Saúde Mental
Em Saúde Mental você encontra dicas para manter o bem-estar de quem trabalha e recebe aporte na sua ONG.
Entender a importância da saúde mental é fundamental para quem quer desenvolver um trabalho acolhedor em uma ONG. A saúde mental no trabalho influencia na maneira em que os colaboradores desempenham as suas atribuições, e garante um desenvolvimento de qualidade do serviço oferecido. Pensando nisso, separamos dicas e informações para cuidar da saúde mental de todos que participam da sua ONG.

O adoecimento mental da população brasileira tem se intensificado nos últimos anos e já se reflete de forma direta no mundo do trabalho. O aumento de afastamentos por transtornos mentais, a ampliação de quadros de ansiedade e a exaustão profissional passaram a ocupar o centro dos debates sobre produtividade, gestão de pessoas e sustentabilidade organizacional. No Terceiro Setor, esse cenário não é diferente — e apresenta contornos ainda mais críticos. Dados da Pesquisa Saúde Mental e Bem-Estar no Terceiro Setor (2023), realizada pelo Instituto Phomenta, revelam que 55% dos profissionais do setor expressam algum nível de preocupação com sua saúde mental e bem-estar. Esse contexto foi debatido no Webinar Tendências para o Terceiro Setor 2026, promovido pelo Instituto Phomenta, que apontou a saúde mental como uma das principais tendências e desafios estruturais para as organizações sociais nos próximos anos. A pesquisa ouviu 842 profissionais, de 214 cidades, em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Os dados mostram que o alto comprometimento com a causa convive com estresse constante, sensação de urgência permanente e dificuldade de estabelecer limites entre vida pessoal e trabalho, um paradoxo cada vez mais presente no cotidiano das organizações da sociedade civil. Cuidar de quem cuida Durante muito tempo, o trabalho no Terceiro Setor esteve associado à ideia de propósito como fator de proteção emocional. Os dados da pesquisa indicam que essa narrativa já não se sustenta. Entre os respondentes, 38% classificam sua saúde mental como regular e 17% como ruim, evidenciando um cenário de alerta que afeta tanto profissionais quanto lideranças. O recorte de gênero revela desigualdades importantes. As mulheres, que representam 65% da força de trabalho no Terceiro Setor, são as que expressam maiores níveis de preocupação: 60% relatam algum grau de insatisfação com sua saúde mental e bem-estar, frente a 45% dos homens. Entre os jovens, os índices são ainda mais elevados. Profissionais de 18 a 24 anos e de 25 a 34 anos apresentam os piores indicadores, com 69% e 70%, respectivamente, avaliando sua saúde mental como regular ou ruim. Esses dados foram destacados no Webinar Tendências para o Terceiro Setor 2026 como um sinal de que o setor precisa repensar suas práticas internas se quiser manter equipes engajadas e sustentáveis. A NR-1 e o impacto direto na gestão das organizações Outro ponto central do debate foi a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A partir de maio de 2025, organizações com pessoas contratadas sob regime CLT passam a ter a responsabilidade de identificar, prevenir e gerenciar riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Entre os fatores de risco mais recorrentes, a pesquisa da Phomenta aponta: excesso de demandas e tarefas, indicado por 64% dos respondentes como principal fator de estresse; jornadas prolongadas e dificuldade de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho; ausência de reconhecimento e suporte institucional; conflitos interpessoais e condições precárias de trabalho. Os efeitos desse modelo aparecem nos sintomas relatados: 77% dos profissionais mencionam ansiedade como um dos principais impactos, e 64% relatam exaustão física. Durante o webinar, foi reforçado que o cumprimento da NR-1, embora necessário, não é suficiente para enfrentar um problema estrutural. O desafio está na revisão das práticas de gestão de pessoas, incluindo distribuição de tarefas, modelos de liderança, processos decisórios e a forma como o cuidado é incorporado, ou negligenciado, na cultura organizacional. Saúde mental como estratégia de sustentabilidade A pesquisa também evidencia que mais de 70% dos respondentes não percebem ações intencionais de suas organizações