Como utilizar os indicadores para uma captação de recursos mais efetiva?

5 de novembro de 2020

No terceiro setor, estamos sempre à procura de recursos para conseguir manter e/ou expandir nossas atividades. Como toda organização do setor não tem o lucro como finalidade principal, temos que conseguir esses recursos de forma diferente das organizações de outros setores. E é aí que entra a equipe de captação de recursos. Mas, como saber se ela está funcionando bem?


A chave para essa questão está nos indicadores. Já começamos a conversa sobre eles no texto…, porém, a captação de recursos é tão essencial para o trabalho das organizações que decidimos fazer um texto só para indicadores dessa área.


O indicador mais importante


Captar recursos demanda investimento, de tempo e de dinheiro, por parte da organização. E todo recurso investido deve conter um valor associado a ele. Então um indicador bem básico para essa área é que o seu custo não pode ser maior do que o valor que ela arrecada. Ou seja:


Custos + Receita > 0


Dentro dos custos, entram o tempo dos funcionários e, inclusive, dos voluntários. Sim, o tempo que você passa planejando eventos,
e-mailings, etc., é valiosíssimo e deve ser contabilizado e permitirá analisar se a equação acima apenas fica positiva com uso de voluntários, por exemplo


Se os custos estão maiores que as receitas, quer dizer que seus esforços não estão tendo um resultado proporcional e a estratégia da área deve ser repensada.


Quais indicadores utilizar?


Além da avaliação de custos vs. receitas, outros indicadores podem melhorar muito a qualidade e o resultado do seu trabalho.


Toda organização deveria saber:

  • Número total de doadores
  • Valor total de doações
  • Valor médio de doação: valor total de doações/número de doadores


Para quem deseja dar o próximo passo:

  • De onde estão vindo as doações
  • Valor total de doações por evento ou campanha
  • Número de doadores recorrentes


Nível avançado:

  • Quantidade de doadores por valor de doação: transforme os valores em intervalos e veja quantas pessoas estão doando em cada intervalo. Por exemplo, R$ 10 a R$ 50; R$ 50 a R$ 150, etc.
  • Lista de doadores para os intervalos mais altos de doações


E o que fazer com essas informações?


No texto
Indicadores: entenda o que está funcionando para a sua ONG falamos muito sobre colher os indicadores com consistência por um tempo antes de começar a analisar. Quanto mais tempo você passar colhendo, mais fortes serão as conclusões que você pode tirar dos dados. E quando você tiver informações suficientes para comparar, aqui estão algumas das análises que você pode fazer para cada um dos indicadores que trouxemos antes:


Toda organização deveria analisar:

  • Número total de doadores - Esse número está aumentando, diminuindo ou estagnado? Quais foram as atividades ou campanhas recentes, e como elas influenciaram a variação desse número?
  • Valor total de doações - Esse valor está aumentando, diminuindo ou estagnado? Quais foram as atividades ou campanhas recentes, e como elas influenciaram a variação desse número?
  • Valor médio de doação: valor total de doações/número de doadores - Esse número está aumentando, diminuindo ou estagnado? Ou seja, cada indivíduo (em média) está doando mais, menos ou o mesmo ao longo do tempo?


Para quem deseja dar o próximo passo:

  • De onde estão vindo as doações - De um site? De crowdfunding? Elas são constantes ou esporádicas?
  • Valor total de doações por evento ou campanha - Quais foram os eventos ou campanhas com maior sucesso? Qual foi o custo delas? O que elas tiveram de diferente das campanhas com menor sucesso?
  • Número de doadores recorrentes - Quem são seus doadores? Pessoas que doam uma vez só ou mais de uma vez? As pessoas que doam mais de uma vez, doam com que frequência? O que faz elas doarem de forma recorrente?


Nível avançado:

  • Quantidade de doadores por valor de doação: transforme os valores em intervalos e veja quantas pessoas estão doando em cada intervalo. Por exemplo, R$ 10 a R$ 50; R$ 50 a R$ 150, etc. - A maioria dos seus doadores está em que intervalo? Como você pode incentivar pessoas para aumentar o valor da doação para o próximo intervalo?

