40 critérios para aumentar a maturidade de gestão e governança da sua ONG

9 de junho de 2022

Este conteúdo foi produzido por Daiany França Saldanha

A Phomenta, negócio de impacto que leva educação em gestão e inovação para empreendedores do Terceiro Setor,  vem acumulando uma expertise respeitável em gestão, governança e inovação das ONGs. Desde 2015, já foram cerca de 1.000 ONGs phomentadas (capacitadas) no Brasil e em outros 10 países da América Latina.


Com tanta experiência acumulada,
a Phomenta resolveu compartilhar com todas as organizações brasileiras, de maneira gratuita, os cinco pilares estruturantes e os 40 critérios de Boas Práticas em Transparência e Gestão utilizados na Certificação Phomenta, que tem reconhecimento do ICFO - International Committee on Fundraising Organizations (ICFO), ou Comitê Internacional de Monitoramento de ONGs, em português.


Os 5 pilares são: 

  1. Jurídico: aspectos relacionados à regularidade e aos documentos para adequação à legislação e à prevenção de riscos;
  2. Financeiro: aspectos relacionados à gestão financeira da organização como indicadores financeiros, diversificação de receitas, planos orçamentários e de captação de recursos;
  3. Gestão e Governança: aspectos de planejamento, execução, monitoramento e controle das áreas da organização e das diretrizes e regras que a ajudam na tomada de decisões;
  4. Potencial de Impacto: aspectos relacionados ao planejamento, monitoramento e avaliação de resultados e impactos da organização; 
  5. Comunicação e Transparência: aspectos ligados a como a organização se comunica com o público externo, divulga e dá visibilidade a documentos e informações.


Já os critérios, 40 no total, estão listados abaixo:


Pilar Jurídico

(  ) Estar em dia com as obrigações tributárias em todas as esferas (federal, estadual e municipal);

(  ) Estar em dia com as obrigações trabalhistas (FGTS e débitos trabalhistas);

(  ) Apresentar baixo risco de inadimplência, de acordo com o Órgão de Proteção de Crédito;

(  ) Fornecer termo de voluntariado por escrito, na versão impressa ou digital, aos voluntários (Lei nº 9.608/1998);

(  ) Ter ações vigentes em relação à proteção de dados das principais pessoas envolvidas em sua atuação (adequação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais LGPD – Lei nº. 13.709/2018).


Pilar Financeiro

(  ) Possuir Índice de Liquidez Corrente (ILC) igual ou superior a 1, sendo analisado o último ano, de acordo com a documentação contábil (esse critério é verificado a partir do Ativo Circulante e do Passivo Circulante apresentados no Balanço Patrimonial do último);

(  ) Ter resultado financeiro positivo na média dos últimos exercícios analisados. Se o resultado médio for negativo, a ONG tem patrimônio líquido suficiente para cobri-lo (esse critério é verificado a partir dos resultados apresentados no Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) dos 2 últimos anos e no valor do patrimônio líquido apresentado no Balanço Patrimonial);

(  ) Possuir Notas explicativas das demonstrações contábeis;


Leia mais: O que são as notas explicativas?


(  ) Possuir ao menos três fontes de receita para seu orçamento anual no último ano, de acordo com sua documentação contábil. São exemplos de fontes de receita: doações, subvenções e serviços prestados. Caso possua exatamente três, a participação da menor fonte de receita não pode ser inferior a 5% do total de receitas;

(  ) Possuir fonte de receita que represente mais de 70% do total de receitas, sendo analisado o último ano, de acordo com a documentação contábil;

(  ) Possuir um plano financeiro/orçamentário para pelo menos os próximos 3 meses, com informações bem definidas sobre suas receitas e despesas;

(  ) Possuir um plano de captação de recursos para pelo menos os próximos 3 meses, com informações bem definidas sobre suas metas de captação.


