O impacto negativo dos golpes para captação de recursos

31 de agosto de 2023

Este conteúdo foi produzido por Emerson Cacilhas Santiago

Você já sofreu ou conhece alguém que foi vítima de algum tipo de golpe? 


Pesquisas recentes revelam que um número alarmante de brasileiros já foi alvo ou conhece alguém que caiu em algum tipo de golpe. 


Impulsionados pela pandemia de Covid-19 e a migração cotidiana para o mundo virtual, o ambiente on-line se tornou um ambiente propício para golpes. Entre os diversos, falsas promoções de saúde, esquemas de doações falsas e até mesmo a venda de produtos médicos falsificados foram observados.


De acordo com os dados coletados a partir de boletins de ocorrência na edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022, os casos de estelionato virtual passaram de 120.470 em 2021 para 200.322 no ano passado, um crescimento de 65,2%. 


Essa realidade aumentou a desconfiança de maneira geral, inclusive no setor de doações, conforme abaixo:


1. Redução da doação


Pesquisas indicam que a desconfiança gerada pelos golpes tem levado muitas pessoas a reduzirem suas doações ou a evitarem completamente contribuir para causas sociais. A incerteza sobre a legitimidade das instituições e a preocupação de que a contribuição possa ser mal utilizada, desencorajam indivíduos generosos a participarem ativamente em ações filantrópicas.


2. Dificuldade na captação de recursos


Organizações legítimas têm enfrentado dificuldades em captar recursos para operar seus projetos. A falta de confiança resultante dos golpes prejudica a capacidade dessas organizações de alcançar suas metas e causar impacto positivo na sociedade.


3. Risco de golpes


Existe o risco de golpistas receberem recursos em nome de uma organização legítima, através de perfis falsos e intermediadores de pagamento que podem se passar pela instituição. 


Com isso, as organizações que dependem de doações para sustentar seus projetos, enfrentam agora um desafio ainda maior para conquistar a confiança dos doadores, preocupados com a possibilidade de seu dinheiro ser desviado para fins fraudulentos.


Medidas que podem ajudar a enfrentar este grande desafio:


Registro de domínios e marcas


Registre o nome da sua organização como domínio e também registre suas marcas. Isso dificulta a criação de sites falsos ou contas de mídia digitais em nome da sua organização.


Transparência nas operações financeiras


As organizações devem se esforçar para serem transparentes em suas operações e na forma como utilizam as doações recebidas. Um exemplo, é usar conta corrente/digital em que o beneficiário/sacador seja a "própria organização", evitando intermediadores de pagamento, que podem ser usados por fraudadores e gerar dúvidas nos doadores. Plataformas como a da transforme.tech possuem integração com conta digital, onde a abertura da conta já é neste formato.


Comunicação oficial


Estabeleça canais de comunicação oficiais e utilize-os consistentemente. Informe aos seus doadores, voluntários e seguidores quais são os canais oficiais para obter informações sobre a organização e atividades.


Educação interna


Treine seus funcionários, voluntários e membros da equipe sobre práticas seguras de comunicação on-line e reconhecimento de tentativas de golpes. Isso pode incluir identificar phishing, ataques de engenharia social e outras táticas utilizadas por golpistas.


Comunicação transparente


Mantenha uma comunicação transparente com seus seguidores e doadores. Explique claramente como a organização arrecada fundos, como eles são usados e quais canais oficiais são utilizados para comunicação.


Utilização de plataformas seguras


Utilize plataformas de pagamento seguras e confiáveis. Isso proporciona mais confiança aos doadores de que suas informações financeiras estão sendo tratadas de forma responsável.


Política de redes sociais


Tenha uma política clara para o uso de redes sociais pela organização. Defina quem pode postar em nome da organização, o tipo de conteúdo permitido e como as interações com seguidores devem ser conduzidas.


Senha forte e autenticação de dois fatores


Mantenha contas on-line seguras, usando senhas fortes e ative a autenticação de dois fatores sempre que possível. Isso ajuda a proteger suas contra acessos não autorizados.


