O que a Ciência e o Terceiro Setor têm em comum?

24 de maio de 2024

Conheça o Impacto Científico, podcast que dá visibilidade de boas práticas de colaboração entre cientistas e empreendedores sociais

Recentemente, tem aumentado as discussões sobre a falta de investimentos na ciência no Brasil1, o papel da filantropia na ciência2 e a fuga de talentos cientistas3, que após de formados, acabam indo para outros países ou até mesmo desistindo da carreira acadêmica.


Você deve estar pensando agora: estou no site correto? O que esse tema tem a ver com o Portal do Impacto? Pois é, não é tão trivial, mas a situação da ciência no Brasil se assemelha muito à situação do Terceiro Setor e eu estou aqui para te contar um pouco sobre essa minha visão.


Há nove anos atrás, com uma formação em Biologia e um mestrado em Oceanografia (estudo do Oceano), acabei optando por outros caminhos não científicos e fundei a
Phomenta. Essa história pode ficar para outro texto, sobre essa transição de carreira. Mas desde 2015, que foi a época em que eu conheci o empreendedorismo social e o Terceiro Setor de perto, eu já via semelhanças com o meu passado de jaleco em um laboratório.


As semelhanças entre a Ciência e o Terceiro Setor


Para começar, tanto os profissionais da ciência como do Terceiro Setor - com raras exceções - possuem um problema muito claro à sua frente e que estão dispostos a resolver. Em sua maioria, esses problemas impactam negativamente a sociedade ou o meio ambiente e, por isso, demandam por soluções inovadoras, as quais necessitam de pessoas boas, tempo e recursos financeiros.


Os profissionais que se dedicam em ambas as carreiras são extremamente apaixonados pelo que fazem, conhecem muito bem a técnica, mas são pouco reconhecidos e valorizados. Ou seja, pela falta de recursos financeiros, acabam por acumular diversas funções, muitas vezes voluntariamente, para não desistir da causa. Benefícios? Horas extras? Diárias e viagens pagas? São poucos os casos que vemos isso acontecer em ambas as situações. E mesmo com toda a exaustão mental, ainda passam por situações constrangedoras de sempre ter que explicar o que fazem para os outros, sem esses outros entenderem muito bem a importância do que fazem.


Por falar em recursos financeiros, também possuem semelhanças no contexto da captação. É preciso ter dedicação para captar. Além de todo o trabalho técnico, os profissionais precisam se capacitar e ter fôlego para vender seus projetos. Até aí, eu sei que faz parte do “jogo” e isso não é só no Brasil, é mundial. Mas a questão é o contexto da captação: poucos recursos disponíveis, concentrados em poucos estados, em poucas causas, cheio de pré-requisitos e editais engessados, que por muitas vezes não se adequa ao contexto real. Afinal, para produzir ciência ou uma transformação social decente é preciso de um capital flexível e paciente. São necessários projetos de longo prazo para um verdadeiro impacto. Mas os investidores querem algo rápido, milagroso e com o menor recurso possível. Por isso essas áreas são encaradas - ainda por muitos - como de alto risco e com baixo retorno.


Agora, tem algo que essas áreas são complementares: uma é mais teórica e a outra é mais prática. Não tem certo e nem errado. Mas já que possuem tantas semelhanças e nesse quesito são complementares, o que resultaria da união de ambos os profissionais? Será que a colaboração entre cientistas e empreendedores sociais pode chamar mais atenção para atrair recursos? Será que ter cientistas trabalhando no Terceiro Setor podemos reter esses talentos dentro do nosso país? Será que o Terceiro Setor trazendo o campo prático para cientistas, teremos pesquisas mais aplicadas para influenciar políticas públicas? O que essa colaboração pode impactar positivamente na produção de soluções inovadoras para os problemas socioambientais?


Foi com essa pulga atrás da orelha que eu resolvi em 2022 sair da operação da Phomenta para fazer uma imersão novamente no meio científico para tentar descobrir se isso já existe e como funciona. Quem já faz esse tipo de colaboração? Quais são os benefícios e casos de sucesso? E os desafios? Faz sentido pensar em fomentar essa colaboração para atrair mais investimento filantrópico para ambos os setores, em conjunto?


