Pare de esperar por qualquer doador, vá em busca do seu doador

13 de maio de 2021

Este conteúdo foi produzido por Trackmob Soluções Digitais

Captaçao de Recursos

Ao captar recursos com indivíduos, nossa tendência é querer falar com todos que estão à nossa volta, nossos vizinhos, amigos e familiares. Trabalhar com captação de recursos e no terceiro setor é, em primeira instância, querer contar para todos o que fazemos e como o ambiente que trabalhamos provoca mudanças significativas em alguma área da sociedade civil. O primeiro grande susto de um captador, ao começar na área, é quando, apesar de todo o empenho ao contar sobre a organização que trabalha, descobre que nem todos ao redor se interessam e doam para aquilo a que estamos e somos tão entregues.


Por que nem todo mundo se encanta com aquele trabalho sério, digno, cujos resultados para quem mais precisa estão claros?

Já sabemos que doação em dinheiro, ainda mais de modo recorrente (o que mais ajuda as organizações a serem sustentáveis inclusive em momentos de crise como o que vivemos agora¹), é consequência, em primeira instância, da emoção que o ato de doar, de ajudar o próximo evoca - essa é a segunda maior justificativa para doação dos brasileiros, segundo dados do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS)². E essa emoção, esse sentimento que é distinto em cada um, é o que inaugura a relação financeira em que uns doam para causas e organizações X e outros para causas e organizações Y. E precisamos lembrar que está tudo bem com isso. 


Dia desses um cliente relatou que é muito difícil trazer doação para a causa dele (ligada a esporte e educação) porque as pessoas no Brasil não conhecem o benefício do esporte e o binômio saúde-educação para os jovens. Pode ser mesmo que, se pensarmos em toda a população do Brasil, boa parte não entenda ou não conheça. Porém, há uma parcela que conhece, sabe, que trabalha com esporte, com juventude e que lida diariamente com desafios e mais desafios nessa área. Afinal, será que a nossa tarefa mais primordial não é ir em busca dessas pessoas que já validam nosso caminho em vez  de nos iludirmos com a esperança de que todos no país se comovam com o problema no qual nossa organização atua para minimizar?


O primeiro desafio, então, ao buscar fazer captação de recursos com indivíduos, é direcionarmos nossos esforços para encontrar aquelas pessoas que se identificam de modo natural com nosso propósito. Conectarmos gostos, emoções em nossos admiradores e, consequentemente, trazê-los como nossos doadores. A chamada “taxa de conversão”. Como uma conversa entre pessoas com gostos próximos -  não flui mais fácil e espontânea? Assim devem ser nossas comunicações: com quem já possui afinidade com nossas pautas. Afinal, converter um doador é um processo natural para quem compartilha da nossa luta. Os pedidos soarão mais naturais; o cancelamento tenderá a ser mais doloroso ao doador, logo, menos provável; o boca a boca trazendo mais doadores, como uma consequência.


Veja: há aquelas pessoas que doam para a causa animal e que não sentem a mesma disposição para auxiliar as crianças, por exemplo. E vice-versa: há quem diga que crianças e idosos estão sempre em primeiro lugar. Constatações como essa não fazem o típico doador de ONGs que abrigam cães e gatos, por ex., ser menos solidário e gentil do que aqueles que apoiam a causa da fome. Seres humanos são diferentes e está tudo bem. O ato em si de doação de dinheiro, é, antes de tudo, um ato de amor, de dedicação, de identificação com o que nos toca mais profundamente². “
Doar dinheiro para organizações sem fins lucrativos ou organizações sociais é o segundo comportamento de doação mais comum entre os brasileiros nos últimos 12 meses”, como mostra o último relatório do IDIS em 2020³.  Lembremos disso ao não querer que todos nas redes sociais ou na comunidade passem a ser doadores da nossa causa. Precisamos direcionar os nossos esforços para quem já está com a gente, entende e valida nossas dores, mas ainda não doa.


Use plataformas como Google Analytics, Google Ads⁴, mensure suas taxas de visita, menção nas redes, número de acessos e visualizações, números de interações. E como esses dados estão refletindo (ou não) no aumento dos seus doadores. Você entende esse funil dentro da sua organização?  Aqui na Trackmob conseguimos auxiliar nossos clientes nesse caminho através das nossas plataformas e serviços. Crie formas de trazer cada vez mais para perto e para dentro seus seguidores. Eles sabem do seu esforço por trás? Já contou e permanece contando para eles o custo de cada ação e como você não conseguiria continuar sem os doadores? 


