Como chamar a atenção da imprensa para sua organização

20 de abril de 2023

Este conteúdo foi produzido por Flávia Domingues


Sabemos o quanto a mídia é importante para aumentar a visibilidade de iniciativas do Terceiro Setor e negócios de impacto. Também sabemos que a comunicação ainda é um grande desafio das organizações, principalmente as de menor porte. Poucas podem contar com um profissional, equipe ou agência para construir ações de comunicação e marketing  estratégicos para o relacionamento com os diferentes públicos de interesse. 


A assessoria de imprensa para ONGs e projetos sociais tem o papel de entender a missão institucional de determinada organização, mediar e divulgar informações de interesse público que impactam a vida das pessoas, a partir de estratégias de conquista de espaços em veículos de imprensa - jornais, sites, televisão, rádios, etc. 


O trabalho contribui para o crescimento, visibilidade, credibilidade e atração de investimento para as organizações por meio da criação de uma identidade positiva e de autoridade, conquistando a confiança de jornalistas para que as atividades de determinada organização se torne pauta e vire notícia. 


Quando fazemos o recorte das organizações que contam com uma assessoria de imprensa, seja interna ou terceirizada, vira quase um artigo de luxo contar com esse tipo de serviço. Ainda mais conhecendo os desafios enfrentados por diversas ongs para continuar em atividade e resistir à pandemia, período que as arrecadações caíram drasticamente. 


Neste primeiro artigo para o Portal de Impacto resolvi trazer algumas ideias de como sua organização pode chamar a atenção da imprensa enquanto ainda não pode contar com um serviço profissional de assessoria. 


Faça seu mailing 


Você sabe qual o público-alvo da sua organização e o impacto que quer provocar com suas ações, certo? 


Sugiro que comece pesquisando quais são os veículos de imprensa que se conectem aos projetos que você está desenvolvendo. Por exemplo, se você acha que o rádio é o canal mais ouvido pelo seu público, faça uma lista das principais da sua cidade ou bairro. Pare para ouvir os programas, saber o nome dos programas, horários, as notícias que estão sendo divulgadas. 


Ainda seguindo o fio, vá ao site da rádio, descubra o contato para envio de sugestões de pauta. Assim você vai montando o que chamamos de mailing, ou seja, uma base de contatos de jornalistas para facilitar que as informações cheguem mais direcionadas e despertem o interesse do jornalista pelo material enviado. 


Também busque caminhos alternativos para levantar contatos dos jornalistas como Linkedin (muitos deles estão nesta rede), Facebook, Instagram, blogs pessoais, etc. Observe também as assinaturas de matérias em sites. Alguns disponibilizam endereço de e-mail. 


Siga com levantamento para outras mídias como sites, blogs, programas de tv, etc. é um ponto de partida para saber quem está por trás da notícia. 


Uma boa história vende e se vende


Enquanto você não pode contar com uma assessoria de imprensa, sugiro fortemente que você tenha uma boa história da sua organização para contar. Arrisco a dizer que é bem difícil um jornalista resistir a uma história bem contada rs. Obviamente, o profissional vai checar a veracidade das informações, mas num primeiro contato impressiona e pode render uma pauta para sua organização.


Quando falamos de contar histórias que vendem, não quer dizer que é para ficar autoelogiando sua organização no material que vai enviar para mídia.  É entender, de forma realista, o que faz parte da trajetória que pode ser um acontecimento ou notícia interessante e que mereça ser contada. 


Por exemplo: o lançamento do site talvez não seja tão relevante para um jornalista, mas uma ação social em determinado bairro pode ser bem interessante e render espaço. Sempre pense com a mente de leitora ou leitor. Se você estivesse consumindo o conteúdo, o que chamaria sua atenção? Como impactaria na sua vida? Se prender sua atenção é notícia, se não só vai massagear o seu ego rs. 


Use dados, vidas transformadas, mostre os resultados da sua iniciativa de forma embasada. Tudo ajuda a despertar o interesse do jornalista e quando digo interesse é que às vezes,  digo como assessora de imprensa, temos uma pauta super relevante e acaba “xoxada” e ninguém liga para ela... É a vida rs. 


Quem não tem release vai de e-mail mesmo

Escrever um release (texto que serve para divulgar uma novidade sobre uma organização) não é uma tarefa fácil para quem não é do metiê da assessoria de imprensa. Aliás, quem toca esse tipo de trabalho geralmente são profissionais de jornalismo ou relações-públicas. 


Pense na sua organização como se fosse uma notícia, sem elogios, sem dizer o quanto ela é incrível. Foque em apresentar alguma novidade, oportunidade, alguma ação relevante de interesse público. Como mencionei no primeiro item, faça seu mailing com e-mail de jornalistas que conseguir. 


