Boas práticas para engajamento e gestão da equipe à distância

16 de fevereiro de 2021

Por Patrícia Fernandes e Sarah Sampaio

Segundo o estudo “Impacto da Covid-19 nas OSCs Brasileiras”, 73% das organizações  relataram que foram impactadas pela crise ocasionada pela pandemia.

Um dos grandes desafios enfrentados foi a rápida necessidade de mudança para a forma de trabalho remota e digital, impulsionada pelo distanciamento social. O obstáculo foi especialmente maior para aqueles que não possuíam familiaridade com ferramentas digitais ou um bom acesso à internet. Contudo, tal desafio apenas  evidenciou e elevou a escala de processos que já vinham ocorrendo na sociedade, como a digitalização das organizações  e a adesão ao trabalho remoto. 

Um dos grandes desafios enfrentados foi a rápida necessidade de mudança para a forma de trabalho remota e digital, impulsionada pelo distanciamento social. O obstáculo foi especialmente maior para aqueles que não possuíam familiaridade com ferramentas digitais ou um bom acesso à internet. Contudo, tal desafio apenas  evidenciou e elevou a escala de processos que já vinham ocorrendo na sociedade, como a digitalização das organizações  e a adesão ao trabalho remoto. 


A mudança para o digital estabelece-se como uma tendência, podendo ser vista como uma mudança permanente nas rotinas de trabalho. Dessa forma,  há um dilema que persiste e se torna cada dia mais atual:
como tornar mais eficiente a gestão à distância e manter o engajamento da sua equipe ? Pensando neste desafio, preparamos este artigo com os principais problemas que as OSCs  enfrentaram desde o início da crise em relação à gestão da equipe e trouxemos algumas dicas e aprendizados para os empreendedores do terceiro setor. 


Quais foram os principais desafios enfrentados? 

A escassez de recursos pode limitar o acesso a computadores ou notebooks para a equipe, muitas organizações ainda trabalham com as documentações e arquivos dos atendidos em papel, guardados em gavetas. 


A comunicação que costumava ser feita pessoalmente, nos corredores, ou mesmo em momentos de pausa para um cafezinho, precisou de uma nova formalização no meio digital, muitas vezes trazendo um excesso de reuniões ou o oposto, a falta de alinhamento e direcionamentos.


A própria atuação de muitas organizações se transformou e passou a ter muitas vezes até 100% de suas atividades voltadas à atividades assistenciais, gerando certa angústia na equipe e no voluntariado por não estar conseguindo desempenhar as funções para as quais se inscreveu ao começar seu trabalho na OSC. 


Para aqueles que puderam trabalhar de casa, o equilíbrio entre trabalho e família, especialmente para quem cuida da casa e dos filhos, se tornou uma linha mais tênue do que já era antes da crise. Em geral, sendo as mulheres as principais afetadas por esta dupla carga de trabalho. 


E isso tudo, sem falar nos casos de depressão e ansiedade, consideradas os males do século mundialmente, os quais aumentaram e foram agravados pela crise. Os efeitos desse cenário podem trazer impactos significativos tanto para vida pessoal quanto profissional de sua equipe. 


Com tudo isso, quais são os aprendizados para gestão da equipe em trabalho remoto? 


Cada vez mais precisamos nos preparar para a mudança, o mundo está cada vez mais volátil. Trabalhar com foco na pessoa, seja ela o atendido, funcionário, voluntário ou parceiro, tem sido um dos caminhos mais apontados para acompanhar as transformações. 


Liderança humanizada

Um dos pontos que a autora Brené Brown mais traz para nossa atenção neste mundo volátil parece algo simples, porém muitas vezes esquecido: somos todos humanos. O líder não é um super-herói (apesar de muitas vezes agir como um, especialmente no 3º setor), ninguém consegue estar 100% bem o tempo todo, isso é uma ilusão. Mostrar seus erros, sua vulnerabilidade, abre espaço para uma cultura mais transparente e aberta a novas oportunidades e riscos. Se as pessoas podem errar, e isso é visto como um aprendizado, elas buscarão novas melhorias para a organização, com menos medo de serem repreendidas se errarem, já que o erro passa a ser visto como algo construtivo.


A escuta ativa e a preocupação holística com seus funcionários é essencial. Mais do que nunca, o pessoal e o profissional estão juntos, entender como seu funcionário ou voluntário está o fará se sentir cuidado e parte da família que é sua Organização. As pessoas estão com medo, a mudança gera ansiedade e é preciso levar em conta como cada um está antes de tomar seu próximo passo ou exigir demais de sua equipe. 


