11 ONGs que trabalham para e com pessoas LGBTQIA+

28 de junho de 2021

LGBTQIA+ LGBT

Em junho é comemorado mundialmente o Mês do Orgulho LGBTQIA+, por essa razão, todo ano, durante o mês de junho, a comunidade celebra o Orgulho de várias maneiras diferentes. No dia 28 de junho, por sua vez, é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, em homenagem a um dos episódios mais marcantes na luta da comunidade pelos seus direitos: a “Rebelião de Stonewall Inn”, em Nova York, quando, em uma das frequentes batidas policiais ao bar Stonewall Inn, os frequentadores decidiram se rebelar contra a opressão policial. Enquanto as pessoas eram presas, a multidão resistia.


Em razão deste dia 28 de junho, e todos os outros dias do ano, nos somamos à luta contra a LGBTfobia e enaltecemos os trabalhos de pessoas e organizações LGBTQIA+. Para tanto, convidamos o time da Phomenta e parceiros para que indicassem ONGs, filmes, séries, livros e outros assuntos feitos por/para pessoas LGBTQIA+.

Aproveitamos para reiterar que tanto a Phomenta quanto o Portal do Impacto estão de portas abertas para aprender sobre e com a comunidade LGBTQIA+. Temos consciência de que a nossa lista não esgota todos os trabalhos que têm sido feitos com e para a comunidade, ao contrário. Por essa razão, esta postagem ficará disponível para ser atualizada a qualquer tempo. Desta forma, caso você tenha alguma contribuição, pedimos que escreva para portaldoimpacto@phomenta.com.br.


Agora, aproveite a lista! =)


Organizações da Sociedade Civil que trabalham para e com pessoas LGBTQIA+


Indicações Phomenta:

  1. Casa1 - Centro de cultura e acolhimento de pessoas LGBT.
  2. Eternamente Sou - Centro de Referência para idosos LGBT.
  3. Grupo Brasileiro de Promoção da Cidadania (GGLOSLGBT).
  4. Grupo de Apoio à Prevenção à Aids da Bahia (GAPA-BA).
  5. Instituto LGBT - Promove, defende e apoia a produção artística e cultural da comunidade LGBT+.
  6. Instituto Mais Diversidade - Empoderamento profissional da população LGBTQIAP+.
  7. LGBT+ Movimento - Trabalho com migrantes e refugiades LGBTTQIA+.
  8. Somos - Realiza ações em direitos humanos com ênfase em direitos sexuais e reprodutivos de LGBTs.


Indicações de Parceiros


  1. Arquivo Lésbico Brasileiro - Organização da sociedade civil que tem o objetivo de preservar registros históricos e culturais sobre lesbianidades e facilitar o acesso a esses itens.
  2. PoupaTrans - Coletivo que tem como propósito ajudar as pessoas trans/travestis na retificação do prenome e/ou gênero.
  3. Revista Alternativa L.



Indicações dos Leitores

  1. Associação Viva a Diversidade - https://www.vivadiversidade.org/


Algumas ONGs da lista indicaram filmes, séries, livros e oportunidades LGBTQIA. Vamos conferir? 



Indicações da Casa 1


14 séries com personagens bissexuais:


THE BOLD TYPE

Hit do canal estadunidense Freeform que chegou na Netflix, “The Bold Type” é uma daquelas gratas surpresas. Contando a história de três amigas que trabalham em uma revista de moda em Nova Iorque, a série tem um crescimento de narrativa e desenvolvimento de personagens surpreendente. Destaque para Kate Edison (Aisha Dee) que ao longo das quatro temporadas (a quinta ainda não estreou na plataforma de streaming), vai explorando sua sexualidade e buscando seu lugar na comunidade LGBT+. Tudo com muita delicadeza e fofura.


HOW TO GET AWAY WITH MURDER

Falar que Viola Davis é uma das grandes atrizes do cinema mundial é chover no molhado, mas sua grandeza não se limitou às telonas. Para a tv, Viola topou protagonizar “How to Get Away with Murder”, que no Brasil ganhou o título “Como defender um Assassino”. A trama de suspense policial e jurídico ganha profundidade e prende a atenção pelo desenvolvimento da vida de seus e suas protagonistas. E o interessante é que se surge inicialmente como um plot um tanto desconexo, a bissexualidade de Annalise Keating (Viola Davis) se torna um dos pontos centrais de sua personalidade e tem muita relevância na trama.


