Como a tecnologia pode tornar sua ONG mais efetiva?

25 de agosto de 2022

Este conteúdo foi produzido por Tiago do Val


Estamos em 2022 e o termo transformação digital está se tornando um clichê. Mas afinal o que isso tem a ver com as organizações do terceiro setor? 


Bom, é sobre isso que pretendo abordar neste artigo e espero que muitas ONGs possam se identificar com o exemplo abaixo.


Inicialmente, é importante entendermos que a transformação digital não se trata apenas de uma plataforma (ou tecnologia), apesar disso ser a primeira coisa que vem à nossa mente. 


Mas ao contrário, a transformação digital possui três elementos básicos, conhecidos como os 3Ps: pessoas, processos e plataformas.


Pessoas, porque nada se faz sem que elas estejam engajadas na mudança; Processos, que são uma sequência de etapas para atingir um objetivo e Plataformas (ou tecnologias), que são as ferramentas para colocar os processos em execução.


Voltando um pouco no tempo, lá em 2017, fui convidado por um grande amigo a contribuir com a captação de recursos de uma Fundação bem tradicional na cidade de Vitória/ES.


Essa instituição já existia há 34 anos na época e fazia e faz um belo trabalho na região, fazendo o atendimento diário de 130 crianças e adolescentes no sistema de contraturno escolar. A Fundação Beneficente Praia do Canto, como é conhecida, oferta oficinas das mais diversas, como esporte, musicalização, cidadania e muitas outras, além de distribuir 2 refeições diárias para cada pessoa beneficiada e apoio para sua respectiva família.


Naquela ocasião eu sugeri que, antes de iniciarmos a captação de recursos, pudéssemos aprimorar algumas coisas antes para, inclusive, facilitar a prestação de contas dos recursos recebidos. 


Como por exemplo, elaborar um novo website para ajudar na captação online, até mesmo de pessoas no exterior, melhorar a arrumação dos arquivos internos e os backups dos mesmos, dentre outros.


Como curioso que sou, busquei muito na internet soluções e programas que apoiassem o terceiro setor, foi quando me deparei com o programa para ONGs que o Google possui. Depois de conhecer mais a fundo como a organização poderia se beneficiar disso, passamos a implementar a família de aplicativos do Google, o Workspace (antigo Gsuite). A plataforma do Google passou a ser a base do trabalho da Fundação, ou seja, era ali que passamos a armazenar os documentos, pois os backups eram automáticos, o compartilhamento era mais prático e eliminamos a questão de uso de software pirata, como por exemplo o Microsoft Office.


Mas o mais impressionante disso tudo ainda estava por vir.


Anualmente essa organização fazia o cadastro das novas pessoas que passariam a ser atendidas naquele ano, bem como o recadastro daquelas que já estavam matriculadas. E antes de iniciar a transformação digital, muitos processos eram feitos utilizando papel, como no caso do período de cadastro anual, onde era preenchida uma ficha para cada criança e adolescente atendida pela instituição. Depois essa ficha iria compor uma pasta, que por sua vez ficaria armazenada em um armário de metal, daqueles bem antigos.

Um dos grandes problemas disso era quando precisava tabular algum tipo de dado, como por exemplo conhecer qual era a escola mais frequentada, qual o percentual de cada faixa etária, sexo ou até mesmo se havia alí alguma criança e adolescente com restrição alimentar. Imagina passar o olho em mais de 100 fichas! Era algo que tomava muito tempo das pessoas que atuavam ali na operação do dia a dia dessa instituição.


Assim que já estávamos operando na plataforma do Google, tratamos de fazer esse cadastro através de um formulário online. Algo que para muitos é simples, principalmente na iniciativa privada, mas que ainda é pouco utilizado pelas organizações da sociedade civil.


Foi aí que algo "mágico" aconteceu! Ao final desse período de cadastro, essa Fundação já tinha pronto uma fotografia das pessoas que ela atendia e também de suas famílias, pois foi feito também um questionário socioeconômico delas, o que gerou muitas informações importantes que iriam até mudar a maneira da Fundação atuar.

Um fato curioso é que na época essa instituição presenteava no natal os seus atendidos com um par de calçados. Até isso apareceu no formulário digital e facilitou muito conhecer quais os tamanhos mais utilizados.

