Inteligência Artificial e seu potencial para as ONGs - Parte 1/4

14 de abril de 2023

Este conteúdo foi produzido por Daiany França Saldanha


Nos últimos meses, tenho consumido bastante conteúdo sobre inteligência artificial, ChatGPT, Midjourney, entre outras ferramentas. Confesso que estou fascinada com todas as descobertas até aqui, mas, por outro lado, muito provocada em perceber como essa “revolução artificial” irá nos trazer mais benefícios do que riscos.


Pensando nisso, criei uma série de textos que estou chamando de “Inteligência Artificial e seu potencial para as ONGs”, com a ajuda do próprio ChatGPT, para conversarmos sobre as oportunidades, desafios, dilemas e limitações em torno da IA e suas aplicações.


Vamos lá?


Primeiro, o que é Inteligência Artificial (IA)?


A Inteligência Artificial (IA) é uma área da ciência da computação que busca desenvolver máquinas e sistemas capazes de realizar tarefas que, até então, eram exclusivas da capacidade humana, como aprendizado, raciocínio, percepção e compreensão de linguagem natural. Quando perguntado, o ChatGPT diz que a IA tem experimentado avanços notáveis nas últimas décadas, impulsionados por técnicas de aprendizado profundo (deep learning) e pelo aumento na disponibilidade de dados e poder de processamento. Esses avanços permitem o desenvolvimento de algoritmos mais sofisticados e eficientes, ampliando as possibilidades de aplicação da IA em diversas áreas. 


As aplicações da Inteligência Artificial são vastas e abrangem setores como saúde, educação, transporte, indústria e comércio. Alguns exemplos de uso da IA incluem sistemas de personalização de conteúdo, como os encontrados em plataformas de streaming, e-commerce e Facebook; assistentes virtuais, como Siri, Alexa e Google Assistant, que ajudam os usuários em tarefas diárias; diagnósticos médicos auxiliados por IA, que aumentam a precisão e agilidade na detecção de doenças; e carros autônomos, que utilizam sensores e algoritmos de IA para navegar com segurança no trânsito (se te convidassem, você andaria num Tesla autônomo?).


O que é o ChatGPT e como ele pode ajudar as ONGs


Benefícios e desafios da IA


Ao adotar soluções de IA, as ONGs podem automatizar tarefas repetitivas, melhorar a tomada de decisões e aprimorar a captação de recursos (tenho feito usos com ChatGPT e outras ferramentas para otimizar meu dia a dia e em breve estarei pronta para compartilhar alguns resultados com vocês). 


Além disso, diz a criação da OpenAI, a IA possibilita a análise de grandes volumes de dados, facilitando a identificação de tendências e padrões que podem orientar a criação de programas e projetos mais efetivos (no que diz respeito a esse ponto, tenho testado o ChatGPT para me apoiar em algumas análises de dados; de fato, ele consegue trabalhar bem em “equipe” - ele e eu -, em especial o Chat GPT-4, mas não dá para confiar sem questionar ou sem validar a resposta, mas ainda assim há ganho, pois o trabalho fica mais ágil).


Contudo, a adoção de IA no Brasil e, em especial no terceiro setor, ainda está em estágios iniciais, neste último ponto, sobretudo quando comparada a setores como tecnologia, finanças e saúde. Uma pesquisa realizada pelo Google for Startups, em parceria com a Abstartups e a Box1824, identificou diversos desafios enfrentados pelo setor de IA no Brasil. Dentre os principais obstáculos estão a falta de mão de obra qualificada, a carência de uma cultura data-driven (orientada a dados), a falta de regulação e a “fuga de cérebros” (saída de profissionais altamente qualificados dos seus países de origem em busca de melhores condições em outros países). Além disso, a pesquisa destacou a necessidade de maior diversidade, equidade e inclusão nas equipes que trabalham com IA, visto que empresas “homogêneas” podem limitar a inovação e o desenvolvimento de soluções pioneiras. Esses desafios mostram a importância de investir em educação tecnológica, políticas públicas e ambientes de trabalho inclusivos e diversos para impulsionar o crescimento do setor de IA no país.


No que diz respeito ao terceiro setor, muitas organizações enfrentam dificuldades em contratar e reter talentos com conhecimentos em IA e em treinar seus colaboradores para utilizar as novas ferramentas e tecnologias. Além disso, a implementação de soluções de IA pode exigir investimentos significativos, o que pode ser um obstáculo para ONGs com recursos limitados.


