Planejamento estratégico: saiba como criar e executar

16 de maio de 2024

Descubra a importância do Planejamento Estratégico e conheça ferramentas essenciais para estruturar e otimizar o processo de planejamento da organização.

Diferente do que muitos pensam, as organizações do Terceiro Setor possuem estruturas complexas assim como em empresas privadas, e o planejamento estratégico é um processo importante para impulsionar a organização para a direção correta, antecipar possíveis contratempos e ser uma oportunidade de melhorias.



Anteriormente, nós já abordamos o tema no artigo “Potencializando o impacto social: o planejamento estratégico nas ONGs” e o EaD Phomenta também já produziu uma série com seis vídeos, com o título “Como fazer um planejamento estratégico?”. 


O Portal do Impacto inicia agora uma série de artigos para te ajudar a organizar suas ideias no papel e a elaborar um planejamento estratégico, assim como executá-lo e monitorar as metas propostas. Vamos conferir?



Por que fazer um planejamento estratégico?


Caso a sua organização gaste mais energia “apagando incêndios” do que focando no trabalho que precisa ser feito, o planejamento é essencial. O primeiro passo para dar início ao planejamento estratégico é entender quais são os objetivos da ONG e para isso algumas perguntas precisam ser feitas, como: Onde queremos chegar? Nossas atividades estão alinhadas com a nossa missão? Nossa equipe tem clareza sobre nossos objetivos e metas?


Antes de planejar o futuro da organização, é necessário fazer um diagnóstico atual da ONG. Durante o curso do EaD Phomenta, o Diretor Executivo da Phomenta, Rodrigo Cavalcante, falou sobre a importância de definir alguém para conduzir este processo, aumentando, assim, a responsabilidade dos membros da equipe.


Durante este processo, a equipe precisa definir metas e responsabilidades de cada integrante para que os objetivos sejam atingidos dentro de um período determinado. A criação de um plano de execução também é essencial.





4 passos para fazer um bom planejamento estratégico:


  • Diagnóstico estratégico


Por meio da análise, é possível entender as necessidades da organização e assim planejar as próximas atividades. A Matriz SWOT é uma ferramenta que pode ser utilizada para que a equipe entenda mais sobre as forças, oportunidades, fraquezas e ameaças da ONG antes dos próximos passos serem colocados em prática:

A Matriz SWOT pode ser uma ferramenta utilizada no Planejamento Estratégico.

Fonte: https://econsult.org.br/blog/o-que-e-e-como-fazer-uma-analise-swot/

  • Definição de Objetivos


Após fazer a análise da atual situação da organização, a equipe precisa definir objetivos e se perguntar “Onde queremos chegar?”. O Método SMART pode ser um aliado neste momento e pode funcionar como um checklist para os objetivos:

O Método SMART é uma ferramenta que auxilia a equipe a definir os objetivos do planejamento

Fonte: https://vertile.com.br/gestao/metodo-smart-definindo-metas-inteligentes/

Os objetivos podem ser criados para cada setor, mas os objetivos principais da organização devem ser citados no planejamento para que toda a equipe tenha o mesmo direcionamento. Outra diferenciação que pode ser feita são as metas quantitativas e as qualitativas.


Os objetivos quantitativos focam em números e são monitorados com mais facilidade, por exemplo: aumentar 50% dos atendimentos realizados pela ONG. Já os qualitativos são focados em aspectos subjetivos, como a melhoria do bem-estar dos colaboradores ou a satisfação da comunidade atendida.



  • Planos de ação


Chegou a hora de tirar as ideias do papel! Os planos de ação são as estratégias que serão utilizadas para atingir as metas já definidas. Nesta etapa, é preciso definir responsabilidades para cada grupo ou colaboradores/voluntários.


Para que não ocorra confusão durante a execução do planejamento, os profissionais precisam entender a sua função, até para serem cobrados depois. Assim como nos passos acima, nesta etapa nós também apresentaremos uma ferramenta que pode ser útil: a Matriz RACI, que divide as responsabilidades da equipe e permite o acompanhamento das ações.


Na etapa dos planos de ação, a Matriz RACI pode ser usada.

Fonte: https://pt.semrush.com/blog/matriz-raci/

  • Monitoramento das ações


Assim como é necessário realizar o monitoramento dos projetos, o planejamento estratégico precisa ser revisitado sempre, até para que a equipe acompanhe quais metas estão sendo cumpridas. Criar rituais de equipe, como reuniões periódicas de acompanhamento de resultados, onde as metas são revisitadas para atualização de quão perto ou longe estamos de atingir os objetivos e o que precisa ser feito para alcançá-los. 


Nestes encontros para monitorar as ações previstas é possível entender quais profissionais não estão cumprindo sua parte no combinado. Outra dica importante é que o planejamento pode ser alterado sempre que as metas propostas não fizerem mais sentido para a organização, como um evento externo.


Um exemplo disso são as questões climáticas ou decisões políticas que afetam o trabalho realizado pela ONG onde você atua. Portanto, é preciso estar atento.



