ESG, Responsabilidade Social e Sustentabilidade: do que estamos falando e o que é importante saber?

14 de abril de 2022

Este conteúdo foi produzido por Luana Oliveira e Stephanie Walker, do círculo de Aceleração Corporativa da Phomenta.


Responsabilidade Social, Sustentabilidade e ESG são termos que tem se tornado cada vez mais famosos no nosso cotidiano, e uma suposição quase que certeira seria dizer que você já ouviu falar em pelo menos um destes três termos no último mês, certo?


O mundo está mudando, e estes três conceitos – Responsabilidade Social, Sustentabilidade e ESG – estão na mira dos consumidores e investidores, o que faz com que as empresas tenham que traçar resultados e agir segundo critérios exigentes. Hoje, mais do que nunca, a forma como as empresas alcançam seus resultados e utilizam os recursos naturais vem sendo avaliada constantemente pela sociedade. Antes de nos aprofundarmos no significado de cada um destes termos, precisamos entender a relevância do papel das empresas.


É inegável que as empresas exercem influência sobre uma comunidade e, consequentemente, sobre as pessoas que nela habitam, seja por representar uma parcela considerável dos empregos existentes, por ditar tendências de consumo ou por interferir no meio ambiente, entre outros níveis de ações. Tais ações podem ter um caráter positivo e gerar melhorias para o meio onde a empresa está inserida, mas também podem carregar um caráter negativo, uma vez que as empresas podem ser fontes de passivos ambientais como poluição, consumo irresponsável de recursos naturais, interferência nociva na vida da comunidade dentro de suas áreas de atuação, entre outros. Neste contexto, o termo Responsabilidade Social vem ganhando força no cenário mundial.


Mas afinal, o que é Responsabilidade Social?


Responsabilidade social é um conjunto de práticas que beneficiam o meio social. As discussões que deram origem ao termo passaram a existir no início do século XX, mas foi apenas em 1953 – com a obra
Responsabilidades sociais do homem de negócios, do norte-americano Howard Bowen – que esses debates se fortaleceram, pautados em uma preocupação com o aumento do poder e autonomia das empresas na sociedade sem a devida responsabilização pelas consequências de suas ações. Algumas análises sobre esta obra enxergam uma origem ‘moralista’ no termo, uma vez que surgiu dentro de um contexto em que homens brancos lideravam as empresas e deveriam fazê-lo segundo as normas éticas e morais vigentes. 


É neste contexto que começa a surgir a noção de partes interessadas da empresa, os stakeholders – um termo abrangente que procura explicitar os graus de comprometimento e de dependência recíproca da empresa com os seus acionistas, empregados, fornecedores, clientes, concorrentes, governo, organizações, movimentos, comunidade, entre outros. Assim, estabelece-se o conceito de Responsabilidade Social Corporativa (RSC).


O conceito tem relação com o compromisso das empresas com a sociedade, para além de questões econômicas, como a geração de lucros e empregos. Uma empresa socialmente responsável deve traçar as ações numa gestão ética e transparente. Para isso, precisa incluir em sua estratégia questões como a qualidade de vida e o bem-estar do público interno da empresa, o relacionamento com os stakeholders e a redução de impactos negativos na comunidade e no ambiente.


Sustentabilidade: do que se trata?


A sustentabilidade está relacionada ao conceito de desenvolvimento sustentável, ou seja, a capacidade de suprir as demandas da geração atual, garantindo o atendimento às necessidades das gerações futuras. Essa definição começou a ser delineada na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Estocolmo, 1972), criada pelas Nações Unidas para discutir e propor meios de harmonizar dois objetivos: o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental. O termo foi cunhado em 1987 pela norueguesa Gro Brundtland no Relatório “Nosso Futuro Comum” e, desde então, não saiu de cena.


A sustentabilidade, assim como o desenvolvimento sustentável, abrange um conceito mais amplo do que o de RSC, pois está pautado no tripé pessoas, planeta e lucro. Na busca por este equilíbrio, a empresa necessita dialogar com todos seus stakeholders estratégicos, sem perder nenhum destes pilares de vista. É comum que as pessoas entendam ‘sustentabilidade’ apenas como o pilar do meio ambiente, mas este conceito é mais abrangente do que isso!


