Motivação - Por que você faz o que faz?

1 de junho de 2023

Este conteúdo foi produzido por Sara Dias


Você já parou para pensar no motivo de estar trabalhando no terceiro setor - ou para ele - e não em outro lugar? Já observou os aspectos que te realizam e aqueles que te frustram neste trabalho?


Ao refletir sobre essas questões, permeamos emoções, memórias, sonhos, e mais uma infinidade de coisas, que podem nos apontar o que, afinal, nos mobiliza, nos dá energia e nos leva a agir.


Será que sua motivação é o ímpeto de ajudar outras pessoas? Fazer a diferença no mundo? Desenvolver habilidades? Conseguir um novo emprego? 


Questionamento sobre a força impulsionadora das ações humanas, seja para escolhas no trabalho ou em qualquer área da vida, foram o alvo das pesquisas do Psicólogo Humanista Abraham Maslow (1908 - 1970), que até hoje trazem parâmetros para a psicologia, o marketing, a administração e a área da Gestão de Pessoas, oferecendo informações sobre o comportamento humano e a satisfação de seus anseios.


Eu sua principal teoria, a Hierarquia das Necessidades, Maslow defende que o ser humano poderá usufruir de seu "estado máximo de ser", ou seja, o nível de autorrealização, após satisfazer, de forma hierárquica, suas necessidades mais básicas. Como demonstrado na imagem, a seguir:




CONHECENDO A HIERARQUIA DAS NECESSIDADES DE MASLOW:



Necessidades fisiológicas:


Encontradas na base da pirâmide e oferecendo sustentação a todas as outras necessidades, estas, são inerentes a todos os indivíduos e precisam ser atendidas para manter um corpo saudável, como: fome, sede, sono, temperatura corporal, dentre outras.


Relacionada ao Terceiro Setor:


Para saber se esta necessidade está sendo suprida, podemos analisar se, em sua rotina diária, a pessoa consegue se alimentar bem, dormir com qualidade, usufruir de tempo de descanso, sentir-se bem fisicamente e mentalmente e etc.


Necessidade de Segurança

 

Este ponto diz respeito à necessidade de proteção e abrigo (segurança física, familiar,  estabilidade financeira, etc).


Relacionada ao Terceiro Setor: 


Aqui, assim como na base da pirâmide, o fator financeiro é um grande influenciador, estando diretamente ligado ao fato de que, com o salário e benefícios recebidos por seu trabalho, a pessoa consiga pagar as suas contas e garantir o básico para si e sua família.

Há ainda, aspectos relacionados ao risco à vida, inerente a algumas áreas de vulnerabilidade social atendidas pelas ONGs.


Necessidade de Relacionamento e amor


Nesta fase, Maslow aborda emoções mais complexas, como o senso de pertencimento e a intimidade dos seres humanos.


Relacionada ao Terceiro Setor:


Podemos observar a influência deste fator, ao observar o grau de motivação e engajamento das pessoas, ao fazer parte de uma organização onde o trabalho em equipe é priorizado, onde há a criação de vínculos por meio do trabalho colaborativo.


Necessidade de Estima


Outro fator vinculado às relações humanas, onde a autoestima, autoconfiança e reconhecimento de valor, perpassa pelo reconhecimento de seus pares, aqui, o indivíduo anseia por evolução e realização profissional.


Relacionada ao Terceiro Setor:

Este elemento pode estar atrelado à figura de liderança ou gestão da organização.

Gestores preparados para reconhecer individualmente o perfil de seus colaboradores, oferecendo feedback contínuo, oportunidades de crescimento, reconhecimento e valorização de suas conquistas, estará investindo efetivamente na satisfação de sua equipe.


Necessidade de Autorrealização


Elevada ao nível dos sonhos realizados e objetivos atingidos, essa necessidade está localizada quase no topo da pirâmide e é considerada das mais complexas. Ela exige mais trabalho, foco e determinação, porém, oferece um número maior de vantagens.