Outro ponto importante que saltou aos nossos olhos, foi o fato de que a maioria dos responsáveis pelas crianças e adolescentes estavam sem emprego. Isso foi crucial para que a organização buscasse oferecer cursos profissionalizantes para que isso pudesse contribuir para aumentar as chances de melhorar a renda das famílias.

Foi aí que apareceu um dado importantíssimo que antes não era visível porque necessitava tabular aquelas mais de 100 fichas, lembra?


O formulário online preenchia uma planilha eletrônica que calculava a renda per capita. E olha o que aconteceu… A Fundação adotava um discurso há anos de que ela atendia famílias de baixa renda, mas de fato não haviam tantas evidências quanto as que ela passou a ter com o uso da tecnologia.

Foi identificado que algumas famílias atendidas possuíam uma renda per capita boa para a realidade da região, enquanto que na fila de espera da Fundação havia famílias com renda per capita praticamente zero!


A partir daí a instituição passou a corrigir isso, ou seja, a desligar as famílias que tinham uma certa condição e inserir nos atendimentos aquelas que mais necessitavam.


Esse passou a ser um exemplo clássico para nós, do hub do bem, de como a tecnologia pode ser aplicada em benefício das organizações do terceiro setor a fim de torná-las mais eficientes.


Mas todo esse processo não aconteceu do dia para a noite, pois como dito no início deste artigo, qualquer transformação digital passa pelos 3 Ps, de pessoas, processos e plataformas (ferramentas). Então foi necessário antes de tudo trabalhar com as pessoas a importância do uso da tecnologia, a mudança cultural necessária, até que elas começassem a testar novas formas de trabalhar através do digital e ver na prática o quanto elas poderiam se beneficiar no dia a dia.


Então o que você está esperando para tornar a sua ONG mais efetiva e impactar positivamente ainda mais o seu território?


Nós do hub do bem estamos à sua disposição para te ajudar nessa caminhada! Visite nosso site e descubra como: https://ohubdobem.org



Texto originalmente publicado no Impacta Nordeste

https://impactanordeste.com.br/como-a-tecnologia-pode-tornar-sua-ong-mais-efetiva/ 



Tiago do Val é membro fundador da ONG hub do bem, que possui a missão de contribuir com a transformação digital de pequenas ONGs no Brasil através da tecnologia, inovação e colaboração. Ele é formado em administração de empresas e é pós-graduado em inovação e marketing. 


