Captadores de recursos: quem são?

25 de agosto de 2022

Este conteúdo foi produzido por Pedro

Em nossos textos sempre falamos de estratégias, metodologias, ações e dicas para sua organização captar mais recursos e com melhor eficiência.


Nem sempre os gestores das OSCs têm perfil para exercer o processo de captação de recursos e acabam necessitando contratar alguém que faça este trabalho para eles. Porém surge aqui uma dúvida: Qual é o perfil profissional do Captador de Recursos? Que competências e habilidades ele precisa ter?

Primeiro, uma curiosidade: você sabia que o Captador de Recursos é uma profissão oficialmente reconhecida no Brasil e com registro no Código Brasileiro de Ocupações - CBO? O profissional de captação de recursos ou também chamado de mobilizador de recursos está sob o registro de número 4110-55, onde tem um descritivo da profissão que diz que “[...] captadores(as) atuam na área de captação de recursos, planejando e implementando estratégias de captação e contato com doadores/ parceiros”¹.


Quando a gente fala sobre cargos e funções, existe uma gama de atividades que o(a) profissional de captação/mobilização pode exercer, sendo algumas delas:


  • De sistematização de documentos: ajustar contratos; coletar dados; colher assinaturas; efetuar cálculos; elaborar correspondência; elaborar organogramas, fluxogramas e cronogramas;


  • De apoio logístico: intermediar contatos, organizar envio de brindes, organizar reuniões;


  • De prospectar clientes/ doadores: elaborar listas de clientes potenciais; estabelecer roteiro de visitas; identificar parceiros na comunidade; mapear área de atuação; ministrar palestras informativas; organizar eventos; programar eventos; visitar órgãos e instituições;²


E claro que para desempenhar essas e várias outras atividades inerentes à profissão, é preciso que este profissional tenha algumas competências e habilidades necessárias. Fazendo uma pesquisa³ sobre as vagas divulgadas de captação de recursos, nos deparamos, em linhas gerais, com as seguintes competências e habilidades:


Pensamento estruturado

Em certos nichos, é importante ter pensamentos estruturados e criar diagramas para exibir conexões entre conceitos ou ideias (mapas mentais). Essa competência é normalmente aplicada na área de projeto ou profissionais que desenvolvam atividades mais técnicas. Na área de captação de recursos serve para planejar e sistematizar planos de captação, estratégias de sustentabilidade e elaborar projetos.


Gestão de relacionamento com o cliente

Ser capaz de gerenciar seus relacionamentos com clientes e parceiros é uma competência crítica para funções comerciais, gestão de projetos e serviços. Um captador de recursos tem que ter a competência de alimentar muito bem o relacionamento da sua organização com as empresas patrocinadoras e principalmente, os beneficiários.


Comunicação

Nada adianta sua organização ter o melhor projeto, se ninguém sabe que ele existe e o que ele faz. O captador de recursos deve ser capaz de comunicar eficazmente ao falar com as pessoas. Demonstrar a capacidade em comunicar informações complexas a um público não-técnico também deve ser valorizado pelas organizações. Quanto mais clara e objetiva a comunicação, melhor para os patrocinadores, colegas de equipe e parceiros. Por isso é importante ser capaz de transmitir a informação de forma sucinta e eficaz.


Técnicas de persuasão

O captador de recursos tem que ter um perfil minimamente persuasivo para influenciar pessoas a adotarem uma causa ou uma empresa fechar um negócio.


Essa é uma competência importante no processo de vendas e marketing. Comportamentos que normalmente refletem essa característica:



  • Abordar com êxito preocupações fundamentais e apresentar soluções mutuamente benéficas (ganha-ganha), importante para construir parcerias;
  • Construir relacionamentos bem-sucedidos para assegurar apoio durante as negociações, que é fundamental para a perenidade das parcerias e sua ampliação.


Flexibilidade

Saber se adaptar às adversidades é algo que pode se adquirir ao enxergar os problemas como oportunidade para aprender e crescer, o que, como já falamos, também é essencial para um captador de recursos que quer obter sucesso. Sabemos que as mudanças são iminentes no universo das organizações e das empresas, portanto, os colaboradores flexíveis devem ser colocados no radar pelas organizações.


Conhecimento técnico especializado

Saber sobre as leis de incentivo, leis de voluntariado, Marco Regulatório das OSCs, processos de doação e destinação fiscal, investimento social privado, compliance, governança, relações público-privadas, etc são essenciais para o captador poder se munir de  conhecimento e ferramentas para poder criar as melhores estratégias e  possibilidades de mobilização de recursos para suas organizações.


Resolução de problemas

Independente da área de atuação da organização, sempre haverá problemas e situações que exigirão uma abordagem mais assertiva e que necessitarão ser superadas. A resolução de problemas está intimamente ligada à flexibilidade. Pode ser algo simples como substituir uma falta de um colega até algo muito mais técnico, como superar um grande obstáculo durante o curso de um projeto.