Lista de doadores para os intervalos mais altos de doações - Quem são as pessoas que doam o maior valor? O que faz elas doarem esse valor? Elas doam de forma recorrente? Como você pode manter esse relacionamento? 


Dicas Finais


Não se esqueça que captação de recursos é sobre criar relacionamentos e mostrar resultados. Não veja as pessoas como carteiras que você precisa abrir. Quando as pessoas doam, elas estão investindo no seu trabalho e essa é a forma delas de mudar o mundo. O seu trabalho é mostrar e provar o valor da sua organização, e tornar o ato de doar para vocês prazeroso, fácil e, ao mesmo tempo, em algo que gere um sentimento de realização.


O uso de indicadores não vai substituir o contato pessoal e o brilho nos olhos, mas vai te dar uma nova visão sobre o seu trabalho para que você consiga trazer o brilho nos olhos para as pessoas certas, na hora certa e de forma certa e, assim, obter os melhores resultados.


Por: Luiza Campos

Formada em Economia e com um MBA, trabalha com gestão de voluntariado há 5 anos. Cria conteúdo no movimento3.com com o objetivo de apoiar organizações e pessoas a se desenvolverem e se envolverem com o terceiro setor.

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Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer um desafio estrutural: muitas organizações de base, especialmente em territórios periféricos, ainda têm dificuldade de incorporar tecnologia às suas soluções. Não por falta de visão, mas por falta de acesso à educação, à formação técnica e a investimentos sociais. É comum vermos tecnologias avançadas sendo desenvolvidas por startups e organizações de impacto, enquanto quem atua diretamente no território não dispõe dos recursos necessários para utilizá-las. Sem articulação, essa equação não fecha. Por isso, outra tendência que se consolida é a valorização de redes, consórcios e articulações territoriais. Organizações que atuam de forma isolada tendem a ter mais dificuldade de acessar investimentos. Financiadores buscam cada vez mais iniciativas coletivas, capazes de envolver múltiplos atores, setores e saberes. A experiência mostra que articular financiamento privado, cooperação técnica com o poder público e o engajamento de organizações de base é um caminho consistente para gerar impacto real e sustentável. Nesse novo cenário, o uso de dados e evidências deixou de ser opcional. A atuação precisa ser responsiva às necessidades reais dos territórios, e isso só é possível por meio da observação sistemática, da geração cidadã de dados e da tomada de decisões baseadas em evidências. O investimento social privado no Brasil amadureceu — e espera projetos bem estruturados, com governança sólida e clareza de resultados. É impossível falar de inovação sem falar de ética. Tecnologias como a Inteligência Artificial precisam ser desenvolvidas e utilizadas com base em princípios claros: respeito à privacidade e à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), justiça social, mitigação de vieses discriminatórios, controle social sobre dados e sistemas, segurança da informação e responsabilidade ambiental. O impacto climático da tecnologia, muitas vezes invisível, também precisa entrar na equação. Regulamentação e compromisso das empresas e investidores são indispensáveis. O financiamento das organizações também passa por mudanças relevantes. Doações online, campanhas como o Dia de Doar, cessão de tecnologias e licenças por empresas e, sobretudo, o fortalecimento dos mecanismos de incentivo fiscal têm ampliado as possibilidades de sustentabilidade. Quando uma empresa direciona parte de seus impostos para projetos sociais no território onde atua, o recurso retorna diretamente para a comunidade, em forma de educação, inovação e oportunidades. Isso fortalece a democracia e aproxima o investimento social da vida real das pessoas. As parcerias intersetoriais, aliás, tendem a se tornar ainda mais estratégicas. Políticas de ESG impulsionaram empresas a assumirem compromissos mais concretos com impacto social e ambiental. Quando essa agenda sai do discurso e se traduz em atuação no território, com cooperação técnica e investimento de longo prazo, os resultados são muito mais consistentes. Diante de um cenário marcado por polarização política e desinformação, o papel das organizações da sociedade civil