Influenciadores digitais como estratégia de captação

2 de junho de 2022

Este conteúdo foi produzido por Natália Gonzales, co-founder da Nuclear.HUB e idealizadora do Social.LAB

O mercado de marketing de influência está em constante crescimento no Brasil, mas como as causas sociais podem “surfar nessa onda”? O que as organizações precisam se atentar antes de definir uma campanha que terá como estratégia envolver influenciadore(a)s? Como evitar possíveis riscos desse tipo de parceria? São diversos questionamentos que muitas vezes acabam sendo uma barreira para quem está à frente do planejamento.


Segundo pesquisa realizada pela Global Consumer Survey, aponta que em 2019 a porcentagem dos brasileiros impactados pelo marketing de influência era de 36%, em 2021 esse número no Brasil superou os 40%, alcançando o posto de primeiro mercado mais expressivo do mundo. Em paralelo a esse cenário, outro ponto importante a ser destacado está vinculado ao fato de que, segundo o Ibope, mais de 70% dos brasileiros possuem acesso à internet, ou seja, têm facilidade para acessar aplicativos que permitem se relacionar com diferentes tipos de influenciadore(a)s. 


Mas você deve estar se perguntando: “Ok, entendi, mercado em crescimento e cada vez mais pessoas acessando conteúdos on-line, e como minha organização pode se beneficiar disso?”. Pensando nisso, destacamos 6 principais pontos para levar em consideração na criação de uma campanha que envolva influenciadore(a)s.


  1. Gente se conecta com gente

A frase mais dita por nós, nossos clientes e aluno(a)s, diariamente. As pessoas se conectam mais com pessoas e personagens do que com marcas. Não é à toa que o Magazine Luiza criou um perfil para a Lu e hoje ela é a influenciadora virtual com mais seguidores no mundo


Pensando nisso, é importante humanizarmos cada vez mais nossas marcas e isso pode ser feito tanto com porta-vozes institucionais, mas também potencializando nossa rede de multiplicadores para além das “paredes” da organização: aqui entram o(a)s influenciadore(a)s. 


    2. Posicionamento forte, marca forte

Você já sabe sobre a importância de pensar seu posicionamento de marca, certo? Quando se tem bem definido seu posicionamento, escolhendo as bandeiras que você vai levantar, isso contribui para que você se conecte de forma mais profunda com sua audiência e, consequentemente, com possíveis influenciadore(a)s.


Manter um posicionamento “em cima do muro”, dificulta criar vínculos com as pessoas, você busca não desagradar uma parcela da audiência, porém acaba não gerando conexão efetiva com praticamente ninguém. 


Elabore seu posicionamento, tenha isso claro com todo o time interno, para pensar em estratégias de compartilhar isso para o externo e buscar conexões mais duradouras.


   3. Objetivos claros

Antes de começar a mapear possíveis influenciadore(a)s, você precisa ter bem definido qual objetivo com aquela ação. Vamos exemplificar para conseguir visualizar: se o objetivo é levar informações aos pais sobre os perigos do consumo de refrigerantes por crianças, não faz sentido você se desdobrar para tentar uma super celebridade só pela quantidade de seguidores que ela tem (sendo que nem filhos ela têm, e nem trata dessa temática no perfil). Por quê? A audiência dela não está aberta e disponível a escutar sobre aquele assunto, ele não se sustentará por muito tempo.


Agora, que tal pensarmos em influenciadore(a)s que falam sobre maternidade ou paternidade? Eles já têm o público extremamente nichado que está ali para entender melhor como passar pelos desafios após a chegada de uma criança na família. 


Atualmente, e cada vez mais, vemos um número crescente de Creators, pessoas que criam conteúdos de temas específicos. Isso colabora - e muito - para nos ajudar a mapear possíveis segmentos de influenciadores para colaborar com uma campanha. 


    4. Alinhamento de propósito: deu match?

Precisa ser uma via de mão dupla para não parecer falso ou forçado. Ou seja, é preciso analisar se o propósito da sua campanha dialoga com os valores daquela pessoa influenciadora. A coerência é muito importante para que a narrativa seja construída de uma forma mais sólida e convincente para a audiência. 



    5. (Co)criação de campanhas

Se possível, convide as pessoas influenciadoras para participar da criação da campanha, desde o mote/conceito até mesmo os formatos que eles trarão para o público os conteúdos. 


Isso colabora para que eles se sintam mais à vontade para aderir, além de contribuir para fortalecer uma narrativa alinhada com os conteúdos que elas já promovem, evitando um script forçado que dificilmente vai se conectar com suas audiências.


Além disso, passamos a considerá-las como parte da construção estratégica e não como um canal somente para replicar uma mensagem pré-pronta que você envia, elas dão um copiar e colar e a audiência não conecta, pois fica escancarado que não foi algo autoral.


    6. Análise de dados e resultados

É importante que seja mapeado antes do início da campanha quais dados serão monitorados e quais indicadores vão apontar o sucesso da ação. Existem diversas ferramentas pagas que possuem a tecnologia de acompanhar os resultados nos perfis das pessoas influenciadoras, porém, caso ainda não consiga investir nesse recurso, você pode acordar anteriormente com quem fez a parceria como esses resultados serão compartilhados. 


Caso você não tenha uma plataforma ou agência para fazer o intermédio desse relacionamento, é importante que procure nos perfis de quem está buscando algum e-mail para contato de parcerias ou envie uma mensagem privada. Nessa mensagem, deixe claro quem é a organização e o objetivo do contato. 


Lembre-se: se você está procurando uma parceria pro-bono, sem investimento, é muito possível que tenha uma proporção de negativas alta. Então, sempre mapeie um número maior de pessoas para poder contar com uma “quebra” que ainda permite que sua campanha seja eficaz.


Importante: não deposite todas suas fichas em uma estratégia somente. Ou seja, além de acionar influenciadores, diversifique as outras frentes que ajudarão você a alcançar seu objetivo.


E aí, já desenvolveu alguma campanha com influenciadores? Deu match ou foi uma experiência de partir o coração? Compartilhe aqui conosco seus aprendizados =)



Natália Gonzales: Eterna bailarina e fascinada pelo impacto gerado por causas sociais. Relações Públicas e mestra em comunicação mobilização. Atualmente é cofundadora da @nuclear.hub, hub de saberes sobre comunicação de causas e do Social.LAB, espaço com conteúdos, mentorias e comunidade para quem atua com causas.




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