Relacionada ao Terceiro Setor: 


Neste estágio, o indivíduo que se sente seguro, apoiado e valorizado, tem uma gama de recursos para oferecer em seu trabalho e pode perceber a possibilidade de ampliar suas ações, tecendo redes e conexões com outras instituições e agentes de transformação social.


CONSIDERAÇÕES SOBRE A TEORIA DE MASLOW


Após a publicação da teoria com as 5 necessidades básicas, Maslow ainda acrescentou necessidades mais elevadas como a de aprendizado (relacionada ao desejo de conhecer e entender o mundo a sua volta), transcendência (ligada ao sentido de espiritualidade) e satisfação estética (necessidade de observar a beleza, a ordem e a simetria).


Sua teoria, apesar de ser considerada simples e de fácil compreensão, é criticada em alguns aspectos como a de oferecer um padrão de prioridade que pode não ser linear ou igual para todas as pessoas. 


OUTRAS TEORIAS SOBRE MOTIVAÇÃO


Um estudo feito pelas pesquisadoras Marina Dias Faria e Patrícia Gibson, intitulado “Motivação e Trabalho no Terceiro Setor: Um Estudo de Caso no Projeto Nós do Morro”, em uma ONG do Vidigal, no Rio de Janeiro, ofereceu, por meio da revisão de literatura, referências sobre as teorias de motivação existentes até então.


As autoras citam que, para falar da motivação em relação ao trabalho, devemos considerar 2 conceitos centrais:


A existência da motivação de engajamento, que explica o porquê de uma pessoa iniciar alguma ação ou, no caso do estudo, de ir trabalhar na ONG, e a motivação de permanência, que se refere ao motivo de ficar ou sair da mesma.


Como citado por um dos ex-educadores que trabalharam no projeto, as motivações de
engajamento normalmente estão atreladas aos resultados de impacto e transformação na vida dos atendidos pela ONG, e os motivos de permanência, ou não, estão relacionados aos fatores financeiros.


Marina e Patrícia pontuam, também, que nossas motivações podem ter origem intrínseca (individuais, com origem na própria pessoa) ou extrínseca (coletivas ou com influência do ambiente), sendo possível, no segundo tipo, ser estimulado pela organização em que se trabalha.


E O QUE O CONHECIMENTO SOBRE AS TEORIAS DA MOTIVAÇÃO PODE NOS AJUDAR NO TERCEIRO SETOR?


A teoria das Hierarquias das Necessidades de Maslow, apesar de não ser a única que explica a origem de nossas motivações, reforça a ideia de que, para nos sentirmos satisfeitos trabalhando para mudar o mundo, precisamos, antes disso, suprir nossas necessidades básicas de existência.


Dessa forma, precisamos sim, por meio do autoconhecimento, conhecer aquilo que renova nossas energias, nos faz querer agir, para enfim, desenvolvermos a habilidade da Automotivação naquilo em que fazemos, ou mesmo, decidir mudar o caminho que estamos trilhando, nos aproximando daquilo que nos faz bem.


Contudo, há aspectos que podem, e devem, ser pensados pela gestão das organizações do nosso setor, que envolvem as fontes de motivação externas, ou oriundas do ambiente de trabalho, e que precisam ser melhoradas. O que tem ocorrido com frequência é a dificuldade das lideranças em identificar os fatores que motivam seus colaboradores e investir neles.


Mas e você? Sabe me dizer o que te motiva a trabalhar no Terceiro Setor?


Se sim, me escreva! Estou pronta para te ouvir.

Fontes:

Gustavo Periard: A hierarquia de necessidades de Maslow – O que é e como funciona. Disponível em: A hierarquia de necessidades de Maslow – O que é e como funciona


Patrícia Durão Gibson Martins e Marina Dias de Faria - Motivação e Trabalho no Terceiro Setor: Um Estudo de Caso no Projeto Nós do Morro. Disponível em: https://periodicos.ufba.br/index.php/rigs/article/view/21703/15511




Sara Dias é Prof.ª Mestra em Artes da Cena pela UNICAMP e Instrutora de Yoga, atua como educadora social desde 2006 e atualmente desenvolve projetos relacionados ao bem-estar no terceiro setor. 