A pesquisa Future Consumer Index (FCI), realizada pela EY, em março de 2021, apontou que a pandemia intensificou a preocupação da população em consumir produtos que contribuam com o impacto social. Cerca de 53% dos entrevistados afirmaram ter mais propensão para adquirir produtos de empresas que estejam ligadas à geração de impacto positivo na sociedade.


Com o surgimento do ESG, em 2004, o consumidor encontra mais informações sobre as ações das empresas, uma vez que a definição de critérios e métricas ocorre de forma mais sistematizada pelo setor empresarial, apoiado principalmente pela sociedade civil. Além disso, transparência é imprescindível quando falamos de qualquer um destes termos!


Mas qual o significado de cada uma das letras do ESG?


O termo ESG já pode ser considerado um jargão comum no universo das OSCs e empresas, de tanto que ganhou relevância nos últimos anos. ESG e Responsabilidade Social estão intimamente ligados, já que a sigla é proveniente do inglês “Environmental, Social and Governance”, ou seja, “Ambiental, Social e Governança”.


Esse conceito faz referência aos critérios que as empresas devem considerar quando definem suas políticas e estratégias, tanto internas como externas:


  • E (Environmental ou Ambiental): estratégias relacionadas ao que a empresa faz pela conservação do meio ambiente e recursos naturais;
  • S (Social): relacionamento da empresa com seus colaboradores e partes interessadas (stakeholders), ou seja, o olhar para as pessoas impactadas pela ação da organização, seja dentro ou fora dela;
  • G (Governance ou Governança): normas relacionadas às demandas administrativas, éticas e de transparência das empresas. 


RSC, Sustentabilidade e ESG – como os termos se relacionam?


As práticas de RSC, ESG e sustentabilidade nas empresas estão deixando de ser atribuídas apenas ao compliance, ou seja, deixam de ser vistas como uma necessidade de somente se cumprir as leis e regulamentações e passam a ser entendidas como diretrizes estratégicas dos negócios. Assim, podemos observar diversos movimentos das organizações em busca de alinhar-se às políticas de amenização das mudanças climáticas, de promoção de diversidade e inclusão dentro dos quadros de colaboradores, de investimento social privado, entre outras ações.


A tendência ESG é tão forte que, segundo um relatório da consultoria PwC, 57% dos ativos na Europa estarão em fundos que consideram os critérios ESG até 2025. Os investimentos relacionados a esta prática possuem diversas métricas e parâmetros que não visam apenas à resolução de questões relacionadas à sustentabilidade ambiental, mas também a toda a estratégia de negócios da empresa. Assim, entende-se que estes conceitos são integrados, já que as organizações privadas necessitam dessas estratégias para garantir a sobrevivência do negócio no mercado atual.


É possível notar que estes três termos possuem diferentes origens e vieses distintos. Entretanto, percebe-se que estão intimamente interligados e apontam para uma mesma direção. Os conceitos de Sustentabilidade e RSC foram ganhando complexidade e importância ao longo dos séculos XX e XXI e, assim, culminaram no surgimento do ESG, que vem para consolidá-los e proporcionar uma visão completa e integrada às exigências do mercado. 


Por fim, podemos encontrar, por exemplo, empresas que possuem apenas uma área de Sustentabilidade, com uma equipe responsável pelos indicadores ESG e ações de Responsabilidade Social Corporativa. Assim como é possível que exista uma área que tenha outro nome, mas com o mesmo objetivo: cuidar das pessoas, do meio ambiente e contribuir para que a atuação da empresa não vise apenas o lucro, mas também busque gerar impacto socioambiental positivo na comunidade na qual está inserida. Mudam os nomes, mas não a intenção. E é isso que importa!


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Este conteúdo foi produzido por Luana Oliveira e Stephanie Walker, do círculo de Aceleração Corporativa da Phomenta.



Para saber mais:

E-book de ESG | Phomenta 

Artigo Bowen RSC 

RSC

Instituto Energia do Saber

Fundação Instituto de Administração

Sustentabilidade | WWF Brasil

Lassu | USP

Ampliar



Revisão: Flávia D'Angelo (Phomenta).



