Por que uma rede feminina de captação de recursos? Um convite a todas as captadoras de recursos

26 de agosto de 2021

Este conteúdo foi produzido por Ana Flávia Godoi


Um convite a todas as captadoras de recursos.


Captar recursos não é uma tarefa fácil. Nunca foi. Sempre foram necessários planejamento, pesquisa, dedicação, organização e, principalmente, conhecimento sobre ferramentas, processos e estratégias. Depende também do comprometimento da diretoria e do conselho da organização da sociedade civil sobre formação e desenvolvimento das equipes à frente da captação, para que elas possam conquistar metas e superar desafios. Como costumo dizer, é uma arte servida de muita ciência. Não há como negar que o incrível mundo dos captadores de recursos precisa de uma dose de matemática, estatística e fórmulas que ajudem no aprimoramento diário das especialidades necessárias para engajar doadores, construir confiança e manter o relacionamento com financiadores, definindo o melhor plano de captação para sua organização. 


Não é muito difícil perceber que a captação de recursos é uma profissão feminina. Para além de sermos a maioria enquanto profissionais, há de se convir que, de fato, só mesmo a energia feminina (inclusive a de vocês, rapazes!) para manter tudo funcionando. Entre os associados ABCR, cerca de 60% dos membros são mulheres. Nos EUA, a AFP (Association of Fundraising Professionals) contabiliza que cerca de 70-80% são mulheres. Somos muitas e dominamos o setor, certo? Não é bem assim. Não é porque somos a maioria que todas vivem a plenitude do desenvolvimento da profissão. 


A pandemia escancarou muitos dos desafios que nós, captadoras, enfrentamos. Sei que não somente na nossa profissão. As mulheres em geral trabalham cerca de 10,4 horas por semana a mais que os homens e vivem jornadas duplas e até triplas. O cansaço, o burnout e o desânimo por vezes não nos deixam ir além. O preconceito, a falta de confiança e a violência também nos afetam. E isso faz da captação uma atividade árdua, por ser uma profissão que precisa inspirar confiança no olhar e manter ativos os relacionamentos. E nem sempre estamos bem para isso. Ademais, a pandemia modificou os processos e os saberes da captação. Aprendemos mecanismos novos, inovamos na forma de manter as reuniões, tivemos que reduzir ou otimizar metas e reconduzir as rotas do trabalho. E sentimos medo de não dar conta. Eu, pelo menos, senti muito. 


Foi neste cenário que nasceu a Conexão Captadoras. 2020 foi um ano em que me joguei no desafio de ser consultora e, desta forma, de apoiar causas sociais diferentes. Essa decisão já havia sido tomada no final de 2019, e a pandemia transformou tudo numa grande incerteza. Em um primeiro momento, muitas perguntas sobre o futuro ficaram sem respostas. As respostas vieram com os aprendizados do novo caminho e com a certeza do quanto a captação é a ponte para a transformação social. Porém, algo fez a diferença: colaboração e trabalho junto a amigas e amigos de profissão. Que me perdoem os amigos, mas foi junto a mulheres incríveis que encontrei forças para seguir e ir além. Foi por conta da força delas que conseguimos trabalhar em 2020 e seguir construindo nosso futuro e o futuro das organizações. E isso me inspirou a pensar: por que não proporcionar uma rede colaborativa entre todas as captadoras no Brasil? Por que não pensar e estruturar um mecanismo de fortalecimento e promoção da liderança feminina na captação? Elas compraram a ideia, e assim nascemos. 


Começamos com alguns encontros para dialogar sobre desejos, aspirações e o que nos unia. E com algumas mulheres incríveis, tudo foi se constituindo: Renata Linhares, Ana Claudia Gomes, Tatiana Richard, Flavia Lang, Patricia Lobaccaro, Andrea Peçanha e Rachel Carneiro foram as primeiras a acreditar.


Hoje, a Conexão Captadoras é uma rede composta por cerca de 150 mulheres à frente da captação de recursos de organizações de diversos perfis e causas e espalhadas por todo o Brasil. Além disso, funciona como uma rede de atuação colaborativa entre mulheres captadoras, a partir do respeito à diversidade, da criação de relações de confiança e de ajuda mútua, para intercâmbio de know-how e vivências na profissão. Nossa atuação acontece por meio de três pilares: promoção da liderança, desenvolvimento de conteúdo próprio e, por fim, articulação com outras redes e grupos temáticos. Já iniciamos diálogos importantes com temas relevantes para o setor, realizamos encontros mensais, articulamos a construção de novos campos de conhecimento e vamos lançar um programa de mentoria.


E todas são bem-vindas e estão convidadas! Queremos crescer, ocupar novos espaços e construir articulação internacional e nacional. Se as mulheres são a maioria na captação para organizações sociais, nós precisamos ser poderosas, fortes e empoderadas para resolver os maiores problemas do mundo. 


Venha ser uma conectora e inspirar outras mulheres. 




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Por isso, o projeto treina a IA para usar uma métrica chamada SROI (Retorno Social sobre o Investimento) . Para se ter uma ideia de como isso funciona: pesquisas do setor mostram que, para cada R$ 1 investido em projetos sociais por meio de incentivos fiscais no Brasil, cerca de R$ 7,59 retornam em benefícios reais para a sociedade e para a economia. Quando a IA é ensinada a cruzar os dados públicos da sua cidade (como pesquisas do IBGE) com o histórico de entregas da sua ONG, ela ajuda a provar matematicamente o valor do seu trabalho. O seu projeto deixa de parecer um "custo" para o investidor e passa a ser visto como um investimento seguro e transformador. O que muda na prática para as organizações? 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