Como está o controle do patrimônio físico da sua ONG?

21 de agosto de 2025

Cuidar adequadamente do patrimônio de uma organização não é apenas uma exigência administrativa, mas também uma prática que reforça a transparência e a credibilidade junto a parceiros, doadores e beneficiários. Em uma ONG, onde cada recurso conta e tem impacto direto nas atividades-fim, conhecer, registrar e acompanhar o uso de bens é fundamental para evitar perdas, otimizar investimentos e garantir que cada item cumpra seu papel no apoio às ações da instituição. Essa gestão vai além do simples controle físico: envolve planejamento, atualização constante de informações e alinhamento com a missão organizacional.


Por que manter um controle patrimonial?


Manter um registro patrimonial dos bens móveis e equipamentos – como computadores, impressoras, móveis, entre outros é uma prática fundamental. Além disso, é importante também controlar os itens de pequeno valor, que podem ser definidos pela própria entidade com base em critérios internos (como valor abaixo de um determinado limite monetário, por exemplo R$ 300,00).

Esse controle permite: evitar dispersão e extravio de bens; minimizar o risco de uso indevido; aumentar a vida útil dos ativos; facilitar a prestação de contas com parceiros e órgãos de controle.


Informações importantes para o controle patrimonial


Um bom sistema de controle patrimonial deve conter, no mínimo, os seguintes campos:


  • Número de identificação do bem (com etiqueta, código de barras ou QR Code);
  • Descrição detalhada do item;
  • Número da Nota Fiscal;
  • "Part Number" ou "Serial Number" (quando aplicável);
  • Data de aquisição;
  • Valor de aquisição ou valor estimado;
  • Localização física do bem (setor ou unidade);
  • Responsável atual pelo bem;
  • Situação atual (novo, usado, em manutenção, obsoleto etc.);
  • Vida útil estimada;
  • Observações complementares (como garantias ou contratos de manutenção).


Elaborar um termo de responsabilidade pela guarda e uso de equipamento, com as informações de qual bem foi entregue, condições de uso, prazo de devolução e providenciar a assinatura do voluntário, colaborador ou prestador de serviços, trará mais responsabilidade para o usuário e uma garantia a organização que o item será devolvido.



Frequência da atualização do controle


A periodicidade da atualização do controle patrimonial deve considerar a realidade e a complexidade das operações da ONG. Em organizações com alta rotatividade de itens, recomenda-se a revisão do inventário mensalmente. Já em contextos com menor movimentação de bens, a atualização pode ocorrer semestralmente ou anualmente.


Em cada revisão, é importante registrar:


  • Inclusão de novos itens;
  • Baixa ou descarte de bens;
  • Transferências internas;
  • Ocorrência de danos ou perdas;
  • Alterações de local ou de responsável pelo bem.


Com base na ITG 2002 – Entidade sem Finalidade de Lucros e na NBC TG 27 – Ativo Imobilizado, ambas normas contábeis brasileiras, a organização pode definir quais bens serão classificados como ativo imobilizado e quais não se enquadram nessa categoria. Após essa análise, é possível estabelecer formas de controle que atendam aos critérios contábeis, patrimoniais e fiscais, contemplando aspectos como depreciação e outros procedimentos exigidos pela legislação.


A elaboração e a manutenção de um controle patrimonial (inventário) através de planilhas, sistemas de controles patrimoniais auxilia na visualização que traz uma análise sobre a situação real da entidade.




