Como as organizações do terceiro setor podem comunicar o impacto social e inspirar mudanças

18 de maio de 2023

Este conteúdo foi produzido por Flávia Domingues


Comunicar o impacto social é um dos maiores desafios enfrentados pelas organizações do terceiro setor. Embora essas organizações estejam trabalhando incansavelmente para melhorar a vida das pessoas, muitas vezes não conseguem comunicar de forma efetiva o impacto de suas ações para o público em geral. Isso pode ser atribuído a diversos fatores, e quero te contar um pouco mais sobre os que tenho identificado ao longo da minha trajetória profissional. Bora lá?


Complexidade dos resultados: muitas organizações do terceiro setor trabalham em áreas complexas e multifacetadas, tornando difícil a comunicação dos resultados alcançados. Noto que algumas vezes até os próprios colaboradores têm o desafio de entender o que de fato é feito e aonde se quer chegar com as ações.  Além disso, os resultados muitas vezes são de longo prazo, o que pode dificultar ainda mais a mensuração e comunicação do impacto social.


Comunicação só de projetos: outro ponto é que  muitas organizações só divulgam os resultados dos projetos, sem investir em outras estratégias de comunicação. Isso pode limitar o alcance da mensagem e não mostrar todo o potencial de transformação que a organização pode oferecer.


Falta de recursos: organizações do terceiro setor muitas vezes têm recursos limitados para investir em campanhas de comunicação, o que pode dificultar a comunicação do impacto social para um público mais amplo e diverso. 


Ausência de uma cultura de medição de impacto: muitas organizações do terceiro setor não possuem uma cultura de medição de impacto, o que torna difícil a comunicação do impacto social de suas ações. Sem uma compreensão nítida do impacto de suas atividades, essas organizações podem ter dificuldades em quantificar e comunicar seus resultados e contar boas histórias para financiadores e patrocinadores. 


E como entrar em ação e superar esses desafios?


Acredito que é caminhando que se faz o caminho. As organizações do terceiro setor devem investir em estratégias de comunicação efetivas que permitam comunicar de forma nítida e objetiva o impacto social de suas ações. 


É importante começar aos poucos, com metas realistas e um plano de comunicação gradual, para que seja possível avaliar os resultados e ajustar a estratégia conforme necessário. Além disso, a constância é fundamental: é preciso manter uma presença constante nos canais de comunicação escolhidos e investir tempo na construção de relacionamentos com os diferentes públicos de interesse da sua organização. Assim, começará a construir uma presença forte e inspiradora, que estimule o engajamento e a ação em torno de suas causas. 


Trago aqui algumas dicas para te nortear. 


1. Simplificar a mensagem: deixe de lado o "tudão"! Em vez de tentar comunicar todos os aspectos das atividades da organização, foque em uma mensagem principal que seja nítida e objetiva, que mostre ao mundo qual a causa que sua organização defende e quais são os valores inegociáveis. Utilize exemplos concretos e histórias inspiradoras para ilustrar o impacto de suas atividades.


2. Utilizar métricas compreensíveis e confiáveis: utilize métricas confiáveis para medir o impacto social das atividades da sua organização e use esses resultados para comunicar de forma objetiva e concreta o impacto de suas ações. Isso pode incluir, por exemplo, o número de pessoas beneficiadas por suas atividades, o aumento de renda das comunidades atendidas, a redução de índices de violência, entre outros. Dados sempre embasam boas histórias a serem contadas. 


3. Investir em campanhas de comunicação: sabemos que a maioria das organizações do terceiro setor possuem recursos limitados, porém é importante investir em campanhas de comunicação para alcançar um público mais amplo. O que observo é que muitas vezes são feitas ações soltas de comunicação, sem se planejar minimamente uma estratégia. Sabe aquele famoso “posta quando dá?”.  E aí entra um conteúdo solto e que pode ser bastante relevante para imagem e “mal” comunicado… Pense nisso… planejamento é amizade e não desamor. 


Utilize diferentes canais de comunicação, como redes sociais, site institucional, e-mail marketing e mídia tradicional para comunicar o impacto social de suas atividades. Te convido a ler o artigo que fiz recentemente sobre
como chamar a atenção da imprensa para sua organização quando não se tem uma assessoria de imprensa.


4. Envolva seus apoiadores: envolva seus apoiadores na comunicação do impacto social de suas atividades dá mais credibilidade. Utilize depoimentos de doadores, voluntários e beneficiários para comunicar de forma mais efetiva o impacto de suas ações. Peça para engajarem nos conteúdos da sua organização nas redes sociais e compartilhar novidades. 


Sabemos que comunicar o impacto social é um desafio para as organizações do terceiro setor, mas é essencial para demonstrar o valor de suas atividades para o público em geral. 