também se amplia. Educação midiática, consumo crítico da informação e inclusão digital são hoje pilares da defesa da democracia. Eu acredito que capacitar pessoas em habilidades digitais é também fortalecer sua capacidade de participação cidadã. O terceiro setor está, sim, mais profissionalizado — e isso é necessário. O desafio é garantir que essa profissionalização não signifique distanciamento das bases sociais, mas sim mais impacto, mais escuta e mais transformação concreta nos territórios. Para as lideranças do setor, 2026 exigirá competências cada vez mais complexas: análise de dados, gestão de pessoas, captação diversificada de recursos, comunicação transparente, prestação de contas e capacidade de construir parcerias estratégicas entre diferentes setores. Mais do que nunca, impacto social será resultado de articulação, evidência e compromisso real com quem está na ponta. 
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Não é novidade que iniciativas culturais de territórios do Norte e Nordeste enfrentam desafios estruturais para acessar recursos e ampliar seu impacto. Dados de um levantamento realizado pela Iniciativa Pipa, em parceria com o Instituto Nu, mostram que 31% das organizações periféricas de cultura e educação operam com orçamento anual de até R$ 5 mil, enquanto 58% funcionam de forma totalmente voluntária, sem equipes remuneradas. Nesse cenário, a captação de recursos e o acesso a editais seguem como obstáculos frequentes. É a partir dessa realidade que nasce o Phomentando a Cultura: um programa apresentado pelo Ministério da Cultura, Governo do Brasil - ao lado do povo brasileiro, com patrocínio Nubank via Lei Rouanet. Este é um projeto voltado ao fortalecimento de fazedores e trabalhadores da cultura que atuam em organizações, coletivos, grupos, pontos e pontões culturais das regiões Norte e Nordeste. Formação prática para estruturar projetos culturais O Phomentando a Cultura tem como objetivo apoiar iniciativas culturais que já atuam em seus territórios, mas que precisam organizar melhor seus projetos, entender o que os editais realmente avaliam e se preparar para o credenciamento na Lei Rouanet e outros editais de fomento à cultura. Ao longo do programa, os participantes têm acesso a uma jornada de aceleração online, gratuita e acessível, com foco em: Organização e estruturação de projetos culturais Leitura estratégica de editais Preparação para o credenciamento de projetos na Lei Rouanet Orientações para ampliar as chances em editais estaduais, municipais e seleções de empresas, incluindo a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) A proposta é identificar o que costuma travar a aprovação de projetos e orientar ajustes possíveis dentro da realidade de cada iniciativa. Aceleração com orientação e acompanhamento Diferente de formações genéricas, o programa oferece orientação técnica e acompanhamento, com revisão de documentos, análise de gargalos e direcionamentos para que as organizações consigam avançar em processos de seleção e captação. Os encontros são pensados para quem vive a cultura no dia a dia e precisa de informações objetivas, sem linguagem técnica excessiva ou soluções distantes da realidade dos territórios. Presença nos territórios: caravana pelo Norte e Nordeste Nesta primeira edição, o Instituto Phomenta também promove uma caravana presencial, com eventos de lançamento, conexões e troca de aprendizados em 10 cidades: São Luís (MA) Macapá (AP) Santarém (PA) Olinda (PE) Manaus (AM) Porto Velho (RO) Rio Branco (AC) Teresina (PI) Salvador (BA) Fortaleza (CE) Os encontros presenciais são abertos a fazedores de cultura locais e fazem parte da estratégia de aproximação com os territórios. É a chance de entender ainda melhor o que o programa oferece. A agenda completa pode ser consultada no site. Quem pode participar Mesmo quem não estiver nas cidades visitadas pela caravana pode se inscrever no Phomentando a Cultura. O programa é voltado para: Organizações, coletivos, grupos, pontos ou pontões de cultura sediados em cidades do Norte e Nordeste Pessoas que desenvolvem atividades culturais de forma contínua e impactam seus territórios Inscrições abertas  O Phomentando a Cultura é uma oportunidade gratuita para quem quer fortalecer sua atuação cultural, estruturar melhor seus projetos e ampliar o acesso a recursos. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo link: https://www.phomenta.com.br/phomentando-a-cultura
