11 ONGs que trabalham para e com pessoas LGBTQIA+

28 de junho de 2021

LGBTQIA+ LGBT

Em junho é comemorado mundialmente o Mês do Orgulho LGBTQIA+, por essa razão, todo ano, durante o mês de junho, a comunidade celebra o Orgulho de várias maneiras diferentes. No dia 28 de junho, por sua vez, é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, em homenagem a um dos episódios mais marcantes na luta da comunidade pelos seus direitos: a “Rebelião de Stonewall Inn”, em Nova York, quando, em uma das frequentes batidas policiais ao bar Stonewall Inn, os frequentadores decidiram se rebelar contra a opressão policial. Enquanto as pessoas eram presas, a multidão resistia.


Em razão deste dia 28 de junho, e todos os outros dias do ano, nos somamos à luta contra a LGBTfobia e enaltecemos os trabalhos de pessoas e organizações LGBTQIA+. Para tanto, convidamos o time da Phomenta e parceiros para que indicassem ONGs, filmes, séries, livros e outros assuntos feitos por/para pessoas LGBTQIA+.

Aproveitamos para reiterar que tanto a Phomenta quanto o Portal do Impacto estão de portas abertas para aprender sobre e com a comunidade LGBTQIA+. Temos consciência de que a nossa lista não esgota todos os trabalhos que têm sido feitos com e para a comunidade, ao contrário. Por essa razão, esta postagem ficará disponível para ser atualizada a qualquer tempo. Desta forma, caso você tenha alguma contribuição, pedimos que escreva para portaldoimpacto@phomenta.com.br.


Agora, aproveite a lista! =)


Organizações da Sociedade Civil que trabalham para e com pessoas LGBTQIA+


Indicações Phomenta:

  1. Casa1 - Centro de cultura e acolhimento de pessoas LGBT.
  2. Eternamente Sou - Centro de Referência para idosos LGBT.
  3. Grupo Brasileiro de Promoção da Cidadania (GGLOSLGBT).
  4. Grupo de Apoio à Prevenção à Aids da Bahia (GAPA-BA).
  5. Instituto LGBT - Promove, defende e apoia a produção artística e cultural da comunidade LGBT+.
  6. Instituto Mais Diversidade - Empoderamento profissional da população LGBTQIAP+.
  7. LGBT+ Movimento - Trabalho com migrantes e refugiades LGBTTQIA+.
  8. Somos - Realiza ações em direitos humanos com ênfase em direitos sexuais e reprodutivos de LGBTs.


Indicações de Parceiros


  1. Arquivo Lésbico Brasileiro - Organização da sociedade civil que tem o objetivo de preservar registros históricos e culturais sobre lesbianidades e facilitar o acesso a esses itens.
  2. PoupaTrans - Coletivo que tem como propósito ajudar as pessoas trans/travestis na retificação do prenome e/ou gênero.
  3. Revista Alternativa L.



Indicações dos Leitores

  1. Associação Viva a Diversidade - https://www.vivadiversidade.org/


Algumas ONGs da lista indicaram filmes, séries, livros e oportunidades LGBTQIA. Vamos conferir? 



Indicações da Casa 1


14 séries com personagens bissexuais:


THE BOLD TYPE

Hit do canal estadunidense Freeform que chegou na Netflix, “The Bold Type” é uma daquelas gratas surpresas. Contando a história de três amigas que trabalham em uma revista de moda em Nova Iorque, a série tem um crescimento de narrativa e desenvolvimento de personagens surpreendente. Destaque para Kate Edison (Aisha Dee) que ao longo das quatro temporadas (a quinta ainda não estreou na plataforma de streaming), vai explorando sua sexualidade e buscando seu lugar na comunidade LGBT+. Tudo com muita delicadeza e fofura.


HOW TO GET AWAY WITH MURDER

Falar que Viola Davis é uma das grandes atrizes do cinema mundial é chover no molhado, mas sua grandeza não se limitou às telonas. Para a tv, Viola topou protagonizar “How to Get Away with Murder”, que no Brasil ganhou o título “Como defender um Assassino”. A trama de suspense policial e jurídico ganha profundidade e prende a atenção pelo desenvolvimento da vida de seus e suas protagonistas. E o interessante é que se surge inicialmente como um plot um tanto desconexo, a bissexualidade de Annalise Keating (Viola Davis) se torna um dos pontos centrais de sua personalidade e tem muita relevância na trama.


