O que são negócios sociais: exemplos de como transformar problemas em objetivos de negócios

26 de outubro de 2023

A Mandú Social presta consultoria em inovação há quase 20 anos e utilizou da sua experiência para abordar o tema "negócios sociais" neste artigo. Conheça a história da Rede Mulheres do Maranhão, uma iniciativa que exemplifica o tema abordado neste artigo:

Em nosso artigo sobre o que são negócios sociais, exploraremos os principais conceitos por trás dessa abordagem inovadora, destacando o exemplo inspirador da Rede Mulheres do Maranhão e como empreendedores(as) estão transformando desafios sociais em oportunidades de negócios sustentáveis.

Hoje, nós da  Mandu Inovação Social, vamos te ajudar a entender melhor sobre negócios sociais e te mostrar como eles estão revolucionando o mundo empresarial ao combinar lucro com impacto social positivo. Vamos lá! 


O que é um negócio social? 

Um negócio social é uma empresa que busca resolver problemas sociais e ambientais por meio de uma abordagem empreendedora e sustentável. Diferente das empresas tradicionais, o objetivo principal de um negócio social não é apenas gerar lucro, mas também criar um impacto positivo na sociedade. 

Essas empresas utilizam estratégias de negócios inovadoras para enfrentar desafios como pobreza, falta de acesso a serviços básicos e desigualdade, visando transformar problemas em oportunidades de negócios sustentáveis que promovam o bem-estar social. Unindo as necessidades a possibilidades sustentáveis e lucrativas.


Por que desenvolver ou colaborar em um projeto social? 

Desenvolver ou colaborar em um projeto social é uma forma de contribuir diretamente para a melhoria da sociedade, do meio ambiente e gerar renda. Essa atuação permite criar um impacto positivo e tangível, ajudando a solucionar problemas urgentes e promovendo mudanças significativas no individual e coletivo de determinadas regiões. 


Mais ainda, envolver-se em projetos sociais proporciona um senso de propósito, satisfação pessoal e a oportunidade de construir relacionamentos significativos, ampliando horizontes e promovendo ações concretas para um mundo melhor.


Passo a passo para pensar a construção de um projeto social

Elaborar um negócio social com estruturas sólidas é complexo, exige insights e processos construídos coletivamente. Então para você que está pensando em elaborar ou dar seguimento a um projeto, aqui vão 4 dicas imprescindíveis para você pensar durante o desenvolvimento de um negócio social:

1. Identificação de problemas sociais

É crucial identificar e compreender os problemas sociais existentes, como pobreza, desigualdade e acesso limitado a serviços essenciais, para criar soluções eficazes que atendam às necessidades da sociedade.


2. Abordagem sustentável

Uma abordagem sustentável busca equilibrar aspectos econômicos, sociais e ambientais, promovendo a preservação dos recursos naturais, a responsabilidade social e a viabilidade financeira a longo prazo.


3. Parcerias e colaboração

O sucesso dos projetos sociais depende de parcerias estratégicas com organizações governamentais, ONGs, empresas e comunidades locais, aproveitando seus recursos, conhecimentos e redes para maximizar o impacto e a eficiência.


4- Medição de impactos e melhorias 

A mensuração do impacto social e ambiental é essencial para avaliar a eficácia dos projetos sociais. A análise contínua dos resultados permite identificar áreas de melhoria e ajustar as estratégias para alcançar um maior impacto positivo.


Rede Mulheres do Maranhão e negócios inovadores: transformando problemas em solução

A Rede Mulheres do Maranhão (RMM) é uma iniciativa incrível que nasceu a partir do encontro de mulheres empreendedoras em 2016. A RMM foi criada para ajudar mulheres ex-vendedoras ambulantes e quebradeiras de coco babaçu que trabalhavam ao longo da Estrada de Ferro Carajás.


Esta Rede de Mulheres, através de uma iniciativa da Fundação Vale e implementada pela Mandu Inovação Social, encontrou alternativas de inclusão social e econômica alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Passaram a trabalhar produzindo e vendendo produtos dentro de trens ao longo da Estrada de Ferro Carajás, mas também, em outros espaços como E-commerce, Marketplace, Redes sociais e em pontos físicos estratégicos. Todos  com melhores condições de trabalho, legalização e possibilitando acesso, respeito  e incentivo ao desenvolvimento.


Hoje, a RMM representa uma verdadeira rede de empreendedores (as), proporcionando sustentabilidade para 15 negócios sociais e 4 grupos de quebradeiras de coco babaçu. Negócios sociais como esses, aumentam a renda familiar, promovem o desenvolvimento social e territorial e ajudam na inclusão dos grupos produtivos em mercados maiores. Além disso, a RMM fortalece o empoderamento das mulheres e compartilha conhecimento local valioso.



