Você sabe o que é Investimento Social Privado? ISP

14 de julho de 2022

Este conteúdo foi produzido por Dominic Biffi e Bruno Faloppa

A pergunta que gostaríamos de fazer para você hoje é: você já ouviu falar de investimento social privado?


Muitas vezes, a gente se depara com essas palavras por aí, lemos em algum texto, encontramos em algum site, mas até onde você já foi atrás para entender mais o que essas palavras significam? E como você pode utilizá-las em favor da sua organização?


Vamos supor que nesse momento você faz parte de uma ONG* e está buscando novos parceiros e diferentes formas de captar recursos para executar suas atividades. Você se depara com diversas formas de receber apoio de Associações*, Fundações* e Institutos Empresariais*, como: doações de materiais, editais para inscrever os projetos da organização, oportunidades de capacitação, voluntariado e uma dessas possibilidades é o Investimento Social Privado - uma forma de apoio e parceria a longo prazo com uma organização privada.


Investimento Social Privado


O Investimento Social Privado (ISP) é um repasse financeiro de uma organização privada - como empresas, fundações e institutos - para projetos que visem a transformação da sociedade nas mais diversas vertentes.


Na prática, o ISP se diferencia das ações assistencialistas (ações isoladas ou momentâneas de assistência), pois há uma maior preocupação com o planejamento, monitoramento, processo de avaliação e impacto das ações realizadas.


Além disso, os institutos e fundações que trabalham com esse tipo de ação, quase sempre buscam organizações que estão alinhadas com seus negócios (causas, atividades, localidade).


ISP na prática


A Phomenta atua com educação em gestão e inovação para empreendedoras e empreendedores do 3º setor, dentre as frentes de atuação de 2021, tivemos a Jornada de Inovação Social.


Ela consistia em uma jornada com foco em projetos específicos das organizações participantes para o fomento de geração de receita. No final do processo, uma organização recebeu um investimento para colocar em prática a ação.


Por que isso foi um Investimento Social Privado? Porque a ONG mapeou a melhor forma de utilizar o capital financeiro, preestabeleceu indicadores de impacto e há um acompanhamento dos resultados durante todo o ano de 2022.


A utilização do ISP é interessante pois gera uma aproximação entre a organização e o investidor, facilitando as trocas, aproximando as duas partes e deixando um caminho mais aberto para novos projetos.


Como procurar um parceiro para este Investimento Social Privado?


Não existe uma receita pronta para isso, mas deixamos uma sugestão de possíveis caminhos que podem  ajudar nesta busca:


  1. Pesquise sobre Institutos, Fundações e/ou empresas que possuem uma atuação semelhante à sua organização, seja por conta da localização, seja pelo foco de atuação. As semelhanças vão facilitar a aproximação;
  2. Pergunte para amigos, funcionários e colaboradores se alguém possui contato de alguém que trabalha neste local;
  3. Caso não conheça ninguém, não se preocupe! Uma dica interessante é pesquisar por meio do site e do LinkedIn para achar a melhor pessoa para se comunicar sobre - para saber mais sobre como utilizar o LinkedIn, acesse este artigo do Portal do Impacto;
  4. Tenha em mente que o motivo do primeiro contato será para marcar uma conversa a fim de conseguir estabelecer um primeiro contato com eles, normalmente fica mais fácil a interação de forma síncrona;
  5. Por último, uma dica que poderá fazer muita diferença é montar o planejamento de acompanhamento do capital que será investido e dos indicadores de impacto. Estas informações chamam muita a atenção dos investidores;


Você já ouviu falar do Censo GIFE? 


A cada 2 anos, o GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas) divulga um Censo com dados sobre o Investimento Social Privado através de uma detalhada análise sobre o capital financeiro.


O relatório contém mais de 200 páginas que podem ser acessadas gratuitamente pelo site. Conhecer sobre este tipo de investimento no Brasil, poderá auxiliar em novas conversas com as partes interessadas de cada organização e em planejamentos estratégicos de atuais e futuros projetos. Pensando nisso, traremos a seguir alguns destaques e reflexões sobre o material.


84% dos Institutos, Fundações e Fundos Filantrópicos Familiares foram criados a partir dos anos 2000, sendo que quase metade (46%) deles surgiu após 2010, o que confirma a percepção de crescimento dessas organizações no campo do investimento social privado na última década.


64% dos investidores sociais repassaram recursos financeiros para ONGs, mobilizando um total de R$2,16 bilhões. Sendo que 42% deste valor foi apoiado por Institutos, Fundações e Fundos Filantrópicos Empresariais.


Como discutimos acima, existem diversas formas de captar recursos para a manutenção das atividades e é preciso uma análise do que faz mais sentido para cada organização, sejam doações de pessoas físicas, bazares (caso queira saber mais sobre este ponto, acesse o e-book) ou até o Investimento Social Privado. 