OS ÚLTIMOS DIAS DE GILDA

Quem está junto de Viola no hall de grandes atrizes do cinema e da tv é a fluminense Karine Teles que brinco estar em todos os filmes nacionais dos últimos cinco anos. Nas telinhas Karine protagonizou a brilhante minissérie “Os Últimos Dias de Gilda”, primeira produção a ser selecionada para o Berlinale Series, mostra do Festival de Berlim, este ano. Potente, a trama traz Gilda em um Rio de Janeiro meio fantástico, lidando com o conservadorismo de seus e suas vizinhas. Para assistir e aplaudir de pé.


ELITE

Focada em um público adolescente e de jovens adultos, a trama é bem divertida e sexy. Apesar de contar com várias personagens bissexuais, o destaque é Polo (Álvaro Rico), que desenvolve várias relações sem passar vontade!


JANE THE VIRGIN

A trama começa com Jane, uma jovem de família religiosa venezuelana que está esperando o casamento para transar, até que é engravida por uma inseminação feita por acidente. Ao longo das deliciosas e divertidas quatro temporadas Jane se relaciona com vários boys, um deles, Adam, um quadrinista bissexual interpretado por Tyler Posey. Vale destacar que uma das personagens principais também se entende bissexual ao longo da trama, mas deixo em segredo para não estragar a surpresa.

 

RIVERDALE

Outra série adolescente de crimes e mistérios, “Riverdale” é baseada em quadrinhos e também sucesso nos EUA e aqui no Brasil. A bissexualidade aparece na série de forma bem tranquila com o personagem Moser (Cody Kearsley) depois dele viver no armário por algumas temporadas.


A LENDA DE KORRA 

A trama toda se passa em um mundo dividido em quatro nações baseadas em elementos da natureza e que conta com um ser que reúne todas elas, no caso, Avatar. O mais legal é que Korra, a protagonista da segunda “temporada” é uma mulher que se entende bissexual, algo que fica meio em aberto no desenho mas que logo foi confirmado nos quadrinhos lançados posteriormente.


GREY’S ANATOMY 

Tem quem ame, tem quem odeie, mas é inegável que “Grey’s Anatomy” é campeão de diversidade na televisão estadunidense e ao longo de suas 17 temporadas já teve diversas personagens LGBT+, incluindo três bissexuais com tramas de bastante destaque em meio ao dia dia do setor de cirurgia de um hospital em Seattle . Ainda que apresentadas algumas vezes, em especial nas primeiras temporadas como “incertezas”, todas as tramas acabaram caminhando muito bem.


THE GOOD WIFE

“The Good Wife” está na minha lista de top 5 melhores séries da vida, recebendo o prêmio de ter conseguido fazer seis temporadas perfeitas (a sétima infelizmente deu uma escorregada, mas ainda é melhor do que muita série por aí). A dramédia jurídica conta a história de uma dona de casa que retorna para os tribunais depois do marido político ser preso. Parte importante da trama é Kalinda Sharma (Archie Panjabi) uma sexy e misteriosa investigadora bissexual responsável por, pelo menos, metade das melhores cenas da série.


YOUNGER

“Youger” é uma das séries bobinhas, mas extremamente divertidas. Na trama, uma mulher de 40 anos finge ter 27 para conseguir um emprego após ter ficado mais de uma década fora do mercado de trabalho. Além do texto ácido e o figurino maravilhoso de Patricia Field (responsável pelos looks de “Sex and the City” e “O Diabo veste Prada”), as personagens coadjuvantes são um chamariz, em especial Lauren (Molly Kate Bernard), uma jovem judia meio doidinha e bissexual.