Inscreva-se na nossa Newsletter

Últimas publicações

Por Vinicius Santos 28 de agosto de 2025
Sua ONG pode parar de atuar de forma isolada. Confira como cocriar com startups e governos para inovar nos territórios!
Para ONGs que precisam organizar suas atividades: aprenda a tirar o melhor proveito do Google Calend
Por Daniela Han 14 de agosto de 2025
Para ONGs que precisam organizar suas atividades: aprenda a tirar o melhor proveito do Google Calendar para gestão organizacional.
Por Rodrigo Cavalcante 11 de agosto de 2025
Criação de reserva de emergência: descubra por que essa prática é essencial para a sustentabilidade financeira da sua ONG.
Por Mariana Moraes 1 de agosto de 2025
O envelhecimento da população desafia o Terceiro Setor no Brasil. Entenda os impactos e como inovar diante da virada demográfica que já começou.
Por Movimento Bem Maior 29 de julho de 2025
O Movimento Bem Maior (MBM) acaba de disponibilizar o Case Institucional do Futuro Bem Maior, publicação que reúne dados, aprendizados e histórias de impacto das três primeiras edições do programa, realizado desde 2019 em parceria com o Instituto Phi e o Instituto Phomenta. Criado para fortalecer iniciativas sociais em territórios com alto índice de vulnerabilidade social, o Futuro Bem Maior já apoiou 166 organizações de 72 municípios com recursos flexíveis, capacitação e acompanhamento técnico. O case traz uma análise dos efeitos do programa em três níveis: nas organizações apoiadas, público atendido e comunidades. Entre os principais achados, destaca-se que 77% das organizações relataram fortalecimento da autoestima institucional; 73,8% aprimoraram suas capacidades técnicas; 76,1% melhoraram o atendimento ao público; 83,5% conseguiram dar continuidade aos projetos após o ciclo de apoio; 80% ganharam visibilidade em suas comunidades. “Confiar em quem vive os desafios de perto muda tudo. Nosso compromisso é impulsionar quem já transforma a realidade nas pontas. Este case mostra que a confiança, aliada a investimento estratégico, gera resultados reais e duradouros”, afirma Carola Matarazzo, diretora executiva do MBM. A publicação reforça a abordagem do MBM ao apostar em uma filantropia baseada em confiança, que descentraliza recursos e fortalece organizações sociais como motor de transformação social. O documento está disponível gratuitamente. Clique no botão abaixo para ter acesso! 
Por Maria Cecília Prates 14 de julho de 2025
Em projetos sociais os resultados estão quase sempre associados a resultados intangíveis, subjetivos e abstratos, como por exemplo: crianças saudáveis, adolescentes com autoconfiança, autoestima de idosos, jovens capacitados para o mercado de trabalho, comunidade engajada, famílias ajustadas, empreendedores bem-sucedidos, e por aí vai… Alcançar esses resultados intermediários são etapas necessárias e imprescindíveis que vão contribuir para o alcance do impacto final pretendido de transformação na vida das pessoas atendidas. O problema é que até hoje no Brasil ainda não se tem clareza metodológica sobre como medir esses conceitos tão amplamente adotados na área social, que seja confiável e capaz de captar (ser sensível a) os avanços conseguidos . Então, se não há essa clareza – e aqui me refiro sobretudo à grande maioria das organizações do terceiro setor – como conseguir PLANEJAR bem os projetos sociais? Ou seja, como explicitar O QUE queremos mudar? E como saber depois se o que fizemos conseguiu, de fato, chegar AONDE queríamos, ou seja, AVALIAR se as iniciativas conduzidas foram válidas, eficazes e eficientes? Medição compartilhada: uma prática que deveria ganhar força no Brasil No Reino Unido e EUA desde 2003 – No Reino Unido vêm sendo envidados esforços por organizações think-tanks (como a New Philanthropy Capital – NPC , ou a Triangle /Outcomes Star ) e nos Estados Unidos ( FSG) para construírem sistemas de indicadores “de prateleira” (do inglês, off-the-shelf tools ) que possam ser compartilhados por organizações do terceiro setor ( charities or NGOs – Non-Governmaental Organisations ). No Reino Unido, organizações sociais trabalhando em uma mesma área-fim (por exemplo, educação de adolescentes em situação de vulnerabilidade) foram se unindo, capitaneadas por alguma organização think-tank como a NPC, para desenvolverem um sistema comum de avaliação de resultados. Nesse sentido, os conceitos abstratos relacionados a objetivos de resultados (por exemplo: autoestima), adotados por organizações trabalhando com públicos semelhantes, foram sendo operacionalizados nos mesmos indicadores ou escalas. Feita a operacionalização dos