Papo de impacto - A jornada de impacto social de Fernando Alves

10 de agosto de 2023

Este conteúdo foi produzido por Diego Borges Ferreira


Entrevistado: Fernando Alves, Diretor-executivo da Rede Cidadã


Uma das principais etapas do processo de crescimento e aprendizado de uma iniciativa de impacto social é como ela pode aprender com as experiências de pessoas e iniciativas que fazem parte desse ambiente repleto de oportunidades e desafios. Atualmente vivemos em um ambiente no qual conexões construtivas são uma grande ferramenta de crescimento que pode ajudar a abrir portas e experimentar novas ideias e soluções.


Pensando em levar essas experiências para o público do Portal do Impacto e para aqueles que acompanham a minha coluna, eu realizei uma entrevista com um profissional que tem muito para compartilhar com iniciativas sociais no Brasil e exterior, o Diretor Executivo da
Rede CidadãFernando Alves.


Ele é um dos fundadores da Rede Cidadã, graduado em Ciências Sociais e pós-graduado em Gestão de Pessoas pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Foi professor de História, Sociologia, Ciência Política, Antropologia e Cidadania Empresarial.


Foi também Diretor de Recursos Humanos, Secretário de Administração e Secretário dos Direitos de Cidadania na Prefeitura de Belo Horizonte, na gestão do prefeito Célio de Castro. É Terapeuta Sistêmico, coautor da metodologia para Expansão da Consciência, que já foi aplicada para mais de 26.000 pessoas. Fernando também é Diretor Executivo da Rede Cidadã e do Mandala Instituto e liderou a inclusão social de mais de 116.000 pessoas no mundo do trabalho.


A  Rede Cidadã é uma Entidade de Assistência Social (empresa social), que desenvolve programas e projetos de forma continuada, permanente e planejada. É uma das primeiras organizações a investir no trabalho social em rede e desde 2002  reúne sociedade civil, empresas, órgãos públicos, organizações sociais e voluntários, para trazer soluções em geração de trabalho e renda.


Em 2023 pelo oitavo ano consecutivo a Rede Cidadã ficou entre as 200 melhores organizações sociais do mundo! Está no 74º lugar do ranking internacional thedotgood. e em 4º do nacional. Também está entre as 20 melhores ONGs do Brasil segundo Prêmio iBest 2023, os iBest 20+ na categoria Ações Sociais!


Sou responsável pela gestão das atividades da Rede Cidadã  no LinkedIn há três anos e atualmente, a entidade é a iniciativa de impacto social no Brasil e América Latina com mais presença na plataforma. Utilizamos o Linkedin como ferramenta de crescimento e geração de impacto social com o trabalho realizado pela Rede Cidadã.


Nessa entrevista o Fernando fala sobre sua jornada, conquista, desafios e dicas que podem apoiar profissionais, empresas, startups e organizações que acompanham o Portal do Impacto e entendem a importância dessa iniciativa. Confira!


01 - Como começou seu interesse em impacto social e como isso levou sua jornada profissional à rede cidadã? Aproveite e conte mais sobre o trabalho que a Rede Cidadã realiza. 


Minha visão de impacto social surgiu quando descobri a relevância da gestão profissional trazida para o campo social. No mundo privado, ou diria mesmo, no campo do econômico, ninguém tem dúvidas da importância das ferramentas da gestão moderna. Coisas como metas, prazos, indicadores e metodologias de trabalho.


Então, descobri que projetos de impacto social exigiriam uma boa gestão e ações destinadas para impactos de transformação da realidade social. Nesse sentido, desde a primeira hora, resolvemos fundar a Rede Cidadã voltada para a preparação de jovens para o mundo do trabalho. Na época de fundação da Rede Cidadã, as pesquisas mostravam que 2/3 da população economicamente ativa e desempregada era constituída por jovens de 18 a 25 anos, e isso comprometeria a vida destas novas gerações. Com isso, a juventude se tornou o foco da Rede Cidadã e, hoje ampliando para a família, preparar pessoas para a vida e o trabalho continua sendo o campo de toda a nossa atuação.