OS ÚLTIMOS DIAS DE GILDA

Quem está junto de Viola no hall de grandes atrizes do cinema e da tv é a fluminense Karine Teles que brinco estar em todos os filmes nacionais dos últimos cinco anos. Nas telinhas Karine protagonizou a brilhante minissérie “Os Últimos Dias de Gilda”, primeira produção a ser selecionada para o Berlinale Series, mostra do Festival de Berlim, este ano. Potente, a trama traz Gilda em um Rio de Janeiro meio fantástico, lidando com o conservadorismo de seus e suas vizinhas. Para assistir e aplaudir de pé.


ELITE

Focada em um público adolescente e de jovens adultos, a trama é bem divertida e sexy. Apesar de contar com várias personagens bissexuais, o destaque é Polo (Álvaro Rico), que desenvolve várias relações sem passar vontade!


JANE THE VIRGIN

A trama começa com Jane, uma jovem de família religiosa venezuelana que está esperando o casamento para transar, até que é engravida por uma inseminação feita por acidente. Ao longo das deliciosas e divertidas quatro temporadas Jane se relaciona com vários boys, um deles, Adam, um quadrinista bissexual interpretado por Tyler Posey. Vale destacar que uma das personagens principais também se entende bissexual ao longo da trama, mas deixo em segredo para não estragar a surpresa.

 

RIVERDALE

Outra série adolescente de crimes e mistérios, “Riverdale” é baseada em quadrinhos e também sucesso nos EUA e aqui no Brasil. A bissexualidade aparece na série de forma bem tranquila com o personagem Moser (Cody Kearsley) depois dele viver no armário por algumas temporadas.


A LENDA DE KORRA 

A trama toda se passa em um mundo dividido em quatro nações baseadas em elementos da natureza e que conta com um ser que reúne todas elas, no caso, Avatar. O mais legal é que Korra, a protagonista da segunda “temporada” é uma mulher que se entende bissexual, algo que fica meio em aberto no desenho mas que logo foi confirmado nos quadrinhos lançados posteriormente.


GREY’S ANATOMY 

Tem quem ame, tem quem odeie, mas é inegável que “Grey’s Anatomy” é campeão de diversidade na televisão estadunidense e ao longo de suas 17 temporadas já teve diversas personagens LGBT+, incluindo três bissexuais com tramas de bastante destaque em meio ao dia dia do setor de cirurgia de um hospital em Seattle . Ainda que apresentadas algumas vezes, em especial nas primeiras temporadas como “incertezas”, todas as tramas acabaram caminhando muito bem.


THE GOOD WIFE

“The Good Wife” está na minha lista de top 5 melhores séries da vida, recebendo o prêmio de ter conseguido fazer seis temporadas perfeitas (a sétima infelizmente deu uma escorregada, mas ainda é melhor do que muita série por aí). A dramédia jurídica conta a história de uma dona de casa que retorna para os tribunais depois do marido político ser preso. Parte importante da trama é Kalinda Sharma (Archie Panjabi) uma sexy e misteriosa investigadora bissexual responsável por, pelo menos, metade das melhores cenas da série.


YOUNGER

“Youger” é uma das séries bobinhas, mas extremamente divertidas. Na trama, uma mulher de 40 anos finge ter 27 para conseguir um emprego após ter ficado mais de uma década fora do mercado de trabalho. Além do texto ácido e o figurino maravilhoso de Patricia Field (responsável pelos looks de “Sex and the City” e “O Diabo veste Prada”), as personagens coadjuvantes são um chamariz, em especial Lauren (Molly Kate Bernard), uma jovem judia meio doidinha e bissexual.


STATION 19

“Station 19” é uma série derivada de Grey’s Anatomy e tem a vantagem de ser exibida ao mesmo tempo que a série que a originou, o que permite que as tramas se cruzem e que seus personagens circulem em ambas as séries. Enquanto Grey,s foca nas tramas médicas e nos cirurgiões, Station acompanha o dia dia dos bombeiros e bombeiras de Seattle, em especial o batalhão 19, composto de uma equipe bem diversa e que tem como destaque Maya Bishop (Danielle Savre), uma bombeira medalhista olímpica bissexual.