Contato: saradias.ds@gmail.com


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Por Nathalia Albuquerque 2 de março de 2026
Você pode amar muito um time e ainda assim vê-lo perder campeonatos por anos. Pode ter a maior torcida do país, uma história gigante e uma camisa pesada. Mas sem gestão, isso não se sustenta. No terceiro setor acontece algo muito parecido. Sou corinthiana e não acompanho o futebol tão de perto. Mesmo assim, é impossível ignorar o que Palmeiras e Flamengo vêm construindo nos últimos anos. Escrevo este artigo no final de 2025 e, ao olhar para os principais campeonatos do período recente, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, esses dois clubes seguem protagonizando finais, títulos e campanhas consistentes. Não por acaso, também passaram a aparecer em premiações internacionais que reconhecem excelência em gestão, como o Globe Soccer Awards. Mas nem sempre foi assim. E é exatamente aí que essa história interessa às organizações da sociedade civil. Quando a virada não acontece no campo Palmeiras e Flamengo já viveram fases marcadas por dívidas, crises internas e resultados bem abaixo do potencial que tinham. A mudança não começou com um craque, nem com um gol histórico. Começou fora de campo. Por volta de 2012 e 2013, os dois clubes passaram a tratar a gestão como eixo central. Planejamento financeiro, profissionalização das equipes, governança e visão de longo prazo deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões concretas. Se você não gosta de futebol, continue comigo. O ponto aqui não é o esporte. É entender que amor, tradição e propósito são fundamentais, mas não substituem uma boa gestão. Com gestão, a gente vai mais longe. O que o Palmeiras ensina No Palmeiras, a virada tem um nome bastante conhecido: Paulo Nobre. Ao assumir a presidência do clube em 2013, encontrou um cenário delicado, com dívidas e pouca previsibilidade. Uma das decisões mais simbólicas foi emprestar recursos próprios para reorganizar as finanças do time. Um gesto arriscado, mas inserido em uma estratégia maior. A partir daí, vieram parcerias estratégicas como a Crefisa, a profissionalização da gestão e a criação de novas fontes de receita. A modernização do Allianz Parque transformou o estádio em um ativo que gera renda muito além dos jogos, com shows e eventos. É a lógica de enxergar a estrutura como meio para sustentar a missão, algo bastante familiar para quem atua no terceiro setor. O Flamengo e a coragem de arrumar a casa O Flamengo sempre teve popularidade e potencial. O que faltava era organização. A virada começou com decisões duras e pouco populares, como uma política rigorosa de controle de gastos e reorganização financeira. Antes de investir pesado em contratações, o clube investiu em processos, equipe técnica qualificada e responsabilidade fiscal. Os títulos vieram depois. Não como milagre, mas como consequência. O que tudo isso tem a ver com as OSCs? Muito mais do que parece. Os dois clubes mostram que investir na base (jovens atletas em formação para o time principal) é apostar no longo prazo, mesmo quando o retorno não é imediato. No terceiro setor, isso aparece na formação de equipes, no fortalecimento institucional e no desenvolvimento de lideranças. Eles também reforçam uma verdade incômoda: amor não é estratégia. Paixão move, mas não organiza fluxo de caixa, não constrói indicadores e não garante sustentabilidade. Há ainda a importância de diversificar fontes de receita, inclusive para organizações grandes e reconhecidas, e de contar com profissionais qualificados, além de investir em quem já faz parte da equipe. Nada disso acontece do dia para a noite. O processo é longo, exige constância e escolhas difíceis. Um convite para quem lidera organizações sociais  Se você lidera uma OSC, vale a reflexão. O quanto da sua energia está concentrada apenas na causa e o quanto está direcionada para fortalecer a gestão que sustenta essa causa? Gestão não esfria o propósito. Pelo contrário. Ela protege a missão, amplia o impacto e garante que o trabalho continue existindo daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futebol e no terceiro setor, amor é o ponto de partida. Gestão é o que transforma esse amor em legado.
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