Pilar Gestão e Governança

(  ) Possuir Diretoria Executiva eleita de acordo com o número de membros, cargos e o período de mandato indicados no Estatuto;

(  ) Possuir Conselho Fiscal eleito de acordo com o número de membros e o período de mandato indicados no Estatuto. Membros do Conselho Fiscal não são os mesmos da Diretoria Executiva;

(  ) Possuir Conselho Fiscal ativo no acompanhamento de suas ações, emitindo parecer anual sobre suas contas. Para ONGs com orçamento anual superior a 4,8 milhões, também é indicada a realização de uma auditoria contábil independente;

(  ) Realizar programas, projetos ou atividades condizentes com seus objetivos e finalidades estatutárias; 

(  ) Possuir organograma geral atualizado ou descritivo das funções de cada área, cargo ou membro da organização, ainda que em formato simples;

(  ) Possuir uma rotina de reuniões definida e formalizada junto às equipes, sendo que as reuniões de equipe ocorrem pelo menos uma vez ao mês;

(  ) Incentivar e fazer o registro (ainda que de maneira simples) de treinamentos internos e/ou externos da equipe;

(  ) Possuir e promover canal aberto a sugestões, dúvidas e críticas por parte da comunidade em que atua;

(  ) Envolver seus beneficiários e/ou a comunidade em que atua nas atividades de planejamento, seja de um projeto específico ou da organização em si;

(  ) Possuir um cronograma de atividades para pelo menos o próximo mês, ainda que em formato simples;

(  ) Apresentar um documento com os objetivos de longo prazo da ONG, ainda que em formato simples.


Tem dúvidas sobre o Estatuto Social? Veja a nossa série
Sua ONG do Zero!

Pilar Potencial de Impacto

(  ) Apresentar documento que descreva quais transformações a ONG deseja causar no seu público ou comunidade alvo, ainda que em formato simples;

(  ) Possuir indicadores de resultados e/ou impactos da organização e/ou de seus projetos organizados em um documento, ainda que em formato simples;

(  ) Realizar monitoramento dos indicadores, e a maneira como se faz isso deve estar organizada em um documento, ainda que em formato simples;

(  ) Comprovar participação em redes formais, coletivos, conselhos ou grupos congêneres, a fim de divulgar e fortalecer sua causa, articular e mobilizar políticas públicas, desenvolver capacidades, entre outros.


Pilar Comunicação e Transparência

(  ) Possuir site e/ou rede social ativos e atualizados (última atualização há pelo menos 1 mês);

(  ) Divulgar sua missão em site próprio e/ou na sua rede social principal;

(  ) Divulgar suas principais frentes de atuação e/ou programas e projetos em site próprio e/ou na sua rede social principal;

(  ) Possuir canais oficiais de comunicação (e-mail institucional e/ou telefone e/ou WhatsApp), que devem estar visíveis em site próprio e/ou na sua rede social principal;

(  ) Possuir canal de doação e/ou orientações para doação, patrocínio ou parcerias visível em site próprio e/ou na sua rede social principal; 

(  ) Divulgar os parceiros e/ou patrocinadores atuais em site próprio e/ou na sua rede social principal; 

(  ) Manter a informação sobre a vigência da Diretoria atualizada e divulgar os cargos e nomes dos membros eleitos em site próprio e/ou na sua rede social principal; 

(  ) Manter a informação sobre a vigência do Conselho Fiscal atualizada e divulgar os nomes dos membros eleitos em site próprio e/ou na sua rede social principal.

(  ) Possuir relatório anual de atividades, ainda que em formato simples, que contenha os principais projetos e resultados alcançados no ano anterior e esteja publicado em site próprio e/ou na sua rede social principal;

(  ) Publicar anualmente o Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE) em site próprio e/ou na sua rede social principal;

(  ) Manter um relacionamento ativo com seus atuais doadores por meio de canais como e-mail, boletins informativos, carta ou lista de transmissão, e o período de tempo entre os dois últimos envios deve ser de no máximo 2 meses;

(  ) Possuir um calendário de postagens/divulgação ou calendário de comunicação para pelo menos o próximo mês, ainda que em formato simples.

(  ) Respeitar a imagem dos beneficiários – não explorar ou abusar de imagens de sofrimento ou que incitem violência, preconceito ou qualquer discriminação.



Curtiu esse conteúdo? 


Baixe
aqui a lista de critérios da certificação internacional da Phomenta, que serve como um guia para que as ONGs possam profissionalizar sua gestão e adotar boas práticas de governança corporativa, a fim de se tornarem mais sustentáveis, inovadoras e impactantes para a sociedade. Atenção: novas avaliações para a Certificação Phomenta estão suspensas.

