Varejo Com Causa - doação no checkout apoia ONGs

28 de abril de 2022

Este conteúdo foi produzido por Sulamita Santana do Arredondar

O estudo Varejo com Causa: como redes varejistas impulsionam doações no Brasil encomendado pela Editora MOL, o Movimento Arredondar e a consultoria CAUSE, três organizações que conectam marcas a causas e ONGs – evidencia a importância dos estabelecimentos comerciais no fortalecimento da cultura de doação e no impacto das ONGs no país.


O levantamento aponta o varejo como um canal para estimular a doação recorrente e abordar
um consumidor consciente e disposto a doar: 74% dos entrevistados afirmam estar preocupados com questões socioambientais e acreditam que, além do Governo, os indivíduos e as empresas também devem contribuir com a resolução dos problemas. 


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Os dados mostram, pela primeira vez, que o varejo não só impulsiona doações, como reforça o papel dos clientes nessa iniciativa, destaca Monica Gregori, sócia-diretora da CAUSE, consultoria que conecta marcas com o terceiro setor. Tanto doadores como não doadores enxergam as empresas que possuem mecanismos de doação como grandes facilitadoras no apoio das causas”.


Quando perguntados sobre motivos para não doar, o levantamento mostra que as condições financeiras e a desconfiança sobre a utilização do dinheiro são as principais barreiras. Mas é importante destacar que um percentual dos que não doam nunca o fizeram porque não foram perguntados, o que reforça a importância do convite para que essas pessoas conheçam diferentes formas e canais para contribuir!



A maioria dos entrevistados afirma não se incomodar com a abordagem – presencial ou online – para doar ao finalizar uma compra. Além disso, 48% dos doadores gostam de saber que podem ajudar e acham importante o convite, enquanto 18% acham a abordagem normal ou não se sentem incomodados. Já entre os não doadores, essa receptividade chega a 59%. No entanto, 14% disseram que não efetuaram nenhuma doação porque nunca foram abordados.


"As pessoas querem ser solidárias, mas precisam de um processo fácil, seguro e transparente. E, com uma pergunta no final da compra, as empresas podem abrir possibilidades para que seus clientes contribuam com causas socioambientais todos os dias", ressalta Beatriz Bouskela, diretora-executiva do Movimento Arredondar, que faz parceria com varejistas mobilizando micro-doações de centavos de troco.


Impacto da doação para a imagem das marcas e o relacionamento com os clientes: 77% dos consumidores entrevistados pelo estudo têm uma imagem mais positiva das redes que oferecem mecanismos para facilitar doações. Quando questionados se voltariam a fazer compras em lojas que possibilitam doações, 81% dos consumidores responderam que isso seria provável ou muito provável. 


“A doação no caixa é um gesto rápido e simples, de baixo atrito”,  diz Rodrigo Pipponzi, cofundador e CEO da Editora MOL, negócio de impacto que vende produtos sociais em grandes redes varejistas desde 2008. “A pesquisa comprovou o que já sabíamos pela nossa experiência: fazer uma microdoação na hora do pagamento agrega valor à experiência do consumidor e à reputação do varejista."


Apesar de todos os benefícios para as marcas, mais da metade dos varejos brasileiros mapeados ainda não aplica nenhum mecanismo de doação ao fechar a compra. Ao mesmo tempo, sete em cada dez consumidores possuem uma imagem mais positiva das lojas que promovem ações de doação. E é aí que mora uma oportunidade para conectar consumo e doação, utilizando a plataforma de empresas para oferecer um canal simples e com alto potencial de engajar novos doadores recorrentes para apoiar o trabalho das organizações.


Cenário favorável para doação cria oportunidade para engajar parceiros e novos doadores


78% dos não doadores declararam que passariam a doar caso houvesse mecanismos facilitadores para doações na loja. E 59% estariam dispostos a doar se conhecessem melhor as ONGs e tivessem clareza sobre o que seria feito com o dinheiro. 

Além disso, quem doa no varejo acaba doando mais. Esses doadores estão dispostos a contribuir mais vezes e 14% a mais, comparando a média de doadores no geral (R$ 43,96) com a de quem já faz doações no varejo (R$ 50,12). 


O aumento da confiança e maior visibilidade sobre o trabalho das ONGs apontam um momento positivo para a cultura de doação. Nesse contexto, saber que há alta receptividade a empresas que promovem ações de apoio a esse trabalho cria um ambiente mais favorável para engajar parceiros e novos doadores em ações solidárias. 

Todavia, é fundamental lembrar que esse doador precisa ser estimulado, precisa conhecer quem será apoiado e o potencial das doações em transformar realidades. 