Contato: falecom@ohubdobem.org


Inscreva-se na nossa Newsletter

Últimas publicações

Por Instituto Phomenta 9 de julho de 2026
A Inteligência Artificial (IA) não vai salvar nenhuma Organização da Sociedade Civil (OSC). Todo mundo já entendeu que ela é indispensável, que agiliza os processos, que ajuda no corre do dia a dia e que tem mil e uma utilidades. Mas ela, sozinha, não vai tirar a sua organização do vermelho e nem vai desafogar a sua equipe. A IA é uma ferramenta poderosa para apoiar a sua gestão, mas ela só funciona se for treinada e alimentada do jeito certo. E a grande pergunta é: você já sabe como fazer isso? A verdadeira inovação da tecnologia no terceiro setor não está nas ferramentas gratuitas e famosas que todo mundo usa na internet. O segredo está em construir uma estratégia modelada exclusivamente para a captação de recursos via editais. Se as exigências de quem financia mudaram, a forma como as ONGs planejam seus projetos precisa evoluir na mesma velocidade. É exatamente por isso que nasceu o Captação com Causa. Esse projeto, que tem duração de 18 meses, e é uma iniciativa da Fundação FEAC com apoio do Instituto Phomenta, tem um objetivo bem prático: foram selecionadas 10 organizações sociais de Campinas, que após formações, passam a utilizar uma plataforma de IA totalmente customizada para o terceiro setor. Por que focar em IA para buscar recursos? O que move esse projeto é uma ferida antiga das ONGs: o maior problema das organizações brasileiras hoje não é a falta de editais. As oportunidades estão publicadas por aí, na internet. O verdadeiro desafio das equipes, que quase sempre são enxutas, está em quatro passos básicos da rotina: Saber exatamente o que procurar para não aceitar qualquer dinheiro e acabar desviando da própria missão; Conseguir filtrar quais oportunidades realmente valem a pena e fazem sentido; Criar o hábito de buscar recursos de forma constante, e não só quando o caixa aperta; Transformar esse monte de informação em dinheiro no bolso para manter os projetos de pé. Escrever um projeto para um edital é complexo. Os formulários exigem justificativas profundas, orçamentos detalhados e até análise de riscos. Para equipes que já passam o dia se desdobrando no atendimento direto às comunidades, a IA entra como copiloto. Ela assume o trabalho mecânico de escrever e revisar textos, devolvendo para o captador o que ele tem de mais escasso: tempo para pensar na estratégia. Mas… como não deixar o texto com cara de robô? As ferramentas gratuitas que vemos por aí costumam "alucinar", que é o termo técnico para quando a IA inventa dados falsos ou cria argumentos superficiais simplesmente porque ela não conhece a realidade da sua ONG. Para blindar os projetos contra esse erro, o Captação com Causa ajuda as organizações a criarem um ambiente protegido e seguro, alimentando a inteligência artificial com a identidade real da instituição. Esse treino consiste em criar um perfil superdetalhado dentro do sistema, incluindo: O histórico da organização e as causas que ela defende; A região onde ela atua e o perfil das pessoas que ela atende; Dados locais e o impacto real que ela já gera no território. Quanto mais rico e detalhado for esse perfil, mais a IA se transforma em uma assistente exclusiva da causa. A partir daí, a máquina passa a escrever falando a mesma língua do financiador. Ela aprende a usar os termos técnicos que os avaliadores de editais procuram, cruza as palavras-chave exigidas e ajuda a encaixar a história da sua comunidade dentro das metas do orçamento. Falando a linguagem de quem investe Hoje em dia, as empresas e institutos que financiam projetos sociais mudaram a forma de avaliar as propostas. Eles não olham mais apenas para o número bruto de pessoas atendidas; eles querem ver o valor real do impacto gerado. Por isso, o projeto treina a IA para usar uma métrica chamada SROI (Retorno Social sobre o Investimento) . Para se ter uma ideia de como isso funciona: pesquisas do setor mostram que, para cada R$ 1 investido em projetos sociais por meio de incentivos fiscais no Brasil, cerca de R$ 7,59 retornam em benefícios reais para a sociedade e para a economia. Quando a IA é ensinada a cruzar os dados públicos da sua cidade (como pesquisas do IBGE) com o histórico de entregas da sua ONG, ela ajuda a provar matematicamente o valor do seu trabalho. O seu projeto deixa de parecer um "custo" para o investidor e passa a ser visto como um investimento seguro e transformador. O que muda na prática para as organizações? Com esse método bem aplicado, as inovações que as ONGs podem esperar mudam completamente o jogo da captação: Fim do desespero de última hora: A organização sai daquele modelo de correr atrás de edital na véspera do vencimento e passa a ter uma rotina organizada e previsível; Propostas sem erros bobos: Os projetos ficam muito mais robustos, diminuindo drasticamente as reprovações por preenchimento incompleto, metas vagas ou erros de orçamento; Mais confiança dos financiadores: Uma ONG que consegue provar seu impacto com dados seguros conquista a confiança de