Escreva um e-mail atraente, intrigante e pense: vou escrever um e-mail quase impossível de ser ignorado. No jargão da assessoria de imprensa costumamos chamar esta ação de “vender a pauta”, obviamente o nosso trabalho não é só mandar e-mail, mas é importante que você tenha uma noção do processo. 


Insistência é o caminho 


Um ponto fundamental para tentar algum espaço na mídia, ainda mais sem o apoio de uma assessoria de imprensa, é não desistir. Nem sempre é no primeiro e-mail que vai ter algum retorno, aliás, podem ser vários e retorno zero. Mas a persistência é fundamental para conquistar a atenção do jornalista. A hora que você tiver um retorno, a sua organização pode virar matéria ou quem sabe conquistar um espaço para um artigo. Aí já valeu todo o esforço.


Vai chegar o momento em que sua organização vai poder contar com uma assessoria de imprensa, enquanto isso o lance é se movimentar e se mostrar.


Espero que essas dicas tenham ajudado você, de verdade! E se fizer sentido para sua organização, teste e coloque para jogo.




Flávia Domingues é jornalista, empreendedora e estrategista de comunicação de impacto social. 


Contato: flavia@efemais.com


Inscreva-se na nossa Newsletter

Últimas publicações

Por Instituto Phomenta 11 de junho de 2026
Nem todo edital é uma oportunidade. Entenda os riscos do desvio de missão e como captar recursos de forma estratégica.
Por Jaice Balduino 1 de junho de 2026
O doador brasileiro está mudando: mais seletivo, exigente e orientado por impacto. Descubra o que as organizações sociais precisam oferecer para conquistar e fidelizar quem doa no cenário atual.
Por Instituto Phomenta 26 de maio de 2026
Quem está no dia a dia da gestão de uma ONG conhece bem o dilema: a gente passa tanto tempo cuidando dos projetos e atendendo a ponta que a nossa própria estrutura vai ficando para trás. Já diz o ditado: “em casa de ferreiro…”. Nosso financeiro roda no limite, a equipe fica sobrecarregada, os processos são travados e a liderança vive exausta. A verdade é que a gente se acostumou a operar no modo de sobrevivência. Então, que tal dar um passo para trás e avaliar o todo? Durante o FIFE 2026, o sociólogo Domingos Armani trouxe uma provocação que cutucou feridas necessárias. Ele alertou que muitas organizações ainda insistem em carregar crenças e estigmas que funcionam como mapas obsoletos. Só que, o grande problema de usar um mapa velho é que o mundo mudou, e o desenho antigo já não bate com o terreno real de hoje. Insistir na ideia de que investir na própria estrutura é "gastar dinheiro que deveria ir para o projeto" é um desses mapas velhos que precisamos rasgar. Fortalecer a casa, o chamado Desenvolvimento Institucional (DI), é o que garante que a ONG continue existindo e gerando impacto no longo prazo. E essa mudança de mentalidade muda tudo, inclusive o jeito de captar recursos. Mudar a postura para financiar a sua estratégia Captar recursos para o Desenvolvimento Institucional, ou seja para estruturar a gestão, investir em tecnologia e manter o time funcionando, exige parar de pedir dinheiro apenas para o "projeto da vez". No painel da Plataforma Conjunta, ainda no FIFE, o debate girou em torno de como virar essa chave diante dos financiadores. Para ajudar a avaliar como a sua organização está se posicionando, montamos um checklist prático com os principais aprendizados da mesa: Checklist de postura para o fortalecimento da ONG [ ] Você se explica pela estratégia ou pelo portfólio? Quando vai conversar com um parceiro, você gasta todo o tempo listando as oficinas da semana ou apresenta primeiro a missão e a visão de futuro da organização? Grandes parceiros querem financiar o futuro da sua causa, não apenas uma ação pontual. [ ] Você sabe compartilhar vulnerabilidades? Se a sua organização fosse perfeita e não tivesse nenhum problema de gestão, ela não precisaria de apoio. Fale da sua vulnerabilidade, mas com estratégia. Acompanha o próximo ponto! [ ] O desafio vem acompanhado de uma solução? Mostrar os pontos fracos da gestão para o parceiro só funciona se você já apresentar a rota para resolver o problema. A vulnerabilidade precisa vir colada com a sua capacidade de planejamento. [ ] O estigma da escassez foi abandonado? A gestão já superou a velha crença de que o Terceiro Setor precisa trabalhar sofrendo, com ferramentas defasadas e computadores lentos? Modernizar a estrutura interna é uma decisão de eficiência, não um luxo. Saiba que você pode merece e precisa de estrutura. Modernizar para não parar no caminho Se os mapas antigos não funcionam mais, o papel de quem gere é desenhar novas rotas. Olhar para o Desenvolvimento Institucional serve para dar musculatura para a organização. Quando paramos de “vender o almoço para pagar o jantar” e começamos a financiar a nossa própria estratégia, a ONG ganha a sustentabilidade que precisa para transformar a realidade na ponta de forma estruturada e contínua.