voltadas à promoção do bem-estar. Esse dado foi amplamente debatido no Webinar Tendências para o Terceiro Setor 2026, que destacou a urgência de transformar o cuidado em estratégia institucional. Entre as organizações que adotam ações voltadas à saúde mental, os profissionais citam iniciativas como atendimento psicológico, espaços de diálogo, formações, flexibilidade no trabalho e momentos de convivência. Ainda assim, esses esforços seguem sendo exceção, e não regra. No Terceiro Setor, cuidar da saúde mental das equipes deixou de ser um tema secundário. Trata-se de uma condição para a permanência das pessoas, para a qualidade do trabalho realizado e para a coerência entre missão institucional e práticas internas. A crise de saúde mental convida o setor a um exercício de autocrítica. Não é possível enfrentar desigualdades externas se, internamente, as relações de trabalho reproduzem exaustão, urgência permanente e invisibilização do cuidado. Em 2026, organizações que colocarem as pessoas no centro da gestão estarão mais preparadas para sustentar seu impacto social no longo prazo. Assista completo:

Escrever em um diário, em um bloco de notas ou em pedaços de papel. Essas são algumas formas de se praticar a expressão emocional escrita ou escrita terapêutica, que tem como objetivo nos ajudar a lidar com pensamentos e sentimentos difíceis de processar. “É escrever para você e sobre você”, afirma James W. Pennabaker, Ph.D em Psicologia Social e professor da Universidade do Texas, que foi o criador desta técnica, na década de 1980. Nesse processo, de transformar sentimentos e emoções em linguagem escrita “integra-se em si, aspectos cognitivos e emocionais, oferecendo uma oportunidade para aumentar o insight (ideias), a capacidade de autorreflexão, e a organização da perspectiva da própria pessoa sobre os eventos, em contraste com a simples revelação de sentimentos e emoções de forma espontânea”. Ela pode ser usada como um alívio, um desabafo ou uma ferramenta de auto expressão que pode aumentar a sensação de bem-estar, melhorar os relacionamentos, reduzir sintomas de insônia, depressão e distúrbios psicossomáticos, melhorando a saúde física e mental. A escrita e a Saúde Mental no Terceiro Setor Gerenciar o estresse é algo com que lidamos todos os dias. Buscamos exercícios, ferramentas e até ajuda profissional para perpassar situações que nos geram angústia e dor emocional. “O que sabemos é que reprimir emoções pode levar ao sofrimento psicológico e, como a escrita é uma forma segura, gratuita e confidencial de extravasá-las, ela acaba sendo uma excelente ferramenta para trabalhar essas emoções”, defende o Instituto Ame Sua Mente. Estudiosos da área da psicologia, têm validado o uso da escrita como uma dessas ferramentas eficazes que podemos chamar de “Estratégias de enfrentamento em Saúde Mental” ou “Coping”. Sua utilização se encaixa na categoria adaptativa, que correspondente ao enfrentamento com foco na emoção, onde se realiza o fortalecimento do autoconhecimento e autocontrole emocional. Se você deseja saber mais sobre o Coping, veja esse artigo do Portal do Impacto . Neste texto sugerido, podemos observar como tem sido a utilização deste tipo de estratégia, com foco na emoção, por profissionais do Terceiro Setor, para cuidar de sua saúde mental, em contextos com variados aspectos estressores, como a alta demanda de trabalho, a escassez de recursos e a gravidade das causas sociais atendidas, sem que se tenha uma perspectiva de mudança, a curto prazo, das circunstâncias disparadoras dos sintomas de estresse. Dessa forma, a pessoa se fortalece mentalmente e emocionalmente para permanecer na situação até que as circunstâncias mudem ou que ela possa sair da mesma. Os benefícios de exercitar a escrita terapêutica Dados de um estudo publicado pela revista Advances in Psychiatric Treatment (Avanços no Tratamento Psiquiátrico), em 2005, e publicado de forma on-line, pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, revelou uma ampla pesquisa sobre o tema. De acordo com o artigo, os pesquisadores descobriram que os indivíduos analisados que escreveram sobre seus eventos traumáticos, situações de estresse ou qualquer situação que tenha provocado emoções fortes durante 15 a 20 minutos, de três a cinco vezes por