No entanto, escolhemos como nosso principal indicador o número de jovens inseridos no mercado de trabalho, e não apenas capacitados. Afinal, apenas capacitar não gera impacto social, decidimos assumir que a inclusão formal no mundo do trabalho deveria ser o nosso principal impacto, levando renda efetiva para o jovem e sua família. 


02 - Quais foram os principais desafios que a Rede Cidadã enfrentou nos primeiros anos de atividade? Com a sua experiência é possível compartilhar com a gente os principais desafios que iniciativas sociais enfrentam atualmente? 


Numa economia como a nossa, o principal desafio sempre é o investimento financeiro inicial. Na criação da Rede Cidadã, a falta absoluta deste tipo de recurso foi substituída pela construção de parcerias que nos levaram a ter profissionais remunerados pela Prefeitura de BH, pela Fiat, e pela FIEMG, e ocupar espaços e infraestrutura cedidos pela FIEMG, pela Sociedade Mineira dos Engenheiros e pelo Instituto Florestam Fernandes.


Curiosamente, a Rede Cidadã em seu primeiro ano de existência chegou a articular, gerenciar e executar 12 projetos, sem ter conta em banco, tudo acontecendo por meio de parcerias. A Rede Cidadã, literalmente, veio ao mundo sem depender de captação de recursos financeiros. Fomos capazes de articular ativos existentes e integrar em rede esforços colaborativos gerando impacto social.


Atualmente, o desafio para o Terceiro Setor, além da permanente busca de investimentos financeiros, está o desafio da gestão profissional, do foco no que é relevante, e na capacidade de utilizar indicadores capazes de assegurar a efetividade dos resultados, o que significa medir os impactos sociais.


03 - Quais são os principais programas e projetos atualmente em andamento na organização? Poderia compartilhar algumas dicas para organizações com dificuldades em tirar seus projetos do papel?


A Rede Cidadã tem foco em projetos de Empregabilidade e de Aprendizagem, este último com base na Lei do Jovem Aprendiz. Nos últimos 20 anos, esses projetos inseriram 113 mil jovens no mundo do trabalho.


Atualmente, criamos a Trilha de Desenvolvimento do Usuário e da Família, visando atender a todos os públicos mobilizados pelas políticas públicas da Assistência Social, sobretudo, jovens de vilas e comunidades de baixa renda, jovens em situação de medidas socioeducativas, comunidade LGBTQIPN+, adultos, idosos, podendo ser ou não familiares. Assim, como integrar os diferentes públicos, a Trilha tem o objetivo de integrar os diferentes projetos e integrar diferentes fontes de investimento financeiro.


Só existe um jeito das organizações sociais tirarem projetos do papel: muito trabalho. O que significa criar projetos que sejam soluções demandadas pela comunidade e não pelo interesse da organização, articular a convergência de parceiros, garantir a execução do planejamento com clareza de metas, prazos e custos.


04 - O ambiente de iniciativas sociais é muito conectado! Poderia falar mais sobre como a Rede Cidadã se relaciona com outras organizações sociais e com isso amplia o impacto do trabalho realizado? 


A articulação de parceiros, a formação de sinergias, a construção de um trabalho em rede, sempre foram aspectos do que podemos chamar de DNA da nossa Organização. Se de um lado temos mais de 3 mil empresas que contratam os projetos da Organização, temos um leque de mais de 600 ongs parceiras, além de mais de 100 órgãos públicos, criando uma ampla rede de aliados que colaboram para nossos resultados. Sem as parcerias em formato e trabalho de complementaridade em rede, a Organização jamais teria conquistado os resultados aqui comentados.

A conexão de parceiros se tornou um elemento chave para o sucesso dos indicadores de resultados da nossa organização. Sem os parceiros, jamais em tão pouco tempo, 20 anos, a Rede Cidadã conseguiria o volume de resultados.


05 - A Rede Cidadã é uma iniciativa que desenvolve muitas parcerias! Poderia falar mais sobre as parcerias com o setor público e privado? Aproveite e compartilhe alguma dica para organizações que têm dificuldade em se relacionar com esses setores. 