Boas práticas de colaboração da Ciência e impacto social


É por isso que eu escrevo esse texto no Portal do Impacto: para te convidar a conhecer uma nova iniciativa, da mesma essência da Phomenta, chamada Impacto Científico. É um podcast com conversas inspiradoras de pessoas que trabalham nessa interseção entre a ciência e o impacto social. A ideia é tentar responder às questões acima com quem já faz isso na prática e tentarmos começar a desenhar certos padrões juntos, para entender se faz sentido fomentar esse tipo de colaboração.


No episódio de estreia
, temos como convidado o John Gomes, engenheiro da pesca e mestre em Biologia Ambiental, que nos conta como uma parceria entre a Universidade Federal do Pará e duas ONGs (uma fundada por pesquisadores do seu laboratório e outra com histórico de atuação na região), possibilita o trabalho de conservação e educação ambiental nos mangues da Amazônia, conseguindo contratar não só profissionais do Terceiro Setor, como também prover bolsas de mestrado e doutorado, investindo na formação de cientistas. Ficou com interesse em ouvir? Clique aqui e escute, ou veja o resumo desse episódio no meu blog. Está muito inspiradora essa conversa!


Além deste episódio, já temos outros falando sobre parceria entre projetos de doutorado e escolas públicas, sobre a ciência cidadã, que é quando os cidadãos colaboram com os projetos científicos, sobre o uso de dados e evidências para chamar a atenção de problemas já conhecidos na prática, como a falta de recursos para as organizações da periferia do Brasil, entre outros. Toda quarta-feira sai um episódio novo e você pode nos seguir no instagram (
@impactocientifico) onde poderá conferir o rosto dos convidados, trechos das entrevistas e textos complementares sobre os temas tratados.


Nos próximos meses, você também vai conferir aqui no Portal do Impacto outros textos em que vou dissecar mais sobre essa colaboração entre a ciência e o impacto social. Vamos discutir juntos os prós e contras, trazer casos de sucesso e, acima de tudo, as oportunidades para atrair recursos para essa parceria. Afinal, juntar dois profissionais apaixonados e dedicados a contribuir com soluções para os problemas complexos da nossa sociedade não tem como dar errado, né? Pelo menos, é isso que tenho como hipótese. Vamos descobrir juntos.


Referências:

1 - O Brasil valoriza os seus cientistas?, Gama Revista, 28 de abril de 2024

2 - Grupo de Estudos de Modelos de Apoio à Ciência - Gema Filantropia, Instituto de Estudos Avançados da USP, 15 de agosto de 2023

3 - As consequências de não valorizar a carreira científica, Gama Revista, 28 de abril de 2024