STATION 19

“Station 19” é uma série derivada de Grey’s Anatomy e tem a vantagem de ser exibida ao mesmo tempo que a série que a originou, o que permite que as tramas se cruzem e que seus personagens circulem em ambas as séries. Enquanto Grey,s foca nas tramas médicas e nos cirurgiões, Station acompanha o dia dia dos bombeiros e bombeiras de Seattle, em especial o batalhão 19, composto de uma equipe bem diversa e que tem como destaque Maya Bishop (Danielle Savre), uma bombeira medalhista olímpica bissexual.


FERAS 

Considero “Feras” uma das melhores séries brasileiras feitas. Exibida no canal a cabo MTV Brasil, conta a história de 6 jovens lidando com relacionamentos. Destaque para Joana (Mohana Uchoa) que vive junto do companheiro Peu (Tulio Starling) e seu bebê, o que não a impede de querer viver sua sexualidade, incluindo relacionamento com outras mulheres. Vale dar um play e enaltecer essa produção nacional.


O MUNDO SOMBRIO DE SABRINA

Pensei bastante se colocaria “O Mundo Sombrio de Sabrina” nessa lista, porque a sexualidade e a bissexualidade das personagens está bastante ligada à questões fantásticas. Composta por bruxas e demônios (incluindo o próprio Satã), o universo de Sabrina usa a sexualidade fluida de seus componentes como uma característica da magia e desse universo sobrenatural. Porém, se a questão é representatividade e visibilidade, por que não? De quebra, a trama da jovem bruxa dividida entre seus amigos e amores humanos e demoníacos é super divertida.


KILLING EVE

“Killing Eve” é uma das melhores séries dos últimos anos e conta com duas das melhores atrizes de sua geração: Sandra Oh como Eve, uma agente da inteligência britânica que persegue a assassina serial Villanelle interpretada por Jodie Comer. Com muitas cenas de tirar o fôlego, é ao meu ver uma série protagonizada por duas personagens bissexuais, ainda que em geral, as pessoas coloquem apenas Villanelle como bi.


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Indicações do Eternamente Sou


Programa de empregabilidade 50+:


Dia 24/06, a
Eternamente Sou lançou o programa de empregabilidade e geração de renda “Talentos Eternos”, totalmente centralizado no público LGBT acima de 50 anos. Com parceiros como Maturi, Mais Diversidade e Armazém do Caos, a organização pretende criar novas pontes do público LGBT50+ com o mercado de trabalho, e também gerar novas possibilidades de renda para os assistidos. Para mais informações: @eternamentesou.



Indicações do Instituto LGBT


12 livros clássico da literatura LGBT+ brasileira:


VOLÚPIA DO PECADO

De Cassandra Rios (1948). Romance pioneiro da literatura lésbica nacional escrito por Cassandra Rios aos 16 anos.


EU, RUDDY

De Ruddy Pinho (1980). Obra pioneira da primeira autora trans a publicar uma obra no Brasil


QUEDA PARA O ALTO

De Anderson Herzer (1982). Autobiografia de um adolescente trans que narra os horrores da FEBEM, uma das mais perversas instituições da ditadura militar brasileira.


MEU CORPO DARIA UM ROMANCE

De Herbert Daniel (1983). Escrito por um ex-guerrilheiro e exilado, o livro mistura autobiografia, ficção e ensaio sobre os impactos da violência homofóbica, do machismo, racismo e gordofobia nos corpos.


PRIMEIRA CARTA AOS ANDRÓGINOS

De Aguinaldo Silva (1975). Um clássico da literatura LGBT+ nacional, a obra lida com o estranhamento e o medo diante do homoerotismo.


TESTAMENTO DE JÔNATAS DEIXADO A DAVI

De João Silvério Trevisan (1974). O lindo conto que nomeia o livro investe na construção de narrativas sagradas para as paixões consideradas malditas.


AS SEREIAS DA RIVE GAUCHE

De Vange Leonel (2002). A peça de Vange Leonel é um incrível aula sobre a história da literatura lésbica, rememorando a vida e obra das incríveis Radclyffe Hall, Djuna Barnes e Natalie Barney.


MORANGOS MOFADOS

De Caio Fernando Abreu (1982). Lírico e visceral, esse livro de contos é a obra prima de Caio Fernando Abreu, um dos mais conhecidos autores gays brasileiros.