Comunicação e transparência

A comunicação no meio digital, por meio de texto, pode ser um grande aliado e também um inimigo! Você nunca sabe em que tom de voz a pessoa do outro lado irá ler sua mensagem, por isso, o cuidado deve ser redobrado. Releia sempre suas comunicações de texto, especialmente se você não estiver em um bom momento, você não está ao lado da outra pessoa para se explicar caso ela entenda errado. 


Cuidado também com a falta de comunicação, reuniões constantes de alinhamento entre a equipe ajudam a substituir aquela conversa no corredor ou aquele pedido de ajuda que acontecia espontaneamente. Alinhamentos ajudam a ser mais transparente, e os feedbacks são seus grandes aliados. Não deixe as coisas irem se acumulando, marque conversas individuais, peça feedbacks e mostre-se aberto para ouvi-los.


Para ajudar na transparência vocês podem utilizar ferramentas como o Google Agenda (ou outras similares), em que cada um pode ver no que o outro está trabalhando e se programar para não pedir demais para quem já está sobrecarregado. Como gestor, você tem uma visualização geral das atividades da equipe e pode também disponibilizar horários em sua agenda para tirar dúvidas e conversar com quem precisa.

Confiança e Compromisso

Confie na sua equipe! Você não precisa controlar cada passo de cada liderado seu, designe tarefas de forma clara, pergunte se a outra pessoa entendeu, mostre o que você espera que seja o resultado e confie que ela fará o trabalho. 


A falta de confiança com quem está trabalhando fora de casa só gera estresse e ansiedade para os dois lados. Se você é funcionário ou voluntário, fique atento a seus compromissos, aproveite da sua autonomia para organizar seu tempo de acordo com suas responsabilidades e priorize as atividades de acordo com urgência e impacto.


E lembre-se: se não estiver dando conta, seja transparente, converse com seu time e peça apoio. 


Reconhecimento

Reconhecimento é um grande potencializador da motivação e engajamento de sua equipe! Ele pode vir em forma de pequenas comemorações em relação ao trabalho do grupo ou alguma atitude assertiva, isso encoraja mais condutas positivas, mantendo a cultura organizacional viva. 


Você pode também aproveitar os momentos de reuniões para que os membros da equipe apresentem o que fizeram nos últimos 15 dias, gerando um compromisso com o grupo. O importante é não deixar os bons resultados e bons momentos passarem! 


Aliado ao reconhecimento estão os impactos e resultados de sua organização. Mostre como as ações realizadas naquela semana ou dia impactaram a vida das pessoas e da OSC. Não hesite em mostrar os resultados do mês e pensar junto com a equipe quais as próximas estratégias e metas do time. Toda atividade de cada pessoa da organização  precisa fazer sentido para o todo e estar contribuindo para os resultados, mostre isso para as pessoas, elas precisam saber que seu trabalho importa. 


Ambiente de trabalho

Será que seu voluntário não está participando muito pois não tem acesso à internet? Você já parou para perguntar se seu funcionário tem as ferramentas que possibilitam a ele realizar um trabalho adequado? Ele está confortável com o trabalho digital? Pergunte às pessoas o que elas precisam, qual a realidade de cada uma e veja como pode ajudar. 


Momentos de descontração

Aclamados por todos, os momentos de descontração precisam continuar no modelo online, especialmente se você está trabalhando com jovens, o sentimento de grupo precisa ser revivido de vez em quando. A conexão entre pessoas é o elo mais forte a ser construído e é seu grande aliado na motivação da equipe em épocas difíceis. Com laços fortalecidos, cada um entende melhor a realidade do outro, aumenta a empatia entre o time e previne possíveis nichos criados entre diferentes grupos. 


Descubra as potencialidades 

Busque com seus voluntários e funcionários entender quais são os pontos fortes e fracos de cada um, descubra o potencial que você tem em sua organização  e não deixe de utilizá-lo! Alguém que está fazendo um trabalho muito aquém de suas capacidades poderá facilmente se desengajar e deixar a organização. Mostre desafios para a equipe e deixe-os escolher em quais gostariam de se envolver. 


Saúde Mental

Mais do que nunca, a saúde mental deve estar sempre na mente das pessoas. Entenda seus limites, estabeleça momentos para si mesmo de descanso, e fale quando precisar de ajuda, isso incentivará sua equipe a fazer o mesmo! Se tiver recursos, busque oferecer ações para saúde mental de sua equipe na Organização. Não se esqueça, uma conversa franca e acolhedora pode mudar o dia de uma pessoa. 


Qual é a síntese de tudo isso ?