Um dos nossos clientes entre Março de 2020 e Março de 2021 aumentou em 500% seu número de doadores depois que começou a fazer encontros regulares via Youtube e passou a ter a estratégia de pedir doações por este canal - encontrou nessa estratégia um público que se identificava com seus princípios e ação, mas ainda não sabia da sua existência (a ONG não era, até então, conhecida fora da sua região de atuação). A inteligência ao fazer ações, investir tempo e pessoal no binômio divulgação - captação te dará bastante repertório e casca para crescer sua captação de recursos. Nessa trilha garantimos que já terão bastante trabalho e aprendizados. E, a cada curva, uma lição e doadores a encontrar. 


Não está seguro se está apresentando a sua organização da melhor forma? Acredita que ainda não consegue despertar o interesse das pessoas até encantá-las e serem suscetíveis a doar?


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Quem está no dia a dia da gestão de uma ONG conhece bem o dilema: a gente passa tanto tempo cuidando dos projetos e atendendo a ponta que a nossa própria estrutura vai ficando para trás. Já diz o ditado: “em casa de ferreiro…”. Nosso financeiro roda no limite, a equipe fica sobrecarregada, os processos são travados e a liderança vive exausta. A verdade é que a gente se acostumou a operar no modo de sobrevivência. Então, que tal dar um passo para trás e avaliar o todo? Durante o FIFE 2026, o sociólogo Domingos Armani trouxe uma provocação que cutucou feridas necessárias. Ele alertou que muitas organizações ainda insistem em carregar crenças e estigmas que funcionam como mapas obsoletos. Só que, o grande problema de usar um mapa velho é que o mundo mudou, e o desenho antigo já não bate com o terreno real de hoje. Insistir na ideia de que investir na própria estrutura é "gastar dinheiro que deveria ir para o projeto" é um desses mapas velhos que precisamos rasgar. Fortalecer a casa, o chamado Desenvolvimento Institucional (DI), é o que garante que a ONG continue existindo e gerando impacto no longo prazo. E essa mudança de mentalidade muda tudo, inclusive o jeito de captar recursos. Mudar a postura para financiar a sua estratégia Captar recursos para o Desenvolvimento Institucional, ou seja para estruturar a gestão, investir em tecnologia e manter o time funcionando, exige parar de pedir dinheiro apenas para o "projeto da vez". No painel da Plataforma Conjunta, ainda no FIFE, o debate girou em torno de como virar essa chave diante dos financiadores. Para ajudar a avaliar como a sua organização está se posicionando, montamos um checklist prático com os principais aprendizados da mesa: Checklist de postura para o fortalecimento da ONG [ ] Você se explica pela estratégia ou pelo portfólio? Quando vai conversar com um parceiro, você gasta todo o tempo listando as oficinas da semana ou apresenta primeiro a missão e a visão de futuro da organização? Grandes parceiros querem financiar o futuro da sua causa, não apenas uma ação pontual. [ ] Você sabe compartilhar vulnerabilidades? Se a sua organização fosse perfeita e não tivesse nenhum problema de gestão, ela não precisaria de apoio. Fale da sua vulnerabilidade, mas com estratégia. Acompanha o próximo ponto! [ ] O desafio vem acompanhado de uma solução? Mostrar os pontos fracos da gestão para o parceiro só funciona se você já apresentar a rota para resolver o problema. A vulnerabilidade precisa vir colada com a sua capacidade de planejamento. [ ] O estigma da escassez foi abandonado? A gestão já superou a velha crença de que o Terceiro Setor precisa trabalhar sofrendo, com ferramentas defasadas e computadores lentos? Modernizar a estrutura interna é uma decisão de eficiência, não um luxo. Saiba que você pode merece e precisa de estrutura. Modernizar para não parar no caminho Se os mapas antigos não funcionam mais, o papel de quem gere é desenhar novas rotas. Olhar para o Desenvolvimento Institucional serve para dar musculatura para a organização. Quando paramos de “vender o almoço para pagar o jantar” e começamos a financiar a nossa própria estratégia, a ONG ganha a sustentabilidade que precisa para transformar a realidade na ponta de forma estruturada e contínua.
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