Dica Atados: Iniciativas de controle e combate ao impacto do coronavírus nas OSCs

28 de abril de 2020

O Atados se uniu a sua rede para desenvolver diversas iniciativas em nossa comunidade e pretende fortalecer novas formas de engajamento social.

Por Beatriz Basile de Carvalho – Coordenadora de relacionamento com ONGs e voluntários na Atados

Em tempos de expansão do Covid-19 tem surgido muitas demandas emergenciais, para as quais não estávamos preparados. E em pouco tempo, fomos forçados a nos reorganizar e nos conectar para que pudéssemos nos reinventar, pensando em soluções e formas de continuar apoiando nossos assistidos. 

O Atados se uniu a sua rede para desenvolver diversas iniciativas de controle e combate ao impacto do coronavírus em nossa comunidade e pretende fortalecer novas formas de engajamento social. Seja através de doações financeiras, doações de sangue, voluntariado à distância, voluntariado “Vizinho Amigo”, campanhas de mobilização, todas permitem que a população continue se engajando e apoiando o setor social. 

Nesse processo, temos identificado alguns pontos importantes:

Planejamento: precisamos refletir sobre algumas questões importantes, antes de começar a agir: O que a minha organização precisa para continuar atendendo? Quais as mudanças necessárias e possíveis para que possamos continuar atuando? Quais são os objetivos da minha organização nesse momento? Quem são as pessoas que formam a minha rede? Quem são os potenciais parceiros na comunidade, com os quais minha organização poderia se juntar para potencializar seu impacto? O que fazemos bem e que poderíamos contribuir com outras iniciativas? Quantas pessoas temos disponíveis para ação e quais as suas habilidades? Etc.

Conexões com redes: é momento de nos conectarmos, unirmos nossas forças, e entendermos que atuando em Rede somos mais fortes. Mapeie os projetos sociais que estão fazendo as mesmas coisas que você, e compartilhe habilidades, experiências, ideias, conquistas, e também as dores, juntos podemos ampliar nossa rede de contatos e compartilhar os resultados.
E reconhecer e nos comunicar com a nossa rede, também é muito importante. Quem é essa Rede? Todos que possam nos apoiar de alguma forma: colaboradores, atendidos e familiares, voluntários, apoiadores – doadores, conselheiros, fornecedores, parceiros, comunidade e comerciantes locais. E lembre-se, cada um desses atores carrega uma rede própria, que pode e dever ser acionada nesse momento. 

Comunicação: é muito importante que saibamos nos comunicar com essa rede e entender com o que cada um pode contribuir. Para que esse apoio seja possível, compartilhe o “sonho grande”, com clareza, objetividade e humanidade, o que você pretende com essa mobilização, e seja transparente em todas as suas ações. 

Use a tecnologia como aliada: em tempos de quarentena, é muito importante olhar para a tecnologia como uma possibilidade de vencer algumas barreiras, nos dar voz, exigir nossos direitos, nos conectar e compartilhar soluções. Existem milhares de possibilidades de atuação através dela.

As dificuldades são para todos, e precisamos ser solidários! Tomem todos os cuidados necessários nesse momento de coronavírus, e garantam a segurança e a saúde dos seus colaboradores, assistidos e parceiros. Sejam centralizadores de informações seguras e confiáveis, e repassem as recomendações do Ministério da Saúde para a sua rede.
 

Voluntariado remoto

Nossa principal forma de atuação é através do voluntariado, e é possível encontrar maneiras de se engajar remotamente. Podemos aproveitar o tempo de isolamento social para colocar a casa em ordem e melhorar alguns procedimentos internos: captação de recursos, captação de parcerias, organização do site e atualização de redes sociais, advogado, contabilidade, cursos à distância e muito mais. 

Veja AQUI mais dicas de voluntariado que pode acontecer remotamente:

Coordenador de voluntários

Se você está coordenando ou organizando alguma ação de voluntariado remoto, leia a seguir algumas recomendações importantes:

  1. Primeiro, identifique as demandas da organização, refletindo sobre os sonhos e desafios da organização: “Por que e para que eu preciso de voluntários?”
  2. Pensar em qual o perfil de voluntário que você precisa e que poderá apoiá-la nessas atividades: “Qual voluntário que eu preciso para desenvolver a atividade?”
  3. Acredite e comprometa-se com o voluntário!
  4. Planeje e estruture um processo para receber o voluntário. Monte um cronograma, com os prazos e entregas. É importante ter um programa com começo, meio e fim para melhorar o comprometimento! 
  5. Responda o voluntário com rapidez e de forma pessoal.
  6. Faça uma descrição clara do papel do voluntário. Conheça o voluntário, explique sobre a organização e sua atuação, alinhe as expectativas e explique com clareza qual é o seu papel, garantindo que todos realizem suas atividades para alcançar o objetivo comum. Compartilhe o cronograma, ferramentas e materiais necessários para a realização das atividades.
  7. Mesmo à distância, assine um termo de voluntariado com a descrição das atividades que serão realizadas pelo voluntário e a disponibilidade de tempo que será exigira.
  8. Faça uma planilha para gestão dos seus voluntários. Coloque os nomes e contatos dos voluntários, suas entregas e comprometimento. Quando a situação de emergência terminar, você poderá agradecê-los de forma especial!
  9. À distância é um pouco mais difícil manter a motivação dos voluntários, por isso: estabeleça uma comunicação clara e constante, dê espaço para que o voluntário possa trazer novas ideias e sugestões para a organização, reconheça os trabalhos e compartilhe os resultados. 
Esperamos que você goste, e principalmente, que consiga utilizar essas dicas para ampliar a sua rede de gente boa.

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Quem trabalha em ONG sabe que a comunicação costuma ser o pratinho que mais cai. Com tantas atividades executadas ao mesmo tempo, a estratégia acaba ficando para trás porque o operacional consome todo o dia. Mas o uso da Inteligência Artificial (IA) tem mostrado que dá para mudar esse cenário. Esse foi um dos temas centrais do Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica (FIFE 2026), o principal encontro sobre gestão do Terceiro Setor no Brasil. O debate focou em como a tecnologia pode organizar processos e liberar tempo para o que realmente importa. O cenário brasileiro é curioso: de um lado, a OpenAI aponta que o Brasil é o terceiro país que mais usa o ChatGPT no mundo (atrás apenas de EUA e Índia), com cerca de 140 milhões de mensagens diárias enviadas por aqui. Por outro lado, o uso estratégico nas ONGs ainda engatinha. Um levantamento do IDIS com mais de 1,5 mil organizações revela que 62% delas ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Ou seja, a tecnologia está na nossa mão, mas o setor social ainda está descobrindo como transformá-la em aliada da gestão. Para tirar proveito real dessas ferramentas, o segredo é o jeito que você as alimenta. Durante a palestra de Marco Iarussi, publicitário social e fundador da Curta Causa, aprendemos que o "treinamento" que você dá à IA é o que define se o resultado será genérico ou útil. Mão na massa: Passo a passo para montar seu plano com IA Para a IA aprender sobre a sua realidade e não entregar respostas vazias, siga este roteiro: 1. Não mude de conversa Escolha um único chat para tratar do seu plano de comunicação, seja no ChatGPT, Gemini ou Claude. Se você abre uma conversa nova toda vez, a IA "esquece" o contexto. Mantendo o mesmo canal, ela guarda o histórico e entende as necessidades específicas da sua organização. 2. Dê informações reais Antes de pedir o plano completo, descubra o que a IA já "pensa" sobre você. Isso serve para corrigir erros e fornecer dados que ela ainda não tem. Prompt: "O que você sabe sobre a causa [inserir sua causa] e o que conhece sobre o trabalho da [nome da sua ONG]?" 3. Alinhe o que é um plano de verdade Veja se o robô entende o seu universo. Se ele tiver uma visão muito comercial, o plano parecerá uma propaganda de loja, o que não funciona para o setor social. Prompt: "Para você, o que não pode faltar em um plano de comunicação para uma ONG? Liste os pontos principais." (Leia e diga o que você concorda ou não). 4. Descubra o que ninguém está falando Use a ferramenta para encontrar novos ângulos e sair do óbvio. Prompt: "O que o pessoal mais fala sobre [sua causa] hoje? E o que você acha que ainda não foi dito, mas que ajudaria as pessoas a entenderem melhor o nosso impacto?" 5. Peça o plano prático Agora que o chat está treinado, peça a estrutura final. Prompt: "Com base em tudo o que já conversamos aqui, monte um calendário de 30 dias para as nossas redes sociais. O foco deve ser [ex: prestação de contas ou atrair novos voluntários]." Onde entra a ética e o seu papel Usar a tecnologia para facilitar o dia a dia é inteligência de gestão, mas exige cuidado. A IA serve para fazer o primeiro rascunho e organizar as ideias, mas a palavra final, a conferência dos dados e o olhar humano sobre a causa precisam ser seus. O objetivo é automatizar o que for repetitivo para que você tenha fôlego. Com a comunicação organizada, sobra tempo para construir relacionamentos de verdade e focar no que nenhuma máquina substitui a confiança e o olho no olho com quem apoia a sua organização. 
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