FERAS 

Considero “Feras” uma das melhores séries brasileiras feitas. Exibida no canal a cabo MTV Brasil, conta a história de 6 jovens lidando com relacionamentos. Destaque para Joana (Mohana Uchoa) que vive junto do companheiro Peu (Tulio Starling) e seu bebê, o que não a impede de querer viver sua sexualidade, incluindo relacionamento com outras mulheres. Vale dar um play e enaltecer essa produção nacional.


O MUNDO SOMBRIO DE SABRINA

Pensei bastante se colocaria “O Mundo Sombrio de Sabrina” nessa lista, porque a sexualidade e a bissexualidade das personagens está bastante ligada à questões fantásticas. Composta por bruxas e demônios (incluindo o próprio Satã), o universo de Sabrina usa a sexualidade fluida de seus componentes como uma característica da magia e desse universo sobrenatural. Porém, se a questão é representatividade e visibilidade, por que não? De quebra, a trama da jovem bruxa dividida entre seus amigos e amores humanos e demoníacos é super divertida.


KILLING EVE

“Killing Eve” é uma das melhores séries dos últimos anos e conta com duas das melhores atrizes de sua geração: Sandra Oh como Eve, uma agente da inteligência britânica que persegue a assassina serial Villanelle interpretada por Jodie Comer. Com muitas cenas de tirar o fôlego, é ao meu ver uma série protagonizada por duas personagens bissexuais, ainda que em geral, as pessoas coloquem apenas Villanelle como bi.


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Indicações do Eternamente Sou


Programa de empregabilidade 50+:


Dia 24/06, a
Eternamente Sou lançou o programa de empregabilidade e geração de renda “Talentos Eternos”, totalmente centralizado no público LGBT acima de 50 anos. Com parceiros como Maturi, Mais Diversidade e Armazém do Caos, a organização pretende criar novas pontes do público LGBT50+ com o mercado de trabalho, e também gerar novas possibilidades de renda para os assistidos. Para mais informações: @eternamentesou.



Indicações do Instituto LGBT


12 livros clássico da literatura LGBT+ brasileira:


VOLÚPIA DO PECADO

De Cassandra Rios (1948). Romance pioneiro da literatura lésbica nacional escrito por Cassandra Rios aos 16 anos.


EU, RUDDY

De Ruddy Pinho (1980). Obra pioneira da primeira autora trans a publicar uma obra no Brasil


QUEDA PARA O ALTO

De Anderson Herzer (1982). Autobiografia de um adolescente trans que narra os horrores da FEBEM, uma das mais perversas instituições da ditadura militar brasileira.


MEU CORPO DARIA UM ROMANCE

De Herbert Daniel (1983). Escrito por um ex-guerrilheiro e exilado, o livro mistura autobiografia, ficção e ensaio sobre os impactos da violência homofóbica, do machismo, racismo e gordofobia nos corpos.


PRIMEIRA CARTA AOS ANDRÓGINOS

De Aguinaldo Silva (1975). Um clássico da literatura LGBT+ nacional, a obra lida com o estranhamento e o medo diante do homoerotismo.


TESTAMENTO DE JÔNATAS DEIXADO A DAVI

De João Silvério Trevisan (1974). O lindo conto que nomeia o livro investe na construção de narrativas sagradas para as paixões consideradas malditas.


AS SEREIAS DA RIVE GAUCHE

De Vange Leonel (2002). A peça de Vange Leonel é um incrível aula sobre a história da literatura lésbica, rememorando a vida e obra das incríveis Radclyffe Hall, Djuna Barnes e Natalie Barney.


MORANGOS MOFADOS

De Caio Fernando Abreu (1982). Lírico e visceral, esse livro de contos é a obra prima de Caio Fernando Abreu, um dos mais conhecidos autores gays brasileiros.


INSUBMISSAS LÁGRIMAS DE MULHERES

De Conceição Evaristo (2011). Conceição Evaristo é a autora que cunhou o importante conceito de “escrevivência”. O conto “Isaltina Campo Belo” é uma emocionante narrativa de insubmissão lésbica.