Toda parceria é resultado da convergência de interesses. Nesse sentido, o Terceiro Setor precisa evoluir cada vez mais do lugar de que recebe doações para o parceiro capaz de vender serviços, capaz de entregar resultados para os investidores em projetos sociais e ambientais. Isso significa aprender a ser um ator na lógica do mercado privado. As empresas já romperam com o velho paradigma de filantropia, elas querem organizações profissionais, contratos com foco em resultados. E por sua vez, as organizações precisam aprender a disputar licitações públicas, a ter ofertas de soluções para políticas públicas e com isso disputar os recursos públicos destinados para ações complementares ao inerente trabalho do Estado em suas dimensões sociais ou ambientais.


06 - Quais são os principais aprendizados e realizações que alcançou como diretor-executivo da rede cidadã nos últimos anos? 


Os aprendizados de todo esse período foram sobre a importância de inovar em nossa metodologia de trabalho, no desenho dos projetos sociais e mesmo na capacidade de incorporar novas estratégias na busca de novos parceiros e investidores.


Creio que a principal realização foi desenvolver a metodologia socioemocional para ser aplicada na base da pirâmide social. Reunir vivências de elevado impacto de autoconhecimento permitiu oferecer aos segmentos sociais de baixa renda o acesso a recursos capazes de desenvolver em nossos públicos a inteligência emocional, cada vez mais reconhecida como fundamental para o mundo do trabalho.


Essa metodologia ganhou o Prêmio Ser Humano da ABRH/MG, e mostrou ser capaz de reduzir turnover e aumentar o tempo de permanência no trabalho de públicos desafiadores para o mercado de trabalho, como jovens em medidas socioeducativas e pessoas em situação de rua.

07 - Como as equipes da Rede Cidadã enfrentam crises ou situações de emergência? Consegue compartilhar algumas dicas para organizações que precisam lidar com situações complicadas? 


Não vejo diferenças das equipes da Rede Cidadã para qualquer outra organização empresarial quando o tema é o enfrentamento de crises. Talvez o melhor testemunho de um bom momento de aprendizado em lidar com crises, tenha ocorrido na pandemia.

Neste período, conseguimos criar um grande campo de união interna, de presença viva e constante entre as equipes e os dirigentes da organização, apesar dos laços de relacionamentos terem sido predominantemente virtuais, foram constantes e estimuladores da confiança necessária para todos juntos superarmos os desafios que toda a humanidade passava. 


08 - O Porta do Impacto tem como objetivo levar conteúdo para iniciativas de impacto social de diversos setores. Poderia deixar um recado final para as organizações que frequentam o portal e estão procurando crescer suas atividades? 


Acredito que as respostas anteriores também respondam esta última questão. Talvez, aqui pudesse acrescentar e destacar sobre a relevância de se tratar o campo social como aquele onde se encontram as pessoas, e elas possuem nome, CPF e endereço. Isto significa retirar o social da mera linguagem da estatística, das diretrizes genéricas das políticas públicas, e trazer para o centro do trabalho social cada pessoa, cada sujeito de direitos de cidadania.


Somente isso, poderá oferecer a prática efetiva do conceito de impacto social, posto que a verdade do resultado de um projeto precisa expressar que é o portador de direitos restaurados.



A importância de compartilhar experiências e ideias que ajudem a comunidade de iniciativas sociais


Sempre bom destacar que o Portal do Impacto tem o objetivo de compartilhar conteúdos gratuitos para as Organizações da Sociedade Civil (OSCs ou ONGs) e seus empreendedores nos temas de gestão, captação de recursos, tecnologia, comunicação e outros temas relevantes para o Terceiro Setor. Sempre tento trazer na minha coluna o melhor conteúdo envolvendo o Linkedin como ferramenta de trabalho e crescimento para essas iniciativas e seus colaboradores.



Minha rotina de trabalho como gestor das atividades da Rede Cidadã no Linkedin.


O LinkedIn é minha principal ferramenta de trabalho na Rede Cidadã e também a que mais utilizo quando apoio empresas, startups e organizações sociais no Brasil e exterior. Com ela já apoiei a Rede Cidadã a alcançar ótimos resultados em atividades que envolvem, por exemplo, comunicação, parcerias, comerciais e prospecção de talento. Essa experiência enriquecedora de crescimento também envolve a gestão do Fernando e as equipes que fazem parte da Rede Cidadã em diversos setores. Com isso tenho certeza que essa entrevista pode levar um conteúdo muito útil para iniciativas sociais que atuam em diversas causas e tem seus objetivos e desafios.