Revisão regular de atividades online


Realize verificações periódicas para identificar atividades suspeitas em nome da organização. Isso pode incluir busca por sites falsos, contas de mídias digitais não autorizadas e outros indícios de tentativas de golpe.


Educação e conscientização


É fundamental educar o público sobre os diferentes tipos de golpes e como identificá-los. Campanhas de conscientização podem ajudar a informar sobre os sinais de alerta e a importância de verificar a legitimidade das organizações antes de fazer doações.

Relatórios e prestação de contas detalhados sobre como o dinheiro é gasto podem ajudar a dissipar as preocupações dos doadores e a construir confiança.


Parcerias com plataformas de pagamento seguro e comunicação com os doadores


O uso de plataformas de pagamento seguras pode oferecer aos doadores uma maneira confiável de fazer as doações online. Recursos como aviso de pagamento realizado por e-mail ou Whatsapp, portal do doador onde o mesmo possa acompanhar suas doações e receber feedback do dia a dia da organização são recursos importantes.


A tecnologia pode proteger as transações e minimizar o risco de golpes.


Monitoramento ativo


Mantenha um monitoramento constante das atividades online que envolvem o nome da sua organização. Isso inclui verificar regularmente as mídias digitais, fóruns, sites de reclamações e outros espaços onde golpistas possam atuar.


Verificação de identidade


Oriente seus doadores para sempre que receberem uma solicitação de doação, parceria ou qualquer outra ação relevante, verifiquem a identidade da entidade que está fazendo a solicitação. Certifique-se de que o contato é legítimo e o beneficiário do pagamento é realmente a própria organização.


Promover a honestidade e fortalecendo vínculos 


Resgatando valores com beneficiários e voluntários para reduzir os índices de golpes no Brasil.


Defendendo uma Web mais segura. Promovendo prevenção e rigor contra golpes online


Por meio de educação, transparência e parcerias estratégicas, é possível reverter essa tendência e reconstruir a confiança dos doadores, garantindo assim, que as doações continuem desempenhando um papel vital na transformação positiva do país.





Emerson Cacilhas Santiago: Fundador e CEO da transforme.tech - Formado em tecnologia de Informação e pós-graduado em gestão com foco em empresas de tecnologia da informação e gestão estratégica.


