Narrativas engajadoras

7 de julho de 2022

Este conteúdo foi produzido por Sulamita Santana do Arredondar

A segunda, das cinco diretrizes, enfatizadas pela agenda ''Por um Brasil + Doador, Sempre'', é promover narrativas engajadoras. Este documento foi criado pelos integrantes do Movimento por uma Cultura de Doação, reunindo ações e propostas para fortalecer a doação no país.

Falar em narrativas é apresentar acontecimentos, contar histórias. E isso é engajante quando consegue gerar conversas conectadas com a realidade das pessoas, promover diálogos, aproximar. 


Por onde começamos?


No dia a dia das organizações, essas histórias já acontecem no campo com os beneficiários e suas famílias, com parceiros, com as comunidades do entorno. Então, propomos repensar como elas estão sendo contadas, para quem estão sendo contadas e como elas podem gerar reações. 


Precisamos pensar em algumas questões para construir narrativas mais engajantes:


  1. Qual mensagem está por trás dessa narrativa?
  2. Qual reação queremos provocar com essa narrativa: sensibilizar, informar, conscientizar, provocar?
  3. O modo de contar leva em conta diferentes públicos? Considera também as pessoas que não conhecem a trajetória da sua organização? 
  4. A sua história é ou pode ser mais inclusiva?
  5. Está conectada à realidade das pessoas? Se sim, gera identificação, curiosidade, proximidade? 


Ao produzir conteúdo, precisamos lembrar que sabemos muito sobre a causa, conhecemos os dados e precisamos enfatizar a urgência do nosso trabalho. Mas precisamos pensar sobre como materializar esse conteúdo na vida real das pessoas. Não é só transmitir ideias ou tentar convencer, mas gerar conversas, diálogos, criar empatia.


A
diretriz 2 fala em criar narrativas qualificadas, positivas, inclusivas, engajantes e que cheguem a uma diversidade maior de públicos. Reunimos as dicas apontadas pelo Movimento por uma cultura de doação e o que fazemos no Arredondar: 


  • Usar linguagem simples e acessível.
  • Abordagem que se conecta com o dia a dia do seu público.
  • Falar dos temas por partes, com pouco conteúdo. 
  • Conectar o impacto direto ou indireto à realidade do doador ou parceiro.
  • Dar transparência à aplicação dos recursos e apresentar isso em diversos formatos: página de transparência no site, posts com números nas redes sociais, depoimentos de beneficiários.
  • Compartilhar visões positivas do futuro desejado, oportunidades, como a organização e a doação potencializa mudanças na vida das pessoas.
  • Dar protagonismo a doadores, beneficiários, parceiros, para que essas pessoas usem a sua voz e a própria experiência para inspirar e gerar empatia.
  • Tentar falar com um público amplo e diverso, não apenas com os ''entusiastas'' que já doam e conhecem o funcionamento das ONGs.
  • Considerar diferentes narrativas para diferentes públicos. 



Comunicando causas e criando narrativas engajantes na prática


No Movimento Arredondar, sempre que falamos sobre a nossa missão, como funciona nosso modelo de doação e qual o impacto desse trabalho, contamos histórias que envolvem pessoas, fatos reconhecíveis e identificáveis, mostram o efeito positivo da nossa proposta para parceiros e doadores. E isso leva em conta que esses ouvintes talvez não sejam doadores, não saibam nada sobre cultura de doação e talvez tenham algumas barreiras que distanciam a nossa mensagem. 


A mensagem sobre a necessidade de fortalecer a cultura de doação vai ser melhor compreendida quando as pessoas também pensarem sobre as barreiras que as distanciam da doação recorrente. Ou seja, a identificação aumenta a receptividade para visualizar a solução proposta.


Ao mostrar números de impacto direto ou indireto, a conexão aumenta quando contamos uma história que mostra a importância do trabalho da organização para provocar mudanças na vida das pessoas. Esses números, então, viram várias histórias e dão uma dimensão desse impacto. O Dia de Doar faz muito bem isso com a série
Minha História de Doação, mostrando os sentimentos que moveram os doadores.


