A sua ONG é um "Excelente lugar para se trabalhar"?

10 de novembro de 2022

Este conteúdo foi produzido por Sara Dias


Mais do que uma opinião, a frase "Excelente lugar para se trabalhar", escrita usualmente em inglês como "Great Place to work", se refere a um selo de qualidade emitido pela GPTW para certificar e reconhecer organizações que se destacam na cultura de confiança, alto desempenho e inovação que, ao ser concedido e agregado à marca, acrescenta destaque e apontam para um ambiente seguro e agradável para se trabalhar.


Hoje, mais do que instigar gestores a passarem pela análise criteriosa da GPTW e alcançar o importante selo, quero levá-los a refletir sobre os critérios levados em consideração nesta avaliação, que não correspondem apenas ao que a gestão ou diretoria da instituição acreditam ser bom para o local de trabalho, mas sim o que os colaboradores elencam como essencial para sentirem-se bem neste espaço.


Os cinco critérios, encontrados no questionário de clima organizacional, respondido pelo time da instituição que almeja a certificação, são:


1. Credibilidade: Diz respeito à confiança que um time tem em sua liderança. Se sua comunicação é avaliada como clara e eficiente, se é considerado competente, íntegro e solidário.


2. Respeito: É transmitido por meio de valorização e reconhecimento, não apenas pelo valor do salário, mas por meio de benefícios alinhados com as necessidades individuais da equipe, como, por exemplo: flexibilidade no formato de uso dos valores dos benefícios, flexibilidade de horário, auxílio psicológico, licença maternidade estendida para mães e pais, etc.


3. Imparcialidade: Contempla o tratamento igualitário e imparcial do time, priorizando um ambiente democrático, inclusivo e diverso. Fala também sobre comportamento ético e empático.


4. Orgulho: Nível de orgulho que os colaboradores sentem por fazer parte da instituição. Pode ser refletido no grau de engajamento, empenho e satisfação da equipe. O famoso “vestir a camisa”.


5. Camaradagem: Trata-se da relação de proximidade e companheirismo entre os colaboradores, tornando o trabalho um ambiente com senso de comunitário.


Agora, pare para analisar o quanto esses 5 valores estão presentes em sua ONG, em como isso tem sido expresso em sua liderança ou nas ações de sua equipe. Neste momento, não estamos falando de estratégias milionárias, estamos falando de intencionalidade, de planejamento, de colocar as pessoas de sua equipe no centro. 

Pessoas bem cuidadas, cuidam melhor.


Acredita-se que a maior parte das ONGs têm em sua essência a missão de tornar a nossa sociedade um lugar melhor para se viver. Causas que vão desde o cuidado e garantia de direitos de crianças e suas famílias, dos idosos, dos animais, até a recuperação das florestas, camada de ozônio e do planeta como um todo, são o motivo por trabalharem e lutarem todos os dias.
Porém, salvar o mundo lá fora, não isenta a instituição de garantir o melhor para seus colaboradores.


A coerência entre suas propostas, discursos e suas ações externas e internas é que farão a real diferença e darão ao seu time o nível de satisfação necessários para serem contemplados não só com um selo, como o do GPTW, como repercutirão no desejo de outras pessoas de fazerem parte desse local ou dessa causa.


O local de trabalho precisa ser saudável e, se não for EXCELENTE, precisa estar buscando ser um ótimo ambiente para se trabalhar. Ele ocupa um tempo muito grande de nossas vidas para ser apenas nosso “ganha pão”, um lugar a se suportar ou cumprir carga horária. 


O mais interessante de selos como o Great Place to Work, é que eles não apenas avaliam as organizações aprovando-as ou reprovando-as, mas oferecem conjuntamente consultorias para que as mesmas possam observar e trabalhar seus pontos fracos. Isso fala de busca por crescimento constante, e é o que todos devemos procurar



Link de referência GPTW - Brasil:
https://gptw.com.br/



Nota do editorial: Em 2022, a Phomenta, negócio de impacto que idealizou o Portal do Impacto, foi reconhecida com o selo Great Place to Work® Brasil - GPTW.