Existem muitas outras competências e habilidades que podem e devem fazer parte do perfil do profissional de captação de recursos. Logo esse artigo não se encerra por si mesmo, abrindo até mesmo espaço para troca de idéias. Você, gestor, acredita que tem mais alguma competência ou habilidade que precisa ser levada em consideração no perfil do profissional de captação/mobilização de recursos? Tem alguma delas que você acha que não faz parte?


Manda pra gente ou comenta nas redes sociais da Phomenta!


Grande abraço!


Referências:

¹https://captadores.org.br/abcr/captacao-de-recursos-se-torna-uma-profissao-oficialmente-reconhecida/

²https://www.valor.srv.br/trabalhista/ocupacao.php?cbo=411055

³https://captadores.org.br/tag/vagas/




Pedro Sá é graduado em Gestão Desportiva e de Lazer pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), possui uma história no setor social desde os 15 anos e, como profissional, já atuou na administração pública e privada; hoje atua como consultor independente em gestão de projetos de impacto e captação de recursos.

Contato: prolazerconsult@gmail.com



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Por Nathalia Albuquerque 2 de março de 2026
Você pode amar muito um time e ainda assim vê-lo perder campeonatos por anos. Pode ter a maior torcida do país, uma história gigante e uma camisa pesada. Mas sem gestão, isso não se sustenta. No terceiro setor acontece algo muito parecido. Sou corinthiana e não acompanho o futebol tão de perto. Mesmo assim, é impossível ignorar o que Palmeiras e Flamengo vêm construindo nos últimos anos. Escrevo este artigo no final de 2025 e, ao olhar para os principais campeonatos do período recente, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, esses dois clubes seguem protagonizando finais, títulos e campanhas consistentes. Não por acaso, também passaram a aparecer em premiações internacionais que reconhecem excelência em gestão, como o Globe Soccer Awards. Mas nem sempre foi assim. E é exatamente aí que essa história interessa às organizações da sociedade civil. Quando a virada não acontece no campo Palmeiras e Flamengo já viveram fases marcadas por dívidas, crises internas e resultados bem abaixo do potencial que tinham. A mudança não começou com um craque, nem com um gol histórico. Começou fora de campo. Por volta de 2012 e 2013, os dois clubes passaram a tratar a gestão como eixo central. Planejamento financeiro, profissionalização das equipes, governança e visão de longo prazo deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões concretas. Se você não gosta de futebol, continue comigo. O ponto aqui não é o esporte. É entender que amor, tradição e propósito são fundamentais, mas não substituem uma boa gestão. Com gestão, a gente vai mais longe. O que o Palmeiras ensina No Palmeiras, a virada tem um nome bastante conhecido: Paulo Nobre. Ao assumir a presidência do clube em 2013, encontrou um cenário delicado, com dívidas e pouca previsibilidade. Uma das decisões mais simbólicas foi emprestar recursos próprios para reorganizar as finanças do time. Um gesto arriscado, mas inserido em uma estratégia maior. A partir daí, vieram parcerias estratégicas como a Crefisa, a profissionalização da gestão e a criação de novas fontes de receita. A modernização do Allianz Parque transformou o estádio em um ativo que gera renda muito além dos jogos, com shows e eventos. É a lógica de enxergar a estrutura como meio para sustentar a missão, algo bastante familiar para quem atua no terceiro setor. O Flamengo e a coragem de arrumar a casa O Flamengo sempre teve popularidade e potencial. O que faltava era organização. A virada começou com decisões duras e pouco populares, como uma política rigorosa de controle de gastos e reorganização financeira. Antes de investir pesado em contratações, o clube investiu em processos, equipe técnica qualificada e responsabilidade fiscal. Os títulos vieram depois. Não como milagre, mas como consequência. O que tudo isso tem a ver com as OSCs? Muito mais do que parece. Os dois clubes mostram que investir na base (jovens atletas em formação para o time principal) é apostar no longo prazo, mesmo quando o retorno não é imediato. No terceiro setor, isso aparece na formação de equipes, no fortalecimento institucional e no desenvolvimento de lideranças. Eles também reforçam uma verdade incômoda: amor não é estratégia. Paixão move, mas não organiza fluxo de caixa, não constrói indicadores e não garante sustentabilidade. Há ainda a importância de diversificar fontes de receita, inclusive para organizações grandes e reconhecidas, e de contar com profissionais qualificados, além de investir em quem já faz parte da equipe. Nada disso acontece do dia para a noite. O processo é longo, exige constância e escolhas difíceis. Um convite para quem lidera organizações sociais  Se você lidera uma OSC, vale a reflexão. O quanto da sua energia está concentrada apenas na causa e o quanto está direcionada para fortalecer a gestão que sustenta essa causa? Gestão não esfria o propósito. Pelo contrário. Ela protege a missão, amplia o impacto e garante que o trabalho continue existindo daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futebol e no terceiro setor, amor é o ponto de partida. Gestão é o que transforma esse amor em legado.
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