Negócios sociais: do problema à inovação

Esta história inspiradora de transformação mostra como um grupo de mulheres unidas superaram obstáculos, e a partir da dificuldade, encontraram oportunidades de negócio e melhoraram suas vidas. É um exemplo vivo de como a cooperação e a valorização da identidade sociocultural podem fazer a diferença. 


Através da RMM, essas mulheres não apenas estão construindo negócios sustentáveis, mas também criando um impacto positivo em suas comunidades. Para saber mais sobre a Rede de Mulheres do Maranhão, você pode acompanhar uma palestra na íntegra clicando aqui! 



Quer apoio profissional para potencializar seu projeto social? Entre em contato com a gente!


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Ferramentas de computação em nuvem, automação de processos e sistemas de gestão já impactam profundamente a comunicação e a administração das organizações. E, sem dúvida, a Inteligência Artificial é o próximo grande divisor de águas. A IA já é uma realidade acessível ao terceiro setor, mas ainda pouco dominada de forma qualificada, segura e estratégica. Existe um enorme potencial para geração de conhecimento, análise de dados, automação, pesquisa e avaliação de projetos. É possível, por exemplo, utilizar ferramentas de IA para analisar evidências científicas, apoiar processos de avaliação, medir resultados e até realizar auditorias internas de gestão. Ainda assim, o setor carece de investimento em formação, treinamento e desenvolvimento de soluções de IA criadas pelo terceiro setor e para o terceiro setor. Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer um desafio estrutural: muitas organizações de base, especialmente em territórios periféricos, ainda têm dificuldade de incorporar tecnologia às suas soluções. Não por falta de visão, mas por falta de acesso à educação, à formação técnica e a investimentos sociais. É comum vermos tecnologias avançadas sendo desenvolvidas por startups e organizações de impacto, enquanto quem atua diretamente no território não dispõe dos recursos necessários para utilizá-las. Sem articulação, essa equação não fecha. Por isso, outra tendência que se consolida é a valorização de redes, consórcios e articulações territoriais. Organizações que atuam de forma isolada tendem a ter mais dificuldade de acessar investimentos. Financiadores buscam cada vez mais iniciativas coletivas, capazes de envolver múltiplos atores, setores e saberes. A experiência mostra que articular financiamento privado, cooperação técnica com o poder público e o engajamento de organizações de base é um caminho consistente para gerar impacto real e sustentável. Nesse novo cenário, o uso de dados e evidências deixou de ser opcional. A atuação precisa ser responsiva às necessidades reais dos territórios, e isso só é possível por meio da observação sistemática, da geração cidadã de dados e da tomada de decisões baseadas em evidências. O investimento social privado no Brasil amadureceu — e espera projetos bem estruturados, com governança sólida e clareza de resultados. É impossível falar de inovação sem falar de ética. Tecnologias como a Inteligência Artificial precisam ser desenvolvidas e utilizadas com base em princípios claros: respeito à privacidade e à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), justiça social, mitigação de vieses discriminatórios, controle social sobre dados e sistemas, segurança da informação e responsabilidade ambiental. O impacto climático da tecnologia, muitas vezes invisível, também precisa entrar na equação. Regulamentação e compromisso das empresas e investidores são indispensáveis. O financiamento das organizações também passa por mudanças relevantes. Doações online, campanhas como o Dia de Doar, cessão de tecnologias e licenças por empresas e, sobretudo, o fortalecimento dos mecanismos de incentivo fiscal têm ampliado as possibilidades de sustentabilidade. Quando uma empresa direciona parte de seus impostos para projetos sociais no território onde atua, o recurso retorna diretamente para a comunidade, em forma de educação, inovação e oportunidades. Isso fortalece a democracia e aproxima o investimento social da vida real das pessoas. As parcerias intersetoriais, aliás, tendem a se tornar ainda mais estratégicas. Políticas de ESG impulsionaram empresas a assumirem compromissos mais concretos com impacto social e ambiental. Quando essa agenda sai do discurso e se traduz em atuação no território, com cooperação técnica e investimento de longo prazo, os resultados são muito mais consistentes. Diante de um cenário marcado por polarização política e desinformação, o papel das organizações da sociedade civil também se amplia. Educação midiática, consumo crítico da informação e inclusão digital são hoje pilares da defesa da democracia. Eu acredito que capacitar pessoas em habilidades digitais é também fortalecer sua capacidade de participação cidadã. O terceiro setor está, sim, mais profissionalizado — e isso é necessário. O desafio é garantir que essa profissionalização não signifique distanciamento das bases sociais, mas sim mais impacto, mais escuta e mais transformação concreta nos territórios. Para as lideranças do setor, 2026 exigirá competências cada vez mais complexas: análise de dados, gestão de pessoas, captação diversificada de recursos, comunicação transparente, prestação de contas e capacidade de construir parcerias estratégicas entre diferentes setores. Mais do que nunca, impacto social será resultado de articulação, evidência e compromisso real com quem está na ponta. 
