3 dicas para diferenciar sua ONG na internet

10 de março de 2022

Este conteúdo foi produzido por Daiany França Saldanha



Segundo a pesquisa anual TIC Domicílios, 83% da população brasileira tem acesso à internet¹. Ainda que isso signifique que quase um a cada cinco brasileiros esteja “desconectado”, estamos falando de mais de 152 milhões de pessoas que estão na internet, e mais de 140 milhões que estão efetivamente nas redes sociais².


Esses números tendem a concretizar um fato:
sua ONG não só precisa estar na internet, como deve aprender a diferenciar-se nesse meio.


Para te ajudar nessa missão, separei três dicas para te ajudar.


A primeira delas é: conte sua história repetidamente.


 Essa eu aprendi com Neide Santos, fundadora do Vida Corrida. Ela conta a própria história como ninguém. E não importa quantas vezes ela precise repetir; Neide sempre o faz com a mesma paixão e entusiasmo e envolve todo mundo que está ouvindo. 


Ao fazer isso, Neide também nos ensina como devemos contar sua história e de sua ONG, criando uma história única, verdadeira e repetida de maneira similar por todos aqueles que ousarem contá-la.


Sendo assim, qual é a história por trás da sua organização? A sua ONG tem uma pessoa fundadora de referência? Você é essa pessoa? Conte a sua história! Há muitas pessoas que querem ou precisam ouvi-la.


A segunda dica é: esteja presente. Esse é quase um mantra das redes sociais. A presença importa mais do que uma arte bem feita ou um texto bem escrito. Apareça todos os dias nas redes sociais da sua organização. E não apareça somente para pedir. Use as redes sociais para contar e relembrar o público sobre a sua história e a dos beneficiários, ou também para compartilhar sobre os desafios que vocês enfrentam cotidianamente. As pessoas gostam de vida real. Seja real.


Importante: a sua ONG não precisa marcar presença em todas as redes sociais. Se você escolher uma única rede social e for “fiel” a ela e presente, acredite: os resultados virão. Quando falo sobre resultados, não estou me referindo à quantidade de seguidores, porque isso também importa pouco. É mais valioso que você tenha poucos seguidores que interajam e doem para a sua organização do que milhares de seguidores que sequer reajam às suas publicações. Nesse sentido, foque na qualidade, não na quantidade.


 A terceira e última dica é: crie um avatar (ou tenha uma mascote). Não estou falando daquele filme Avatar (risos), mas de uma das tendências mais presentes em relatórios futuristas³, com alto poder de criar identificação e aproximação com as pessoas que seguem e doam para a ONG. É um tipo de animação com características humanas, que pode ser de si mesmo ou de uma persona criada pela organização (no caso de uma ONG, persona pode ser a representação fictícia de um(a) doador(a)). Avatares são ideais para quem não gosta muito de se expor nas redes sociais (é o seu caso?).


Cada vez mais marcas estão criando avatares influenciadores e focados no relacionamento com o público. Um bom exemplo é a Lu do Magalu (que até apareceu em capa de revista). 

 Na Phomenta, temos a Phomentina, personagem que nasceu para a campanha do Setembro Amarelo do ano passado e que segue nos inspirando em algumas datas temáticas, como o Dia Internacional da Mulher, comemorado esta semana. Veja:


Campanha do Dia da Mulher:




Campanha do Setembro Amarelo:



Gostou desse assunto? Siga aprendendo sobre ele aqui: O que é avatar no marketing digital.


Veja também: 3 dicas de como levar sua causa para fora da sua bolha.


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Daiany França

Daiany França Saldanha é responsável pelo editorial do Portal do Impacto.

Revisão: Flávia D'Angelo (Phomenta).



Fontes:
¹
TIC Domicílios 2020
²O mundo pós-pandemia, José Roberto de Castro Neves
³
https://livemktinsights.glideapp.io/full