PAULICÉIA DESVAIRADA

De Mário de Andrade (1922). Uma das mais importantes obras poéticas do modernismo brasileiro vem sendo investigada nos últimos anos desde uma perspectiva LGBT+, permitindo releituras incríveis.


POEMAS DO AMOR MALDITO

De Gasparino Damata e Walmir Ayala (org) (1969). A primeira coletânea brasileira de poesia que se dedicou a reunir a produção de temática homoerótica no país.


JULIETA E JULIETA

De Fátima Mesquita (1998). Esse lindo livro de contos representa uma mudança de perspectiva na literatura lésbica nacional ao ser recheado de fnais felizes.


Acesse
aqui o PDF completo com mais indicações do Instituto LGBT.



Indicações da Mais Diversidade


11 filmes LGBTQIA+ exclusivamente brasileiros:


HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO

Conta  a  história  sobre  Leonardo,  um  adolescente  cego,  que tenta lidar com a mãe super protetora ao mesmo tempo em que  busca  sua  independência.  O  filme  é  um  tanto  clichê porém gracioso abordando a deficiência visual, quebrando o estereótipo de que pessoas cegas não saem, apaixonam ou não possuem uma vida afetiva/sexual.


BEIRA MAR

Matin e Tomaz viajam para o litoral gaúcho. Martin precisa encontrar um documento para o pai na casa de parentes, e Tomaz decide acompanhá-lo. Os dois acabam abrigando-se em uma casa de vidro à beira-mar, a fim de fugir da rejeição familiar de Martin e da estranha distância que surgiu entre os dois. É um filme sobre as dificuldades de se entender gay, mas também sobre o perrengue que é ser adolescente.


PRAIA DO FUTURO

Donato  trabalha  como  salva-vidas.  Seu  irmão  caçula,  Ayrton, tem grande admiração por ele, devido à coragem demonstrada ao se atirar no mar para resgatar desconhecidos. Um deles é Konrad, um alemão de olhos azuis que muda a vida de Donato após ser salvo por ele.


BACURAU

Pouco  após  a  morte  de  dona  Carmelita,  aos  94  anos,  os moradores de um pequeno povoado localizado no sertão brasileiro,  chamado  Bacurau,  descobrem  que  a  comunidade não  consta  mais  em  qualquer  mapa.  Aos  poucos,  percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade pela primeira vez. O filme foi um estouro de bilheteria não por acaso: pode ser lido como uma alegoria sócio política do Brasil contemporâneo ou um bom faroeste.


AMOR, PLÁSTICO E BARULHO

Shelly é uma jovem dançarina que tem o sonho de se tornar cantora de Brega. Ela entra para o show business em busca de fama  e  fortuna  mas,  inserida  em  um  mundo  onde  tudo  é descartável,  incluindo  o  amor  e  as  relações  humanas  e  vai encontrar  grandes  dificuldades  para  atingir  a  fama,  sempre espelhada nos passos de Jaqueline, sua companheira de banda e musa inspiradora. O filme não é propriamente um longa de temática LGBT, mas é genial e optou-se por adicioná-lo à lista por contar com um personagem gay e por haver uma cena de afeto homossexual.


CORPO ELÉTRICO

Elias é assistente numa confecção de roupas no centro de São Paulo. Ele mantém pouco contato com a família na Paraíba e passa seus dias entre os tecidos do trabalho e encontros com homens. O fim do ano traz reflexões sobre possibilidades de futuro, reconexões com o passado e muitas horas extras, que acabam por aproximá-lo dos colegas da fábrica e consequentemente inseri-lo em novos círculos de amizade e cenários.


A VOLTA DA PAULICEIA DESVAIRADA

Do mesmo diretor que trouxe para nós as histórias da noite paulistana no passado em “São Paulo em Hi-fi”, Lufe Stefan, “A volta da Pauliceia Desvairada” cobre a cena da música e da cultura LGBT e noite na cidade paulistana dos anos 2000 com direito a participação de figuras icônicas como Silvetty Montilla e Salete Campari e uma série de DJs atuais.