Essa forma de investimento tem crescido nos últimos anos, como mostramos acima, e pode ser interessante para se aproximar de empresas alinhadas ao propósito da sua OSC e firmar parcerias de longo prazo.


Recomendamos que leiam também o artigo “
Como montar propostas comerciais para empresas” para a organização se preparar cada vez mais para novas oportunidades e parcerias. Boa leitura!


Bruno Faloppa

Dominic Biffi


Referências: 

Censo Gife 2020 - https://sinapse.gife.org.br/download/censo-gife-2020

Manual do Terceiro Setor- 

https://www.abong.org.br/final/download/manualdoterceirosetor.pdf

 

Definições:


*ONG:
Organização da Sociedade Civil (OSC) ou Organização Não Governamental (ONG): Os dois nomes são utilizados para denominar o mesmo grupo, organizações formadas para atuar em cima dos problemas complexos da sociedade.


*Terceiro Setor:
muitas vezes, entende-se o Terceiro Setor como iniciativas que não são relacionadas ao Governo (Primeiro Setor) e não visam o lucro do mercado (Segundo Setor). Porém, essa definição apenas mostra o que ele não seria, sendo que, na realidade, é essencial entendermos o que o mesmo representa: 

“Conjunto de organizações privadas, sem fins lucrativos, que visam atuar em objetivos públicos e sociais em busca da melhoria contínua da sociedade, mesmo não sendo parte do governo público.”

 

*Instituto Empresarial: organizações sem fins lucrativos criadas e mantidas por uma empresa ou seus acionistas.

 

*Associação: união de pessoas, que se organizam para um determinado fim. 


*Fundação:
organização de um patrimônio (conjunto de bens) destinado a um objetivo determinado.


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Esse projeto, que tem duração de 18 meses, e é uma iniciativa da Fundação FEAC com apoio do Instituto Phomenta, tem um objetivo bem prático: foram selecionadas 10 organizações sociais de Campinas, que após formações, passam a utilizar uma plataforma de IA totalmente customizada para o terceiro setor. Por que focar em IA para buscar recursos? O que move esse projeto é uma ferida antiga das ONGs: o maior problema das organizações brasileiras hoje não é a falta de editais. As oportunidades estão publicadas por aí, na internet. O verdadeiro desafio das equipes, que quase sempre são enxutas, está em quatro passos básicos da rotina: Saber exatamente o que procurar para não aceitar qualquer dinheiro e acabar desviando da própria missão; Conseguir filtrar quais oportunidades realmente valem a pena e fazem sentido; Criar o hábito de buscar recursos de forma constante, e não só quando o caixa aperta; Transformar esse monte de informação em dinheiro no bolso para manter os projetos de pé. Escrever um projeto para um edital é complexo. Os formulários exigem justificativas profundas, orçamentos detalhados e até análise de riscos. Para equipes que já passam o dia se desdobrando no atendimento direto às comunidades, a IA entra como copiloto. Ela assume o trabalho mecânico de escrever e revisar textos, devolvendo para o captador o que ele tem de mais escasso: tempo para pensar na estratégia. Mas… como não deixar o texto com cara de robô? As ferramentas gratuitas que vemos por aí costumam "alucinar", que é o termo técnico para quando a IA inventa dados falsos ou cria argumentos superficiais simplesmente porque ela não conhece a realidade da sua ONG. Para blindar os projetos contra esse erro, o Captação com Causa ajuda as organizações a criarem um ambiente protegido e seguro, alimentando a inteligência artificial com a identidade real da instituição. Esse treino consiste em criar um perfil superdetalhado dentro do sistema, incluindo: O histórico da organização e as causas que ela defende; A região onde ela atua e o perfil das pessoas que ela atende; Dados locais e o impacto real que ela já gera no território. Quanto mais rico e detalhado for esse perfil, mais a IA se transforma em uma assistente exclusiva da causa. A partir daí, a máquina passa a escrever falando a mesma língua do financiador. Ela aprende a usar os termos técnicos que os avaliadores de editais procuram, cruza as palavras-chave exigidas e ajuda a encaixar a história da sua comunidade dentro das metas do orçamento. Falando a linguagem de quem investe Hoje em dia, as empresas e institutos que financiam projetos sociais mudaram a forma de avaliar as propostas. Eles não olham mais apenas para o número bruto de pessoas atendidas; eles querem ver o valor real do impacto gerado. 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Aproveite para conferir nossos outros textos sobre sustentabilidade financeira e inteligência artificial no terceiro setor: O perigo do "dinheiro a qualquer custo": não deixe a procura por editais desvirtuar a sua missão: Entenda como a urgência para acessar editais sem alinhamento prévio pode desvirtuar a missão institucional da sua OSC e saiba como selecionar financiadores que respeitem os seus valores reais. Por que sua estratégia de captação precisa de IA (urgente)?: Conheça os dados oficiais sobre a sobrecarga dos captadores de recursos no Brasil e descubra por que a inteligência artificial virou uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para criar rotinas eficientes.
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