A trajetória é feita de testes para entender mais rapidamente o que conecta com seu público e o que precisa ser mudado. 


Pense sempre que você está comunicando para públicos diferentes, então “menos” o que você gosta como gestor da organização e “mais” o que as pessoas  estão interessadas, o que é relevante para elas, o que pode fazer com que alguém te financie, que tipo de comunicação faz com que as pessoas se conectarem com a sua organização. Lembre-se: quando sua organização pode inspirar e apoiar a sociedade, a mostre!


Espero que esse conteúdo faça sentido para você e te apoie de alguma forma, tá? Vou gostar de saber o que achou.





Flávia Domingues é jornalista, empreendedora e estrategista de comunicação de impacto social 


contato: flavia@efemais.com


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Manter uma Organização da Sociedade Civil (OSC) de portas abertas no Brasil é um desafio diário de sobrevivência. Historicamente, a sustentabilidade financeira é o maior gargalo do terceiro setor, mas, frente ao montante de trabalho e às obrigações do dia a dia, ainda não conseguimos olhar para ela de forma estratégica. Assim, tratamos a busca por recursos como um evento de última hora, e não como um processo diário. Os dados do setor desenham um cenário alarmante sobre a estrutura das organizações brasileiras. Segundo a pesquisa da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR)*, 37% dos respondentes apontam como a maior dificuldade da captação a necessidade de dividir o tempo com outras demandas da instituição. Na maioria dos casos, a função é acumulada pela diretoria ou por técnicos que já estão sobrecarregados com a operação na ponta. O resultado é um ciclo vulnerável, especialista em "apagar incêndios": uma corrida desesperada contra o tempo para preencher formulários complexos apenas quando o caixa já entrou no vermelho. Diante dessa escassez crônica de tempo, a Inteligência Artificial (IA) passou a ser uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para viabilizar a sustentabilidade institucional, mas poucas organizações ainda sabem como usá-la. A maioria das ONGs usa IA sem estratégia A rotina ideal de captação exige monitoramento constante do mercado, leitura minuciosa de editais, adequação técnica de propostas e relatórios rigorosos de prestação de contas. Mas você leu bem: ideal . Não é o que temos à mão no dia a dia. Para equipes enxutas, a IA se tornou o caminho para assumir essa carga operacional. Na captação de recursos, a máquina atua — ou deveria atuar — como um copiloto técnico: fazendo a triagem de diretrizes complexas e adaptando a linguagem de projetos para diferentes perfis de financiadores, devolvendo ao profissional o tempo necessário para pensar estrategicamente. Porém, de acordo com o levantamento do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) , feito com mais de 1,5 mil organizações, 62% assumem que ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Vivemos em uma constante urgência para adotar a tecnologia, mas o pouco background gerou um uso amador e desordenado. Um mapeamento recente conduzido também pelo IDIS com mais de 500 entidades revelou que 95% das organizações sociais utilizam IA sem qualquer política ou orientação formal, e 75% dependem exclusivamente de ferramentas gratuitas de mercado. O risco aqui é que, com a soma da pouca estratégia e da falta de substância, as ONGs só consigam gerar, por meio da IA, propostas superficiais e desconectadas da realidade do território. São materiais incipientes, que podem levar à desclassificação imediata dos projetos pelos avaliadores dos editais. Como usar a IA a seu favor? Como resposta direta a esse cenário de equipes sobrecarregadas e necessidade de profissionalização tecnológica, a Fundação FEAC, com apoio do Instituto Phomenta, estruturou o projeto Captação com Causa. A iniciativa de 18 meses foi desenhada justamente para aplicar a IA como uma solução de sustentabilidade em 10 OSCs selecionadas de Campinas. Para combater o uso desordenado e a dependência de plataformas gratuitas apontados pelas pesquisas, o programa introduz no dia a dia das instituições bots customizados e programados especificamente para o contexto do terceiro setor. Em vez de soluções genéricas, as organizações ganham um sistema que filtra editais de forma preditiva e qualifica a escrita técnica das propostas, reduzindo drasticamente o tempo gasto na formatação dos projetos. O foco principal do projeto, que conta com um match funding de R$ 100 mil, é estruturar a captação como uma rotina viável. Por meio de assessoramentos individuais e coletivos, o programa prepara os profissionais para utilizarem a IA com postura crítica, garantindo que a tecnologia trabalhe a serviço da estratégia humana. Ao transformar a tecnologia em uma aliada, o Captação com Causa mira na mobilização de R$ 800 mil entre as participantes e na comprovação de que, com o método correto, a captação de recursos pode deixar de ser um susto sazonal e se tornar uma estratégia previsível, perene e sustentável. Quer saber mais sobre o Captação com Causa? Confira nosso último artigo! *Fonte: Censo ABCR
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