INSUBMISSAS LÁGRIMAS DE MULHERES

De Conceição Evaristo (2011). Conceição Evaristo é a autora que cunhou o importante conceito de “escrevivência”. O conto “Isaltina Campo Belo” é uma emocionante narrativa de insubmissão lésbica.


PAULICÉIA DESVAIRADA

De Mário de Andrade (1922). Uma das mais importantes obras poéticas do modernismo brasileiro vem sendo investigada nos últimos anos desde uma perspectiva LGBT+, permitindo releituras incríveis.


POEMAS DO AMOR MALDITO

De Gasparino Damata e Walmir Ayala (org) (1969). A primeira coletânea brasileira de poesia que se dedicou a reunir a produção de temática homoerótica no país.


JULIETA E JULIETA

De Fátima Mesquita (1998). Esse lindo livro de contos representa uma mudança de perspectiva na literatura lésbica nacional ao ser recheado de fnais felizes.


Acesse
aqui o PDF completo com mais indicações do Instituto LGBT.



Indicações da Mais Diversidade


11 filmes LGBTQIA+ exclusivamente brasileiros:


HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO

Conta  a  história  sobre  Leonardo,  um  adolescente  cego,  que tenta lidar com a mãe super protetora ao mesmo tempo em que  busca  sua  independência.  O  filme  é  um  tanto  clichê porém gracioso abordando a deficiência visual, quebrando o estereótipo de que pessoas cegas não saem, apaixonam ou não possuem uma vida afetiva/sexual.


BEIRA MAR

Matin e Tomaz viajam para o litoral gaúcho. Martin precisa encontrar um documento para o pai na casa de parentes, e Tomaz decide acompanhá-lo. Os dois acabam abrigando-se em uma casa de vidro à beira-mar, a fim de fugir da rejeição familiar de Martin e da estranha distância que surgiu entre os dois. É um filme sobre as dificuldades de se entender gay, mas também sobre o perrengue que é ser adolescente.


PRAIA DO FUTURO

Donato  trabalha  como  salva-vidas.  Seu  irmão  caçula,  Ayrton, tem grande admiração por ele, devido à coragem demonstrada ao se atirar no mar para resgatar desconhecidos. Um deles é Konrad, um alemão de olhos azuis que muda a vida de Donato após ser salvo por ele.


BACURAU

Pouco  após  a  morte  de  dona  Carmelita,  aos  94  anos,  os moradores de um pequeno povoado localizado no sertão brasileiro,  chamado  Bacurau,  descobrem  que  a  comunidade não  consta  mais  em  qualquer  mapa.  Aos  poucos,  percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade pela primeira vez. O filme foi um estouro de bilheteria não por acaso: pode ser lido como uma alegoria sócio política do Brasil contemporâneo ou um bom faroeste.


AMOR, PLÁSTICO E BARULHO

Shelly é uma jovem dançarina que tem o sonho de se tornar cantora de Brega. Ela entra para o show business em busca de fama  e  fortuna  mas,  inserida  em  um  mundo  onde  tudo  é descartável,  incluindo  o  amor  e  as  relações  humanas  e  vai encontrar  grandes  dificuldades  para  atingir  a  fama,  sempre espelhada nos passos de Jaqueline, sua companheira de banda e musa inspiradora. O filme não é propriamente um longa de temática LGBT, mas é genial e optou-se por adicioná-lo à lista por contar com um personagem gay e por haver uma cena de afeto homossexual.


CORPO ELÉTRICO

Elias é assistente numa confecção de roupas no centro de São Paulo. Ele mantém pouco contato com a família na Paraíba e passa seus dias entre os tecidos do trabalho e encontros com homens. O fim do ano traz reflexões sobre possibilidades de futuro, reconexões com o passado e muitas horas extras, que acabam por aproximá-lo dos colegas da fábrica e consequentemente inseri-lo em novos círculos de amizade e cenários.


A VOLTA DA PAULICEIA DESVAIRADA

Do mesmo diretor que trouxe para nós as histórias da noite paulistana no passado em “São Paulo em Hi-fi”, Lufe Stefan, “A volta da Pauliceia Desvairada” cobre a cena da música e da cultura LGBT e noite na cidade paulistana dos anos 2000 com direito a participação de figuras icônicas como Silvetty Montilla e Salete Campari e uma série de DJs atuais.