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Se você trabalha em uma organização social, provavelmente já conhece esta situação: o prazo para entregar um relatório se aproxima e começa uma verdadeira força-tarefa para reunir fotos, encontrar comprovantes, levantar números e tentar resgatar atividades realizadas meses atrás. A boa notícia é que a prestação de contas não precisa ser um processo estressante. Ao longo da minha trajetória em operações e acompanhamento de organizações sociais, percebo que as maiores dificuldades não estão relacionadas à falta de trabalho realizado, mas à ausência de uma rotina simples para organizar as informações. Afinal, quem está no dia a dia da execução sabe que as demandas são intensas e nem sempre sobra tempo para registrar cada passo. A verdade é que prestar contas vai muito além de cumprir uma obrigação com financiadores ou parceiros. É uma oportunidade valiosa de evidenciar o impacto gerado, fortalecer a credibilidade da organização e consolidar uma base de conhecimento essencial para o crescimento institucional. A prestação de contas começa antes do relatório Um dos erros mais comuns é enxergar a prestação de contas como uma atividade pontual, que acontece apenas ao final de um projeto ou sob demanda. Na prática, ela deve ser construída ao longo de toda a execução. Quando a organização estabelece o hábito de registrar ações, resultados e evidências periodicamente, o trabalho deixa de ser uma carga concentrada e passa a integrar a rotina da equipe. Uma boa prática é reservar um tempo mensal para atualizar indicadores, organizar documentos e reunir registros; esse pequeno cuidado economiza horas preciosas no futuro. Fotos, listas de presença, depoimentos, notas fiscais e comprovantes de despesas são documentos recorrentemente solicitados. Por isso, vale a pena criar uma estrutura simples de armazenamento. Pastas organizadas por projeto, período ou tipo de atividade fazem toda a diferença, o importante é que a equipe saiba onde encontrar os arquivos e que haja um padrão claro para salvá-los. Lembre-se: quanto mais próximo do momento da atividade o registro for realizado, menores são as chances de perder informações valiosas. Ao pensar em indicadores, muitas organizações acreditam que precisam de sistemas sofisticados, no entanto, o mais importante é começar pelo básico. Algumas perguntas norteadoras ajudam muito: ● Quando a ação foi realizada? ● Quantas pessoas foram atendidas? ● Quantas atividades foram realizadas? ● Quantos voluntários participaram? ● Quantos materiais foram distribuídos? ● Quais resultados ou mudanças foram observados? Esses dados fornecem uma visão consistente sobre o alcance das ações. Com o tempo, a organização pode aprimorar suas métricas, mas o primeiro passo é garantir que as informações essenciais estejam sendo registradas. Uma prestação de contas organizada transmite profissionalismo, responsabilidade e transparência. Além de cumprir exigências de editais, ela consolida a confiança de doadores, parceiros, voluntários e da própria comunidade. Estamos em momento onde o doador busca muito mais transparência, e, organizações que demonstram seus resultados com clareza saem na frente, não necessariamente porque fazem mais, mas porque comunicam melhor o valor daquilo que realizam. Talvez a principal mudança de perspectiva seja entender que a prestação de contas não existe apenas para quem está fora da organização; ela é uma ferramenta vital de gestão interna. Ao monitorar indicadores, registrar aprendizados e analisar resultados, a equipe identifica desafios, corrige rotas e planeja os próximos passos com mais segurança. Mais do que um relatório, a prestação de contas é uma poderosa aliada na construção de organizações mais sustentáveis e preparadas para ampliar seu impacto. E, no fim das contas, o segredo está na constância: pequenos registros feitos ao longo do ano são muito mais eficientes do que grandes esforços concentrados às vésperas de um prazo. Afinal, narrar o impacto gerado fica muito mais fácil quando ele foi acompanhado durante toda a jornada. *Ana Carolina Vieira – Analista de Operações e Impacto Formada em Secretariado Executivo, possui experiência nas áreas administrativa e financeira, com atuação na gestão de processos internos, organização de informações, atendimento e comunicação. Ao longo de sua trajetória, desenvolveu habilidades em planejamento, controle operacional e suporte à gestão, contribuindo para a eficiência e o fortalecimento das rotinas organizacionais.
