Quem são os educadores sociais da sua organização?

18 de maio de 2023

Este conteúdo foi produzido por Ana Carolina Ferreira (Partilha)


É com muita alegria que retornamos a este espaço tão rico de construção e troca de conhecimentos para compartilhar algumas reflexões que possam apoiar o desenvolvimento de projetos sociais de educação das organizações sociais que estão sempre por aqui se aprimorando! Se você está chegando agora por aqui quero te contar que o objetivo dos meus textos neste ambiente é colaborar com a potencialização da relação entre Educação & Desenvolvimento Social, que na minha visão, conhecimentos e experiência é riquíssima para promoção de transformações e impactos individuais e comunitários. Então, se esse tema te interessa, bora prosear mais, que tal?!


Quando estava refletindo sobre o que eu poderia trazer este ano para o Portal do Impacto, reli os conteúdos das duas primeiras séries que foram produzidas em 2021 e 2022. Iniciamos essa parceria trazendo dicas de estrutura, conteúdo e avaliação para os projetos sociais de educação, afinal, entendemos que para que a transformação aconteça “lá na ponta” é preciso cuidar de vários aspectos nos bastidores. Depois, refletimos sobre a potência da educação e dos processos formativos para o desenvolvimento social e comunitário, reconhecendo o importante papel do terceiro setor na promoção de oportunidades de formação e desenvolvimento nas comunidades


E foi assim que cheguei ao tema central desta série: as e os educadores sociais - como gerir e qualificar esse time, afinal de contas, são elas e eles que estão diretamente com os beneficiários construindo (ou não) os resultados que tanto almejamos, não é mesmo?! Então, qual é o papel da gestão diante dessa equipe e como cuidar para que ela seja cada vez mais potente?


Mas antes de responder a essa que é uma questão muito desafiadora, precisamos conversar sobre o papel de educador social.  Em uma rápida pesquisa sobre o termo na internet aparecem definições como: formação integral de pessoas em situação de vulnerabilidade social; integração social de indivíduos; transformação de educandos; interação família e sociedade, entre outros.


Eu, particularmente, enquanto educadora social, gestora de projetos sociais de educação, formadora de educadores, entre outros papéis, concordo plenamente com essa definição ampla e profunda de qual é nossa atuação e responsabilidade social. E creio também que é urgente que todas as pessoas que trabalham no terceiro setor reconheçam a importância da execução consciente e potente desse trabalho, inclusive as(os) próprias(os) educadoras(es) sociais.


Pela minha lembrança, a própria utilização do termo/da nomenclatura educador social é recente. Quando comecei a trabalhar com educação fora da escola eu tinha inúmeras dificuldades de explicar para as pessoas da família o que eu fazia ou ainda de preencher o campo “profissão” em diversos formulários. 


Ser educadora social é trabalhar diretamente e diariamente oferecendo oportunidades de desenvolvimento, reconhecendo e desenvolvendo potenciais, acolhendo demandas, conectando redes, transformando vidas. E, nesse sentido, é preciso estar em constante desenvolvimento e reflexão teórico-prática sobre esse fazer.


E aí é que eu pergunto para você que é da gestão: Quem são os educadores sociais da sua organização? Em vários casos que conheço e acompanho, as pessoas não são, a priori, educadores sociais, mas elas se tornam. Seja por uma formação inicial em temas trabalhados pela instituição - como arte, cultura, esporte - seja por um encontro não programado, mas apaixonante e definitivo com o terceiro setor.  Por isso é tão importante retomar a questão da série: como gerir e qualificar esse time?


O primeiro passo é conhecer essas pessoas! Em outros textos já publicados aqui no portal eu comentei que qualquer pessoa que atua em um processo educativo/formativo precisa ser vista pela gestão como um CPF, para além do CNPJ. Quais são as concepções de mundo, de indivíduo e de sociedade que atravessam o fazer educativo desse profissional? Quais são as suas experiências profissionais e sua formação anteriores ao início do trabalho com educação social?  Qual é o propósito de trabalhar no terceiro setor? Como a educação é percebida na teoria e na prática desse educador? Quais são seus propósitos de desenvolvimento pessoal e profissional? Como essa pessoa chegou até aqui?


