Como as parcerias podem potencializar os projetos sociais de educação?

17 de novembro de 2022

Este conteúdo foi produzido por Ana Carolina Ferreira (Partilha)


Para finalizar a série de textos de 2022, na qual propusemos refletir sobre as relações entre educação e desenvolvimento social, eu gostaria de tratar de um tema crucial para potencializar a educação que acontece fora da escola e que contribui para o desenvolvimento pessoal, profissional, social, comunitário e cidadão: as parcerias. Cooperação, objetivos comuns, sinergia, possibilidades, eficiência, compartilhamento, são algumas das palavras que saltam aos olhos quando se procura o significado dessa palavra tão usada no terceiro setor. Hoje queremos conversar sobre como as parcerias podem potencializar nossos projetos sociais de educação, vamos lá?!


Primeiramente precisamos refletir sobre o que de fato é uma parceria no terceiro setor e como trabalhar em rede é fundamental para promover transformação. Conforme discutimos nos textos anteriores, acreditamos nas parcerias porque os beneficiários que atendemos em nossos projetos sociais - seja uma vez por semana ou de segunda a sexta - são indivíduos multidimensionais. Se os educandos que participam das ações oferecidas por nós têm outros papéis e relações sociais e também recebem (ou deveriam receber) outras oportunidades de aprendizagem, por que não trabalharmos de forma mais conectada, já que o desenvolvimento é integral e, deveria, portanto, ser integrado?


Parcerias são possíveis, potentes e eficazes quando unimos esforços por objetivos comuns, entendendo como cada ator social pode contribuir com o que tem de melhor para alcançar o que se deseja coletivamente. Para isso, primeiramente é preciso compreender bem a identidade da organização e dos projetos sociais de educação que são desenvolvidos. Quem somos nós? Por que fazemos projetos educativos? Qual é a nossa concepção de educação em relação ao desenvolvimento social? Quais são os fundamentos da nossa atuação educativa?


Além disso, é preciso também conhecer bem o público das ações. Quem são os beneficiários? O que os caracteriza? Quais são as demandas sociais? Quais são os desafios para promoção do desenvolvimento? Assim como entender sobre o território. Quais são as características da comunidade? Quais são as demandas sociais, econômicas e culturais? Quem são os atores sociais (públicos ou privados) que aqui atuam? Qual a relação da comunidade entre si, com os serviços públicos, e com a(s) organização(ões) sociais que ali atuam?


A partir desse diagnóstico é possível, portanto, estabelecer conexões. E as possibilidades são muitas! A escola ou as escolas nas quais os beneficiários da instituição estudam, as instituições de saúde e de assistência social da região, outras entidades ou mesmo movimentos comunitários… Enfim, se o público é o mesmo e o objetivo de transformação social é comum, nada melhor que unir forças!


Conectando as instituições e construindo redes é possível que cada organização ofereça suas potencialidades e seja complementada em suas dificuldades e desafios. Se a sua instituição desenvolve um projeto educacional voltado ao mercado de trabalho, por exemplo, é possível relacionar algumas atividades ao cotidiano escolar e ofertar uma feira de profissões, assim como entender quais são as lacunas de escolarização que impedem os educandos de serem inseridos em oportunidades de emprego. É possível também ter um diálogo com a assistência e desenvolvimento social, que, em alguns municípios, oferta formações profissionalizantes ou pode ser uma articuladora na relação com as empresas. Sem falar na área da saúde, que com ações de saúde mental pode apoiar o desenvolvimento desses jovens e sua relação com a ansiedade, muito frequente quando o assunto é ingressar no mundo do trabalho. Esse é só um exemplo de que, além de ser impossível isolar as ações já que elas atendem um mesmo grupo de pessoas, conectar esforços pode ser potencializador.


Portanto, o convite do texto de hoje é que vocês olhem para os projetos sociais de educação que desenvolvem e pensem sobre as possibilidades de parceria que podem existir. É também para se pensar se as parcerias que já estão estabelecidas estão sendo “usadas ao máximo”. E, ainda, se existem oportunidades de desenvolvimento que não estão sendo ofertadas e que podem vir a ser se a sua instituição unir forças a outros atores.


Porém, fica um ponto de atenção! Assim como dissemos que para fazer projetos educativos não basta juntar crianças numa mesma sala, fazer parceria também é mais complexo do que cada um fazer uma parte do processo. É preciso responder a todas (e mais algumas outras várias) perguntas que fizemos ao longo do texto e entender se realmente há sinergia. Não é possível desenvolver projetos educativos de forma conjunta se as concepções, os desejos e os valores não “conversam”. E também é muito importante que os acordos sejam feitos com transparência, para que todos deem “o melhor de si para o bem de todos”.


Parafraseando novamente aquele famoso provérbio africano: é preciso uma comunidade inteira para promover desenvolvimento que seja de fato transformador para crianças, adolescentes e jovens. Se parcerias forem feitas com propósito, estratégia, de forma bem estruturada, com alinhamento e aproveitando todo o potencial dos agentes envolvidos, nossos beneficiários certamente terão muito a ganhar e a comunidade vai respirar transformação.