Boa Leitura, pessoal!






Diego Borges Ferreira: Profissional com experiência em comunicação no LinkedIn, networking, gestão de comunidade e treinamento de equipes em empresas, startups e organizações que desejam aprender a utilizar a plataforma. Principalmente com iniciativas que tem foco em impacto social e nas quais já apoiou diversas no Brasil e exterior. 

E-mail: liondiegos@gmail.com


Inscreva-se na nossa Newsletter

Últimas publicações

Por Ana Carolina Vieira 31 de julho de 2026
Se você trabalha em uma organização social, provavelmente já conhece esta situação: o prazo para entregar um relatório se aproxima e começa uma verdadeira força-tarefa para reunir fotos, encontrar comprovantes, levantar números e tentar resgatar atividades realizadas meses atrás. A boa notícia é que a prestação de contas não precisa ser um processo estressante. Ao longo da minha trajetória em operações e acompanhamento de organizações sociais, percebo que as maiores dificuldades não estão relacionadas à falta de trabalho realizado, mas à ausência de uma rotina simples para organizar as informações. Afinal, quem está no dia a dia da execução sabe que as demandas são intensas e nem sempre sobra tempo para registrar cada passo. A verdade é que prestar contas vai muito além de cumprir uma obrigação com financiadores ou parceiros. É uma oportunidade valiosa de evidenciar o impacto gerado, fortalecer a credibilidade da organização e consolidar uma base de conhecimento essencial para o crescimento institucional. A prestação de contas começa antes do relatório Um dos erros mais comuns é enxergar a prestação de contas como uma atividade pontual, que acontece apenas ao final de um projeto ou sob demanda. Na prática, ela deve ser construída ao longo de toda a execução. Quando a organização estabelece o hábito de registrar ações, resultados e evidências periodicamente, o trabalho deixa de ser uma carga concentrada e passa a integrar a rotina da equipe. Uma boa prática é reservar um tempo mensal para atualizar indicadores, organizar documentos e reunir registros; esse pequeno cuidado economiza horas preciosas no futuro. Fotos, listas de presença, depoimentos, notas fiscais e comprovantes de despesas são documentos recorrentemente solicitados. Por isso, vale a pena criar uma estrutura simples de armazenamento. Pastas organizadas por projeto, período ou tipo de atividade fazem toda a diferença, o importante é que a equipe saiba onde encontrar os arquivos e que haja um padrão claro para salvá-los. Lembre-se: quanto mais próximo do momento da atividade o registro for realizado, menores são as chances de perder informações valiosas. Ao pensar em indicadores, muitas organizações acreditam que precisam de sistemas sofisticados, no entanto, o mais importante é começar pelo básico. Algumas perguntas norteadoras ajudam muito: ● Quando a ação foi realizada? ● Quantas pessoas foram atendidas? ● Quantas atividades foram realizadas? ● Quantos voluntários participaram? ● Quantos materiais foram distribuídos? ● Quais resultados ou mudanças foram observados? Esses dados fornecem uma visão consistente sobre o alcance das ações. Com o tempo, a organização pode aprimorar suas métricas, mas o primeiro passo é garantir que as informações essenciais estejam sendo registradas. Uma prestação de contas organizada transmite profissionalismo, responsabilidade e transparência. Além de cumprir exigências de editais, ela consolida a confiança de doadores, parceiros, voluntários e da própria comunidade. Estamos em momento onde o doador busca muito mais transparência, e, organizações que demonstram seus resultados com clareza saem na frente, não necessariamente porque fazem mais, mas porque comunicam melhor o valor daquilo que realizam. Talvez a principal mudança de perspectiva seja entender que a prestação de contas não existe apenas para quem está fora da organização; ela é uma ferramenta vital de gestão interna. Ao monitorar indicadores, registrar aprendizados e analisar resultados, a equipe identifica desafios, corrige rotas e planeja os próximos passos com mais segurança. Mais do que um relatório, a prestação de contas é uma poderosa aliada na construção de organizações mais sustentáveis e