É só a partir dessa proximidade e dessa conexão que é possível promover alinhamentos, potencializar processos, promover transformações nas organizações sociais que trabalham com projetos de educação. É por isso, gestor, que esse é meu primeiro convite nesse nosso novo papo por aqui. Conhecer e (re)conhecer quem está diariamente atuando com seu público é fundamental para que vocês melhorem os processos, alinhem expectativas e condutas, elaborem novos projetos, tenham mais resultados. Que tal marcar um café para conversar com sua equipe de educadores sociais?


E, antes de encerrar, preciso deixar mais uma provocação! Além dos educadores sociais que atuam formalmente nesse papel, sabia que todas as pessoas da instituição - inclusive você - também são educadoras? Da recepção do educando até a saída dele da organização, todas as pessoas com as quais ele tem contato podem inspirar, orientar, influenciar e, por isso, é preciso “falar a mesma lingua”. Mas isso é assunto para aprofundarmos outro dia.


Se esse papo fez sentido para você, continue acompanhando esta série. Minha intenção é trazer provocações e dicas para que ao cuidar e fortalecer sua equipe de educadores sociais você e a instituição sejam ainda mais efetivos, eficazes e transformadores!





Ana Carolina Ferreira, apaixonada por educação e terceiro setor, graduada em Letras e em Psicologia e especialista em Gestão de Projetos. Fundadora da Partilha, dedica-se ao desenvolvimento de pessoas, empresas e instituições sociais, assessorando programas educacionais.