grandes investidores e garante sua sustentabilidade no longo prazo. Quer saber mais sobre captação estratégica e tecnologia? Aproveite para conferir nossos outros textos sobre sustentabilidade financeira e inteligência artificial no terceiro setor: O perigo do "dinheiro a qualquer custo": não deixe a procura por editais desvirtuar a sua missão: Entenda como a urgência para acessar editais sem alinhamento prévio pode desvirtuar a missão institucional da sua OSC e saiba como selecionar financiadores que respeitem os seus valores reais. Por que sua estratégia de captação precisa de IA (urgente)?: Conheça os dados oficiais sobre a sobrecarga dos captadores de recursos no Brasil e descubra por que a inteligência artificial virou uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para criar rotinas eficientes.
Por Instituto Phomenta 4 de julho de 2026
Você com certeza já viveu essa cena: o processo de seleção de voluntários foi um sucesso, a reunião de integração é melhor ainda e todo mundo sai motivado. Duas semanas depois, metade do grupo some sem dar notícias, os e-mails ficam sem resposta e, na hora daquela ação crucial, a coordenação precisa se desdobrar porque metade dos confirmados cancelou em cima da hora. Se a rotina da sua ONG parece um eterno ciclo de recrutar pessoas para cobrir o desfalque das anteriores, saiba que você não está só. Manter voluntários conectados a uma causa a longo prazo é um dos maiores desafios de gestão no Terceiro Setor. Para entender o tamanho do problema, basta olhar para o cenário nacional. Os dados da Pesquisa Voluntariado no Brasil, realizada pelo IDIS/Datafolha (2021) afirmam que, dos 57 milhões de brasileiros e brasileiras que realizam ou já realizaram trabalhos voluntários, apenas 12% fazem ações regularmente. Ainda de acordo com a pesquisa, embora o desejo de fazer o bem seja alto no país, entre os voluntários insatisfeitos e menos entusiasmados aparece a falta de motivação e de apoio/recursos, como fatores que trazem desengajamento.
Por Instituto Phomenta 25 de junho de 2026
Manter uma Organização da Sociedade Civil (OSC) de portas abertas no Brasil é um desafio diário de sobrevivência. Historicamente, a sustentabilidade financeira é o maior gargalo do terceiro setor, mas, frente ao montante de trabalho e às obrigações do dia a dia, ainda não conseguimos olhar para ela de forma estratégica. Assim, tratamos a busca por recursos como um evento de última hora, e não como um processo diário. Os dados do setor desenham um cenário alarmante sobre a estrutura das organizações brasileiras. Segundo a pesquisa da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR)*, 37% dos respondentes apontam como a maior dificuldade da captação a necessidade de dividir o tempo com outras demandas da instituição. Na maioria dos casos, a função é acumulada pela diretoria ou por técnicos que já estão sobrecarregados com a operação na ponta. O resultado é um ciclo vulnerável, especialista em "apagar incêndios": uma corrida desesperada contra o tempo para preencher formulários complexos apenas quando o caixa já entrou no vermelho. Diante dessa escassez crônica de tempo, a Inteligência Artificial (IA) passou a ser uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para viabilizar a sustentabilidade institucional, mas poucas organizações ainda sabem como usá-la. A maioria das ONGs usa IA sem estratégia A rotina ideal de captação exige monitoramento constante do mercado, leitura minuciosa de editais, adequação técnica de propostas e relatórios rigorosos de prestação de contas. Mas você leu bem: ideal . Não é o que temos à mão no dia a dia. Para equipes enxutas, a IA se tornou o caminho para assumir essa carga operacional. Na captação de recursos, a máquina atua — ou deveria atuar — como um copiloto técnico: fazendo a triagem de diretrizes complexas e adaptando a linguagem de projetos para diferentes perfis de financiadores, devolvendo ao profissional o tempo necessário para pensar estrategicamente. Porém, de acordo com o levantamento do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) , feito com mais de 1,5 mil organizações, 62% assumem que ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Vivemos em uma constante urgência para adotar a tecnologia, mas o pouco background gerou um uso amador e desordenado. Um mapeamento recente conduzido também pelo IDIS com mais de 500 entidades revelou que 95% das organizações sociais utilizam IA sem qualquer política ou orientação formal, e 75% dependem exclusivamente de ferramentas gratuitas de mercado. O risco aqui é que, com a soma da pouca estratégia e da falta de substância, as ONGs só consigam gerar, por meio da IA, propostas superficiais e desconectadas da realidade do território. São materiais incipientes, que podem levar à desclassificação imediata dos projetos pelos avaliadores dos editais. Como usar a IA a seu favor? Como resposta direta a esse cenário de equipes sobrecarregadas e necessidade de profissionalização tecnológica, a Fundação FEAC, com apoio do Instituto Phomenta, estruturou o projeto Captação com Causa. A iniciativa de 