Vinicius Santos - Bacharel em Ciências e Humanidades e estudante de Relações Internacionais, tem experiência em pesquisa acadêmica nas áreas de política externa, governança multinível e participação social. Acredita na colaboração entre diferentes setores da sociedade como resposta para construção de um futuro mais justo e sustentável. Compõe a área de Relações Institucionais e Parcerias no Instituto Phomenta, conectando ONGs, empresas, institutos e fundações para o fortalecimento de territórios e causas.
Como ONGs podem cocriar com startups e governos para inovar nos territórios

Cada vez mais é necessário inovar para superar desafios sociais e criar políticas públicas que favoreçam verdadeiramente a população e seus territórios. Neste cenário, as Organizações Não Governamentais (ONGs) desempenham um papel estratégico, afinal, estão enraizadas nas comunidades e conhecem de perto suas causas e necessidades, um espaço onde por muitas vezes os governos nacionais e subnacionais não conseguem estar.
Por outro lado, muitas vezes, as ONGs acabam por atuar de forma isolada, e por este motivo, enfrentam falta de recursos, mão de obra e inovação. Ao mesmo tempo, startups e governos também enfrentam desafios para chegar em territórios com confiança e legitimidade.
Há portanto a necessidade de potencializar o melhor dos mundos, e a cocriação intersetorial pode resolver isso. Essa aproximação entre diferentes setores não só amplia o impacto das ações sociais, como também fortalece soluções mais ágeis, escaláveis e conectadas à realidade local, mas ainda é pouco praticada.
Podemos primeiramente analisar algumas situações onde a cocriação é vantajosa:
ONGs e Startups
Startups são, por natureza, organizações voltadas à busca pela inovação, com a mentalidade focada na metodologia de experimentação, conseguem desenvolver soluções tecnológicas com rapidez. Muitas atraem o público jovem, com muito interesse em resolver problemas sociais e ambientais, mas nem sempre conseguem acesso direto aos territórios ou ao entendimento profundo das demandas locais.
Ao conectar uma startup com uma ONG, é possível desenvolver o aprendizado com problemas reais das comunidades, onde as organizações sociais seriam cruciais para fazer a ponte entre o desafio - pouco visto pelas Startups - e aqueles que vão tentar buscar uma solução - superando o gargalo dessas organizações.
A ONG, a princípio traz a capilaridade e o conhecimento local, coloca as ideias no cenário real, enquanto a startup oferece tecnologia, inovação, gestão de dados e um olhar que naquele momento a organização talvez não conseguisse suprir sozinha.
ONGs e Governos
Uma relação um pouco mais “clássica”. Seja subnacional, nacionais ou até mesmo nas relações internacionais, a articulação entre ONGS e o poder público é essencial. Há muito tempo entende-se que o estado-nacional não é mais uma fonte total de recursos, na realidade, nunca foi, e quase ao mesmo tempo entende-se que quem chega onde o estado não chega são as ONGs.
Ainda sim, para que as soluções criadas pelas ONGs ganhem legitimidade, alcance e continuidade são necessárias políticas, que estão na mão dos governos. Sendo assim, quando ONGs e governos trabalham juntos, é possível alinhar ações à política pública, evitar sobreposição de esforços e construir modelos replicáveis.
As ONGs entram como articuladoras políticas, detentoras do conhecimento pragmático de ação, e até mesmo espaços laboratoriais onde podem ser testadas diversos tipos de estratégias.
No cenário mais que perfeito, a relação aqui é de confiança mútua, onde os governos devem abrir espaços para o funcionamento das ONGs e muitas vezes financiá-las enquanto estas aplicam e desenvolvem políticas públicas. Quando o diálogo entre ONGs e governos é contínuo, abrem-se caminhos para políticas mais inclusivas, eficientes e alinhadas às realidades locais.
Em vista dessas relações, fica a questão: como criar um processo de cocriação?
O cenário de cocriação
Quando ONGs, startups, governos se unem em torno de objetivos comuns, formam um novo tipo de ecossistema. De um lado temos duas frentes de busca: startups que querem encontrar um espaço para gerar novas ideias e governos que precisam articular suas políticas em algum território.
As ONGs, com sua presença histórica nos territórios, têm o potencial de ser o fio condutor dessas conexões. Podem articular pontes entre quem tem tecnologia e quem tem a vivência, e quem toma decisões, além do fator mais importante: quem vive os impactos dessas decisões no dia a dia.
Obviamente não é um espaço fácil, ou um ecossistema simples de se gerar, pelo contrário: a inovação não nasce de um dia para o outro, há muitas camadas de discussão, mas, como mostrado, todos só tendem a ganhar com a cocriação.
Algumas dicas podem ajudar nesse período de busca pela criação de relacionamentos.
Dicas para cocriação a partir das ONGs:
Se você deseja trabalhar com startups e/ou governos, lembre-se de mapear o território de forma colaborativa, identificando quem já atua na região: empresas, universidades, coletivos, órgãos públicos, etc.
Crie laços de confiança com quem você encontrar, começando com projetos-piloto e ações de pequeno porte que permitam o aprendizado mútuo. E esteja aberto ao novo, muitas inovações e soluções nascem quando todos estão sujeitos a mudança.
Por fim, lembre-se sempre de documentar e compartilhar aprendizados, para inspirar outras organizações e facilitar a replicação de boas práticas.
Conclusão
A cooperação entre ONGs, startups e governos é uma necessidade para enfrentar os desafios complexos que atravessam os territórios. Cada vez mais é necessário inovar para superar desafios sociais e criar políticas públicas que favoreçam verdadeiramente a população e seus territórios.
A chave para isso? Construir relacionamentos duradouros e de confiança, que espelhem na sociedade resultados da articulação conjunta entre diferentes atores.
Inscreva-se na nossa Newsletter
Últimas publicações


Participe do nosso grupo no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão