empresas e, sobretudo, o fortalecimento dos mecanismos de incentivo fiscal têm ampliado as possibilidades de sustentabilidade. Quando uma empresa direciona parte de seus impostos para projetos sociais no território onde atua, o recurso retorna diretamente para a comunidade, em forma de educação, inovação e oportunidades. 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Por Nathalia Albuquerque 2 de março de 2026
Você pode amar muito um time e ainda assim vê-lo perder campeonatos por anos. Pode ter a maior torcida do país, uma história gigante e uma camisa pesada. Mas sem gestão, isso não se sustenta. No terceiro setor acontece algo muito parecido. Sou corinthiana e não acompanho o futebol tão de perto. Mesmo assim, é impossível ignorar o que Palmeiras e Flamengo vêm construindo nos últimos anos. Escrevo este artigo no final de 2025 e, ao olhar para os principais campeonatos do período recente, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, esses dois clubes seguem protagonizando finais, títulos e campanhas consistentes. Não por acaso, também passaram a aparecer em premiações internacionais que reconhecem excelência em gestão, como o Globe Soccer Awards. Mas nem sempre foi assim. E é exatamente aí que essa história interessa às organizações da sociedade civil. Quando a virada não acontece no campo Palmeiras e Flamengo já viveram fases marcadas por dívidas, crises internas e resultados bem abaixo do potencial que tinham. A mudança não começou com um craque, nem com um gol histórico. Começou fora de campo. Por volta de 2012 e 2013, os dois clubes passaram a tratar a gestão como eixo central. Planejamento financeiro, profissionalização das equipes, governança e visão de longo prazo deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões concretas. Se você não gosta de futebol, continue comigo. O ponto aqui não é o esporte. É entender que amor, tradição e propósito são fundamentais, mas não substituem uma boa gestão. Com gestão, a gente vai mais longe. O que o Palmeiras ensina No Palmeiras, a virada tem um nome bastante conhecido: Paulo Nobre. Ao assumir a presidência do clube em 2013, encontrou um cenário delicado, com dívidas e pouca previsibilidade. Uma das decisões mais simbólicas foi emprestar recursos próprios para reorganizar as finanças do time. Um gesto arriscado, mas inserido em uma estratégia maior. A partir daí, vieram parcerias estratégicas como a Crefisa, a profissionalização da gestão e a criação de novas fontes de receita. A modernização do Allianz Parque transformou o estádio em um ativo que gera renda muito além dos jogos, com shows e eventos. É a lógica de enxergar a estrutura como meio para sustentar a missão, algo bastante familiar para quem atua no terceiro setor. O Flamengo e a coragem de arrumar a casa O Flamengo sempre teve popularidade e potencial. O que faltava era organização. A virada começou com decisões duras e pouco populares, como uma política rigorosa de controle de gastos e reorganização financeira. Antes de investir pesado em contratações, o clube investiu em processos, equipe técnica qualificada e responsabilidade fiscal. Os títulos vieram depois. Não como milagre, mas como consequência. O que tudo isso tem a ver com as OSCs? Muito mais do que parece. Os dois clubes mostram que investir na base (jovens atletas em formação para o time principal) é apostar no longo prazo, mesmo quando o retorno não é imediato. No terceiro setor, isso aparece na formação de equipes, no fortalecimento institucional e no desenvolvimento de lideranças. Eles também reforçam uma verdade incômoda: amor não é estratégia. Paixão move, mas não organiza fluxo de caixa, não constrói indicadores e não garante sustentabilidade. Há ainda a importância de diversificar fontes de receita, inclusive para organizações grandes e reconhecidas, e de contar com profissionais qualificados, além de investir em quem já faz parte da equipe. Nada disso acontece do dia para a noite. O processo é longo, exige constância e escolhas difíceis. Um convite para quem lidera organizações sociais  Se você lidera uma OSC, vale a reflexão. O quanto da sua energia está concentrada apenas na causa e o quanto está direcionada para fortalecer a gestão que sustenta essa causa? Gestão não esfria o propósito. Pelo contrário. Ela protege a missão, amplia o impacto e garante que o trabalho continue existindo daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futebol e no terceiro setor, amor é o ponto de partida. Gestão é o que transforma esse amor em legado.
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