Os desafios das ONGs pequenas


Mas parece que a própria IA tem caminhos, ela orienta que para superar esses desafios é fundamental que empreendedores sociais de ONGs busquem estabelecer parcerias e colaborações com governos, empresas e universidade, a fim de promover a capacitação, o acesso a recursos e o compartilhamento de conhecimentos e experiências. Dessa forma, o terceiro setor poderá aproveitar o potencial da Inteligência Artificial para tornar-se mais ágil, inovador e capaz de enfrentar os desafios sociais e ambientais de forma mais eficiente.


Resta saber como esses desafios e obstáculos vão superar/interagir com nossos graves problemas estruturais, como desemprego, analfabetismo funcional, exclusão digital e monopólios no setor de tecnologia.


Papos para os próximos textos.




Fontes:

What Nonprofits Stand To Gain From Artificial Intelligence


Os desafios da inteligência artificial no Brasil


Daiany França Saldanha é líder de parcerias e novos negócios na Phomenta.


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Por Nathalia Albuquerque 2 de março de 2026
Você pode amar muito um time e ainda assim vê-lo perder campeonatos por anos. Pode ter a maior torcida do país, uma história gigante e uma camisa pesada. Mas sem gestão, isso não se sustenta. No terceiro setor acontece algo muito parecido. Sou corinthiana e não acompanho o futebol tão de perto. Mesmo assim, é impossível ignorar o que Palmeiras e Flamengo vêm construindo nos últimos anos. Escrevo este artigo no final de 2025 e, ao olhar para os principais campeonatos do período recente, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, esses dois clubes seguem protagonizando finais, títulos e campanhas consistentes. Não por acaso, também passaram a aparecer em premiações internacionais que reconhecem excelência em gestão, como o Globe Soccer Awards. Mas nem sempre foi assim. E é exatamente aí que essa história interessa às organizações da sociedade civil. Quando a virada não acontece no campo Palmeiras e Flamengo já viveram fases marcadas por dívidas, crises internas e resultados bem abaixo do potencial que tinham. A mudança não começou com um craque, nem com um gol histórico. Começou fora de campo. Por volta de 2012 e 2013, os dois clubes passaram a tratar a gestão como eixo central. Planejamento financeiro, profissionalização das equipes, governança e visão de longo prazo deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões concretas. Se você não gosta de futebol, continue comigo. O ponto aqui não é o esporte. É entender que amor, tradição e propósito são fundamentais, mas não substituem uma boa gestão. Com gestão, a gente vai mais longe. O que o Palmeiras ensina No Palmeiras, a virada tem um nome bastante conhecido: Paulo Nobre. Ao assumir a presidência do clube em 2013, encontrou um cenário delicado, com dívidas e pouca previsibilidade. Uma das decisões mais simbólicas foi emprestar recursos próprios para reorganizar as finanças do time. Um gesto arriscado, mas inserido em uma estratégia maior. A partir daí, vieram parcerias estratégicas como a Crefisa, a profissionalização da gestão e a criação de novas fontes de receita. A modernização do Allianz Parque transformou o estádio em um ativo que gera renda muito além dos jogos, com shows e eventos. É a lógica de enxergar a estrutura como meio para sustentar a missão, algo bastante familiar para quem atua no terceiro setor. O Flamengo e a coragem de arrumar a casa O Flamengo sempre teve popularidade e potencial. O que faltava era organização. A virada começou com decisões duras e pouco populares, como uma política rigorosa de controle de gastos e reorganização financeira. Antes de investir pesado em contratações, o clube investiu em processos, equipe técnica qualificada e responsabilidade fiscal. Os títulos vieram depois. Não como milagre, mas como consequência. O que tudo isso tem a ver com as OSCs? Muito mais do que parece. Os dois clubes mostram que investir na base (jovens atletas em formação para o time principal) é apostar no longo prazo, mesmo quando o retorno não é imediato. No terceiro setor, isso aparece na formação de equipes, no fortalecimento institucional e no desenvolvimento de lideranças. Eles também reforçam uma verdade incômoda: amor não é estratégia. Paixão move, mas não organiza fluxo de caixa, não constrói indicadores e não garante sustentabilidade. Há ainda a importância de diversificar fontes de receita, inclusive para organizações grandes e reconhecidas, e de contar com profissionais qualificados, além de investir em quem já faz parte da equipe. Nada disso acontece do dia para a noite. O processo é longo, exige constância e escolhas difíceis. Um convite para quem lidera organizações sociais  Se você lidera uma OSC, vale a reflexão. O quanto da sua energia está concentrada apenas na causa e o quanto está direcionada para fortalecer a gestão que sustenta essa causa? Gestão não esfria o propósito. Pelo contrário. Ela protege a missão, amplia o impacto e garante que o trabalho continue existindo daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futebol e no terceiro setor, amor é o ponto de partida. Gestão é o que transforma esse amor em legado.
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