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Por Nathalia Albuquerque 2 de março de 2026
Você pode amar muito um time e ainda assim vê-lo perder campeonatos por anos. Pode ter a maior torcida do país, uma história gigante e uma camisa pesada. Mas sem gestão, isso não se sustenta. No terceiro setor acontece algo muito parecido. Sou corinthiana e não acompanho o futebol tão de perto. Mesmo assim, é impossível ignorar o que Palmeiras e Flamengo vêm construindo nos últimos anos. Escrevo este artigo no final de 2025 e, ao olhar para os principais campeonatos do período recente, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, esses dois clubes seguem protagonizando finais, títulos e campanhas consistentes. Não por acaso, também passaram a aparecer em premiações internacionais que reconhecem excelência em gestão, como o Globe Soccer Awards. Mas nem sempre foi assim. E é exatamente aí que essa história interessa às organizações da sociedade civil. Quando a virada não acontece no campo Palmeiras e Flamengo já viveram fases marcadas por dívidas, crises internas e resultados bem abaixo do potencial que tinham. A mudança não começou com um craque, nem com um gol histórico. Começou fora de campo. Por volta de 2012 e 2013, os dois clubes passaram a tratar a gestão como eixo central. Planejamento financeiro, profissionalização das equipes, governança e visão de longo prazo deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões concretas. Se você não gosta de futebol, continue comigo. O ponto aqui não é o esporte. É entender que amor, tradição e propósito são fundamentais, mas não substituem uma boa gestão. Com gestão, a gente vai mais longe. O que o Palmeiras ensina No Palmeiras, a virada tem um nome bastante conhecido: Paulo Nobre. Ao assumir a presidência do clube em 2013, encontrou um cenário delicado, com dívidas e pouca previsibilidade. Uma das decisões mais simbólicas foi emprestar recursos próprios para reorganizar as finanças do time. Um gesto arriscado, mas inserido em uma estratégia maior. A partir daí, vieram parcerias estratégicas como a Crefisa, a profissionalização da gestão e a criação de novas fontes de receita. A modernização do Allianz Parque transformou o estádio em um ativo que gera renda muito além dos jogos, com shows e eventos. É a lógica de enxergar a estrutura como meio para sustentar a missão, algo bastante familiar para quem atua no terceiro setor. O Flamengo e a coragem de arrumar a casa O Flamengo sempre teve popularidade e potencial. O que faltava era organização. A virada começou com decisões duras e pouco populares, como uma política rigorosa de controle de gastos e reorganização financeira. Antes de investir pesado em contratações, o clube investiu em processos, equipe técnica qualificada e responsabilidade fiscal. Os títulos vieram depois. Não como milagre, mas como consequência. O que tudo isso tem a ver com as OSCs? Muito mais do que parece. Os dois clubes mostram que investir na base (jovens atletas em formação para o time principal) é apostar no longo prazo, mesmo quando o retorno não é imediato. No terceiro setor, isso aparece na formação de equipes, no fortalecimento institucional e no desenvolvimento de lideranças. Eles também reforçam uma verdade incômoda: amor não é estratégia. Paixão move, mas não organiza fluxo de caixa, não constrói indicadores e não garante sustentabilidade. Há ainda a importância de diversificar fontes de receita, inclusive para organizações grandes e reconhecidas, e de contar com profissionais qualificados, além de investir em quem já faz parte da equipe. Nada disso acontece do dia para a noite. O processo é longo, exige constância e escolhas difíceis. Um convite para quem lidera organizações sociais  Se você lidera uma OSC, vale a reflexão. O quanto da sua energia está concentrada apenas na causa e o quanto está direcionada para fortalecer a gestão que sustenta essa causa? Gestão não esfria o propósito. Pelo contrário. Ela protege a missão, amplia o impacto e garante que o trabalho continue existindo daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futebol e no terceiro setor, amor é o ponto de partida. Gestão é o que transforma esse amor em legado.
Por Maria Cecília Prates 10 de fevereiro de 2026
Quer doar, mas não sabe se o dinheiro vai chegar onde precisa? No Brasil, a desconfiança ainda trava doações. Veja como doar de forma efetiva e gerar impacto social real.
Por Instituto Phomenta 15 de janeiro de 2026