BIXA TRAVESTY

O corpo político de Linn da Quebrada, cantora transexual negra, é a força motriz desse documentário que captura a sua esfera pública e privada, ambas marcadas não só por sua presença de palco  inusitada,  mas  também  por  sua  incessante  luta  pela desconstrução  de  estereótipos  de  gênero,  classe  e  raça.  Um aulão sobre gênero com uma das figuras mais carismáticas do Brasil hoje.


TATUAGEM

Clécio Wanderley é o líder da trupe teatral Chão de Estrelas, que realiza shows repletos de deboche e com cenas de nudez. A principal  estrela  da  equipe  é  Paulete,  com  quem  Clécio mantém um relacionamento. Um dia, Paulete recebe a visita de seu cunhado, o jovem Fininha, que é militar. Encantado com o universo criado pelo Chão de Estrelas, ele logo é seduzido por Clécio. Não demora muito para que eles engatem um tórrido relacionamento,  que  o  coloca  em  uma  situação  dúbia:  ao mesmo tempo em que convive cada vez mais com os integrantes da trupe, ele precisa lidar com a repressão existente no meio militar em plena ditadura.


TINTA BRUTA

O jovem Pedro (Shico Menegat) vive um momento complicado, ele responde a um processo criminal ao mesmo tempo em que precisa lidar com a mudança da irmã, sua única amiga. Como forma de catarse, ele assume o codinome GarotoNeon e passa a se apresentar anonimamente na internet  dançando  nu  na  escuridão  do  seu  quarto,  coberto apenas por uma tinta fluorescente. Destaque para as atuações potentes dos estreantes Menegat, Bruno Fernandes e Guega Peixoto.


MÃE SÓ HÁ UMA

Pierre descobre que sua família não é biológica quando a polícia prende  sua  mãe.  Confuso,  ele  vai  atrás  de  seus  parentes verdadeiros, que o conhecem como Felipe, e a nova realidade faz com que o rapaz encontre finalmente sua real identidade. Um   trabalho   potente   da   diretora   Anna   Muylaert,   pós   o estrondoso sucesso de “Que horas ela volta?”.



Confira também esse
eBook criado pela Mais Diversidade, que conta a história do movimento LGBTQIA+ no mundo e no Brasil e traz mais dicas culturais e sociais sobre o tema. Está imperdível!