Por Instituto Phomenta 14 de maio de 2026
Quem trabalha em ONG sabe que a comunicação costuma ser o pratinho que mais cai. Com tantas atividades executadas ao mesmo tempo, a estratégia acaba ficando para trás porque o operacional consome todo o dia. Mas o uso da Inteligência Artificial (IA) tem mostrado que dá para mudar esse cenário. Esse foi um dos temas centrais do Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica (FIFE 2026), o principal encontro sobre gestão do Terceiro Setor no Brasil. O debate focou em como a tecnologia pode organizar processos e liberar tempo para o que realmente importa. O cenário brasileiro é curioso: de um lado, a OpenAI aponta que o Brasil é o terceiro país que mais usa o ChatGPT no mundo (atrás apenas de EUA e Índia), com cerca de 140 milhões de mensagens diárias enviadas por aqui. Por outro lado, o uso estratégico nas ONGs ainda engatinha. Um levantamento do IDIS com mais de 1,5 mil organizações revela que 62% delas ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Ou seja, a tecnologia está na nossa mão, mas o setor social ainda está descobrindo como transformá-la em aliada da gestão. Para tirar proveito real dessas ferramentas, o segredo é o jeito que você as alimenta. Durante a palestra de Marco Iarussi, publicitário social e fundador da Curta Causa, aprendemos que o "treinamento" que você dá à IA é o que define se o resultado será genérico ou útil. Mão na massa: Passo a passo para montar seu plano com IA Para a IA aprender sobre a sua realidade e não entregar respostas vazias, siga este roteiro: 1. Não mude de conversa Escolha um único chat para tratar do seu plano de comunicação, seja no ChatGPT, Gemini ou Claude. Se você abre uma conversa nova toda vez, a IA "esquece" o contexto. Mantendo o mesmo canal, ela guarda o histórico e entende as necessidades específicas da sua organização. 2. Dê informações reais Antes de pedir o plano completo, descubra o que a IA já "pensa" sobre você. Isso serve para corrigir erros e fornecer dados que ela ainda não tem. Prompt: "O que você sabe sobre a causa [inserir sua causa] e o que conhece sobre o trabalho da [nome da sua ONG]?" 3. Alinhe o que é um plano de verdade Veja se o robô entende o seu universo. Se ele tiver uma visão muito comercial, o plano parecerá uma propaganda de loja, o que não funciona para o setor social. Prompt: "Para você, o que não pode faltar em um plano de comunicação para uma ONG? Liste os pontos principais." (Leia e diga o que você concorda ou não). 4. Descubra o que ninguém está falando Use a ferramenta para encontrar novos ângulos e sair do óbvio. Prompt: "O que o pessoal mais fala sobre [sua causa] hoje? E o que você acha que ainda não foi dito, mas que ajudaria as pessoas a entenderem melhor o nosso impacto?" 5. Peça o plano prático Agora que o chat está treinado, peça a estrutura final. Prompt: "Com base em tudo o que já conversamos aqui, monte um calendário de 30 dias para as nossas redes sociais. O foco deve ser [ex: prestação de contas ou atrair novos voluntários]." Onde entra a ética e o seu papel Usar a tecnologia para facilitar o dia a dia é inteligência de gestão, mas exige cuidado. A IA serve para fazer o primeiro rascunho e organizar as ideias, mas a palavra final, a conferência dos dados e o olhar humano sobre a causa precisam ser seus. O objetivo é automatizar o que for repetitivo para que você tenha fôlego. Com a comunicação organizada, sobra tempo para construir relacionamentos de verdade e focar no que nenhuma máquina substitui a confiança e o olho no olho com quem apoia a sua organização. 
Por Camila Pasin 30 de abril de 2026
Empresas brasileiras deixaram de ser apenas financiadoras e se tornaram plataformas de engajamento. Entenda como transformar uma simples doação em uma verdadeira aliança de impacto.
Por Gabriel Pires 9 de abril de 2026
Minha OSC precisa de um código de ética? No terceiro setor, valores sem regras claras podem gerar conflitos e riscos. Entenda por que o código de ética é essencial para a gestão das OSCs.
mostrar mais

Participe do nosso grupo no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão

Entrar para o grupo