BIXA TRAVESTY

O corpo político de Linn da Quebrada, cantora transexual negra, é a força motriz desse documentário que captura a sua esfera pública e privada, ambas marcadas não só por sua presença de palco  inusitada,  mas  também  por  sua  incessante  luta  pela desconstrução  de  estereótipos  de  gênero,  classe  e  raça.  Um aulão sobre gênero com uma das figuras mais carismáticas do Brasil hoje.


TATUAGEM

Clécio Wanderley é o líder da trupe teatral Chão de Estrelas, que realiza shows repletos de deboche e com cenas de nudez. A principal  estrela  da  equipe  é  Paulete,  com  quem  Clécio mantém um relacionamento. Um dia, Paulete recebe a visita de seu cunhado, o jovem Fininha, que é militar. Encantado com o universo criado pelo Chão de Estrelas, ele logo é seduzido por Clécio. Não demora muito para que eles engatem um tórrido relacionamento,  que  o  coloca  em  uma  situação  dúbia:  ao mesmo tempo em que convive cada vez mais com os integrantes da trupe, ele precisa lidar com a repressão existente no meio militar em plena ditadura.


TINTA BRUTA

O jovem Pedro (Shico Menegat) vive um momento complicado, ele responde a um processo criminal ao mesmo tempo em que precisa lidar com a mudança da irmã, sua única amiga. Como forma de catarse, ele assume o codinome GarotoNeon e passa a se apresentar anonimamente na internet  dançando  nu  na  escuridão  do  seu  quarto,  coberto apenas por uma tinta fluorescente. Destaque para as atuações potentes dos estreantes Menegat, Bruno Fernandes e Guega Peixoto.


MÃE SÓ HÁ UMA

Pierre descobre que sua família não é biológica quando a polícia prende  sua  mãe.  Confuso,  ele  vai  atrás  de  seus  parentes verdadeiros, que o conhecem como Felipe, e a nova realidade faz com que o rapaz encontre finalmente sua real identidade. Um   trabalho   potente   da   diretora   Anna   Muylaert,   pós   o estrondoso sucesso de “Que horas ela volta?”.



Confira também esse
eBook criado pela Mais Diversidade, que conta a história do movimento LGBTQIA+ no mundo e no Brasil e traz mais dicas culturais e sociais sobre o tema. Está imperdível!