Sara Dias é Prof.ª Mestra em Artes da Cena pela UNICAMP e Instrutora de Yoga, atua como educadora social desde 2006 e atualmente desenvolve projetos relacionados ao bem-estar no terceiro setor. 


Contato: saradias.ds@gmail.com 



Inscreva-se na nossa Newsletter

Últimas publicações

Por Instituto Phomenta 11 de junho de 2026
Nem todo edital é uma oportunidade. Entenda os riscos do desvio de missão e como captar recursos de forma estratégica.
Por Jaice Balduino 1 de junho de 2026
O doador brasileiro está mudando: mais seletivo, exigente e orientado por impacto. Descubra o que as organizações sociais precisam oferecer para conquistar e fidelizar quem doa no cenário atual.
Por Instituto Phomenta 26 de maio de 2026
Quem está no dia a dia da gestão de uma ONG conhece bem o dilema: a gente passa tanto tempo cuidando dos projetos e atendendo a ponta que a nossa própria estrutura vai ficando para trás. Já diz o ditado: “em casa de ferreiro…”. Nosso financeiro roda no limite, a equipe fica sobrecarregada, os processos são travados e a liderança vive exausta. A verdade é que a gente se acostumou a operar no modo de sobrevivência. Então, que tal dar um passo para trás e avaliar o todo? Durante o FIFE 2026, o sociólogo Domingos Armani trouxe uma provocação que cutucou feridas necessárias. Ele alertou que muitas organizações ainda insistem em carregar crenças e estigmas que funcionam como mapas obsoletos. Só que, o grande problema de usar um mapa velho é que o mundo mudou, e o desenho antigo já não bate com o terreno real de hoje. Insistir na ideia de que investir na própria estrutura é "gastar dinheiro que deveria ir para o projeto" é um desses mapas velhos que precisamos rasgar. Fortalecer a casa, o chamado Desenvolvimento Institucional (DI), é o que garante que a ONG continue existindo e gerando impacto no longo prazo. E essa mudança de mentalidade muda tudo, inclusive o jeito de captar recursos. Mudar a postura para financiar a sua estratégia Captar recursos para o Desenvolvimento Institucional, ou seja para estruturar a gestão, investir em tecnologia e manter o time funcionando, exige parar de pedir dinheiro apenas para o "projeto da vez". No painel da Plataforma Conjunta, ainda no FIFE, o debate girou em torno de como virar essa chave diante dos financiadores. Para ajudar a avaliar como a sua organização está se posicionando, montamos um checklist prático com os principais aprendizados da mesa: Checklist de postura para o fortalecimento da ONG [ ] Você se explica pela estratégia ou pelo portfólio? Quando vai conversar com um parceiro, você gasta todo o tempo listando as oficinas da semana ou apresenta primeiro a missão e a visão de futuro da organização? Grandes parceiros querem financiar o futuro da sua causa, não apenas uma ação pontual. [ ] Você sabe compartilhar vulnerabilidades? Se a sua organização fosse perfeita e não tivesse nenhum problema de gestão, ela não precisaria de apoio. Fale da sua vulnerabilidade, mas com estratégia. Acompanha o próximo ponto! [ ] O desafio vem acompanhado de uma solução? Mostrar os pontos fracos da gestão para o parceiro só funciona se você já apresentar a rota para resolver o problema. A vulnerabilidade precisa vir colada com a sua capacidade de planejamento. [ ] O estigma da escassez foi abandonado? A gestão já superou a velha crença de que o Terceiro Setor precisa trabalhar sofrendo, com ferramentas defasadas e computadores lentos? Modernizar a estrutura interna é uma decisão de eficiência, não um luxo. Saiba que você pode merece e precisa de estrutura. Modernizar para não parar no caminho Se os mapas antigos não funcionam mais, o papel de quem gere é desenhar novas rotas. Olhar para o Desenvolvimento Institucional serve para dar musculatura para a organização. Quando paramos de “vender o almoço para pagar o jantar” e começamos a financiar a nossa própria estratégia, a ONG ganha a sustentabilidade que precisa para transformar a realidade na ponta de forma estruturada e contínua.
Por Instituto Phomenta 14 de maio de 2026
