Racismo, LGBTfobia e saúde mental: caminhos para ser uma ONG mais acolhedora

23 de junho de 2021

Neste texto, apontaremos, de maneira resumida, caminhos para que as ONGs possam se tornar espaços mais acolhedores aos seus trabalhadores, a fim de evitar sofrimentos psíquicos e adoecimentos por conta do racismo e da LGBTfobia.


Como já devemos saber, racismo é crime inafiançável e imprescritível, previsto na Lei nº 7.716/1989, baseado na ideia da existência de superioridade de raça, manifestações de ódio, aversão e discriminação que difundem segregação, coação, agressão, intimidação, difamação ou exposição de pessoa ou grupo. De acordo com o Art. 1º da Lei, serão punidos os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. É importante não confundir racismo com injúria racial, este último previsto no artigo 140, parágrafo 3º, do Código Penal brasileiro. Em geral, o crime de injúria está associado ao uso de palavras depreciativas referentes à raça ou cor com a intenção de ofender a honra da vítima.


A LGBTfobia, por sua vez, expressão da nossa sociedade heteronormativa, foi reconhecida em 2019 como crime de racismo pelo Supremo Tribunal Federal. De acordo com o Sistema Único de Saúde (SUS), a cada uma hora uma pessoa é agredida devido à sua orientação sexual ou identidade de gênero. A vida de uma pessoa LGBTQIA+ no Brasil é marcada pela violação de seus direitos humanos e por inúmeras violências como psicológica, moral e física. Por essa e outras razões, todo mês de junho celebra-se o Orgulho LGBTQIA+, a fim de valorizar as conquistas da comunidade até aqui, mas também para lembrar que a LGBTfobia existe, mata e precisa ser combatida.


Já a saúde mental é um problema de saúde pública e deve ser discutida em todos os setores. Portanto, o terceiro setor não pode ficar de fora. As violências sofridas pelas pessoas LGBTQIA+, pessoas pretas e indígenas, por exemplo, afetam diretamente sua saúde mental, gerando estresse, ansiedade, quadros depressivos, ideação suicida e abuso  de substâncias psicoativas. Nesse sentido, se as organizações não adotarem medidas antirracistas e contrárias à LGBTfobia, acabarão reproduzindo discriminações e opressões no ambiente de trabalho. 


Lembramos que no Portal do Impacto temos uma seção inteira para discutir o tema da saúde mental, veja: Saúde Mental.


A partir desses entendimentos, apontamos a seguir cinco ações para ajudar a construir uma organização mais acolhedora e menos racista e LGBTfóbica:


1. A primeira ação que indicamos é compreender como o racismo e a LGBTfobia acontecem no Brasil. Não basta dizer coisas como “eu sou antirracista”, é preciso aprofundar-se nessas questões e entender, de fato, como elas se manifestam. Ou seja, não fique nos modismos e “telas pretas”, saia do raso.


lgbt

2. Construa uma política de diversidade e inclusão para a sua organização: é indicado definir regras e compromissos que pautem a atuação das(os) trabalhadores da organização no combate a todas as formas de discriminação e preconceito. O documento da Fundação Tide Setubal - Política de Diversidade e Inclusão - pode ser utilizado como inspiração para iniciar esta construção.


3. Construa uma cultura de confiança e segurança psicológica: uma opção é criar um canal de escuta e acolhimento.



4. Invista na sensibilização e formação das(os) trabalhadoras(es) da organização sobre as temáticas de diversidade e inclusão.


5. Seja um(a) aliado(a) das pessoas que sofrem racismo e LGBTfobia: as pessoas que não estão dentro desses grupos podem ser aliadas e manifestar seu apoio por meio de atitudes no dia a dia. A seguir, reproduzimos um quadro da Mais Diversidade, maior consultoria de diversidade e inclusão da América Latina, que apresenta algumas situações cotidianas nas quais é possível demonstrar seu respeito e valorização à causa e às pessoas LGBTQIA+.



SEJA HUMILDE, PERGUNTE E BUSQUE UMA REDE DE APOIO QUANDO NÃO

CONSEGUIR LIDAR COM ALGUMA SITUAÇÃO SOZINHO(A).


Continue aprendendo:


Elisa Pires - Escola Unganda

Daiany França Saldanha, Cearense inquieta, empreendedora por natureza, professora por formação, ongueira por vocação, pesquisadora em construção e responsável pelo editorial do Portal do Impacto.


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