Se você leu até aqui deve ter percebido o tema central presente em toda dica: o foco na pessoa. Como sempre falamos na Phomenta, é essencial o foco no usuário; estar próximo do atendido, funcionário, parceiro ou voluntário, te auxilia a enxergar as novas tendências de forma rápida. 


Nossa sociedade está mudando cada vez mais rápido e a inovação passa a ser item necessário para sobreviver e crescer neste mundo, por isso, esteja sempre aberto a ouvir sua equipe e a promover uma cultura aberta aos erros. Os resultados irão te surpreender.



Inscreva-se na nossa Newsletter

Últimas publicações

Por Instituto Phomenta 14 de maio de 2026
Quem trabalha em ONG sabe que a comunicação costuma ser o pratinho que mais cai. Com tantas atividades executadas ao mesmo tempo, a estratégia acaba ficando para trás porque o operacional consome todo o dia. Mas o uso da Inteligência Artificial (IA) tem mostrado que dá para mudar esse cenário. Esse foi um dos temas centrais do Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica (FIFE 2026), o principal encontro sobre gestão do Terceiro Setor no Brasil. O debate focou em como a tecnologia pode organizar processos e liberar tempo para o que realmente importa. O cenário brasileiro é curioso: de um lado, a OpenAI aponta que o Brasil é o terceiro país que mais usa o ChatGPT no mundo (atrás apenas de EUA e Índia), com cerca de 140 milhões de mensagens diárias enviadas por aqui. Por outro lado, o uso estratégico nas ONGs ainda engatinha. Um levantamento do IDIS com mais de 1,5 mil organizações revela que 62% delas ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Ou seja, a tecnologia está na nossa mão, mas o setor social ainda está descobrindo como transformá-la em aliada da gestão. Para tirar proveito real dessas ferramentas, o segredo é o jeito que você as alimenta. Durante a palestra de Marco Iarussi, publicitário social e fundador da Curta Causa, aprendemos que o "treinamento" que você dá à IA é o que define se o resultado será genérico ou útil. Mão na massa: Passo a passo para montar seu plano com IA Para a IA aprender sobre a sua realidade e não entregar respostas vazias, siga este roteiro: 1. Não mude de conversa Escolha um único chat para tratar do seu plano de comunicação, seja no ChatGPT, Gemini ou Claude. Se você abre uma conversa nova toda vez, a IA "esquece" o contexto. Mantendo o mesmo canal, ela guarda o histórico e entende as necessidades específicas da sua organização. 2. Dê informações reais Antes de pedir o plano completo, descubra o que a IA já "pensa" sobre você. Isso serve para corrigir erros e fornecer dados que ela ainda não tem. Prompt: "O que você sabe sobre a causa [inserir sua causa] e o que conhece sobre o trabalho da [nome da sua ONG]?" 3. Alinhe o que é um plano de verdade Veja se o robô entende o seu universo. Se ele tiver uma visão muito comercial, o plano parecerá uma propaganda de loja, o que não funciona para o setor social. Prompt: "Para você, o que não pode faltar em um plano de comunicação para uma ONG? Liste os pontos principais." (Leia e diga o que você concorda ou não). 4. Descubra o que ninguém está falando Use a ferramenta para encontrar novos ângulos e sair do óbvio. Prompt: "O que o pessoal mais fala sobre [sua causa] hoje? E o que você acha que ainda não foi dito, mas que ajudaria as pessoas a entenderem melhor o nosso impacto?" 5. Peça o plano prático Agora que o chat está treinado, peça a estrutura final. Prompt: "Com base em tudo o que já conversamos aqui, monte um calendário de 30 dias para as nossas redes sociais. O foco deve ser [ex: prestação de contas ou atrair novos voluntários]." Onde entra a ética e o seu papel Usar a tecnologia para facilitar o dia a dia é inteligência de gestão, mas exige cuidado. A IA serve para fazer o primeiro rascunho e organizar as ideias, mas a palavra final, a conferência dos dados e o olhar humano sobre a causa precisam ser seus. O objetivo é automatizar o que for repetitivo para que você tenha fôlego. Com a comunicação organizada, sobra tempo para construir relacionamentos de verdade e focar no que nenhuma máquina substitui a confiança e o olho no olho com quem apoia a sua organização. 
Por Camila Pasin 30 de abril de 2026
Empresas brasileiras deixaram de ser apenas financiadoras e se tornaram plataformas de engajamento. Entenda como transformar uma simples doação em uma verdadeira aliança de impacto.
Por Gabriel Pires 9 de abril de 2026
Minha OSC precisa de um código de ética? No terceiro setor, valores sem regras claras podem gerar conflitos e riscos. Entenda por que o código de ética é essencial para a gestão das OSCs.
Por Mayda Companhone 26 de março de 2026
Saiba o que a economia digital ensina sobre microdoações e como pequenos valores podem gerar impacto real nas organizações sociais.
