A comunicação a serviço da transparência e da sociedade

19 de agosto de 2021

Este conteúdo foi produzido por Carla Prates


Há mais de 10 anos atuo na base, ou seja, em uma organização que presta atendimento direto à comunidade. A minha “salinha” de comunicação fica de portas abertas para intervenções de crianças, que querem mexer no kit de canetas especiais e que sempre fazem questionamentos adoráveis do universo lúdico: “Vocês não trabalham”? “Só ficam aí olhando para o computador!”.


E qual o trabalho da comunicação nessa missão intrínseca que temos dentro de uma organização social? No meu ponto de vista, a comunicação está a serviço da transparência. Precisa transmitir o que é feito, como é feito e o quanto impacta o trabalho social realizado. As OSCs transformam vidas e trabalham muito para essa finalidade! Muito mesmo! Isso precisa ser comunicado, valorizado, ressaltado.


A comunicação pode dar voz, mas não elege o que comunicar. Vamos voltar para a base, pensando na construção de uma casa. Primeiro, é preciso fazer a preparação do terreno e, em seguida, a fundação e o alicerce, que são a base da construção e que garantem sua sustentação. No âmbito da transparência, é a mesma coisa: primeiro temos que estudar o terreno e construir as bases, e o ideal é que isso seja feito coletivamente.


Dá para começar ou continuar pensando sobre comunicação e transparência por meio de algumas “bases”: para quem vamos comunicar? O que é relevante comunicarmos em termos de transparência, para cada público da organização (diretoria, comunidade, doadores, parceiros, equipe de colaboradores)? 


É a partir do olhar e da percepção do outro que eu me comunico. Partindo do princípio que as OSCs prestam um serviço à sociedade, o que cada público gostaria de saber sobre sua organização? A comunidade, por exemplo, pode querer saber quais os cursos e oficinas oferecidas e quais são os resultados dessas ações para a vida dos beneficiários.


O doador, por outro lado, quer saber como o dinheiro doado está sendo investido. Um estudo feito a partir do Monitor das Doações Covid-19 mostrou a fragilidade de grande parte das OSCs de prestar contas para parceiros. Será que esse doador vai se engajar novamente com a OSC? 


Observando as informações disponíveis no quesito prestação de contas, os pesquisadores classificaram as organizações em um ranking de cinco categorias de acordo com o grau de transparência: nenhuma, pouca, parcial, razoável e referência. A maior concentração de OSCs se dá no nível de pouca prestação de contas, com 73 organizações (44%), seguida daquelas que o fazem parcialmente (37 OSCs, 22%). Nos níveis razoável e referência são 49 organizações (que somam 30% do total)¹.


Para entender o que é relevante, consulte o público com o qual você está se comunicando. O que é relevante para você saber, doador? E para o parceiro, para a comunidade, para os beneficiários? E para a diretoria, para a equipe de colaboradores e para os voluntários?


E dá pra consultar todos os públicos ao mesmo tempo? Seria até mais aconselhável, porque, dessa forma, você poderia unir os olhares diferenciados de cada um. Pode ser uma experiência de aprendizado mútuo bem significativa. Que tal reunir beneficiários, parceiros, comunidade, diretoria, equipe de colaboradores e voluntários e perguntar o que eles desejam saber sobre a organização em termos de transparência?


Ah, e qual resposta eu dei para aqueles olhinhos questionadores que entraram na minha sala perguntando se eu não trabalhava? Eu respondi: "sim, eu trabalho! O meu trabalho é usar esse computador pra contar pra todo mundo o que é feito aqui na nossa organização”!


Para saber mais sobre transparência e sobre os critérios de certificação para sua OSC, acesse:

https://www.portaldoimpacto.com/transparencia-por-que-e-importante-para-ongs

https://www.portaldoimpacto.com/entendendo-o-conceito-de-gestao-transparente



Este conteúdo foi produzido por Carla Prates

Carla Prates

Carla Prates é jornalista e atua em organizações da sociedade civil há mais de 20 anos. Nas OSCs, já foi voluntária, educadora, coordenadora e assessora de comunicação. Muitas vezes esteve bem próxima da gestão, acompanhando seus desafios, resiliência e capacidade de se reinventar diante de pouco recurso, mas muita vocação para mudar o mundo.


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Esse treino consiste em criar um perfil superdetalhado dentro do sistema, incluindo: O histórico da organização e as causas que ela defende; A região onde ela atua e o perfil das pessoas que ela atende; Dados locais e o impacto real que ela já gera no território. Quanto mais rico e detalhado for esse perfil, mais a IA se transforma em uma assistente exclusiva da causa. A partir daí, a máquina passa a escrever falando a mesma língua do financiador. Ela aprende a usar os termos técnicos que os avaliadores de editais procuram, cruza as palavras-chave exigidas e ajuda a encaixar a história da sua comunidade dentro das metas do orçamento. Falando a linguagem de quem investe Hoje em dia, as empresas e institutos que financiam projetos sociais mudaram a forma de avaliar as propostas. Eles não olham mais apenas para o número bruto de pessoas atendidas; eles querem ver o valor real do impacto gerado. Por isso, o projeto treina a IA para usar uma métrica chamada SROI (Retorno Social sobre o Investimento) . Para se ter uma ideia de como isso funciona: pesquisas do setor mostram que, para cada R$ 1 investido em projetos sociais por meio de incentivos fiscais no Brasil, cerca de R$ 7,59 retornam em benefícios reais para a sociedade e para a economia. Quando a IA é ensinada a cruzar os dados públicos da sua cidade (como pesquisas do IBGE) com o histórico de entregas da sua ONG, ela ajuda a provar matematicamente o valor do seu trabalho. O seu projeto deixa de parecer um "custo" para o investidor e passa a ser visto como um investimento seguro e transformador. O que muda na prática para as organizações? Com esse método bem aplicado, as inovações que as ONGs podem esperar mudam completamente o jogo da captação: Fim do desespero de última hora: A organização sai daquele modelo de correr atrás de edital na véspera do vencimento e passa a ter uma rotina organizada e previsível; Propostas sem erros bobos: Os projetos ficam muito mais robustos, diminuindo drasticamente as reprovações por preenchimento incompleto, metas vagas ou erros de orçamento; Mais confiança dos financiadores: Uma ONG que consegue provar seu impacto com dados seguros conquista a confiança de grandes investidores e garante sua sustentabilidade no longo prazo. Quer saber mais sobre captação estratégica e tecnologia? 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