preparadas para ampliar seu impacto. E, no fim das contas, o segredo está na constância: pequenos registros feitos ao longo do ano são muito mais eficientes do que grandes esforços concentrados às vésperas de um prazo. Afinal, narrar o impacto gerado fica muito mais fácil quando ele foi acompanhado durante toda a jornada. *Ana Carolina Vieira – Analista de Operações e Impacto Formada em Secretariado Executivo, possui experiência nas áreas administrativa e financeira, com atuação na gestão de processos internos, organização de informações, atendimento e comunicação. Ao longo de sua trajetória, desenvolveu habilidades em planejamento, controle operacional e suporte à gestão, contribuindo para a eficiência e o fortalecimento das rotinas organizacionais.
Por Instituto Phomenta 9 de julho de 2026
A Inteligência Artificial (IA) não vai salvar nenhuma Organização da Sociedade Civil (OSC). Todo mundo já entendeu que ela é indispensável, que agiliza os processos, que ajuda no corre do dia a dia e que tem mil e uma utilidades. Mas ela, sozinha, não vai tirar a sua organização do vermelho e nem vai desafogar a sua equipe. A IA é uma ferramenta poderosa para apoiar a sua gestão, mas ela só funciona se for treinada e alimentada do jeito certo. E a grande pergunta é: você já sabe como fazer isso? A verdadeira inovação da tecnologia no terceiro setor não está nas ferramentas gratuitas e famosas que todo mundo usa na internet. O segredo está em construir uma estratégia modelada exclusivamente para a captação de recursos via editais. Se as exigências de quem financia mudaram, a forma como as ONGs planejam seus projetos precisa evoluir na mesma velocidade. É exatamente por isso que nasceu o Captação com Causa. Esse projeto, que tem duração de 18 meses, e é uma iniciativa da Fundação FEAC com apoio do Instituto Phomenta, tem um objetivo bem prático: foram selecionadas 10 organizações sociais de Campinas, que após formações, passam a utilizar uma plataforma de IA totalmente customizada para o terceiro setor. Por que focar em IA para buscar recursos? O que move esse projeto é uma ferida antiga das ONGs: o maior problema das organizações brasileiras hoje não é a falta de editais. As oportunidades estão publicadas por aí, na internet. O verdadeiro desafio das equipes, que quase sempre são enxutas, está em quatro passos básicos da rotina: Saber exatamente o que procurar para não aceitar qualquer dinheiro e acabar desviando da própria missão; Conseguir filtrar quais oportunidades realmente valem a pena e fazem sentido; Criar o hábito de buscar recursos de forma constante, e não só quando o caixa aperta; Transformar esse monte de informação em dinheiro no bolso para manter os projetos de pé. Escrever um projeto para um edital é complexo. Os formulários exigem justificativas profundas, orçamentos detalhados e até análise de riscos. Para equipes que já passam o dia se desdobrando no atendimento direto às comunidades, a IA entra como copiloto. Ela assume o trabalho mecânico de escrever e revisar textos, devolvendo para o captador o que ele tem de mais escasso: tempo para pensar na estratégia. Mas… como não deixar o texto com cara de robô? As ferramentas gratuitas que vemos por aí costumam "alucinar", que é o termo técnico para quando a IA inventa dados falsos ou cria argumentos superficiais simplesmente porque ela não conhece a realidade da sua ONG. Para blindar os projetos contra esse erro, o Captação com Causa ajuda as organizações a criarem um ambiente protegido e seguro, alimentando a inteligência artificial com a identidade real da instituição. Esse treino consiste em criar um perfil superdetalhado dentro do sistema, incluindo: O histórico da organização e as causas que ela defende; A região onde ela atua e o perfil das pessoas que ela atende; Dados locais e o impacto real que ela já gera no território. Quanto mais rico e detalhado for esse perfil, mais a IA se transforma em uma assistente exclusiva da causa. A partir daí, a máquina passa a escrever falando a mesma língua do financiador. Ela aprende a usar os termos técnicos que os avaliadores de editais procuram, cruza as palavras-chave exigidas e ajuda a encaixar a história da sua comunidade dentro das metas do