Por Geraldo Barros 11 de março de 2026
O terceiro setor brasileiro vive hoje um dos momentos mais decisivos de sua história recente. As transformações que já estão em curso não são pontuais nem passageiras — elas se consolidam e se aprofundam rumo a 2026, redesenhando a forma como as organizações da sociedade civil atuam, se financiam, se articulam e demonstram impacto. A primeira grande virada é a transformação digital. Processos que antes dependiam exclusivamente de papel, planilhas dispersas e controles manuais migraram para ambientes digitais, trazendo mais eficiência, transparência e capacidade de gestão. Mas essa digitalização, por si só, não resolve tudo. Ela precisa vir acompanhada de qualificação da gestão, algo cada vez mais exigido por financiadores e parceiros. Investidores estão mais atentos a resultados, métricas claras, avaliação contínua e demonstração de impacto no curto e no longo prazo. Nesse contexto, a tecnologia deixou de ser apenas um apoio operacional e passou a ocupar um papel estratégico. Ferramentas de computação em nuvem, automação de processos e sistemas de gestão já impactam profundamente a comunicação e a administração das organizações. E, sem dúvida, a Inteligência Artificial é o próximo grande divisor de águas. A IA já é uma realidade acessível ao terceiro setor, mas ainda pouco dominada de forma qualificada, segura e estratégica. Existe um enorme potencial para geração de conhecimento, análise de dados, automação, pesquisa e avaliação de projetos. É possível, por exemplo, utilizar ferramentas de IA para analisar evidências científicas, apoiar processos de avaliação, medir resultados e até realizar auditorias internas de gestão. Ainda assim, o setor carece de investimento em formação, treinamento e desenvolvimento de soluções de IA criadas pelo terceiro setor e para o terceiro setor. Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer um desafio estrutural: muitas organizações de base, especialmente em territórios periféricos, ainda têm dificuldade de incorporar tecnologia às suas soluções. Não por falta de visão, mas por falta de acesso à educação, à formação técnica e a investimentos sociais. É comum vermos tecnologias avançadas sendo desenvolvidas por startups e organizações de impacto, enquanto quem atua diretamente no território não dispõe dos recursos necessários para utilizá-las. Sem articulação, essa equação não fecha. Por isso, outra tendência que se consolida é a valorização de redes, consórcios e articulações territoriais. Organizações que atuam de forma isolada tendem a ter mais dificuldade de acessar investimentos. Financiadores buscam cada vez mais iniciativas coletivas, capazes de envolver múltiplos atores, setores e saberes. A experiência mostra que articular financiamento privado, cooperação técnica com o poder público e o engajamento de organizações de base é um caminho consistente para gerar impacto real e sustentável. Nesse novo cenário, o uso de dados e evidências deixou de ser opcional. A atuação precisa ser responsiva às necessidades reais dos territórios, e isso só é possível por meio da observação sistemática, da geração cidadã de dados e da tomada de decisões baseadas em evidências. O investimento social privado no Brasil amadureceu — e espera projetos bem estruturados, com governança sólida e clareza de resultados. É impossível falar de inovação sem falar de ética. Tecnologias como a Inteligência Artificial precisam ser desenvolvidas e utilizadas com base em princípios claros: respeito à privacidade e à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), justiça social, mitigação de vieses discriminatórios, controle social sobre dados e sistemas, segurança da informação e responsabilidade ambiental. O impacto climático da tecnologia, muitas vezes invisível, também precisa entrar na equação. Regulamentação e compromisso das empresas e investidores são indispensáveis. O financiamento das organizações também passa por mudanças relevantes. Doações online, campanhas como o Dia de Doar, cessão de tecnologias e licenças por empresas e, sobretudo, o fortalecimento dos mecanismos de incentivo fiscal têm ampliado as possibilidades de sustentabilidade. Quando uma empresa direciona parte de seus impostos para projetos sociais no território onde atua, o recurso retorna diretamente para a comunidade, em forma de educação, inovação e oportunidades. Isso fortalece a democracia e aproxima o investimento social da vida real das pessoas. As parcerias intersetoriais, aliás, tendem a se tornar ainda mais estratégicas. Políticas de ESG impulsionaram empresas a assumirem compromissos mais concretos com impacto social e ambiental. Quando essa agenda sai do discurso e se traduz em atuação no território, com