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Por Geraldo Barros 11 de março de 2026
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Ferramentas de computação em nuvem, automação de processos e sistemas de gestão já impactam profundamente a comunicação e a administração das organizações. E, sem dúvida, a Inteligência Artificial é o próximo grande divisor de águas. A IA já é uma realidade acessível ao terceiro setor, mas ainda pouco dominada de forma qualificada, segura e estratégica. Existe um enorme potencial para geração de conhecimento, análise de dados, automação, pesquisa e avaliação de projetos. É possível, por exemplo, utilizar ferramentas de IA para analisar evidências científicas, apoiar processos de avaliação, medir resultados e até realizar auditorias internas de gestão. Ainda assim, o setor carece de investimento em formação, treinamento e desenvolvimento de soluções de IA criadas pelo terceiro setor e para o terceiro setor. Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer um desafio estrutural: muitas organizações de base, especialmente em territórios periféricos, ainda têm dificuldade de incorporar tecnologia às suas soluções. Não por falta de visão, mas por falta de acesso à educação, à formação técnica e a investimentos sociais. É comum vermos tecnologias avançadas sendo desenvolvidas por startups e organizações de impacto, enquanto quem atua diretamente no território não dispõe dos recursos necessários para utilizá-las. Sem articulação, essa equação não fecha. Por isso, outra tendência que se consolida é a valorização de redes, consórcios e articulações territoriais. Organizações que atuam de forma isolada tendem a ter mais dificuldade de acessar investimentos. Financiadores buscam cada vez mais iniciativas coletivas, capazes de envolver múltiplos atores, setores e saberes. 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Por Nathalia Albuquerque 2 de março de 2026
Você pode amar muito um time e ainda assim vê-lo perder campeonatos por anos. Pode ter a maior torcida do país, uma história gigante e uma camisa pesada. Mas sem gestão, isso não se sustenta. No terceiro setor acontece algo muito parecido. Sou corinthiana e não acompanho o futebol tão de perto. Mesmo assim, é impossível ignorar o que Palmeiras e Flamengo vêm construindo nos últimos anos. Escrevo este artigo no final de 2025 e, ao olhar para os principais campeonatos do período recente, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, esses dois clubes seguem protagonizando finais, títulos e campanhas consistentes. Não por acaso, também passaram a aparecer em premiações internacionais que reconhecem excelência em gestão, como o Globe Soccer Awards. Mas nem sempre foi assim. E é exatamente aí que essa história interessa às organizações da sociedade civil. Quando a virada não acontece no campo Palmeiras e Flamengo já viveram fases marcadas por dívidas, crises internas e resultados bem abaixo do potencial que tinham. A mudança não começou com um craque, nem com um gol histórico. Começou fora de campo. Por volta de 2012 e 2013, os dois clubes passaram a tratar a gestão como eixo central. Planejamento financeiro, profissionalização das equipes, governança e visão de longo prazo deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões concretas. Se você não gosta de futebol, continue comigo. O ponto aqui não é o esporte. É entender que amor, tradição e propósito são fundamentais, mas não substituem uma boa gestão. Com gestão, a gente vai mais longe. O que o Palmeiras ensina No Palmeiras, a virada tem um nome bastante conhecido: Paulo Nobre. Ao assumir a presidência do clube em 2013, encontrou um cenário delicado, com dívidas e pouca previsibilidade. Uma das decisões mais simbólicas foi emprestar recursos próprios para reorganizar as finanças do time. Um gesto arriscado, mas inserido em uma estratégia maior. A partir daí, vieram parcerias estratégicas como a Crefisa, a profissionalização da gestão e a criação de novas fontes de receita. A modernização do Allianz Parque transformou o estádio em um ativo que gera renda muito além dos jogos, com shows e eventos. É a lógica de enxergar a estrutura como meio para sustentar a missão, algo bastante familiar para quem atua no terceiro setor. O Flamengo e a coragem de arrumar a casa O Flamengo sempre teve popularidade e potencial. O que faltava era organização. A virada começou com decisões duras e pouco populares, como uma política rigorosa de controle de gastos e reorganização financeira. Antes de investir pesado em contratações, o clube investiu em processos, equipe técnica qualificada e responsabilidade fiscal. Os títulos vieram depois. Não como milagre, mas como consequência. O que tudo isso tem a ver com as OSCs? Muito mais do que parece. Os dois clubes mostram que investir na base (jovens atletas em formação para o time principal) é apostar no longo prazo, mesmo quando o retorno não é imediato. No terceiro setor, isso aparece na formação de equipes, no fortalecimento institucional e no desenvolvimento de lideranças. Eles também reforçam uma verdade incômoda: amor não é estratégia. Paixão move, mas não organiza fluxo de caixa, não