conceitos, as demais ferramentas para medição também começaram a ser desenvolvidas em comum, através do apoio de uma equipe especializada, tais como a construção dos questionários, a estratégia para a sua aplicação, o sistema de base de dados (que pode ser online ) e o referencial para análise dos dados coletados. No Brasil, no período em que atuei (2011 – 2016) no Programa da POS (Parceria com Organizações Sociais) da Fundação Dom Cabral – FDC (hoje denominado Pilaris ), quis começar a difundir essa ideia das ferramentas de prateleira ( Avaliação de projetos sociais no terceiro setor: uma agenda em construção , seção IV), mas percebi que o terreno precisava antes ser melhor trabalhado. Por isso, no Manual que desenvolvi para apoiar o trabalho com as organizações participantes do Programa (Manual de Planejamento e Avaliação de Projetos Sociais para Organizações Sociais) , comecei a incluir alguns instrumentos que pudessem funcionar como “ferramentas de prateleira”. Esses instrumentos vinham de três fontes: conceitos abstratos que já tinham sido traduzidos para a prática e validados; experiências de monitoramento com algumas dessas organizações; ou ainda, foram criados durante as avaliações de projetos sociais que conduzi. Para ilustrar melhor a ideia, aqui estão alguns exemplos de instrumentos incluídos no Manual: Conceito: autoestima (escala de Rosenberg), pág. 40-42 do Manual Conceito: impulsividade de adolescentes (escala de Barrat), p.66 Conceito: ser cuidadoso com o meio-ambiente / Avaliação de projeto de apicultura (pág. 67-68) Conceito: bem-estar de crianças e adolescentes, entre 11-16 anos (NPC), Pág. 197-205 Marco lógico: projeto de qualificação digital, Instituto Ramacrisna (pág. 207-210) Questionário: Preparação de jovens (16-18 anos) para inserção no mercado de trabalho, Associação Projeto Providência (pág. 226 – 230) A intenção de compartilhar esses instrumentos no Manual foi oferecer inspiração e facilitar o trabalho de planejamento e avaliação em organizações que atuam com projetos sociais semelhantes, ajudando, assim, a “queimar etapas” e avançar com mais agilidade nesse processo. Medição compartilhada: o caso da ferramenta Outcomes Star Como surgiu? Outcomes Star (traduzido ao pé da letra: Estrela de Resultados) é uma ferramenta para medir e apoiar as mudanças / resultados, que foi criada e desenvolvida pela Triangle Consulting Social Enterprise do Reino Unido . A Triangle, fundada em 2003, se define como “ uma empresa inovadora, guiada por uma missão social que é a de apoiar os provedores de serviços sociais a transformarem vidas de pessoas vivendo em situação de vulnerabilidade social, traumas, deficiências ou doenças, por meio da criação e o uso correto de ferramentas que engajem e promovam abordagem facilitadoras ”. A primeira versão do Outcomes Star começou como uma demanda (em 2003) da St Mungo`s, uma organização social voltada para o atendimento de moradores de rua, que queria avaliar os resultados do seu trabalho. A ferramenta acabou ganhando tração a partir da constatação de sua aplicabilidade também junto a outras organizações do Reino Unido que atendiam moradores de rua. Foi quando a Triangle , então, avançou naquele protótipo inicial, por meio do desenvolvimento da chamada “jornada da mudança” (do inglês, the Journey of change ), das escalas de medição adequadas tanto para os usuários dos serviços (ou clientes) como para os provedores do serviço (ou colaboradores dessas organizações executoras), e do Guia com as orientações para a implementação do instrumento. Assim, em dezembro de 2016 surgia a primeira versão da Outcomes Star , com o foco em moradores de rua. O que é a ferramenta? Conforme explicado no site , cada versão da Outcomes Star compreende um conjunto de escalas apresentadas de modo amigável e acessível em formato de uma estrela (figura), em que cada escala (ou cada ponta da estrela) representa uma dimensão relevante do resultado pretendido. Cada escala é explicitada em estágios (que podem ser 5 ou 10), sendo cada estágio cuidadosamente definido, de modo a caracterizar cada uma das etapas necessárias para promover a mudança sustentável na vida das pessoas atendidas. A ideia é que a ferramenta seja aplicada pela equipe da organização com cada usuário do serviço, desse modo permitindo visualizar e analisar com clareza a “ jornada da mudança ”: onde se está no percurso, os resultados alcançados (e os não alcançados), e as evidências do que precisa ser trabalhado.
mostrar mais

Participe do nosso grupo no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão

Entrar para o grupo