Captação de recursos com indivíduos - Parte 1/3

27 de outubro de 2022

Este conteúdo foi produzido por Pedro Sá

Aqui no Portal do Impacto, já falamos bastante sobre captação de recursos com empresas, inclusive criamos um Guia com as principais estratégias de captação com essa fonte. Agora, tendo essa experiência como inspiração, criamos uma nova série, desta vez sobre captação com indivíduos


Segundo a
Pesquisa Doação Brasil, realizada em 2020 pela Ipsos e coordenada pelo IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), “66% dos brasileiros doam, sendo 37% destes com doações diretas a organizações sociais. Outro dado importante: 83% dos brasileiros acham que doar faz a diferença – isso demonstra um potencial de aumento dessa porcentagem de doadores”.


Logo, dividiremos esse material em 3 partes, para que a leitura seja agradável, objetiva e faça diferença nos seus processos de planejamento e captação.
Neste primeiro texto, trataremos dos tipos de doações feitas por indivíduos

1) DOAÇÕES PONTUAIS


As doações pontuais, como o próprio nome já diz, refere-se a doações feitas por indivíduos geralmente mobilizados por ações e/ou campanhas que sua organização fez em algum momento com o foco em algum
projeto rápido ou intervenção urgente, como, por exemplo, a reforma do telhado por conta do temporal, ou arrecadação de doação para a sacolinha de natal ou dia das crianças. O foco dela sempre é para sanar algo imediato que tem um fim em si mesmo


As estratégias mais utilizadas para se obter doações pontuais podem vir de:


  • Jantares ou almoços beneficentes, onde você pode cobrar ingressos sociais para os participantes terem direito a acessar o evento;
  • Leilões sociais que buscam mobilizar pessoas em torno de itens a serem vendidos que tenham alguma especificidade ou diferencial como, por exemplo, um instrumento personalizado/raro ou até mesmo um quadro de um artista famoso;
  • Campanhas de financiamento coletivo com recompensas, onde quem doa para sua campanha, além de estar apoiando sua causa, pode receber recompensas personalizada pela ONG por suas doações de acordo com o valor;
  • As vaquinhas online que são famosas por mobilizar muitas pessoas doando diversos valores em prol daquela campanha também, porém sem a característica da recompensa e sim a sensibilização forte e chamativa e;
  • Face-to-face que é aquela a abordagem por indivíduo, como faz, por exemplo, o Greenpeace ou a WWF, que tende a explicar a causa, o porquê é importante doar e como aquilo impacta na rotina da ONG.


O lado positivo é que se você souber utilizar essas estratégias de forma eficiente, é possível levantar rapidamente (questões de semanas ou meses) alguns montantes relevantes. Porém, na contramão desse tipo de doação, quanto mais você insiste em fazer campanhas para recursos pontuais, menos retornos elas darão, pois são formas de doação que servem mais para atrair do que conquistar e reter novas doações. Aí entram em cena as doações recorrentes.

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2) DOAÇÕES RECORRENTES


São doações que possuem uma regularidade e previsibilidade. Exigem muito mais planejamento e acompanhamento da ONG para poder ter sustentabilidade. Na doação recorrente é necessário investir ainda mais em estratégias de comunicação, marketing, relacionamento e retenção de doadores. Muitas organizações têm modelos de sucesso de estratégias e doação recorrente que funcionam muito bem para elas e suas causas, o que não necessariamente terá o mesmo resultado para sua ONG.


Algumas estratégias bem conhecidas de doação recorrente podem ser:

  • Assinatura de benefícios;
  • Cobrança em cartão de crédito;
  • Cobrança em contas de energia ou telefone; e
  • Programas de apadrinhamento.


Leia também: 4 dicas para deixar a página de doação da sua OSC mais atraente


Geralmente, as doações recorrentes apoiam as organizações no custeio de despesas mensais como internet, energia, água, alimentação, aquisição ou manutenção de materiais e outras despesas que os recursos “carimbados” não permitem pagar, como, por exemplo, a folha do pessoal administrativo, impostos ou taxas bancárias.


O lado positivo das doações recorrentes é justamente a previsibilidade que a organização pode projetar com base em seus dados e indicadores de doação, porém o lado “negativo” é que ele exige muito mais monitoramento e transparência para não perder doadores e ficar com o orçamento desfalcado.



Gostou desta nova série? Gostaria de mais informações e/ou de nos sugerir algum assunto? Entre em contato por meio do e-mail: portaldoimpacto@phomenta.com.br.


Pedro Sá é graduado em Gestão Desportiva e de Lazer pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), possui uma história no setor social desde os 15 anos e, como profissional, já atuou na administração pública e privada; hoje atua como consultor independente em gestão de projetos de impacto e captação de recursos.


Contato: prolazerconsult@gmail.com


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