orçamento. Falando a linguagem de quem investe Hoje em dia, as empresas e institutos que financiam projetos sociais mudaram a forma de avaliar as propostas. Eles não olham mais apenas para o número bruto de pessoas atendidas; eles querem ver o valor real do impacto gerado. Por isso, o projeto treina a IA para usar uma métrica chamada SROI (Retorno Social sobre o Investimento) . Para se ter uma ideia de como isso funciona: pesquisas do setor mostram que, para cada R$ 1 investido em projetos sociais por meio de incentivos fiscais no Brasil, cerca de R$ 7,59 retornam em benefícios reais para a sociedade e para a economia. Quando a IA é ensinada a cruzar os dados públicos da sua cidade (como pesquisas do IBGE) com o histórico de entregas da sua ONG, ela ajuda a provar matematicamente o valor do seu trabalho. O seu projeto deixa de parecer um "custo" para o investidor e passa a ser visto como um investimento seguro e transformador. O que muda na prática para as organizações? Com esse método bem aplicado, as inovações que as ONGs podem esperar mudam completamente o jogo da captação: Fim do desespero de última hora: A organização sai daquele modelo de correr atrás de edital na véspera do vencimento e passa a ter uma rotina organizada e previsível; Propostas sem erros bobos: Os projetos ficam muito mais robustos, diminuindo drasticamente as reprovações por preenchimento incompleto, metas vagas ou erros de orçamento; Mais confiança dos financiadores: Uma ONG que consegue provar seu impacto com dados seguros conquista a confiança de grandes investidores e garante sua sustentabilidade no longo prazo. Quer saber mais sobre captação estratégica e tecnologia? Aproveite para conferir nossos outros textos sobre sustentabilidade financeira e inteligência artificial no terceiro setor: O perigo do "dinheiro a qualquer custo": não deixe a procura por editais desvirtuar a sua missão: Entenda como a urgência para acessar editais sem alinhamento prévio pode desvirtuar a missão institucional da sua OSC e saiba como selecionar financiadores que respeitem os seus valores reais. Por que sua estratégia de captação precisa de IA (urgente)?: Conheça os dados oficiais sobre a sobrecarga dos captadores de recursos no Brasil e descubra por que a inteligência artificial virou uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para criar rotinas eficientes.
Por Instituto Phomenta 4 de julho de 2026
Você com certeza já viveu essa cena: o processo de seleção de voluntários foi um sucesso, a reunião de integração é melhor ainda e todo mundo sai motivado. Duas semanas depois, metade do grupo some sem dar notícias, os e-mails ficam sem resposta e, na hora daquela ação crucial, a coordenação precisa se desdobrar porque metade dos confirmados cancelou em cima da hora. Se a rotina da sua ONG parece um eterno ciclo de recrutar pessoas para cobrir o desfalque das anteriores, saiba que você não está só. Manter voluntários conectados a uma causa a longo prazo é um dos maiores desafios de gestão no Terceiro Setor. Para entender o tamanho do problema, basta olhar para o cenário nacional. Os dados da Pesquisa Voluntariado no Brasil, realizada pelo IDIS/Datafolha (2021) afirmam que, dos 57 milhões de brasileiros e brasileiras que realizam ou já realizaram trabalhos voluntários, apenas 12% fazem ações regularmente. Ainda de acordo com a pesquisa, embora o desejo de fazer o bem seja alto no país, entre os voluntários insatisfeitos e menos entusiasmados aparece a falta de motivação e de apoio/recursos, como fatores que trazem desengajamento.
Por Instituto Phomenta 25 de junho de 2026