Para reforçar que todo lugar onde há a possibilidade de consumo também é um espaço que pode gerar doações, recomendamos que vocês conheçam a Varejo Com Causa – uma plataforma que apresenta cases de sucesso de grandes redes parceiras, dados de pesquisas e soluções da MOL, Arredondar e CAUSE para que redes varejistas fortaleçam suas ações de impacto social.



Baixe aqui as 7 descobertas da pesquisa.


Sobre a metodologia: 



A pesquisa Varejo Com Causa foi dividida em duas fases: 1. mapeamento de mecanismos de doação em redes varejistas, considerando o ranking 300 Maiores Empresas do Varejo Brasileiro 2020 da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), além de um complemento amostral de empresas que já adotam mecanismos de doação na loja; 2. pesquisa quantitativa online na plataforma da MindMiners com 600 consumidores, com um recorte de doadores e não doadores. 


Este conteúdo foi produzido por Sulamita Santana do Arredondar



Revisão: Flávia D'Angelo (Phomenta).


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Por Nathalia Albuquerque 2 de março de 2026
Você pode amar muito um time e ainda assim vê-lo perder campeonatos por anos. Pode ter a maior torcida do país, uma história gigante e uma camisa pesada. Mas sem gestão, isso não se sustenta. No terceiro setor acontece algo muito parecido. Sou corinthiana e não acompanho o futebol tão de perto. Mesmo assim, é impossível ignorar o que Palmeiras e Flamengo vêm construindo nos últimos anos. Escrevo este artigo no final de 2025 e, ao olhar para os principais campeonatos do período recente, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, esses dois clubes seguem protagonizando finais, títulos e campanhas consistentes. Não por acaso, também passaram a aparecer em premiações internacionais que reconhecem excelência em gestão, como o Globe Soccer Awards. Mas nem sempre foi assim. E é exatamente aí que essa história interessa às organizações da sociedade civil. Quando a virada não acontece no campo Palmeiras e Flamengo já viveram fases marcadas por dívidas, crises internas e resultados bem abaixo do potencial que tinham. A mudança não começou com um craque, nem com um gol histórico. Começou fora de campo. Por volta de 2012 e 2013, os dois clubes passaram a tratar a gestão como eixo central. Planejamento financeiro, profissionalização das equipes, governança e visão de longo prazo deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões concretas. Se você não gosta de futebol, continue comigo. O ponto aqui não é o esporte. É entender que amor, tradição e propósito são fundamentais, mas não substituem uma boa gestão. Com gestão, a gente vai mais longe. O que o Palmeiras ensina No Palmeiras, a virada tem um nome bastante conhecido: Paulo Nobre. Ao assumir a presidência do clube em 2013, encontrou um cenário delicado, com dívidas e pouca previsibilidade. Uma das decisões mais simbólicas foi emprestar recursos próprios para reorganizar as finanças do time. Um gesto arriscado, mas inserido em uma estratégia maior. A partir daí, vieram parcerias estratégicas como a Crefisa, a profissionalização da gestão e a criação de novas fontes de receita. A modernização do Allianz Parque transformou o estádio em um ativo que gera renda muito além dos jogos, com shows e eventos. É a lógica de enxergar a estrutura como meio para sustentar a missão, algo bastante familiar para quem atua no terceiro setor. O Flamengo e a coragem de arrumar a casa O Flamengo sempre teve popularidade e potencial. O que faltava era organização. A virada começou com decisões duras e pouco populares, como uma política rigorosa de controle de gastos e reorganização financeira. Antes de investir pesado em contratações, o clube investiu em processos, equipe técnica qualificada e responsabilidade fiscal. Os títulos vieram depois. Não como milagre, mas como consequência. O que tudo isso tem a ver com as OSCs? Muito mais do que parece. Os dois clubes mostram que investir na base (jovens atletas em formação para o time principal) é apostar no longo prazo, mesmo quando o retorno não é imediato. No terceiro setor, isso aparece na formação de equipes, no fortalecimento institucional e no desenvolvimento de lideranças. Eles também reforçam uma verdade incômoda: amor não é estratégia. Paixão move, mas não organiza fluxo de caixa, não constrói indicadores e não garante sustentabilidade. Há ainda a importância de diversificar fontes de receita, inclusive para organizações grandes e reconhecidas, e de contar com profissionais qualificados, além de investir em quem já faz parte da equipe. Nada disso acontece do dia para a noite. O processo é longo, exige constância e escolhas difíceis. Um convite para quem lidera organizações sociais  Se você lidera uma OSC, vale a reflexão. O quanto da sua energia está concentrada apenas na causa e o quanto está direcionada para fortalecer a gestão que sustenta essa causa? Gestão não esfria o propósito. Pelo contrário. Ela protege a missão, amplia o impacto e garante que o trabalho continue existindo daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futebol e no terceiro setor, amor é o ponto de partida. Gestão é o que transforma esse amor em legado.
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