Recentemente, convidamos equipes de lojas de marcas parceiras para visitar uma das ONGs apoiadas. Perguntamos se alguém já tinha visitado uma ONG e qual era o sentimento que ficava depois de conhecer mais sobre os vários projetos da organização. A resposta foi uma conexão ainda maior com a parceria, agora que eles entendiam quanta coisa a organização proporciona. Portanto, pensando em um público específico - colaboradores das marcas que arredondam - essa
experiência, que foi registrada em vídeo, vai criar uma narrativa para engajar os times a entender a proposta da parceria a partir desses relatos. 


Também podemos criar narrativas engajadoras com parceiros que apoiam a organização ou promovem uma ação de doação. Além do reconhecimento, personificamos o apoio recebido e inspiramos outros potenciais parceiros. Um bom formato é mostrar números de impacto potencializados com parceiros, compartilhando esse resultado com eles. Tanto a ONG quanto o parceiro podem contar como essa conexão fortalece a missão da organização e a causa apoiada.



E aí, gostou deste conteúdo? Compartilhe com a gente suas narrativas engajadoras e vamos todos ensinar e aprender uns com os outros! :)



Este conteúdo foi produzido por Arredondar

O Movimento Arredondar conecta marcas e causas com uma solução que usa tecnologia para criar novos canais de doação no varejo, engajando consumidores a doar no checkout, para apoiar ONGs.




