Turismo sustentável e regeneração: além do mínimo dano, o máximo benefício

30 de setembro de 2025

Recentemente tive o prazer de realizar viagens de monitoramento para projetos voltados ao turismo sustentável, e por muitos momentos a narrativa esbarrava em: é além de sustentável, é regenerativo, e isso me fez querer entender um pouco mais sobre esses conceitos!

O conceito de turismo sustentável tem sido um pilar fundamental nas discussões sobre o futuro das viagens, em especial, os ditos “paraísos turísticos”. Ele busca minimizar os impactos negativos do turismo, tanto no meio ambiente quanto nas comunidades locais, enquanto maximiza os benefícios econômicos, sociais e culturais. A ideia central é deixar o lugar "tão bom ou melhor" do que foi encontrado.


No entanto, à medida que os desafios ambientais e sociais se intensificam, uma nova perspectiva emerge, propondo ir além da sustentabilidade: a regeneração. O turismo regenerativo não se contenta em não causar dano; ele aspira a curar, restaurar e fortalecer os sistemas naturais e sociais que interage.


Turismo sustentável


O turismo sustentável se apoia em alguns consensos, entre eles: 


  1. Sustentabilidade ambiental: reduzir a pegada ecológica do turismo, promovendo a conservação da biodiversidade, o uso eficiente de recursos (água, energia), a gestão de resíduos e a minimização da poluição. Isso inclui desde a escolha de meios de transporte menos poluentes até a preferência por hospedagens com certificações ambientais.

  2. Sustentabilidade sociocultural: respeitar as comunidades e territórios locais, suas culturas, tradições e patrimônios. Isso envolve promover a participação local nos benefícios do turismo, garantir condições de trabalho justas, combater a exploração e incentivar a troca cultural respeitosa.

  3. Sustentabilidade econômica: assegurar que o turismo traga benefícios econômicos equitativos para a comunidade local, gerando empregos, apoiando pequenos negócios e mantendo o dinheiro circulando na região.


Turismo regeneração

O turismo regenerativo propõe uma mudança de paradigma. Em vez de apenas minimizar impactos, ele busca ativamente restaurar, revitalizar e aprimorar os destinos. Isso significa que a intenção não é apenas manter o status quo, mas sim deixar o local, território e a comunidade melhor do que eram antes.


Para entender a regeneração, pense em um ecossistema degradado que, através de intervenções intencionais e conscientes, volta a florescer. No contexto do turismo, isso pode ser visto em ações como: 


  • Restaurar ecossistemas: Envolver-se em ações de reflorestamento, recuperação de nascentes, limpeza de praias ou recifes, contribuindo diretamente para a saúde ambiental do destino.
  • Fortalecer comunidades: Investir no desenvolvimento local, na educação, na valorização do conhecimento tradicional e na capacitação de moradores para que sejam protagonistas do próprio desenvolvimento, e não apenas provedores de serviços.
  • Conexão profunda: Promover experiências que levem o visitante a uma conexão mais profunda com o local, suas pessoas e sua natureza. Isso pode gerar um senso de responsabilidade e cuidado, transformando o turista em um embaixador da regeneração.
  • Sentimento de pertencimento: Olhar para o destino como um sistema vivo e interconectado, onde o bem-estar ambiental está intrinsecamente ligado ao bem-estar social e cultural.


A regeneração incentiva  que os operadores turísticos, os visitantes e as comunidades trabalhem juntos para criar um legado positivo duradouro, onde cada viagem contribui para a vitalidade do lugar. É sobre semear valor, não apenas extraí-lo.


A relação entre os dois conceitos


O turismo regenerativo não anula o turismo sustentável, ele o aprofunda e o eleva a um novo patamar. A sustentabilidade é a fundação, as práticas que evitam o dano. A regeneração é a construção em cima dessa fundação, as práticas que curam e enriquecem.


Para que a regeneração seja possível, a sustentabilidade precisa estar incorporada. Não se pode regenerar um local se as práticas turísticas básicas ainda são predatórias. Primeiro, minimizam-se os impactos; depois, busca-se a restauração ativa.


A regeneração é o futuro?


Em um mundo cada vez mais consciente dos limites dos recursos naturais e da importância das comunidades locais, o turismo regenerativo oferece um caminho mais promissor. Ele muda a narrativa de "tirar menos" para "dar mais", transformando o ato de viajar em uma força para o bem.


Para o turista, isso significa uma experiência mais rica e significativa. Para os destinos, representa a possibilidade de não apenas sobreviver ao turismo, mas de verdadeiramente florescer com ele. O desafio, agora, é transformar essa aspiração em práticas concretas, envolvendo todos os elos da cadeia do turismo em um compromisso coletivo com a cura do nosso planeta e de suas comunidades.


E, se você quiser saber mais sobre turismo sustentável e regenerativo, indico conhecer algumas organizações sociais que atuam diretamente em projetos com esses fins, entre elas
Despertar Trancoso, Instituto Juruá, Spvs


Ci Freitas - Consultora e especialista em facilitação de grupos, com experiência em Gestão de Projetos e Metodologias Ágeis. Bacharel em Administração pela Faculdade de Mauá com Extensão em Direitos Humanos e Diversidade pela USP.

"Encontrei uma paixão na educação social, em 2016, especializando-me em metodologias ágeis e ensino empreendedor. Minha atuação é focada em criar e gerir projetos que promovam o desenvolvimento e o crescimento de organizações sociais, utilizando metodologias ágeis e uma abordagem humanizada para gerar impacto positivo."


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