Além do corpo: os benefícios dos exercícios físicos para agentes de transformação social

28 de julho de 2023

Este conteúdo foi produzido por Sara Dias

Se tem uma coisa que eu tenho certeza que você já ouviu falar é que exercícios físicos são essenciais para a saúde e é recomendado para toda e qualquer tipo de pessoa. 

Não seria diferente para nós, do setor da mudança social.


Mas, calma. Antes de iniciar as autocobranças quanto à sua assiduidade na academia ou aos números a mais na balança, vamos refletir sobre outras perspectivas.


Exercício físico e desempenho cognitivo


É comum pensarmos que quando realizamos atividades que mobilizem nosso corpo, apenas aspectos físicos recebem seus efeitos positivos como, por exemplo, a melhora na capacidade cardiovascular, o fortalecimento dos ossos e dos músculos, a redução da pressão arterial, entre outras.


Porém, pesquisadores como o professor de psiquiatria Richard Maddock, da Universidade da Califórnia, se dedicam há décadas para comprovar os benefícios no desempenho cognitivo que obtemos com a prática das atividades corporais. Maddock explica: “Seu cérebro se torna extremamente ativo durante o exercício, talvez mais ativo do que em qualquer outro momento. A comunicação entre neurônios ocorre por meio de pulsos elétricos, e redes inteiras de neurônios podem disparar em uníssono, como uma torcida de futebol cantando em um jogo”.


Esse intenso movimento cerebral resulta na melhoria da capacidade de planejamento, memória, processamento de informação, tomada de decisão, criatividade, dentre outros aspectos cognitivos.


Precisamos de tudo isso para potencializar os impactos de nossa causa, certo?


Como o exercício físico melhora a função cerebral e a memória?


E quanto a longevidade?


Girlene Costa, educadora física e educadora social na cidade de Campinas e Valinhos-SP, ao falar sobre os efeitos dos exercícios físicos em nossa saúde, ressalta: “Na idade em que estamos, após os 30 anos, o objetivo de ir a uma academia não é para ter um corpo malhado e ir desfilar na praia, mas é a de investir na qualidade de nosso envelhecimento. Que tipo de terceira idade você quer ter? Pois eu, aos 80, quero continuar com a minha autonomia, carregando minhas sacolas do mercado, subindo as escadas e realizando minhas caminhadas na praça”.


A preocupação de Girlene é válida já que nossa perspectiva de longevidade está aumentando. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022), a expectativa de vida da população geral brasileira subiu para 77 anos. Porém, com o avanço da idade, algumas comorbidades são mais frequentes na vida da pessoa idosa e, se somados ao sedentarismo, esse processo natural tende a diminuir significativamente sua capacidade funcional, deixando o indivíduo dependente de familiares, amigos e/ou enfermeiros, na realização de tarefas diárias.


As pessoas estão vivendo mais, isso significará um maior tempo de trabalho?


A poderosa sensação de bem-estar


Pouca gente sabe, mas sou educadora física por formação. No entanto, apesar da formação científica e acadêmica, minha visão a respeito dos benefícios das práticas corporais é quase lúdica. 


Quando penso naquela sensação de bem-estar que sentimos logo após dançar, correr ou praticar algum esporte, imagino aquela imensidão de hormônios inundando e se espalhando por nossa corrente sanguínea. Uma boa analogia seria quando, em filmes, vemos os processos químicos que ocorrem nos momentos de transformações dos super-heróis e heroínas. No filme do Homem-Aranha, de 2002, estrelado por Tobey Maguire, por exemplo, podemos assistir uma simulação de como isso acontece, logo após Peter Parker ser picado pela aranha.


É como se eu pudesse observar tudo que ocorre internamente, antes que se transforme em sorrisos, risadas e sentimentos de satisfação.


E como isso pode afetar o mundo ao nosso redor?


Em suas pesquisas para UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), Francisco Werneck afirma que: “[...] a prática regular da atividade física está associada a diversos benefícios psicológicos, como menor reatividade ao estresse, diminuição da ansiedade, depressão e hostilidade, melhoria do humor, do autoconceito e do bem-estar psicológico, tanto em pessoas saudáveis quanto em pacientes clínicos”. O que nos faz crer que essa prática de autocuidado pode minimizar os efeitos do estresse contínuo que os agentes de transformação social estão expostos.


Isso impactará diretamente em suas relações no trabalho ou na vida pessoal, já que uma pessoa com bom-humor lida melhor com os que estão a sua volta.



E nas ONGs?


E por falar em habilidades sociais, há quem encontre nas atividades físicas realizadas em grupos uma motivação para sua continuidade. Desta forma, seria pertinente que as organizações pudessem pensar em atividades físicas que envolvessem os colaboradores.