cooperação técnica e investimento de longo prazo, os resultados são muito mais consistentes. Diante de um cenário marcado por polarização política e desinformação, o papel das organizações da sociedade civil também se amplia. Educação midiática, consumo crítico da informação e inclusão digital são hoje pilares da defesa da democracia. Eu acredito que capacitar pessoas em habilidades digitais é também fortalecer sua capacidade de participação cidadã. O terceiro setor está, sim, mais profissionalizado — e isso é necessário. O desafio é garantir que essa profissionalização não signifique distanciamento das bases sociais, mas sim mais impacto, mais escuta e mais transformação concreta nos territórios. Para as lideranças do setor, 2026 exigirá competências cada vez mais complexas: análise de dados, gestão de pessoas, captação diversificada de recursos, comunicação transparente, prestação de contas e capacidade de construir parcerias estratégicas entre diferentes setores. Mais do que nunca, impacto social será resultado de articulação, evidência e compromisso real com quem está na ponta. 
Por Kamilly Oliveira 9 de março de 2026
Não é novidade que iniciativas culturais de territórios do Norte e Nordeste enfrentam desafios estruturais para acessar recursos e ampliar seu impacto. Dados de um levantamento realizado pela Iniciativa Pipa, em parceria com o Instituto Nu, mostram que 31% das organizações periféricas de cultura e educação operam com orçamento anual de até R$ 5 mil, enquanto 58% funcionam de forma totalmente voluntária, sem equipes remuneradas. Nesse cenário, a captação de recursos e o acesso a editais seguem como obstáculos frequentes. É a partir dessa realidade que nasce o Phomentando a Cultura: um programa apresentado pelo Ministério da Cultura, Governo do Brasil - ao lado do povo brasileiro, com patrocínio Nubank via Lei Rouanet. Este é um projeto voltado ao fortalecimento de fazedores e trabalhadores da cultura que atuam em organizações, coletivos, grupos, pontos e pontões culturais das regiões Norte e Nordeste. Formação prática para estruturar projetos culturais O Phomentando a Cultura tem como objetivo apoiar iniciativas culturais que já atuam em seus territórios, mas que precisam organizar melhor seus projetos, entender o que os editais realmente avaliam e se preparar para o credenciamento na Lei Rouanet e outros editais de fomento à cultura. Ao longo do programa, os participantes têm acesso a uma jornada de aceleração online, gratuita e acessível, com foco em: Organização e estruturação de projetos culturais Leitura estratégica de editais Preparação para o credenciamento de projetos na Lei Rouanet Orientações para ampliar as chances em editais estaduais, municipais e seleções de empresas, incluindo a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) A proposta é identificar o que costuma travar a aprovação de projetos e orientar ajustes possíveis dentro da realidade de cada iniciativa. Aceleração com orientação e acompanhamento Diferente de formações genéricas, o programa oferece orientação técnica e acompanhamento, com revisão de documentos, análise de gargalos e direcionamentos para que as organizações consigam avançar em processos de seleção e captação. Os encontros são pensados para quem vive a cultura no dia a dia e precisa de informações objetivas, sem linguagem técnica excessiva ou soluções distantes da realidade dos territórios. Presença nos territórios: caravana pelo Norte e Nordeste Nesta primeira edição, o Instituto Phomenta também promove uma caravana presencial, com eventos de lançamento, conexões e troca de aprendizados em 10 cidades: São Luís (MA) Macapá (AP) Santarém (PA) Olinda (PE) Manaus (AM) Porto Velho (RO) Rio Branco (AC) Teresina (PI) Salvador (BA) Fortaleza (CE) Os encontros presenciais são abertos a fazedores de cultura locais e fazem parte da estratégia de aproximação com os territórios. É a chance de entender ainda melhor o que o programa oferece. A agenda completa pode ser consultada no site. Quem pode participar Mesmo quem não estiver nas cidades visitadas pela caravana pode se inscrever no Phomentando a Cultura. O programa é voltado para: Organizações, coletivos, grupos, pontos ou pontões de cultura sediados em cidades do Norte e Nordeste Pessoas que desenvolvem atividades culturais de forma contínua e impactam seus territórios Inscrições abertas  O Phomentando a Cultura é uma oportunidade gratuita para quem quer fortalecer sua atuação cultural, estruturar melhor seus projetos e ampliar o acesso a recursos. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo link: https://www.phomenta.com.br/phomentando-a-cultura
mostrar mais

Participe do nosso grupo no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão

Entrar para o grupo