18 meses foi desenhada justamente para aplicar a IA como uma solução de sustentabilidade em 10 OSCs selecionadas de Campinas. Para combater o uso desordenado e a dependência de plataformas gratuitas apontados pelas pesquisas, o programa introduz no dia a dia das instituições bots customizados e programados especificamente para o contexto do terceiro setor. Em vez de soluções genéricas, as organizações ganham um sistema que filtra editais de forma preditiva e qualifica a escrita técnica das propostas, reduzindo drasticamente o tempo gasto na formatação dos projetos. O foco principal do projeto, que conta com um match funding de R$ 100 mil, é estruturar a captação como uma rotina viável. Por meio de assessoramentos individuais e coletivos, o programa prepara os profissionais para utilizarem a IA com postura crítica, garantindo que a tecnologia trabalhe a serviço da estratégia humana. Ao transformar a tecnologia em uma aliada, o Captação com Causa mira na mobilização de R$ 800 mil entre as participantes e na comprovação de que, com o método correto, a captação de recursos pode deixar de ser um susto sazonal e se tornar uma estratégia previsível, perene e sustentável. Quer saber mais sobre o Captação com Causa? Confira nosso último artigo! *Fonte: Censo ABCR
Por Instituto Phomenta 11 de junho de 2026
Nem todo edital é uma oportunidade. Entenda os riscos do desvio de missão e como captar recursos de forma estratégica.
Por Jaice Balduino 1 de junho de 2026
O doador brasileiro está mudando: mais seletivo, exigente e orientado por impacto. Descubra o que as organizações sociais precisam oferecer para conquistar e fidelizar quem doa no cenário atual.
Por Instituto Phomenta 26 de maio de 2026
Quem está no dia a dia da gestão de uma ONG conhece bem o dilema: a gente passa tanto tempo cuidando dos projetos e atendendo a ponta que a nossa própria estrutura vai ficando para trás. Já diz o ditado: “em casa de ferreiro…”. Nosso financeiro roda no limite, a equipe fica sobrecarregada, os processos são travados e a liderança vive exausta. A verdade é que a gente se acostumou a operar no modo de sobrevivência. Então, que tal dar um passo para trás e avaliar o todo? Durante o FIFE 2026, o sociólogo Domingos Armani trouxe uma provocação que cutucou feridas necessárias. Ele alertou que muitas organizações ainda insistem em carregar crenças e estigmas que funcionam como mapas obsoletos. Só que, o grande problema de usar um mapa velho é que o mundo mudou, e o desenho antigo já não bate com o terreno real de hoje. Insistir na ideia de que investir na própria estrutura é "gastar dinheiro que deveria ir para o projeto" é um desses mapas velhos que precisamos rasgar. Fortalecer a casa, o chamado Desenvolvimento Institucional (DI), é o que garante que a ONG continue existindo e gerando impacto no longo prazo. E essa mudança de mentalidade muda tudo, inclusive o jeito de captar recursos. Mudar a postura para financiar a sua estratégia Captar recursos para o Desenvolvimento Institucional, ou seja para estruturar a gestão, investir em tecnologia e manter o time funcionando, exige parar de pedir dinheiro apenas para o "projeto da vez". No painel da Plataforma Conjunta, ainda no FIFE, o debate girou em torno de como virar essa chave diante dos financiadores. Para ajudar a avaliar como a sua organização está se posicionando, montamos um checklist prático com os principais aprendizados da mesa: Checklist de postura para o fortalecimento da ONG [ ] Você se explica pela estratégia ou pelo portfólio? Quando vai conversar com um parceiro, você gasta todo o tempo listando as oficinas da semana ou apresenta primeiro a missão e a visão de futuro da organização? Grandes parceiros querem financiar o futuro da sua causa, não apenas uma ação pontual. [ ] Você sabe compartilhar vulnerabilidades? Se a sua organização fosse perfeita e não tivesse nenhum problema de gestão, ela não precisaria de apoio. Fale da sua vulnerabilidade, mas com estratégia. Acompanha o próximo ponto! [ ] O desafio vem acompanhado de uma solução? Mostrar os pontos fracos da gestão para o parceiro só funciona se você já apresentar a rota para resolver o problema. A vulnerabilidade precisa vir colada com a sua capacidade de planejamento. [ ] O estigma da escassez foi abandonado? A gestão já superou a velha crença de que o Terceiro Setor precisa trabalhar sofrendo, com ferramentas defasadas e computadores lentos? Modernizar a estrutura interna é uma decisão de eficiência, não um luxo. Saiba que você pode merece e precisa de estrutura. Modernizar para não parar no caminho Se os mapas antigos não funcionam mais, o papel de quem gere é desenhar novas rotas. Olhar para o Desenvolvimento Institucional serve para dar musculatura para a organização. Quando paramos de “vender o almoço para pagar o jantar” e começamos a financiar a nossa própria estratégia, a ONG ganha a sustentabilidade que precisa para transformar a realidade na ponta de forma estruturada e contínua.
mostrar mais

Participe do nosso grupo no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão

Entrar para o grupo