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A Inteligência Artificial (IA) não vai salvar nenhuma Organização da Sociedade Civil (OSC). Todo mundo já entendeu que ela é indispensável, que agiliza os processos, que ajuda no corre do dia a dia e que tem mil e uma utilidades. Mas ela, sozinha, não vai tirar a sua organização do vermelho e nem vai desafogar a sua equipe. A IA é uma ferramenta poderosa para apoiar a sua gestão, mas ela só funciona se for treinada e alimentada do jeito certo. E a grande pergunta é: você já sabe como fazer isso? A verdadeira inovação da tecnologia no terceiro setor não está nas ferramentas gratuitas e famosas que todo mundo usa na internet. O segredo está em construir uma estratégia modelada exclusivamente para a captação de recursos via editais. Se as exigências de quem financia mudaram, a forma como as ONGs planejam seus projetos precisa evoluir na mesma velocidade. É exatamente por isso que nasceu o Captação com Causa. Esse projeto, que tem duração de 18 meses, e é uma iniciativa da Fundação FEAC com apoio do Instituto Phomenta, tem um objetivo bem prático: foram selecionadas 10 organizações sociais de Campinas, que após formações, passam a utilizar uma plataforma de IA totalmente customizada para o terceiro setor. Por que focar em IA para buscar recursos? O que move esse projeto é uma ferida antiga das ONGs: o maior problema das organizações brasileiras hoje não é a falta de editais. As oportunidades estão publicadas por aí, na internet. O verdadeiro desafio das equipes, que quase sempre são enxutas, está em quatro passos básicos da rotina: Saber exatamente o que procurar para não aceitar qualquer dinheiro e acabar desviando da própria missão; Conseguir filtrar quais oportunidades realmente valem a pena e fazem sentido; Criar o hábito de buscar recursos de forma constante, e não só quando o caixa aperta; Transformar esse monte de informação em dinheiro no bolso para manter os projetos de pé. Escrever um projeto para um edital é complexo. Os formulários exigem justificativas profundas, orçamentos detalhados e até análise de riscos. Para equipes que já passam o dia se desdobrando no atendimento direto às comunidades, a IA entra como copiloto. Ela assume o trabalho mecânico de escrever e revisar textos, devolvendo para o captador o que ele tem de mais escasso: tempo para pensar na estratégia. Mas… como não deixar o texto com cara de robô? As ferramentas gratuitas que vemos por aí costumam "alucinar", que é o termo técnico para quando a IA inventa dados falsos ou cria argumentos superficiais simplesmente porque ela não conhece a realidade da sua ONG. Para blindar os projetos contra esse erro, o Captação com Causa ajuda as organizações a criarem um ambiente protegido e seguro, alimentando a inteligência artificial com a identidade real da instituição. 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Por isso, o projeto treina a IA para usar uma métrica chamada SROI (Retorno Social sobre o Investimento) . Para se ter uma ideia de como isso funciona: pesquisas do setor mostram que, para cada R$ 1 investido em projetos sociais por meio de incentivos fiscais no Brasil, cerca de R$ 7,59 retornam em benefícios reais para a sociedade e para a economia. Quando a IA é ensinada a cruzar os dados públicos da sua cidade (como pesquisas do IBGE) com o histórico de entregas da sua ONG, ela ajuda a provar matematicamente o valor do seu trabalho. O seu projeto deixa de parecer um "custo" para o investidor e passa a ser visto como um investimento seguro e transformador. O que muda na prática para as organizações? Com esse método bem aplicado, as inovações que as ONGs podem esperar mudam completamente o jogo da captação: Fim do desespero de última hora: A organização sai daquele modelo de correr atrás de edital na véspera do vencimento e passa a ter uma rotina organizada e previsível; Propostas sem erros bobos: Os projetos ficam muito mais robustos, diminuindo drasticamente as reprovações por preenchimento incompleto, metas vagas ou erros de orçamento; Mais confiança dos financiadores: Uma ONG que consegue provar seu impacto com dados seguros conquista a confiança de grandes investidores e garante sua sustentabilidade no longo prazo. Quer saber mais sobre captação estratégica e tecnologia? 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Você com certeza já viveu essa cena: o processo de seleção de voluntários foi um sucesso, a reunião de integração é melhor ainda e todo mundo sai motivado. Duas semanas depois, metade do grupo some sem dar notícias, os e-mails ficam sem resposta e, na hora daquela ação crucial, a coordenação precisa se desdobrar porque metade dos confirmados cancelou em cima da hora. Se a rotina da sua ONG parece um eterno ciclo de recrutar pessoas para cobrir o desfalque das anteriores, saiba que você não está só. Manter voluntários conectados a uma causa a longo prazo é um dos maiores desafios de gestão no Terceiro Setor. Para entender o tamanho do problema, basta olhar para o cenário nacional. Os dados da Pesquisa Voluntariado no Brasil, realizada pelo IDIS/Datafolha (2021) afirmam que, dos 57 milhões de brasileiros e brasileiras que realizam ou já realizaram trabalhos voluntários, apenas 12% fazem ações regularmente. Ainda de acordo com a pesquisa, embora o desejo de fazer o bem seja alto no país, entre os voluntários insatisfeitos e menos entusiasmados aparece a falta de motivação e de apoio/recursos, como fatores que trazem desengajamento.