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Esse projeto, que tem duração de 18 meses, e é uma iniciativa da Fundação FEAC com apoio do Instituto Phomenta, tem um objetivo bem prático: foram selecionadas 10 organizações sociais de Campinas, que após formações, passam a utilizar uma plataforma de IA totalmente customizada para o terceiro setor. Por que focar em IA para buscar recursos? O que move esse projeto é uma ferida antiga das ONGs: o maior problema das organizações brasileiras hoje não é a falta de editais. As oportunidades estão publicadas por aí, na internet. O verdadeiro desafio das equipes, que quase sempre são enxutas, está em quatro passos básicos da rotina: Saber exatamente o que procurar para não aceitar qualquer dinheiro e acabar desviando da própria missão; Conseguir filtrar quais oportunidades realmente valem a pena e fazem sentido; Criar o hábito de buscar recursos de forma constante, e não só quando o caixa aperta; Transformar esse monte de informação em dinheiro no bolso para manter os projetos de pé. Escrever um projeto para um edital é complexo. Os formulários exigem justificativas profundas, orçamentos detalhados e até análise de riscos. Para equipes que já passam o dia se desdobrando no atendimento direto às comunidades, a IA entra como copiloto. Ela assume o trabalho mecânico de escrever e revisar textos, devolvendo para o captador o que ele tem de mais escasso: tempo para pensar na estratégia. Mas… como não deixar o texto com cara de robô? As ferramentas gratuitas que vemos por aí costumam "alucinar", que é o termo técnico para quando a IA inventa dados falsos ou cria argumentos superficiais simplesmente porque ela não conhece a realidade da sua ONG. Para blindar os projetos contra esse erro, o Captação com Causa ajuda as organizações a criarem um ambiente protegido e seguro, alimentando a inteligência artificial com a identidade real da instituição. Esse treino consiste em criar um perfil superdetalhado dentro do sistema, incluindo: O histórico da organização e as causas que ela defende; A região onde ela atua e o perfil das pessoas que ela atende; Dados locais e o impacto real que ela já gera no território. Quanto mais rico e detalhado for esse perfil, mais a IA se transforma em uma assistente exclusiva da causa. A partir daí, a máquina passa a escrever falando a mesma língua do financiador. Ela aprende a usar os termos técnicos que os avaliadores de editais procuram, cruza as palavras-chave exigidas e ajuda a encaixar a história da sua comunidade dentro das metas do orçamento. Falando a linguagem de quem investe Hoje em dia, as empresas e institutos que financiam projetos sociais mudaram a forma de avaliar as propostas. Eles não olham mais apenas para o número bruto de pessoas atendidas; eles querem ver o valor real do impacto gerado. Por isso, o projeto treina a IA para usar uma métrica chamada SROI (Retorno Social sobre o Investimento) . Para se ter uma ideia de como isso funciona: pesquisas do setor mostram que, para cada R$ 1 investido em projetos sociais por meio de incentivos fiscais no Brasil, cerca de R$ 7,59 retornam em benefícios reais para a sociedade e para a economia. Quando a IA é ensinada a cruzar os dados públicos da sua cidade (como pesquisas do IBGE) com o histórico de entregas da sua ONG, ela ajuda a provar matematicamente o valor do seu trabalho. O seu projeto deixa de parecer um "custo" para o investidor e passa a ser visto como um investimento seguro e transformador. O que muda na prática para as organizações? 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Aproveite para conferir nossos outros textos sobre sustentabilidade financeira e inteligência artificial no terceiro setor: O perigo do "dinheiro a qualquer custo": não deixe a procura por editais desvirtuar a sua missão: Entenda como a urgência para acessar editais sem alinhamento prévio pode desvirtuar a missão institucional da sua OSC e saiba como selecionar financiadores que respeitem os seus valores reais. Por que sua estratégia de captação precisa de IA (urgente)?: Conheça os dados oficiais sobre a sobrecarga dos captadores de recursos no Brasil e descubra por que a inteligência artificial virou uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para criar rotinas eficientes.
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Você com certeza já viveu essa cena: o processo de seleção de voluntários foi um sucesso, a reunião de integração é melhor ainda e todo mundo sai motivado. Duas semanas depois, metade do grupo some sem dar notícias, os e-mails ficam sem resposta e, na hora daquela ação crucial, a coordenação precisa se desdobrar porque metade dos confirmados cancelou em cima da hora. Se a rotina da sua ONG parece um eterno ciclo de recrutar pessoas para cobrir o desfalque das anteriores, saiba que você não está só. Manter voluntários conectados a uma causa a longo prazo é um dos maiores desafios de gestão no Terceiro Setor. Para entender o tamanho do problema, basta olhar para o cenário nacional. Os dados da Pesquisa Voluntariado no Brasil, realizada pelo IDIS/Datafolha (2021) afirmam que, dos 57 milhões de brasileiros e brasileiras que realizam ou já realizaram trabalhos voluntários, apenas 12% fazem ações regularmente. Ainda de acordo com a pesquisa, embora o desejo de fazer o bem seja alto no país, entre os voluntários insatisfeitos e menos entusiasmados aparece a falta de motivação e de apoio/recursos, como fatores que trazem desengajamento.