constrói indicadores e não garante sustentabilidade. Há ainda a importância de diversificar fontes de receita, inclusive para organizações grandes e reconhecidas, e de contar com profissionais qualificados, além de investir em quem já faz parte da equipe. Nada disso acontece do dia para a noite. O processo é longo, exige constância e escolhas difíceis. Um convite para quem lidera organizações sociais  Se você lidera uma OSC, vale a reflexão. O quanto da sua energia está concentrada apenas na causa e o quanto está direcionada para fortalecer a gestão que sustenta essa causa? Gestão não esfria o propósito. Pelo contrário. Ela protege a missão, amplia o impacto e garante que o trabalho continue existindo daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futebol e no terceiro setor, amor é o ponto de partida. Gestão é o que transforma esse amor em legado.
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Quer doar, mas não sabe se o dinheiro vai chegar onde precisa? No Brasil, a desconfiança ainda trava doações. Veja como doar de forma efetiva e gerar impacto social real.
Por Instituto Phomenta 15 de janeiro de 2026
O adoecimento mental da população brasileira tem se intensificado nos últimos anos e já se reflete de forma direta no mundo do trabalho. O aumento de afastamentos por transtornos mentais, a ampliação de quadros de ansiedade e a exaustão profissional passaram a ocupar o centro dos debates sobre produtividade, gestão de pessoas e sustentabilidade organizacional. No Terceiro Setor, esse cenário não é diferente — e apresenta contornos ainda mais críticos. Dados da Pesquisa Saúde Mental e Bem-Estar no Terceiro Setor (2023), realizada pelo Instituto Phomenta, revelam que 55% dos profissionais do setor expressam algum nível de preocupação com sua saúde mental e bem-estar. Esse contexto foi debatido no Webinar Tendências para o Terceiro Setor 2026, promovido pelo Instituto Phomenta, que apontou a saúde mental como uma das principais tendências e desafios estruturais para as organizações sociais nos próximos anos. A pesquisa ouviu 842 profissionais, de 214 cidades, em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Os dados mostram que o alto comprometimento com a causa convive com estresse constante, sensação de urgência permanente e dificuldade de estabelecer limites entre vida pessoal e trabalho, um paradoxo cada vez mais presente no cotidiano das organizações da sociedade civil. Cuidar de quem cuida Durante muito tempo, o trabalho no Terceiro Setor esteve associado à ideia de propósito como fator de proteção emocional. Os dados da pesquisa indicam que essa narrativa já não se sustenta. Entre os respondentes, 38% classificam sua saúde mental como regular e 17% como ruim, evidenciando um cenário de alerta que afeta tanto profissionais quanto lideranças. O recorte de gênero revela desigualdades importantes. As mulheres, que representam 65% da força de trabalho no Terceiro Setor, são as que expressam maiores níveis de preocupação: 60% relatam algum grau de insatisfação com sua saúde mental e bem-estar, frente a 45% dos homens. Entre os jovens, os índices são ainda mais elevados. Profissionais de 18 a 24 anos e de 25 a 34 anos apresentam os piores indicadores, com 69% e 70%, respectivamente, avaliando sua saúde mental como regular ou ruim. Esses dados foram destacados no Webinar Tendências para o Terceiro Setor 2026 como um sinal de que o setor precisa repensar suas práticas internas se quiser manter equipes engajadas e sustentáveis. A NR-1 e o impacto direto na gestão das organizações Outro ponto central do debate foi a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A partir de maio de 2025, organizações com pessoas contratadas sob regime CLT passam a ter a responsabilidade de identificar, prevenir e gerenciar riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Entre os fatores de risco mais recorrentes, a pesquisa da Phomenta aponta: excesso de demandas e tarefas, indicado por 64% dos respondentes como principal fator de estresse; jornadas prolongadas e dificuldade de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho; ausência de reconhecimento e suporte institucional; conflitos interpessoais e condições precárias de trabalho. Os efeitos desse modelo aparecem nos sintomas relatados: 77% dos profissionais mencionam ansiedade como um dos principais impactos, e 64% relatam exaustão física. Durante o webinar, foi reforçado que o cumprimento da NR-1, embora necessário, não é suficiente para enfrentar um problema estrutural. O desafio está na revisão das práticas de gestão de pessoas, incluindo distribuição de tarefas, modelos de liderança, processos decisórios e a forma como o cuidado é incorporado, ou negligenciado, na cultura organizacional. Saúde mental como estratégia de sustentabilidade A pesquisa também evidencia que mais de 70% dos respondentes não percebem ações intencionais de suas organizações voltadas à promoção do bem-estar. Esse dado foi amplamente debatido no Webinar Tendências para o Terceiro Setor 2026, que destacou a urgência de transformar o cuidado em estratégia institucional. Entre as organizações que adotam ações voltadas à saúde mental, os