O adoecimento mental da população brasileira tem se intensificado nos últimos anos e já se reflete de forma direta no mundo do trabalho. O aumento de afastamentos por transtornos mentais, a ampliação de quadros de ansiedade e a exaustão profissional passaram a ocupar o centro dos debates sobre produtividade, gestão de pessoas e sustentabilidade organizacional. No Terceiro Setor, esse cenário não é diferente — e apresenta contornos ainda mais críticos. Dados da Pesquisa Saúde Mental e Bem-Estar no Terceiro Setor (2023), realizada pelo Instituto Phomenta, revelam que 55% dos profissionais do setor expressam algum nível de preocupação com sua saúde mental e bem-estar. Esse contexto foi debatido no Webinar Tendências para o Terceiro Setor 2026, promovido pelo Instituto Phomenta, que apontou a saúde mental como uma das principais tendências e desafios estruturais para as organizações sociais nos próximos anos. A pesquisa ouviu 842 profissionais, de 214 cidades, em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Os dados mostram que o alto comprometimento com a causa convive com estresse constante, sensação de urgência permanente e dificuldade de estabelecer limites entre vida pessoal e trabalho, um paradoxo cada vez mais presente no cotidiano das organizações da sociedade civil. Cuidar de quem cuida Durante muito tempo, o trabalho no Terceiro Setor esteve associado à ideia de propósito como fator de proteção emocional. Os dados da pesquisa indicam que essa narrativa já não se sustenta. Entre os respondentes, 38% classificam sua saúde mental como regular e 17% como ruim, evidenciando um cenário de alerta que afeta tanto profissionais quanto lideranças. O recorte de gênero revela desigualdades importantes. As mulheres, que representam 65% da força de trabalho no Terceiro Setor, são as que expressam maiores níveis de preocupação: 60% relatam algum grau de insatisfação com sua saúde mental e bem-estar, frente a 45% dos homens. Entre os jovens, os índices são ainda mais elevados. Profissionais de 18 a 24 anos e de 25 a 34 anos apresentam os piores indicadores, com 69% e 70%, respectivamente, avaliando sua saúde mental como regular ou ruim. Esses dados foram destacados no Webinar Tendências para o Terceiro Setor 2026 como um sinal de que o setor precisa repensar suas práticas internas se quiser manter equipes engajadas e sustentáveis. A NR-1 e o impacto direto na gestão das organizações Outro ponto central do debate foi a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A partir de maio de 2025, organizações com pessoas contratadas sob regime CLT passam a ter a responsabilidade de identificar, prevenir e gerenciar riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Entre os fatores de risco mais recorrentes, a pesquisa da Phomenta aponta: excesso de demandas e tarefas, indicado por 64% dos respondentes como principal fator de estresse; jornadas prolongadas e dificuldade de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho; ausência de reconhecimento e suporte institucional; conflitos interpessoais e condições precárias de trabalho. Os efeitos desse modelo aparecem nos sintomas relatados: 77% dos profissionais mencionam ansiedade como um dos principais impactos, e 64% relatam exaustão física. Durante o webinar, foi reforçado que o cumprimento da NR-1, embora necessário, não é suficiente para enfrentar um problema estrutural. O desafio está na revisão das práticas de gestão de pessoas, incluindo distribuição de tarefas, modelos de liderança, processos decisórios e a forma como o cuidado é incorporado, ou negligenciado, na cultura organizacional. Saúde mental como estratégia de sustentabilidade A pesquisa também evidencia que mais de 70% dos respondentes não percebem ações intencionais de suas organizações voltadas à promoção do bem-estar. Esse dado foi amplamente debatido no Webinar Tendências para o Terceiro Setor 2026, que destacou a urgência de transformar o cuidado em estratégia institucional. Entre as organizações que adotam ações voltadas à saúde mental, os profissionais citam iniciativas como atendimento psicológico, espaços de diálogo, formações, flexibilidade no trabalho e momentos de convivência. Ainda assim, esses esforços seguem sendo exceção, e não regra. No Terceiro Setor, cuidar da saúde mental das equipes deixou de ser um tema secundário. Trata-se de uma condição para a permanência das pessoas, para a qualidade do trabalho realizado e para a coerência entre missão institucional e práticas internas. A crise de saúde mental convida o setor a um exercício de autocrítica. Não é possível enfrentar desigualdades externas se, internamente, as relações de trabalho reproduzem exaustão, urgência permanente e invisibilização do cuidado. Em 2026, organizações que colocarem as pessoas no centro da gestão estarão mais preparadas para sustentar seu impacto social no longo prazo. Assista completo:
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