Por Nathalia Albuquerque 2 de março de 2026
Você pode amar muito um time e ainda assim vê-lo perder campeonatos por anos. Pode ter a maior torcida do país, uma história gigante e uma camisa pesada. Mas sem gestão, isso não se sustenta. No terceiro setor acontece algo muito parecido. Sou corinthiana e não acompanho o futebol tão de perto. Mesmo assim, é impossível ignorar o que Palmeiras e Flamengo vêm construindo nos últimos anos. Escrevo este artigo no final de 2025 e, ao olhar para os principais campeonatos do período recente, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, esses dois clubes seguem protagonizando finais, títulos e campanhas consistentes. Não por acaso, também passaram a aparecer em premiações internacionais que reconhecem excelência em gestão, como o Globe Soccer Awards. Mas nem sempre foi assim. E é exatamente aí que essa história interessa às organizações da sociedade civil. Quando a virada não acontece no campo Palmeiras e Flamengo já viveram fases marcadas por dívidas, crises internas e resultados bem abaixo do potencial que tinham. A mudança não começou com um craque, nem com um gol histórico. Começou fora de campo. Por volta de 2012 e 2013, os dois clubes passaram a tratar a gestão como eixo central. Planejamento financeiro, profissionalização das equipes, governança e visão de longo prazo deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões concretas. Se você não gosta de futebol, continue comigo. O ponto aqui não é o esporte. É entender que amor, tradição e propósito são fundamentais, mas não substituem uma boa gestão. Com gestão, a gente vai mais longe. O que o Palmeiras ensina No Palmeiras, a virada tem um nome bastante conhecido: Paulo Nobre. Ao assumir a presidência do clube em 2013, encontrou um cenário delicado, com dívidas e pouca previsibilidade. Uma das decisões mais simbólicas foi emprestar recursos próprios para reorganizar as finanças do time. Um gesto arriscado, mas inserido em uma estratégia maior. A partir daí, vieram parcerias estratégicas como a Crefisa, a profissionalização da gestão e a criação de novas fontes de receita. A modernização do Allianz Parque transformou o estádio em um ativo que gera renda muito além dos jogos, com shows e eventos. É a lógica de enxergar a estrutura como meio para sustentar a missão, algo bastante familiar para quem atua no terceiro setor. O Flamengo e a coragem de arrumar a casa O Flamengo sempre teve popularidade e potencial. O que faltava era organização. A virada começou com decisões duras e pouco populares, como uma política rigorosa de controle de gastos e reorganização financeira. Antes de investir pesado em contratações, o clube investiu em processos, equipe técnica qualificada e responsabilidade fiscal. Os títulos vieram depois. Não como milagre, mas como consequência. O que tudo isso tem a ver com as OSCs? Muito mais do que parece. Os dois clubes mostram que investir na base (jovens atletas em formação para o time principal) é apostar no longo prazo, mesmo quando o retorno não é imediato. No terceiro setor, isso aparece na formação de equipes, no fortalecimento institucional e no desenvolvimento de lideranças. Eles também reforçam uma verdade incômoda: amor não é estratégia. Paixão move, mas não organiza fluxo de caixa, não constrói indicadores e não garante sustentabilidade. Há ainda a importância de diversificar fontes de receita, inclusive para organizações grandes e reconhecidas, e de contar com profissionais qualificados, além de investir em quem já faz parte da equipe. Nada disso acontece do dia para a noite. O processo é longo, exige constância e escolhas difíceis. Um convite para quem lidera organizações sociais  Se você lidera uma OSC, vale a reflexão. O quanto da sua energia está concentrada apenas na causa e o quanto está direcionada para fortalecer a gestão que sustenta essa causa? Gestão não esfria o propósito. Pelo contrário. Ela protege a missão, amplia o impacto e garante que o trabalho continue existindo daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futebol e no terceiro setor, amor é o ponto de partida. Gestão é o que transforma esse amor em legado.
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