Utilize o planejamento para atingir objetivos


Em resumo, a estruturação das ações serve para atingir metas e saber como alcançá-las. Afinal, uma organização não consegue prosperar e crescer se utiliza todos os seus esforços para resolver contratempos que surgiram de última hora e poderiam ter sido evitados com o planejamento. Além disso, o planejamento e acompanhamento periódico dão clareza sobre o que é esperado da equipe e dos esforços da organização para realizar seu sonho coletivo, sua visão de impacto, suas metas de crescimento ou sustentabilidade.


Neste primeiro artigo da série, nós abordamos algumas ferramentas que auxiliarão sua organização durante o processo de estruturação de ideias e metas. Tem interesse no tema e gostaria de saber mais? Acompanhe os próximos artigos!



Fontes:


Squadra Consultoria.
O que é Planejamento Estratégico para o Terceiro Setor? Disponível em: https://consultoriasquadra.com.br/o-que-e-planejamento-estrategico-para-o-terceiro-setor/. Acesso em: 12 maio 2024.


ESAG JUNIOR,.
9 modelos de planejamento estratégico para aplicar na sua empresa. Disponível em: lu. Acesso em: 13 maio 2024.



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Manter uma Organização da Sociedade Civil (OSC) de portas abertas no Brasil é um desafio diário de sobrevivência. Historicamente, a sustentabilidade financeira é o maior gargalo do terceiro setor, mas, frente ao montante de trabalho e às obrigações do dia a dia, ainda não conseguimos olhar para ela de forma estratégica. Assim, tratamos a busca por recursos como um evento de última hora, e não como um processo diário. Os dados do setor desenham um cenário alarmante sobre a estrutura das organizações brasileiras. Segundo a pesquisa da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR)*, 37% dos respondentes apontam como a maior dificuldade da captação a necessidade de dividir o tempo com outras demandas da instituição. Na maioria dos casos, a função é acumulada pela diretoria ou por técnicos que já estão sobrecarregados com a operação na ponta. O resultado é um ciclo vulnerável, especialista em "apagar incêndios": uma corrida desesperada contra o tempo para preencher formulários complexos apenas quando o caixa já entrou no vermelho. Diante dessa escassez crônica de tempo, a Inteligência Artificial (IA) passou a ser uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para viabilizar a sustentabilidade institucional, mas poucas organizações ainda sabem como usá-la. A maioria das ONGs usa IA sem estratégia A rotina ideal de captação exige monitoramento constante do mercado, leitura minuciosa de editais, adequação técnica de propostas e relatórios rigorosos de prestação de contas. Mas você leu bem: ideal . Não é o que temos à mão no dia a dia. Para equipes enxutas, a IA se tornou o caminho para assumir essa carga operacional. Na captação de recursos, a máquina atua — ou deveria atuar — como um copiloto técnico: fazendo a triagem de diretrizes complexas e adaptando a linguagem de projetos para diferentes perfis de financiadores, devolvendo ao profissional o tempo necessário para pensar estrategicamente. Porém, de acordo com o levantamento do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) , feito com mais de 1,5 mil organizações, 62% assumem que ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Vivemos em uma constante urgência para adotar a tecnologia, mas o pouco background gerou um uso amador e desordenado. Um mapeamento recente conduzido também pelo IDIS com mais de 500 entidades revelou que 95% das organizações sociais utilizam IA sem qualquer política ou orientação formal, e 75% dependem exclusivamente de ferramentas gratuitas de mercado. O risco aqui é que, com a soma da pouca estratégia e da falta de substância, as ONGs só consigam gerar, por meio da IA, propostas superficiais e desconectadas da realidade do território. São materiais incipientes, que podem levar à desclassificação imediata dos projetos pelos avaliadores dos editais. Como usar a IA a seu favor? Como resposta direta a esse cenário de equipes sobrecarregadas e necessidade de profissionalização tecnológica, a Fundação FEAC, com apoio do Instituto Phomenta, estruturou o projeto Captação com Causa. A iniciativa de 18 meses foi desenhada justamente para aplicar a IA como uma solução de sustentabilidade em 10 OSCs selecionadas de Campinas. Para combater o uso desordenado e a dependência de plataformas gratuitas apontados pelas pesquisas, o programa introduz no dia a dia das instituições bots customizados e programados especificamente para o contexto do terceiro setor. Em vez de soluções genéricas, as organizações ganham um sistema que filtra editais de forma preditiva e qualifica a escrita técnica das propostas, reduzindo drasticamente o tempo gasto na formatação dos projetos. O foco principal do projeto, que conta com um match funding de R$ 100 mil, é estruturar a captação como uma rotina viável. Por meio de assessoramentos individuais e coletivos, o programa prepara os profissionais para utilizarem a IA com postura crítica, garantindo que a tecnologia trabalhe a serviço da estratégia humana. Ao transformar a tecnologia em uma aliada, o Captação com Causa mira na mobilização de R$ 800 mil entre as participantes e na comprovação de que, com o método correto, a captação de recursos pode deixar de ser um susto sazonal e se tornar uma estratégia previsível, perene e sustentável. Quer saber mais sobre o Captação com Causa? Confira nosso último artigo! *Fonte: Censo ABCR
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