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Por Instituto Phomenta 9 de julho de 2026
A Inteligência Artificial (IA) não vai salvar nenhuma Organização da Sociedade Civil (OSC). Todo mundo já entendeu que ela é indispensável, que agiliza os processos, que ajuda no corre do dia a dia e que tem mil e uma utilidades. Mas ela, sozinha, não vai tirar a sua organização do vermelho e nem vai desafogar a sua equipe. A IA é uma ferramenta poderosa para apoiar a sua gestão, mas ela só funciona se for treinada e alimentada do jeito certo. E a grande pergunta é: você já sabe como fazer isso? A verdadeira inovação da tecnologia no terceiro setor não está nas ferramentas gratuitas e famosas que todo mundo usa na internet. O segredo está em construir uma estratégia modelada exclusivamente para a captação de recursos via editais. Se as exigências de quem financia mudaram, a forma como as ONGs planejam seus projetos precisa evoluir na mesma velocidade. É exatamente por isso que nasceu o Captação com Causa. Esse projeto, que tem duração de 18 meses, e é uma iniciativa da Fundação FEAC com apoio do Instituto Phomenta, tem um objetivo bem prático: foram selecionadas 10 organizações sociais de Campinas, que após formações, passam a utilizar uma plataforma de IA totalmente customizada para o terceiro setor. Por que focar em IA para buscar recursos? O que move esse projeto é uma ferida antiga das ONGs: o maior problema das organizações brasileiras hoje não é a falta de editais. As oportunidades estão publicadas por aí, na internet. O verdadeiro desafio das equipes, que quase sempre são enxutas, está em quatro passos básicos da rotina: Saber exatamente o que procurar para não aceitar qualquer dinheiro e acabar desviando da própria missão; Conseguir filtrar quais oportunidades realmente valem a pena e fazem sentido; Criar o hábito de buscar recursos de forma constante, e não só quando o caixa aperta; Transformar esse monte de informação em dinheiro no bolso para manter os projetos de pé. Escrever um projeto para um edital é complexo. Os formulários exigem justificativas profundas, orçamentos detalhados e até análise de riscos. Para equipes que já passam o dia se desdobrando no atendimento direto às comunidades, a IA entra como copiloto. Ela assume o trabalho mecânico de escrever e revisar textos, devolvendo para o captador o que ele tem de mais escasso: tempo para pensar na estratégia. Mas… como não deixar o texto com cara de robô? As ferramentas gratuitas que vemos por aí costumam "alucinar", que é o termo técnico para quando a IA inventa dados falsos ou cria argumentos superficiais simplesmente porque ela não conhece a realidade da sua ONG. Para blindar os projetos contra esse erro, o Captação com Causa ajuda as organizações a criarem um ambiente protegido e seguro, alimentando a inteligência artificial com a identidade real da instituição. Esse treino consiste em criar um perfil superdetalhado dentro do sistema, incluindo: O histórico da organização e as causas que ela defende; A região onde ela atua e o perfil das pessoas que ela atende; Dados locais e o impacto real que ela já gera no território. Quanto mais rico e detalhado for esse perfil, mais a IA se transforma em uma assistente exclusiva da causa. A partir daí, a máquina passa a escrever falando a mesma língua do financiador. Ela aprende a usar os termos técnicos que os avaliadores de editais procuram, cruza as palavras-chave exigidas e ajuda a encaixar a história da sua comunidade dentro das metas do orçamento. Falando a linguagem de quem investe Hoje em dia, as empresas e institutos que financiam projetos sociais mudaram a forma de avaliar as propostas. Eles não olham mais apenas para o número bruto de pessoas atendidas; eles querem ver o valor real do impacto gerado. Por isso, o projeto treina a IA para usar uma métrica chamada SROI (Retorno Social sobre o Investimento) . Para se ter uma ideia de como isso funciona: pesquisas do setor mostram que, para cada R$ 1 investido em projetos sociais por meio de incentivos fiscais no Brasil, cerca de R$ 7,59 retornam em benefícios reais para a sociedade e para a economia. Quando a IA é ensinada a cruzar os dados públicos da sua cidade (como pesquisas do IBGE) com o histórico de entregas da sua ONG, ela ajuda a provar matematicamente o valor do seu trabalho. O seu projeto deixa de parecer um "custo" para o investidor e passa a ser visto como um investimento seguro e transformador. O que muda na prática para as organizações? Com esse método bem aplicado, as inovações que as ONGs podem esperar mudam completamente o jogo da captação: Fim do desespero de última hora: A organização sai daquele modelo de correr atrás de edital na véspera do vencimento e passa a ter uma rotina organizada e previsível; Propostas sem erros bobos: Os projetos ficam muito mais robustos, diminuindo drasticamente as reprovações por preenchimento incompleto, metas vagas ou erros de orçamento; Mais confiança dos financiadores: Uma ONG que consegue provar seu impacto com dados seguros conquista a confiança de grandes investidores e garante sua sustentabilidade no longo prazo. Quer saber mais sobre captação estratégica e tecnologia? 