semana, conseguiram superar com maior facilidade esses acontecimentos do que aqueles que não escreveram. A razão é que a escrita potencializa o entendimento e integração desses traumas, gerando amadurecimento, ao invés de neuroses. Em seu livro “Escrita Terapêutica - um caminho para a cura anterior”, de 2021, a autora Bruna Ramos da Fonte, defende: “São muitos os estudos que comprovam a eficácia da escrita no processo de recuperação emocional e psíquica do ser humano. Isto porque, ao escrevermos para nós mesmos, temos a chance de deixar de lado os nossos medos e defesas para então expressarmos aquilo que estamos realmente pensando e sentindo”. Concordando com Bruna, a psicóloga Stephanie Barbosa, ao escrever sobre a escrita terapêutica para a plataforma de saúde mental corporativa “Telavita”, cita seus inúmeros benefícios: Redução de sintomas: Ajuda a diminuir sintomas psicossomáticos relacionados à ansiedade, depressão e insônia, promovendo um maior bem-estar físico e emocional. Melhora no enfrentamento de situações difíceis: Facilita o processo de lidar com traumas, ao mesmo tempo em que aprimora a gestão das emoções e a capacidade de tomar decisões. Aprimoramento cognitivo: Contribui para a organização dos pensamentos, clareza das ideias e melhora da comunicação assertiva, além de estimular a criatividade. Ampliação da percepção: Amplia a percepção de si mesmo, dos outros e do mundo ao seu redor, promovendo uma compreensão mais profunda das experiências e relações. Como fazer? Prefira o papel: A prática da escrita terapêutica pode ser utilizada em qualquer pedaço de papel à sua disposição, e apesar de algumas pessoas utilizarem meios eletrônicos para esta finalidade, como bloco de notas ou blogs, o uso artesanal da escrita mostra-se ainda mais benéfico, pois mais regiões cerebrais e corporais são utilizadas, do que na digitação. Seu movimento rítmico e repetitivo também pode gerar um efeito calmante e relaxante. Construa um Diário: Para um exercício constante desta técnica, sugere-se a utilização de um diário, onde a revisitação dos registros anteriores se torna mais fácil. Dessa forma, suas jornadas emocionais podem ser guardadas permitindo revisitar o progresso e o crescimento pessoal ao longo do tempo. Utilize a associação livre de palavras: Exercite escrever de forma espontânea, sem censura, registrando tudo o que vier à mente, sem se preocupar com coerência, lógica ou estrutura textual. Crie uma frequência: Sendo realizado com frequência (diário, semanal etc) esse fluxo de palavras pode revelar temas recorrentes ou preocupações que não são facilmente acessíveis em uma escrita mais consciente, proporcionando uma visão mais clara do estado emocional e mental da pessoa, aumentando sua autopercepção e seu autoconhecimento Separe um tempo e escolha um bom espaço: Sempre que possível, escolha um espaço para sua escrita que seja silencioso e bem iluminado, em um momento em que você não será interrompido com frequência ou terá distrações. Vale lembrar: A prática da escrita terapêutica, apesar de seus benefícios comprovados pela ciência, não substitui a psicoterapia tradicional. Ela pode ser usada como uma abordagem complementar, de autocuidado, a fim de proporcionar mais clareza mental e autorreflexão, auxiliando no desenvolvimento do autoconhecimento e no processo de lidar com momentos difíceis. Quer ler mais sobre Autocuidado? Então, confira também este texto do Portal do Impacto sobre o tema: https://www.portaldoimpacto.com/autocuidado-a-historia-do-termo-no-campo-social-e-da-saude REFERÊNCIAS Baikie KA, Wilhelm K. Benefícios emocionais e físicos da escrita expressiva. Advances in Psychiatric Treatment . 2005;11(5):338-346. doi:10.1192/apt.11.5.338. Disponível em: https://www.cambridge.org/core/journals/advances-in-psychiatric-treatment/article/emotionaland-physical-health-benefits-of-expressivewriting/ED2976A61F5DE56B46F07A1CE9EA9F9F Barbosa, S. (2024). Saiba mais sobre a técnica da escrita terapêutica. Site Telavita - Disponível em: https://www.telavita.com.br/blog/escrita-terapeutica/#:~:text=A%20escrita%20terap%C3%AAutica%20%C3%A9%20uma%20t%C3%A9cnica%20criada%20por%20James%20W,autoconhecimento%20a%20quem%20a%20pratica Ramos, B. (2021) Escrita Terapêutica - um caminho para a cura anterior. Editora Letramento.