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Por Nathalia Albuquerque 2 de março de 2026
Você pode amar muito um time e ainda assim vê-lo perder campeonatos por anos. Pode ter a maior torcida do país, uma história gigante e uma camisa pesada. Mas sem gestão, isso não se sustenta. No terceiro setor acontece algo muito parecido. Sou corinthiana e não acompanho o futebol tão de perto. Mesmo assim, é impossível ignorar o que Palmeiras e Flamengo vêm construindo nos últimos anos. Escrevo este artigo no final de 2025 e, ao olhar para os principais campeonatos do período recente, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, esses dois clubes seguem protagonizando finais, títulos e campanhas consistentes. Não por acaso, também passaram a aparecer em premiações internacionais que reconhecem excelência em gestão, como o Globe Soccer Awards. Mas nem sempre foi assim. E é exatamente aí que essa história interessa às organizações da sociedade civil. Quando a virada não acontece no campo Palmeiras e Flamengo já viveram fases marcadas por dívidas, crises internas e resultados bem abaixo do potencial que tinham. A mudança não começou com um craque, nem com um gol histórico. Começou fora de campo. Por volta de 2012 e 2013, os dois clubes passaram a tratar a gestão como eixo central. Planejamento financeiro, profissionalização das equipes, governança e visão de longo prazo deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões concretas. Se você não gosta de futebol, continue comigo. O ponto aqui não é o esporte. É entender que amor, tradição e propósito são fundamentais, mas não substituem uma boa gestão. Com gestão, a gente vai mais longe. O que o Palmeiras ensina No Palmeiras, a virada tem um nome bastante conhecido: Paulo Nobre. Ao assumir a presidência do clube em 2013, encontrou um cenário delicado, com dívidas e pouca previsibilidade. Uma das decisões mais simbólicas foi emprestar recursos próprios para reorganizar as finanças do time. Um gesto arriscado, mas inserido em uma estratégia maior. A partir daí, vieram parcerias estratégicas como a Crefisa, a profissionalização da gestão e a criação de novas fontes de receita. A modernização do Allianz Parque transformou o estádio em um ativo que gera renda muito além dos jogos, com shows e eventos. É a lógica de enxergar a estrutura como meio para sustentar a missão, algo bastante familiar para quem atua no terceiro setor. O Flamengo e a coragem de arrumar a casa O Flamengo sempre teve popularidade e potencial. O que faltava era organização. A virada começou com decisões duras e pouco populares, como uma política rigorosa de controle de gastos e reorganização financeira. Antes de investir pesado em contratações, o clube investiu em processos, equipe técnica qualificada e responsabilidade fiscal. Os títulos vieram depois. Não como milagre, mas como consequência. O que tudo isso tem a ver com as OSCs? Muito mais do que parece. Os dois clubes mostram que investir na base (jovens atletas em formação para o time principal) é apostar no longo prazo, mesmo quando o retorno não é imediato. No terceiro setor, isso aparece na formação de equipes, no fortalecimento institucional e no desenvolvimento de lideranças. Eles também reforçam uma verdade incômoda: amor não é estratégia. Paixão move, mas não organiza fluxo de caixa, não constrói indicadores e não garante sustentabilidade. Há ainda a importância de diversificar fontes de receita, inclusive para organizações grandes e reconhecidas, e de contar com profissionais qualificados, além de investir em quem já faz parte da equipe. Nada disso acontece do dia para a noite. O processo é longo, exige constância e escolhas difíceis. Um convite para quem lidera organizações sociais  Se você lidera uma OSC, vale a reflexão. O quanto da sua energia está concentrada apenas na causa e o quanto está direcionada para fortalecer a gestão que sustenta essa causa? Gestão não esfria o propósito. Pelo contrário. Ela protege a missão, amplia o impacto e garante que o trabalho continue existindo daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futebol e no terceiro setor, amor é o ponto de partida. Gestão é o que transforma esse amor em legado.
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