Daiany França Saldanha é responsável pelo editorial do Portal do Impacto.


Revisão: Flávia D'Angelo (Phomenta)


Inscreva-se na nossa Newsletter

Últimas publicações

Por Instituto Phomenta 11 de junho de 2026
Nem todo edital é uma oportunidade. Entenda os riscos do desvio de missão e como captar recursos de forma estratégica.
Por Jaice Balduino 1 de junho de 2026
O doador brasileiro está mudando: mais seletivo, exigente e orientado por impacto. Descubra o que as organizações sociais precisam oferecer para conquistar e fidelizar quem doa no cenário atual.
Por Instituto Phomenta 26 de maio de 2026
Quem está no dia a dia da gestão de uma ONG conhece bem o dilema: a gente passa tanto tempo cuidando dos projetos e atendendo a ponta que a nossa própria estrutura vai ficando para trás. Já diz o ditado: “em casa de ferreiro…”. Nosso financeiro roda no limite, a equipe fica sobrecarregada, os processos são travados e a liderança vive exausta. A verdade é que a gente se acostumou a operar no modo de sobrevivência. Então, que tal dar um passo para trás e avaliar o todo? Durante o FIFE 2026, o sociólogo Domingos Armani trouxe uma provocação que cutucou feridas necessárias. Ele alertou que muitas organizações ainda insistem em carregar crenças e estigmas que funcionam como mapas obsoletos. Só que, o grande problema de usar um mapa velho é que o mundo mudou, e o desenho antigo já não bate com o terreno real de hoje. Insistir na ideia de que investir na própria estrutura é "gastar dinheiro que deveria ir para o projeto" é um desses mapas velhos que precisamos rasgar. Fortalecer a casa, o chamado Desenvolvimento Institucional (DI), é o que garante que a ONG continue existindo e gerando impacto no longo prazo. E essa mudança de mentalidade muda tudo, inclusive o jeito de captar recursos. Mudar a postura para financiar a sua estratégia Captar recursos para o Desenvolvimento Institucional, ou seja para estruturar a gestão, investir em tecnologia e manter o time funcionando, exige parar de pedir dinheiro apenas para o "projeto da vez". No painel da Plataforma Conjunta, ainda no FIFE, o debate girou em torno de como virar essa chave diante dos financiadores. Para ajudar a avaliar como a sua organização está se posicionando, montamos um checklist prático com os principais aprendizados da mesa: Checklist de postura para o fortalecimento da ONG [ ] Você se explica pela estratégia ou pelo portfólio? Quando vai conversar com um parceiro, você gasta todo o tempo listando as oficinas da semana ou apresenta primeiro a missão e a visão de futuro da organização? Grandes parceiros querem financiar o futuro da sua causa, não apenas uma ação pontual. [ ] Você sabe compartilhar vulnerabilidades? Se a sua organização fosse perfeita e não tivesse nenhum problema de gestão, ela não precisaria de apoio. Fale da sua vulnerabilidade, mas com estratégia. Acompanha o próximo ponto! [ ] O desafio vem acompanhado de uma solução? Mostrar os pontos fracos da gestão para o parceiro só funciona se você já apresentar a rota para resolver o problema. A vulnerabilidade precisa vir colada com a sua capacidade de planejamento. [ ] O estigma da escassez foi abandonado? A gestão já superou a velha crença de que o Terceiro Setor precisa trabalhar sofrendo, com ferramentas defasadas e computadores lentos? Modernizar a estrutura interna é uma decisão de eficiência, não um luxo. Saiba que você pode merece e precisa de estrutura. Modernizar para não parar no caminho Se os mapas antigos não funcionam mais, o papel de quem gere é desenhar novas rotas. Olhar para o Desenvolvimento Institucional serve para dar musculatura para a organização. Quando paramos de “vender o almoço para pagar o jantar” e começamos a financiar a nossa própria estratégia, a ONG ganha a sustentabilidade que precisa para transformar a realidade na ponta de forma estruturada e contínua.
Por Instituto Phomenta 14 de maio de 2026