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A experiência mostra que articular financiamento privado, cooperação técnica com o poder público e o engajamento de organizações de base é um caminho consistente para gerar impacto real e sustentável. Nesse novo cenário, o uso de dados e evidências deixou de ser opcional. A atuação precisa ser responsiva às necessidades reais dos territórios, e isso só é possível por meio da observação sistemática, da geração cidadã de dados e da tomada de decisões baseadas em evidências. O investimento social privado no Brasil amadureceu — e espera projetos bem estruturados, com governança sólida e clareza de resultados. É impossível falar de inovação sem falar de ética. Tecnologias como a Inteligência Artificial precisam ser desenvolvidas e utilizadas com base em princípios claros: respeito à privacidade e à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), justiça social, mitigação de vieses discriminatórios, controle social sobre dados e sistemas, segurança da informação e responsabilidade ambiental. O impacto climático da tecnologia, muitas vezes invisível, também precisa entrar na equação. Regulamentação e compromisso das empresas e investidores são indispensáveis. O financiamento das organizações também passa por mudanças relevantes. Doações online, campanhas como o Dia de Doar, cessão de tecnologias e licenças por empresas e, sobretudo, o fortalecimento dos mecanismos de incentivo fiscal têm ampliado as possibilidades de sustentabilidade. Quando uma empresa direciona parte de seus impostos para projetos sociais no território onde atua, o recurso retorna diretamente para a comunidade, em forma de educação, inovação e oportunidades. Isso fortalece a democracia e aproxima o investimento social da vida real das pessoas. As parcerias intersetoriais, aliás, tendem a se tornar ainda mais estratégicas. Políticas de ESG impulsionaram empresas a assumirem compromissos mais concretos com impacto social e ambiental. Quando essa agenda sai do discurso e se traduz em atuação no território, com cooperação técnica e investimento de longo prazo, os resultados são muito mais consistentes. Diante de um cenário marcado por polarização política e desinformação, o papel das organizações da sociedade civil também se amplia. Educação midiática, consumo crítico da informação e inclusão digital são hoje pilares da defesa da democracia. Eu acredito que capacitar pessoas em habilidades digitais é também fortalecer sua capacidade de participação cidadã. O terceiro setor está, sim, mais profissionalizado — e isso é necessário. O desafio é garantir que essa profissionalização não signifique distanciamento das bases sociais, mas sim mais impacto, mais escuta e mais transformação concreta nos territórios. Para as lideranças do setor, 2026 exigirá competências cada vez mais complexas: análise de dados, gestão de pessoas, captação diversificada de recursos, comunicação transparente, prestação de contas e capacidade de construir parcerias estratégicas entre diferentes setores. Mais do que nunca, impacto social será resultado de articulação, evidência e compromisso real com quem está na ponta. 
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Não é novidade que iniciativas culturais de territórios do Norte e Nordeste enfrentam desafios estruturais para acessar recursos e ampliar seu impacto. Dados de um levantamento realizado pela Iniciativa Pipa, em parceria com o Instituto Nu, mostram que 31% das organizações periféricas de cultura e educação operam com orçamento anual de até R$ 5 mil, enquanto 58% funcionam de forma totalmente voluntária, sem equipes remuneradas. Nesse cenário, a captação de recursos e o acesso a editais seguem como obstáculos frequentes. É a partir dessa realidade que nasce o Phomentando a Cultura: um programa apresentado pelo Ministério da Cultura, Governo do Brasil - ao lado do povo brasileiro, com patrocínio Nubank via Lei Rouanet. Este é um projeto voltado ao fortalecimento de fazedores e trabalhadores da cultura que atuam em organizações, coletivos, grupos, pontos e pontões culturais das regiões Norte e Nordeste. Formação prática para estruturar projetos culturais O Phomentando a Cultura tem como objetivo apoiar iniciativas culturais que já atuam em seus territórios, mas que precisam organizar melhor seus projetos, entender o que os editais realmente avaliam e se preparar para o credenciamento na Lei Rouanet e outros editais de fomento à cultura. Ao longo do programa, os participantes têm acesso a uma jornada de aceleração online, gratuita e acessível, com foco em: Organização e estruturação de projetos culturais Leitura estratégica de editais Preparação para o credenciamento de projetos na Lei Rouanet Orientações para ampliar as chances em editais estaduais, municipais e seleções de empresas, incluindo a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) A proposta é identificar o que costuma travar a aprovação de projetos e orientar ajustes possíveis dentro da realidade de cada iniciativa. Aceleração com orientação e acompanhamento Diferente de formações genéricas, o programa oferece orientação técnica e acompanhamento, com revisão de documentos, análise de gargalos e direcionamentos para que as organizações consigam avançar em processos de seleção e captação. Os encontros são pensados para quem vive a cultura no dia a dia e precisa de informações objetivas, sem linguagem técnica excessiva ou soluções distantes da realidade dos territórios. Presença nos territórios: caravana pelo Norte e Nordeste Nesta primeira edição, o Instituto Phomenta também promove uma caravana presencial, com eventos de lançamento, conexões e troca de aprendizados em 10 cidades: São Luís (MA) Macapá (AP) Santarém (PA) Olinda (PE) Manaus (AM) Porto Velho (RO) Rio Branco (AC) Teresina (PI) Salvador (BA) Fortaleza (CE) Os encontros presenciais são abertos a fazedores de cultura locais e fazem parte da estratégia de aproximação com os territórios. É a chance de entender ainda melhor o que o programa oferece. A agenda completa pode ser consultada no site. Quem pode participar Mesmo quem não estiver nas cidades visitadas pela caravana pode se inscrever no Phomentando a Cultura. O programa é voltado para: Organizações, coletivos, grupos, pontos ou pontões de cultura sediados em cidades do Norte e Nordeste Pessoas que desenvolvem atividades culturais de forma contínua e impactam seus territórios Inscrições abertas  O Phomentando a Cultura é uma oportunidade gratuita para quem quer fortalecer sua atuação cultural, estruturar melhor seus projetos e ampliar o acesso a recursos. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo link: https://www.phomenta.com.br/phomentando-a-cultura
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