Por Instituto Phomenta 25 de junho de 2026
Manter uma Organização da Sociedade Civil (OSC) de portas abertas no Brasil é um desafio diário de sobrevivência. Historicamente, a sustentabilidade financeira é o maior gargalo do terceiro setor, mas, frente ao montante de trabalho e às obrigações do dia a dia, ainda não conseguimos olhar para ela de forma estratégica. Assim, tratamos a busca por recursos como um evento de última hora, e não como um processo diário. Os dados do setor desenham um cenário alarmante sobre a estrutura das organizações brasileiras. Segundo a pesquisa da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR)*, 37% dos respondentes apontam como a maior dificuldade da captação a necessidade de dividir o tempo com outras demandas da instituição. Na maioria dos casos, a função é acumulada pela diretoria ou por técnicos que já estão sobrecarregados com a operação na ponta. O resultado é um ciclo vulnerável, especialista em "apagar incêndios": uma corrida desesperada contra o tempo para preencher formulários complexos apenas quando o caixa já entrou no vermelho. Diante dessa escassez crônica de tempo, a Inteligência Artificial (IA) passou a ser uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para viabilizar a sustentabilidade institucional, mas poucas organizações ainda sabem como usá-la. A maioria das ONGs usa IA sem estratégia A rotina ideal de captação exige monitoramento constante do mercado, leitura minuciosa de editais, adequação técnica de propostas e relatórios rigorosos de prestação de contas. Mas você leu bem: ideal . Não é o que temos à mão no dia a dia. Para equipes enxutas, a IA se tornou o caminho para assumir essa carga operacional. Na captação de recursos, a máquina atua — ou deveria atuar — como um copiloto técnico: fazendo a triagem de diretrizes complexas e adaptando a linguagem de projetos para diferentes perfis de financiadores, devolvendo ao profissional o tempo necessário para pensar estrategicamente. Porém, de acordo com o levantamento do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) , feito com mais de 1,5 mil organizações, 62% assumem que ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Vivemos em uma constante urgência para adotar a tecnologia, mas o pouco background gerou um uso amador e desordenado. Um mapeamento recente conduzido também pelo IDIS com mais de 500 entidades revelou que 95% das organizações sociais utilizam IA sem qualquer política ou orientação formal, e 75% dependem exclusivamente de ferramentas gratuitas de mercado. O risco aqui é que, com a soma da pouca estratégia e da falta de substância, as ONGs só consigam gerar, por meio da IA, propostas superficiais e desconectadas da realidade do território. São materiais incipientes, que podem levar à desclassificação imediata dos projetos pelos avaliadores dos editais. Como usar a IA a seu favor? Como resposta direta a esse cenário de equipes sobrecarregadas e necessidade de profissionalização tecnológica, a Fundação FEAC, com apoio do Instituto Phomenta, estruturou o projeto Captação com Causa. A iniciativa de 18 meses foi desenhada justamente para aplicar a IA como uma solução de sustentabilidade em 10 OSCs selecionadas de Campinas. Para combater o uso desordenado e a dependência de plataformas gratuitas apontados pelas pesquisas, o programa introduz no dia a dia das instituições bots customizados e programados especificamente para o contexto do terceiro setor. Em vez de soluções genéricas, as organizações ganham um sistema que filtra editais de forma preditiva e qualifica a escrita técnica das propostas, reduzindo drasticamente o tempo gasto na formatação dos projetos. O foco principal do projeto, que conta com um match funding de R$ 100 mil, é estruturar a captação como uma rotina viável. Por meio de assessoramentos individuais e coletivos, o programa prepara os profissionais para utilizarem a IA com postura crítica, garantindo que a tecnologia trabalhe a serviço da estratégia humana. Ao transformar a tecnologia em uma aliada, o Captação com Causa mira na mobilização de R$ 800 mil entre as participantes e na comprovação de que, com o método correto, a captação de recursos pode deixar de ser um susto sazonal e se tornar uma estratégia previsível, perene e sustentável. Quer saber mais sobre o Captação com Causa? Confira nosso último artigo! *Fonte: Censo ABCR
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Nem todo edital é uma oportunidade. Entenda os riscos do desvio de missão e como captar recursos de forma estratégica.
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