Girlene Costa conta que já tentou organizar esses tipos de iniciativas nas ONGs em que trabalhou, porém, infelizmente, não encontrou incentivo por parte da liderança. Ela comenta: “A gestão quer que você trabalhe o máximo de tempo em que está dentro da instituição, não é prioridade para eles o bem-estar dos colaboradores. Você precisa estar com as crianças e adolescentes o tempo todo.”


Por aqui, seguimos buscando bons exemplos de organizações que podem e estão fazendo diferente. Se você vivenciou iniciativas positivas nesse sentido, não deixe de compartilhar. 


Finalizamos, sugerindo a leitura descontraída do “
Manifesto pelo bem-estar dos empreendedores das ONGs” para lembrar que você é o seu maior bem. Se cuide.

Ler o Manifesto


Sara Dias é Prof.ª Mestra em Artes da Cena pela UNICAMP e Instrutora de Yoga, atua como educadora social desde 2006 e atualmente desenvolve projetos relacionados ao bem-estar no terceiro setor. 



Contato: saradias.ds@gmail.com


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Manter uma Organização da Sociedade Civil (OSC) de portas abertas no Brasil é um desafio diário de sobrevivência. Historicamente, a sustentabilidade financeira é o maior gargalo do terceiro setor, mas, frente ao montante de trabalho e às obrigações do dia a dia, ainda não conseguimos olhar para ela de forma estratégica. Assim, tratamos a busca por recursos como um evento de última hora, e não como um processo diário. Os dados do setor desenham um cenário alarmante sobre a estrutura das organizações brasileiras. Segundo a pesquisa da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR)*, 37% dos respondentes apontam como a maior dificuldade da captação a necessidade de dividir o tempo com outras demandas da instituição. Na maioria dos casos, a função é acumulada pela diretoria ou por técnicos que já estão sobrecarregados com a operação na ponta. O resultado é um ciclo vulnerável, especialista em "apagar incêndios": uma corrida desesperada contra o tempo para preencher formulários complexos apenas quando o caixa já entrou no vermelho. Diante dessa escassez crônica de tempo, a Inteligência Artificial (IA) passou a ser uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para viabilizar a sustentabilidade institucional, mas poucas organizações ainda sabem como usá-la. A maioria das ONGs usa IA sem estratégia A rotina ideal de captação exige monitoramento constante do mercado, leitura minuciosa de editais, adequação técnica de propostas e relatórios rigorosos de prestação de contas. Mas você leu bem: ideal . Não é o que temos à mão no dia a dia. Para equipes enxutas, a IA se tornou o caminho para assumir essa carga operacional. Na captação de recursos, a máquina atua — ou deveria atuar — como um copiloto técnico: fazendo a triagem de diretrizes complexas e adaptando a linguagem de projetos para diferentes perfis de financiadores, devolvendo ao profissional o tempo necessário para pensar estrategicamente. Porém, de acordo com o levantamento do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) , feito com mais de 1,5 mil organizações, 62% assumem que ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Vivemos em uma constante urgência para adotar a tecnologia, mas o pouco background gerou um uso amador e desordenado. Um mapeamento recente conduzido também pelo IDIS com mais de 500 entidades revelou que 95% das organizações sociais utilizam IA sem qualquer política ou orientação formal, e 75% dependem exclusivamente de ferramentas gratuitas de mercado. O risco aqui é que, com a soma da pouca estratégia e da falta de substância, as ONGs só consigam gerar, por meio da IA, propostas superficiais e desconectadas da realidade do território. São materiais incipientes, que podem levar à desclassificação imediata dos projetos pelos avaliadores dos editais. Como usar a IA a seu favor? Como resposta direta a esse cenário de equipes sobrecarregadas e necessidade de profissionalização tecnológica, a Fundação FEAC, com apoio do Instituto Phomenta, estruturou o projeto Captação com Causa. A iniciativa de 18 meses foi desenhada justamente para aplicar a IA como uma solução de sustentabilidade em 10 OSCs selecionadas de Campinas. Para combater o uso desordenado e a dependência de plataformas gratuitas apontados pelas pesquisas, o programa introduz no dia a dia das instituições bots customizados e programados especificamente para o contexto do terceiro setor. Em vez de soluções genéricas, as organizações ganham um sistema que filtra editais de forma preditiva e qualifica a escrita técnica das propostas, reduzindo drasticamente o tempo gasto na formatação dos projetos. O foco principal do projeto, que conta com um match funding de R$ 100 mil, é estruturar a captação como uma rotina viável. Por meio de assessoramentos individuais e coletivos, o programa prepara os profissionais para utilizarem a IA com postura crítica, garantindo que a tecnologia trabalhe a serviço da estratégia humana. Ao transformar a tecnologia em uma aliada, o Captação com Causa mira na mobilização de R$ 800 mil entre as participantes e na comprovação de que, com o método correto, a captação de recursos pode deixar de ser um susto sazonal e se tornar uma estratégia previsível, perene e sustentável. Quer saber mais sobre o Captação com Causa? Confira nosso último artigo! *Fonte: Censo ABCR
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