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Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer um desafio estrutural: muitas organizações de base, especialmente em territórios periféricos, ainda têm dificuldade de incorporar tecnologia às suas soluções. Não por falta de visão, mas por falta de acesso à educação, à formação técnica e a investimentos sociais. É comum vermos tecnologias avançadas sendo desenvolvidas por startups e organizações de impacto, enquanto quem atua diretamente no território não dispõe dos recursos necessários para utilizá-las. Sem articulação, essa equação não fecha. Por isso, outra tendência que se consolida é a valorização de redes, consórcios e articulações territoriais. Organizações que atuam de forma isolada tendem a ter mais dificuldade de acessar investimentos. Financiadores buscam cada vez mais iniciativas coletivas, capazes de envolver múltiplos atores, setores e saberes. A experiência mostra que articular financiamento privado, cooperação técnica com o poder público e o engajamento de organizações de base é um caminho consistente para gerar impacto real e sustentável. Nesse novo cenário, o uso de dados e evidências deixou de ser opcional. A atuação precisa ser responsiva às necessidades reais dos territórios, e isso só é possível por meio da observação sistemática, da geração cidadã de dados e da tomada de decisões baseadas em evidências. O investimento social privado no Brasil amadureceu — e espera projetos bem estruturados, com governança sólida e clareza de resultados. É impossível falar de inovação sem falar de ética. Tecnologias como a Inteligência Artificial precisam ser desenvolvidas e utilizadas com base em princípios claros: respeito à privacidade e à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), justiça social, mitigação de vieses discriminatórios, controle social sobre dados e sistemas, segurança da informação e responsabilidade ambiental. O impacto climático da tecnologia, muitas vezes invisível, também precisa entrar na equação. Regulamentação e compromisso das empresas e investidores são indispensáveis. O financiamento das organizações também passa por mudanças relevantes. Doações online, campanhas como o Dia de Doar, cessão de tecnologias e licenças por empresas e, sobretudo, o fortalecimento dos mecanismos de incentivo fiscal têm ampliado as possibilidades de sustentabilidade. Quando uma empresa direciona parte de seus impostos para projetos sociais no território onde atua, o recurso retorna diretamente para a comunidade, em forma de educação, inovação e oportunidades. Isso fortalece a democracia e aproxima o investimento social da vida real das pessoas. As parcerias intersetoriais, aliás, tendem a se tornar ainda mais estratégicas. Políticas de ESG impulsionaram empresas a assumirem compromissos mais concretos com impacto social e ambiental. Quando essa agenda sai do discurso e se traduz em atuação no território, com cooperação técnica e investimento de longo prazo, os resultados são muito mais consistentes. Diante de um cenário marcado por polarização política e desinformação, o papel das organizações da sociedade civil também se amplia. Educação midiática, consumo crítico da informação e inclusão digital são hoje pilares da defesa da democracia. Eu acredito que capacitar pessoas em habilidades digitais é também fortalecer sua capacidade de participação cidadã. O terceiro setor está, sim, mais profissionalizado — e isso é necessário. O desafio é garantir que essa profissionalização não signifique distanciamento das bases sociais, mas sim mais impacto, mais escuta e mais transformação concreta nos territórios. Para as lideranças do setor, 2026 exigirá competências cada vez mais complexas: análise de dados, gestão de pessoas, captação diversificada de recursos, comunicação transparente, prestação de contas e capacidade de construir parcerias estratégicas entre diferentes setores. Mais do que nunca, impacto social será resultado de articulação, evidência e compromisso real com quem está na ponta. 
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Você pode amar muito um time e ainda assim vê-lo perder campeonatos por anos. Pode ter a maior torcida do país, uma história gigante e uma camisa pesada. Mas sem gestão, isso não se sustenta. No terceiro setor acontece algo muito parecido. Sou corinthiana e não acompanho o futebol tão de perto. Mesmo assim, é impossível ignorar o que Palmeiras e Flamengo vêm construindo nos últimos anos. Escrevo este artigo no final de 2025 e, ao olhar para os principais campeonatos do período recente, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, esses dois clubes seguem protagonizando finais, títulos e campanhas consistentes. Não por acaso, também passaram a aparecer em premiações internacionais que reconhecem excelência em gestão, como o Globe Soccer Awards. Mas nem sempre foi assim. E é exatamente aí que essa história interessa às organizações da sociedade civil. Quando a virada não acontece no campo Palmeiras e Flamengo já viveram fases marcadas por dívidas, crises internas e resultados bem abaixo do potencial que tinham. A mudança não começou com um craque, nem com um gol histórico. Começou fora de campo. Por volta de 2012 e 2013, os dois clubes passaram a tratar a gestão como eixo central. Planejamento financeiro, profissionalização das equipes, governança e visão de longo prazo deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões concretas. Se você não gosta de futebol, continue comigo. O ponto aqui não é o esporte. É entender que amor, tradição e propósito são fundamentais, mas não substituem uma boa gestão. Com gestão, a gente vai mais longe. O que o Palmeiras ensina No Palmeiras, a virada tem um nome bastante conhecido: Paulo Nobre. Ao assumir a presidência do clube em 2013, encontrou um cenário delicado, com dívidas e pouca previsibilidade. Uma das decisões mais simbólicas foi emprestar recursos próprios para reorganizar as finanças do time. Um gesto arriscado, mas inserido em uma estratégia maior. A partir daí, vieram parcerias estratégicas como a Crefisa, a profissionalização da gestão e a criação de novas fontes de receita. A modernização do Allianz Parque transformou o estádio em um ativo que gera renda muito além dos jogos, com shows e eventos. É a lógica de enxergar a estrutura como meio para sustentar a missão, algo bastante familiar para quem atua no terceiro setor. O Flamengo e a coragem de arrumar a casa O Flamengo sempre teve popularidade e potencial. O que faltava era organização. A virada começou com decisões duras e pouco populares, como uma política rigorosa de controle de gastos e reorganização financeira. Antes de investir pesado em contratações, o clube investiu em processos, equipe técnica qualificada e responsabilidade fiscal. Os títulos vieram depois. Não como milagre, mas como consequência. O que tudo isso tem a ver com as OSCs? Muito mais do que parece. Os dois clubes mostram que investir na base (jovens atletas em formação para o time principal) é apostar no longo prazo, mesmo quando o retorno não é imediato. No terceiro setor, isso aparece na formação de equipes, no fortalecimento institucional e no desenvolvimento de lideranças. Eles também reforçam uma verdade incômoda: amor não é estratégia. Paixão move, mas não organiza fluxo de caixa, não constrói indicadores e não garante sustentabilidade. Há ainda a importância de diversificar fontes de receita, inclusive para organizações grandes e reconhecidas, e de contar com profissionais qualificados, além de investir em quem já faz parte da equipe. Nada disso acontece do dia para a noite. O processo é longo, exige constância e escolhas difíceis. Um convite para quem lidera organizações sociais  Se você lidera uma OSC, vale a reflexão. O quanto da sua energia está concentrada apenas na causa e o quanto está direcionada para fortalecer a gestão que sustenta essa causa? Gestão não esfria o propósito. Pelo contrário. Ela protege a missão, amplia o impacto e garante que o trabalho continue existindo daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futebol e no terceiro setor, amor é o ponto de partida. Gestão é o que transforma esse amor em legado.
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