profissionais citam iniciativas como atendimento psicológico, espaços de diálogo, formações, flexibilidade no trabalho e momentos de convivência. Ainda assim, esses esforços seguem sendo exceção, e não regra. No Terceiro Setor, cuidar da saúde mental das equipes deixou de ser um tema secundário. Trata-se de uma condição para a permanência das pessoas, para a qualidade do trabalho realizado e para a coerência entre missão institucional e práticas internas. A crise de saúde mental convida o setor a um exercício de autocrítica. Não é possível enfrentar desigualdades externas se, internamente, as relações de trabalho reproduzem exaustão, urgência permanente e invisibilização do cuidado. Em 2026, organizações que colocarem as pessoas no centro da gestão estarão mais preparadas para sustentar seu impacto social no longo prazo. Assista completo:
Por Instituto Phomenta 12 de janeiro de 2026
As transformações no cenário internacional de financiamento foram um dos alertas mais sensíveis apresentados no Webinar: Tendências de 2026 para o Terceiro Setor, realizado pelo Instituto Phomenta. Em um contexto de instabilidade política, mudanças de prioridades globais e retração de recursos externos, organizações brasileiras já sentem os impactos de uma filantropia internacional mais seletiva, menos previsível e cada vez mais estratégica. Em 2026, essa tendência se consolida e exige das organizações sociais um reposicionamento em relação à forma como acessam, gerenciam e diversificam suas fontes de recursos. A retração do financiamento internacional Durante o webinar, foram destacados movimentos recentes que ajudam a explicar o cenário atual, como a redução de repasses de países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o enfraquecimento de programas tradicionais de cooperação internacional e o encerramento ou redirecionamento de iniciativas históricas, como a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional). Essas mudanças não acontecem de forma isolada. Elas refletem disputas geopolíticas, reorientação de agendas nacionais e uma priorização maior de crises internas por parte de países doadores. Para muitas organizações do Sul Global, isso representa a perda de fontes que, por décadas, sustentaram projetos e estruturas institucionais. Menos recursos, mais exigências Além da diminuição do volume de recursos, o webinar destacou um aumento significativo no nível de exigência dos financiadores internacionais que permanecem ativos. Entre os critérios mais observados estão: capacidade de gestão financeira e institucional; governança estruturada; indicadores consistentes de resultados; alinhamento com agendas globais específicas; histórico de parcerias e execução. Em 2026, organizações com baixa maturidade institucional tendem a enfrentar ainda mais barreiras para acessar recursos internacionais, mesmo quando atuam em causas prioritárias. O papel do financiamento público no Brasil Em contraste com a retração internacional, observamos o crescimento dos repasses federais no Brasil nos últimos anos. Esse movimento abre oportunidades, mas também traz desafios próprios. Acesso a recursos públicos exige preparo técnico, capacidade de prestação de contas, adequação jurídica e fôlego financeiro para lidar com prazos e burocracias. Para muitas organizações, isso demanda investimentos prévios em estrutura e equipe, o que nem sempre é possível sem apoio externo. Ainda assim, o aumento do financiamento público reforça a importância de olhar para o território nacional como parte estratégica da sustentabilidade financeira. Diversificação como estratégia de sobrevivência Uma das principais reflexões trazidas é que depender de uma única fonte de recursos se torna cada vez mais arriscado. Em 2026, a diversificação deixa de ser recomendação e passa a ser condição de sobrevivência. Isso envolve combinar diferentes fontes, como: filantropia nacional; parcerias com empresas; recursos públicos; doações individuais; prestação de serviços alinhados à missão. O impacto das mudanças na autonomia das organizações As transformações na filantropia internacional também afetam a autonomia das organizações sociais. Com menos recursos disponíveis e maior competição, cresce o risco de adaptação excessiva a agendas externas, em detrimento das demandas reais dos territórios. Por isso a importância de manter o foco na missão e no impacto social, mesmo diante de pressões financeiras. Organizações mais preparadas institucionalmente tendem a negociar melhor, fazer escolhas mais estratégicas e preservar sua coerência. O que essa tendência exige das organizações Em 2026, o cenário de financiamento será mais restrito, mais técnico e mais competitivo. Organizações que investem em desenvolvimento institucional, planejamento financeiro e fortalecimento da gestão terão mais condições de atravessar esse contexto com menos rupturas. Como discutido no webinar, adaptar-se às mudanças da filantropia internacional não significa abandonar princípios, mas sim construir bases mais sólidas para seguir atuando com impacto, autonomia e sustentabilidade no longo prazo. Confira o Conteúdo:
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