Ana Carolina Ferreira, apaixonada por educação e terceiro setor, graduada em Letras, especialista em Gestão de Projetos e graduanda em Psicologia. Fundadora da Partilha, dedica-se ao desenvolvimento de pessoas, empresas e instituições sociais, assessorando programas educacionais. 



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Tecnologias como a Inteligência Artificial precisam ser desenvolvidas e utilizadas com base em princípios claros: respeito à privacidade e à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), justiça social, mitigação de vieses discriminatórios, controle social sobre dados e sistemas, segurança da informação e responsabilidade ambiental. O impacto climático da tecnologia, muitas vezes invisível, também precisa entrar na equação. Regulamentação e compromisso das empresas e investidores são indispensáveis. O financiamento das organizações também passa por mudanças relevantes. Doações online, campanhas como o Dia de Doar, cessão de tecnologias e licenças por empresas e, sobretudo, o fortalecimento dos mecanismos de incentivo fiscal têm ampliado as possibilidades de sustentabilidade. Quando uma empresa direciona parte de seus impostos para projetos sociais no território onde atua, o recurso retorna diretamente para a comunidade, em forma de educação, inovação e oportunidades. 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Você pode amar muito um time e ainda assim vê-lo perder campeonatos por anos. Pode ter a maior torcida do país, uma história gigante e uma camisa pesada. Mas sem gestão, isso não se sustenta. No terceiro setor acontece algo muito parecido. Sou corinthiana e não acompanho o futebol tão de perto. Mesmo assim, é impossível ignorar o que Palmeiras e Flamengo vêm construindo nos últimos anos. Escrevo este artigo no final de 2025 e, ao olhar para os principais campeonatos do período recente, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, esses dois clubes seguem protagonizando finais, títulos e campanhas consistentes. Não por acaso, também passaram a aparecer em premiações internacionais que reconhecem excelência em gestão, como o Globe Soccer Awards. Mas nem sempre foi assim. E é exatamente aí que essa história interessa às organizações da sociedade civil. Quando a virada não acontece no campo Palmeiras e Flamengo já viveram fases marcadas por dívidas, crises internas e resultados bem abaixo do potencial que tinham. A mudança não começou com um craque, nem com um gol histórico. Começou fora de campo. Por volta de 2012 e 2013, os dois clubes passaram a tratar a gestão como eixo central. Planejamento financeiro, profissionalização das equipes, governança e visão de longo prazo deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões concretas. Se você não gosta de futebol, continue comigo. O ponto aqui não é o esporte. É entender que amor, tradição e propósito são fundamentais, mas não substituem uma boa gestão. Com gestão, a gente vai mais longe. O que o Palmeiras ensina No Palmeiras, a virada tem um nome bastante conhecido: Paulo Nobre. Ao assumir a presidência do clube em 2013, encontrou um cenário delicado, com dívidas e pouca previsibilidade. Uma das decisões mais simbólicas foi emprestar recursos próprios para reorganizar as finanças do time. Um gesto arriscado, mas inserido em uma estratégia maior. A partir daí, vieram parcerias estratégicas como a Crefisa, a profissionalização da gestão e a criação de novas fontes de receita. A modernização do Allianz Parque transformou o estádio em um ativo que gera renda muito além dos jogos, com shows e eventos. É a lógica de enxergar a estrutura como meio para sustentar a missão, algo bastante familiar para quem atua no terceiro setor. O Flamengo e a coragem de arrumar a casa O Flamengo sempre teve popularidade e potencial. O que faltava era organização. A virada começou com decisões duras e pouco populares, como uma política rigorosa de controle de gastos e reorganização financeira. Antes de investir pesado em contratações, o clube investiu em processos, equipe técnica qualificada e responsabilidade fiscal. Os títulos vieram depois. Não como milagre, mas como consequência. O que tudo isso tem a ver com as OSCs? Muito mais do que parece. Os dois clubes mostram que investir na base (jovens atletas em formação para o time principal) é apostar no longo prazo, mesmo quando o retorno não é imediato. No terceiro setor, isso aparece na formação de equipes, no fortalecimento institucional e no desenvolvimento de lideranças. Eles também reforçam uma verdade incômoda: amor não é estratégia. Paixão move, mas não organiza fluxo de caixa, não constrói indicadores e não garante sustentabilidade. Há ainda a importância de diversificar fontes de receita, inclusive para organizações grandes e reconhecidas, e de contar com profissionais qualificados, além de investir em quem já faz parte da equipe. Nada disso acontece do dia para a noite. O processo é longo, exige constância e escolhas difíceis. Um convite para quem lidera organizações sociais  Se você lidera uma OSC, vale a reflexão. O quanto da sua energia está concentrada apenas na causa e o quanto está direcionada para fortalecer a gestão que sustenta essa causa? Gestão não esfria o propósito. Pelo contrário. Ela protege a missão, amplia o impacto e garante que o trabalho continue existindo daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futebol e no terceiro setor, amor é o ponto de partida. Gestão é o que transforma esse amor em legado.
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