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Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer um desafio estrutural: muitas organizações de base, especialmente em territórios periféricos, ainda têm dificuldade de incorporar tecnologia às suas soluções. Não por falta de visão, mas por falta de acesso à educação, à formação técnica e a investimentos sociais. É comum vermos tecnologias avançadas sendo desenvolvidas por startups e organizações de impacto, enquanto quem atua diretamente no território não dispõe dos recursos necessários para utilizá-las. Sem articulação, essa equação não fecha. Por isso, outra tendência que se consolida é a valorização de redes, consórcios e articulações territoriais. Organizações que atuam de forma isolada tendem a ter mais dificuldade de acessar investimentos. Financiadores buscam cada vez mais iniciativas coletivas, capazes de envolver múltiplos atores, setores e saberes. A experiência mostra que articular financiamento privado, cooperação técnica com o poder público e o engajamento de organizações de base é um caminho consistente para gerar impacto real e sustentável. Nesse novo cenário, o uso de dados e evidências deixou de ser opcional. A atuação precisa ser responsiva às necessidades reais dos territórios, e isso só é possível por meio da observação sistemática, da geração cidadã de dados e da tomada de decisões baseadas em evidências. O investimento social privado no Brasil amadureceu — e espera projetos bem estruturados, com governança sólida e clareza de resultados. É impossível falar de inovação sem falar de ética. Tecnologias como a Inteligência Artificial precisam ser desenvolvidas e utilizadas com base em princípios claros: respeito à privacidade e à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), justiça social, mitigação de vieses discriminatórios, controle social sobre dados e sistemas, segurança da informação e responsabilidade ambiental. O impacto climático da tecnologia, muitas vezes invisível, também precisa entrar na equação. Regulamentação e compromisso das empresas e investidores são indispensáveis. O financiamento das organizações também passa por mudanças relevantes. Doações online, campanhas como o Dia de Doar, cessão de tecnologias e licenças por empresas e, sobretudo, o fortalecimento dos mecanismos de incentivo fiscal têm ampliado as possibilidades de sustentabilidade. Quando uma empresa direciona parte de seus impostos para projetos sociais no território onde atua, o recurso retorna diretamente para a comunidade, em forma de educação, inovação e oportunidades. 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Você pode amar muito um time e ainda assim vê-lo perder campeonatos por anos. Pode ter a maior torcida do país, uma história gigante e uma camisa pesada. Mas sem gestão, isso não se sustenta. No terceiro setor acontece algo muito parecido. Sou corinthiana e não acompanho o futebol tão de perto. Mesmo assim, é impossível ignorar o que Palmeiras e Flamengo vêm construindo nos últimos anos. Escrevo este artigo no final de 2025 e, ao olhar para os principais campeonatos do período recente, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, esses dois clubes seguem protagonizando finais, títulos e campanhas consistentes. Não por acaso, também passaram a aparecer em premiações internacionais que reconhecem excelência em gestão, como o Globe Soccer Awards. Mas nem sempre foi assim. E é exatamente aí que essa história interessa às organizações da sociedade civil. Quando a virada não acontece no campo Palmeiras e Flamengo já viveram fases marcadas por dívidas, crises internas e resultados bem abaixo do potencial que tinham. A mudança não começou com um craque, nem com um gol histórico. Começou fora de campo. Por volta de 2012 e 2013, os dois clubes passaram a tratar a gestão como eixo central. Planejamento financeiro, profissionalização das equipes, governança e visão de longo prazo deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões concretas. Se você não gosta de futebol, continue comigo. O ponto aqui não é o esporte. É entender que amor, tradição e propósito são fundamentais, mas não substituem uma boa gestão. Com gestão, a gente vai mais longe. O que o Palmeiras ensina No Palmeiras, a virada tem um nome bastante conhecido: Paulo Nobre. Ao assumir a presidência do clube em 2013, encontrou um cenário delicado, com dívidas e pouca previsibilidade. Uma das decisões mais simbólicas foi emprestar recursos próprios para reorganizar as finanças do time. Um gesto arriscado, mas inserido em uma estratégia maior. A partir daí, vieram parcerias estratégicas como a Crefisa, a profissionalização da gestão e a criação de novas fontes de receita. A modernização do Allianz Parque transformou o estádio em um ativo que gera renda muito além dos jogos, com shows e eventos. É a lógica de enxergar a estrutura como meio para sustentar a missão, algo bastante familiar para quem atua no terceiro setor. O Flamengo e a coragem de arrumar a casa O Flamengo sempre teve popularidade e potencial. O que faltava era organização. A virada começou com decisões duras e pouco populares, como uma política rigorosa de controle de gastos e reorganização financeira. Antes de investir pesado em contratações, o clube investiu em processos, equipe técnica qualificada e responsabilidade fiscal. Os títulos vieram depois. Não como milagre, mas como consequência. O que tudo isso tem a ver com as OSCs? Muito mais do que parece. Os dois clubes mostram que investir na base (jovens atletas em formação para o time principal) é apostar no longo prazo, mesmo quando o retorno não é imediato. No terceiro setor, isso aparece na formação de equipes, no fortalecimento institucional e no desenvolvimento de lideranças. Eles também reforçam uma verdade incômoda: amor não é estratégia. Paixão move, mas não organiza fluxo de caixa, não constrói indicadores e não garante sustentabilidade. Há ainda a importância de diversificar fontes de receita, inclusive para organizações grandes e reconhecidas, e de contar com profissionais qualificados, além de investir em quem já faz parte da equipe. Nada disso acontece do dia para a noite. O processo é longo, exige constância e escolhas difíceis. Um convite para quem lidera organizações sociais  Se você lidera uma OSC, vale a reflexão. O quanto da sua energia está concentrada apenas na causa e o quanto está direcionada para fortalecer a gestão que sustenta essa causa? Gestão não esfria o propósito. Pelo contrário. Ela protege a missão, amplia o impacto e garante que o trabalho continue existindo daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futebol e no terceiro setor, amor é o ponto de partida. Gestão é o que transforma esse amor em legado.
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