Quem trabalha em ONG sabe que a comunicação costuma ser o pratinho que mais cai. Com tantas atividades executadas ao mesmo tempo, a estratégia acaba ficando para trás porque o operacional consome todo o dia. Mas o uso da Inteligência Artificial (IA) tem mostrado que dá para mudar esse cenário. Esse foi um dos temas centrais do Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica (FIFE 2026), o principal encontro sobre gestão do Terceiro Setor no Brasil. O debate focou em como a tecnologia pode organizar processos e liberar tempo para o que realmente importa. O cenário brasileiro é curioso: de um lado, a OpenAI aponta que o Brasil é o terceiro país que mais usa o ChatGPT no mundo (atrás apenas de EUA e Índia), com cerca de 140 milhões de mensagens diárias enviadas por aqui. Por outro lado, o uso estratégico nas ONGs ainda engatinha. Um levantamento do IDIS com mais de 1,5 mil organizações revela que 62% delas ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Ou seja, a tecnologia está na nossa mão, mas o setor social ainda está descobrindo como transformá-la em aliada da gestão. Para tirar proveito real dessas ferramentas, o segredo é o jeito que você as alimenta. Durante a palestra de Marco Iarussi, publicitário social e fundador da Curta Causa, aprendemos que o "treinamento" que você dá à IA é o que define se o resultado será genérico ou útil. Mão na massa: Passo a passo para montar seu plano com IA Para a IA aprender sobre a sua realidade e não entregar respostas vazias, siga este roteiro: 1. Não mude de conversa Escolha um único chat para tratar do seu plano de comunicação, seja no ChatGPT, Gemini ou Claude. Se você abre uma conversa nova toda vez, a IA "esquece" o contexto. Mantendo o mesmo canal, ela guarda o histórico e entende as necessidades específicas da sua organização. 2. Dê informações reais Antes de pedir o plano completo, descubra o que a IA já "pensa" sobre você. Isso serve para corrigir erros e fornecer dados que ela ainda não tem. Prompt: "O que você sabe sobre a causa [inserir sua causa] e o que conhece sobre o trabalho da [nome da sua ONG]?" 3. Alinhe o que é um plano de verdade Veja se o robô entende o seu universo. Se ele tiver uma visão muito comercial, o plano parecerá uma propaganda de loja, o que não funciona para o setor social. Prompt: "Para você, o que não pode faltar em um plano de comunicação para uma ONG? Liste os pontos principais." (Leia e diga o que você concorda ou não). 4. Descubra o que ninguém está falando Use a ferramenta para encontrar novos ângulos e sair do óbvio. Prompt: "O que o pessoal mais fala sobre [sua causa] hoje? E o que você acha que ainda não foi dito, mas que ajudaria as pessoas a entenderem melhor o nosso impacto?" 5. Peça o plano prático Agora que o chat está treinado, peça a estrutura final. Prompt: "Com base em tudo o que já conversamos aqui, monte um calendário de 30 dias para as nossas redes sociais. O foco deve ser [ex: prestação de contas ou atrair novos voluntários]." Onde entra a ética e o seu papel Usar a tecnologia para facilitar o dia a dia é inteligência de gestão, mas exige cuidado. A IA serve para fazer o primeiro rascunho e organizar as ideias, mas a palavra final, a conferência dos dados e o olhar humano sobre a causa precisam ser seus. O objetivo é automatizar o que for repetitivo para que você tenha fôlego. Com a comunicação organizada, sobra tempo para construir relacionamentos de verdade e focar no que nenhuma máquina substitui a confiança e o olho no olho com quem apoia a sua organização. 
Por Camila Pasin 30 de abril de 2026
Empresas brasileiras deixaram de ser apenas financiadoras e se tornaram plataformas de engajamento. Entenda como transformar uma simples doação em uma verdadeira aliança de impacto.
Por Gabriel Pires 9 de abril de 2026
Minha OSC precisa de um código de ética? No terceiro setor, valores sem regras claras podem gerar conflitos e riscos. Entenda por que o código de ética é essencial para a gestão das OSCs.
mostrar mais

Participe do nosso grupo no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão

Entrar para o grupo