Por Instituto Phomenta 25 de junho de 2026
Manter uma Organização da Sociedade Civil (OSC) de portas abertas no Brasil é um desafio diário de sobrevivência. Historicamente, a sustentabilidade financeira é o maior gargalo do terceiro setor, mas, frente ao montante de trabalho e às obrigações do dia a dia, ainda não conseguimos olhar para ela de forma estratégica. Assim, tratamos a busca por recursos como um evento de última hora, e não como um processo diário. Os dados do setor desenham um cenário alarmante sobre a estrutura das organizações brasileiras. Segundo a pesquisa da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR)*, 37% dos respondentes apontam como a maior dificuldade da captação a necessidade de dividir o tempo com outras demandas da instituição. Na maioria dos casos, a função é acumulada pela diretoria ou por técnicos que já estão sobrecarregados com a operação na ponta. O resultado é um ciclo vulnerável, especialista em "apagar incêndios": uma corrida desesperada contra o tempo para preencher formulários complexos apenas quando o caixa já entrou no vermelho. Diante dessa escassez crônica de tempo, a Inteligência Artificial (IA) passou a ser uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para viabilizar a sustentabilidade institucional, mas poucas organizações ainda sabem como usá-la. A maioria das ONGs usa IA sem estratégia A rotina ideal de captação exige monitoramento constante do mercado, leitura minuciosa de editais, adequação técnica de propostas e relatórios rigorosos de prestação de contas. Mas você leu bem: ideal . Não é o que temos à mão no dia a dia. Para equipes enxutas, a IA se tornou o caminho para assumir essa carga operacional. Na captação de recursos, a máquina atua — ou deveria atuar — como um copiloto técnico: fazendo a triagem de diretrizes complexas e adaptando a linguagem de projetos para diferentes perfis de financiadores, devolvendo ao profissional o tempo necessário para pensar estrategicamente. Porém, de acordo com o levantamento do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) , feito com mais de 1,5 mil organizações, 62% assumem que ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Vivemos em uma constante urgência para adotar a tecnologia, mas o pouco background gerou um uso amador e desordenado. Um mapeamento recente conduzido também pelo IDIS com mais de 500 entidades revelou que 95% das organizações sociais utilizam IA sem qualquer política ou orientação formal, e 75% dependem exclusivamente de ferramentas gratuitas de mercado. O risco aqui é que, com a soma da pouca estratégia e da falta de substância, as ONGs só consigam gerar, por meio da IA, propostas superficiais e desconectadas da realidade do território. São materiais incipientes, que podem levar à desclassificação imediata dos projetos pelos avaliadores dos editais. Como usar a IA a seu favor? Como resposta direta a esse cenário de equipes sobrecarregadas e necessidade de profissionalização tecnológica, a Fundação FEAC, com apoio do Instituto Phomenta, estruturou o projeto Captação com Causa. A iniciativa de 18 meses foi desenhada justamente para aplicar a IA como uma solução de sustentabilidade em 10 OSCs selecionadas de Campinas. Para combater o uso desordenado e a dependência de plataformas gratuitas apontados pelas pesquisas, o programa introduz no dia a dia das instituições bots customizados e programados especificamente para o contexto do terceiro setor. Em vez de soluções genéricas, as organizações ganham um sistema que filtra editais de forma preditiva e qualifica a escrita técnica das propostas, reduzindo drasticamente o tempo gasto na formatação dos projetos. O foco principal do projeto, que conta com um match funding de R$ 100 mil, é estruturar a captação como uma rotina viável. Por meio de assessoramentos individuais e coletivos, o programa prepara os profissionais para utilizarem a IA com postura crítica, garantindo que a tecnologia trabalhe a serviço da estratégia humana. Ao transformar a tecnologia em uma aliada, o Captação com Causa mira na mobilização de R$ 800 mil entre as participantes e na comprovação de que, com o método correto, a captação de recursos pode deixar de ser um susto sazonal e se tornar uma estratégia previsível, perene e sustentável. Quer saber mais sobre o Captação com Causa? Confira nosso último artigo! *Fonte: Censo ABCR
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