Manter uma Organização da Sociedade Civil (OSC) de portas abertas no Brasil é um desafio diário de sobrevivência. Historicamente, a sustentabilidade financeira é o maior gargalo do terceiro setor, mas, frente ao montante de trabalho e às obrigações do dia a dia, ainda não conseguimos olhar para ela de forma estratégica. Assim, tratamos a busca por recursos como um evento de última hora, e não como um processo diário. Os dados do setor desenham um cenário alarmante sobre a estrutura das organizações brasileiras. Segundo a pesquisa da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR)*, 37% dos respondentes apontam como a maior dificuldade da captação a necessidade de dividir o tempo com outras demandas da instituição. Na maioria dos casos, a função é acumulada pela diretoria ou por técnicos que já estão sobrecarregados com a operação na ponta. O resultado é um ciclo vulnerável, especialista em "apagar incêndios": uma corrida desesperada contra o tempo para preencher formulários complexos apenas quando o caixa já entrou no vermelho. Diante dessa escassez crônica de tempo, a Inteligência Artificial (IA) passou a ser uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para viabilizar a sustentabilidade institucional, mas poucas organizações ainda sabem como usá-la. A maioria das ONGs usa IA sem estratégia A rotina ideal de captação exige monitoramento constante do mercado, leitura minuciosa de editais, adequação técnica de propostas e relatórios rigorosos de prestação de contas. Mas você leu bem: ideal . Não é o que temos à mão no dia a dia. Para equipes enxutas, a IA se tornou o caminho para assumir essa carga operacional. Na captação de recursos, a máquina atua — ou deveria atuar — como um copiloto técnico: fazendo a triagem de diretrizes complexas e adaptando a linguagem de projetos para diferentes perfis de financiadores, devolvendo ao profissional o tempo necessário para pensar estrategicamente. Porém, de acordo com o levantamento do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) , feito com mais de 1,5 mil organizações, 62% assumem que ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Vivemos em uma constante urgência para adotar a tecnologia, mas o pouco background gerou um uso amador e desordenado. Um mapeamento recente conduzido também pelo IDIS com mais de 500 entidades revelou que 95% das organizações sociais utilizam IA sem qualquer política ou orientação formal, e 75% dependem exclusivamente de ferramentas gratuitas de mercado. O risco aqui é que, com a soma da pouca estratégia e da falta de substância, as ONGs só consigam gerar, por meio da IA, propostas superficiais e desconectadas da realidade do território. São materiais incipientes, que podem levar à desclassificação imediata dos projetos pelos avaliadores dos editais. Como usar a IA a seu favor? Como resposta direta a esse cenário de equipes sobrecarregadas e necessidade de profissionalização tecnológica, a Fundação FEAC, com apoio do Instituto Phomenta, estruturou o projeto Captação com Causa. A iniciativa de 18 meses foi desenhada justamente para aplicar a IA como uma solução de sustentabilidade em 10 OSCs selecionadas de Campinas. Para combater o uso desordenado e a dependência de plataformas gratuitas apontados pelas pesquisas, o programa introduz no dia a dia das instituições bots customizados e programados especificamente para o contexto do terceiro setor. Em vez de soluções genéricas, as organizações ganham um sistema que filtra editais de forma preditiva e qualifica a escrita técnica das propostas, reduzindo drasticamente o tempo gasto na formatação dos projetos. O foco principal do projeto, que conta com um match funding de R$ 100 mil, é estruturar a captação como uma rotina viável. Por meio de assessoramentos individuais e coletivos, o programa prepara os profissionais para utilizarem a IA com postura crítica, garantindo que a tecnologia trabalhe a serviço da estratégia humana. Ao transformar a tecnologia em uma aliada, o Captação com Causa mira na mobilização de R$ 800 mil entre as participantes e na comprovação de que, com o método correto, a captação de recursos pode deixar de ser um susto sazonal e se tornar uma estratégia previsível, perene e sustentável. Quer saber mais sobre o Captação com Causa? Confira nosso último artigo! *Fonte: Censo ABCR
Por Instituto Phomenta 11 de junho de 2026
Nem todo edital é uma oportunidade. Entenda os riscos do desvio de missão e como captar recursos de forma estratégica.
Por Jaice Balduino 1 de junho de 2026
O doador brasileiro está mudando: mais seletivo, exigente e orientado por impacto. Descubra o que as organizações sociais precisam oferecer para conquistar e fidelizar quem doa no cenário atual.
mostrar mais

Participe do nosso grupo no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão

Entrar para o grupo