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Você com certeza já viveu essa cena: o processo de seleção de voluntários foi um sucesso, a reunião de integração é melhor ainda e todo mundo sai motivado. Duas semanas depois, metade do grupo some sem dar notícias, os e-mails ficam sem resposta e, na hora daquela ação crucial, a coordenação precisa se desdobrar porque metade dos confirmados cancelou em cima da hora. Se a rotina da sua ONG parece um eterno ciclo de recrutar pessoas para cobrir o desfalque das anteriores, saiba que você não está só. Manter voluntários conectados a uma causa a longo prazo é um dos maiores desafios de gestão no Terceiro Setor. Para entender o tamanho do problema, basta olhar para o cenário nacional. Os dados da Pesquisa Voluntariado no Brasil, realizada pelo IDIS/Datafolha (2021) afirmam que, dos 57 milhões de brasileiros e brasileiras que realizam ou já realizaram trabalhos voluntários, apenas 12% fazem ações regularmente. Ainda de acordo com a pesquisa, embora o desejo de fazer o bem seja alto no país, entre os voluntários insatisfeitos e menos entusiasmados aparece a falta de motivação e de apoio/recursos, como fatores que trazem desengajamento.
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Manter uma Organização da Sociedade Civil (OSC) de portas abertas no Brasil é um desafio diário de sobrevivência. Historicamente, a sustentabilidade financeira é o maior gargalo do terceiro setor, mas, frente ao montante de trabalho e às obrigações do dia a dia, ainda não conseguimos olhar para ela de forma estratégica. Assim, tratamos a busca por recursos como um evento de última hora, e não como um processo diário. Os dados do setor desenham um cenário alarmante sobre a estrutura das organizações brasileiras. Segundo a pesquisa da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR)*, 37% dos respondentes apontam como a maior dificuldade da captação a necessidade de dividir o tempo com outras demandas da instituição. Na maioria dos casos, a função é acumulada pela diretoria ou por técnicos que já estão sobrecarregados com a operação na ponta. O resultado é um ciclo vulnerável, especialista em "apagar incêndios": uma corrida desesperada contra o tempo para preencher formulários complexos apenas quando o caixa já entrou no vermelho. Diante dessa escassez crônica de tempo, a Inteligência Artificial (IA) passou a ser uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para viabilizar a sustentabilidade institucional, mas poucas organizações ainda sabem como usá-la. A maioria das ONGs usa IA sem estratégia A rotina ideal de captação exige monitoramento constante do mercado, leitura minuciosa de editais, adequação técnica de propostas e relatórios rigorosos de prestação de contas. Mas você leu bem: ideal . Não é o que temos à mão no dia a dia. Para equipes enxutas, a IA se tornou o caminho para assumir essa carga operacional. Na captação de recursos, a máquina atua — ou deveria atuar — como um copiloto técnico: fazendo a triagem de diretrizes complexas e adaptando a linguagem de projetos para diferentes perfis de financiadores, devolvendo ao profissional o tempo necessário para pensar estrategicamente. Porém, de acordo com o levantamento do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) , feito com mais de 1,5 mil organizações, 62% assumem que ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Vivemos em uma constante urgência para adotar a tecnologia, mas o pouco background gerou um uso amador e desordenado. Um mapeamento recente conduzido também pelo IDIS com mais de 500 entidades revelou que 95% das organizações sociais utilizam IA sem qualquer política ou orientação formal, e 75% dependem exclusivamente de ferramentas gratuitas de mercado. O risco aqui é que, com a soma da pouca estratégia e da falta de substância, as ONGs só consigam gerar, por meio da IA, propostas superficiais e desconectadas da realidade do território. São materiais incipientes, que podem levar à desclassificação imediata dos projetos pelos avaliadores dos editais. Como usar a IA a seu favor? Como resposta direta a esse cenário de equipes sobrecarregadas e necessidade de profissionalização tecnológica, a Fundação FEAC, com apoio do Instituto Phomenta, estruturou o projeto Captação com Causa. A iniciativa de 18 meses foi desenhada justamente para aplicar a IA como uma solução de sustentabilidade em 10 OSCs selecionadas de Campinas. Para combater o uso desordenado e a dependência de plataformas gratuitas apontados pelas pesquisas, o programa introduz no dia a dia das instituições bots customizados e programados especificamente para o contexto do terceiro setor. Em vez de soluções genéricas, as organizações ganham um sistema que filtra editais de forma preditiva e qualifica a escrita técnica das propostas, reduzindo drasticamente o tempo gasto na formatação dos projetos. O foco principal do projeto, que conta com um match funding de R$ 100 mil, é estruturar a captação como uma rotina viável. Por meio de assessoramentos individuais e coletivos, o programa prepara os profissionais para utilizarem a IA com postura crítica, garantindo que a tecnologia trabalhe a serviço da estratégia humana. Ao transformar a tecnologia em uma aliada, o Captação com Causa mira na mobilização de R$ 800 mil entre as participantes e na comprovação de que, com o método correto, a captação de recursos pode deixar de ser um susto sazonal e se tornar uma estratégia previsível, perene e sustentável. Quer saber mais sobre o Captação com Causa? Confira nosso último artigo! *Fonte: Censo ABCR
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