Quem trabalha em ONG sabe que a comunicação costuma ser o pratinho que mais cai. Com tantas atividades executadas ao mesmo tempo, a estratégia acaba ficando para trás porque o operacional consome todo o dia. Mas o uso da Inteligência Artificial (IA) tem mostrado que dá para mudar esse cenário. Esse foi um dos temas centrais do Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica (FIFE 2026), o principal encontro sobre gestão do Terceiro Setor no Brasil. O debate focou em como a tecnologia pode organizar processos e liberar tempo para o que realmente importa. O cenário brasileiro é curioso: de um lado, a OpenAI aponta que o Brasil é o terceiro país que mais usa o ChatGPT no mundo (atrás apenas de EUA e Índia), com cerca de 140 milhões de mensagens diárias enviadas por aqui. Por outro lado, o uso estratégico nas ONGs ainda engatinha. Um levantamento do IDIS com mais de 1,5 mil organizações revela que 62% delas ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Ou seja, a tecnologia está na nossa mão, mas o setor social ainda está descobrindo como transformá-la em aliada da gestão. Para tirar proveito real dessas ferramentas, o segredo é o jeito que você as alimenta. Durante a palestra de Marco Iarussi, publicitário social e fundador da Curta Causa, aprendemos que o "treinamento" que você dá à IA é o que define se o resultado será genérico ou útil. Mão na massa: Passo a passo para montar seu plano com IA Para a IA aprender sobre a sua realidade e não entregar respostas vazias, siga este roteiro: 1. Não mude de conversa Escolha um único chat para tratar do seu plano de comunicação, seja no ChatGPT, Gemini ou Claude. Se você abre uma conversa nova toda vez, a IA "esquece" o contexto. Mantendo o mesmo canal, ela guarda o histórico e entende as necessidades específicas da sua organização. 2. Dê informações reais Antes de pedir o plano completo, descubra o que a IA já "pensa" sobre você. Isso serve para corrigir erros e fornecer dados que ela ainda não tem. Prompt: "O que você sabe sobre a causa [inserir sua causa] e o que conhece sobre o trabalho da [nome da sua ONG]?" 3. Alinhe o que é um plano de verdade Veja se o robô entende o seu universo. Se ele tiver uma visão muito comercial, o plano parecerá uma propaganda de loja, o que não funciona para o setor social. Prompt: "Para você, o que não pode faltar em um plano de comunicação para uma ONG? Liste os pontos principais." (Leia e diga o que você concorda ou não). 4. Descubra o que ninguém está falando Use a ferramenta para encontrar novos ângulos e sair do óbvio. Prompt: "O que o pessoal mais fala sobre [sua causa] hoje? E o que você acha que ainda não foi dito, mas que ajudaria as pessoas a entenderem melhor o nosso impacto?" 5. Peça o plano prático Agora que o chat está treinado, peça a estrutura final. Prompt: "Com base em tudo o que já conversamos aqui, monte um calendário de 30 dias para as nossas redes sociais. O foco deve ser [ex: prestação de contas ou atrair novos voluntários]." Onde entra a ética e o seu papel Usar a tecnologia para facilitar o dia a dia é inteligência de gestão, mas exige cuidado. A IA serve para fazer o primeiro rascunho e organizar as ideias, mas a palavra final, a conferência dos dados e o olhar humano sobre a causa precisam ser seus. O objetivo é automatizar o que for repetitivo para que você tenha fôlego. Com a comunicação organizada, sobra tempo para construir relacionamentos de verdade e focar no que nenhuma máquina substitui a confiança e o olho no olho com quem apoia a sua organização. 
Por Camila Pasin 30 de abril de 2026
Empresas brasileiras deixaram de ser apenas financiadoras e se tornaram plataformas de engajamento. Entenda como transformar uma simples doação em uma verdadeira aliança de impacto.
Por Gabriel Pires 9 de abril de 2026
Minha OSC precisa de um código de ética? No terceiro setor, valores sem regras claras podem gerar conflitos e riscos. Entenda por que o código de ética é essencial para a gestão das OSCs.
mostrar mais

Participe do nosso grupo no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão

Entrar para o grupo