“Ah, comigo o mundo vai modificar-se. Não gosto do mundo como ele é.” - Carolina Maria de Jesus

22 de dezembro de 2022

Este conteúdo foi produzido por Susana Barbosa


Frases como essas nos impactam! Ainda mais quando sabemos que vem de uma mulher negra, pobre, mas que revolucionou a história, superando e vencendo todas as adversidades que a impediriam de ser quem foi e é Carolina Maria de Jesus. Carolina Maria de Jesus, foi uma das primeiras escritoras negras no Brasil, nascida em 14 de março de 1914 em Sacramento, Minas Gerais. A escritora viveu boa parte da sua vida na favela do Canindé, na zona norte de São Paulo, sustentando a si mesma e seus três filhos. Carolina era também cantora, poetisa e compositora. Sua maior obra é QUARTO DE DESPEJOS (1958), se você ainda não leu, eu recomendo a leitura. Não dá para atuar no terceiro setor, sem ter lido uma obra sequer de Carolina Maria de Jesus. Dentre suas obras, a frase que inicia vem do livro DIÁRIO DE BITITA (1986), onde Carolina Maria de Jesus documenta todo o seu esforço para sobreviver ainda quando criança encontrar trabalho, garantir a sobrevivência material e manter a dignidade em uma sociedade injusta e preconceituosa. 


Muito familiar este retrato não? Vemos isso diariamente nas comunidades periféricas onde atuamos. Mesmo após 45 anos da sua morte, este cenário social ainda se faz presente em nosso país. A população autodeclarada preta ou parda, faz parte de mais de 50% da população brasileira(2021, IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mas nós a encontramos sempre em lugares periféricos e com poucas alternativas de vida. Eu, atuando desde 2002 com projetos sociais, comprovo isso diariamente. Ouvir e ler frases como a de Carolina, nos impulsiona a lutarmos, para mudarmos a realidade social do nosso entorno. Do entorno onde a OSC (Organização da Sociedade Civil) está localizada. 


Vivemos em um celeiro de sonhos, sabia? Sim, a comunidade onde atuamos também sonha. Uma das dificuldades é que nem sempre tem opções de irem em busca dos seus sonhos, pois precisam sair da escola cedo e como Carolina, garantir o pão à sua mesa. Esses dias, em Guarulhos, SP, fomos a um evento com nosso grupo de educadores da Associação Ação Vida, e tivemos uma roda de conversa onde falamos sobre vida e morte. O mediador da roda de conversa, nos fez imaginar duas colunas e pensar o que seria vida e o que seria morte. Foi assustador o que foi relatado: morte(violência, fome, guerra, preconceito, injustiça, etc), vida(pão, generosidade, oportunidade, aprendizado, educação, saúde etc). Um dos educadores da Ação Vida, ao final da roda de conversa, veio falar comigo sobre a nossa responsabilidade diante das OSCs e os atendimentos que oferecemos às crianças, adolescentes e famílias. Eu também saí dali pensando e repensando em minhas ações como gestora de uma OSC. 


Precisamos cooperar para que o sonho dos nossos atendidos não morra! Como fazemos isso? Creio que não temos respostas fechadas, mas podemos começar com a escuta. Ouça os atendidos. Ouça os seus sonhos e tentemos juntos e em rede, cooperar para que o sonho não morra, afinal, devemos defender a vida e sonhos são vidas! Carolina de Jesus teve um sonho: mudar o mundo. E aqui estamos hoje citando-a em nosso texto. As suas letras ecoam no mundo. Da favela para o mundo. Um sonho, uma força, luta e conquistas!


O que fazer nas nossas comunidades? Contar histórias como a de Carolina de Jesus. Histórias que nos identificam e que podemos, sim, acreditar e incentivar os nossos atendidos, que, o mundo pode, sim, ser melhor e não estamos satisfeitos do jeito que ele está! Vamos juntos em 2023 despertar e incentivar sonhos e concretização deles!


Guarulhense, filha de dois baianos (José Deon e Maria Alice), casada com Roberto Matos, bacharel em Teologia (Universidade Metodista de São Paulo). Extensão em Projetos Sociais pela PUC-SP. Pós-graduação (gestão empresarial) e sociologia da educação. Gestora da Ação Vida desde 2012 e empreendedora social no Dicas3Setor.


Contato: dicas3setorong@gmail.com 


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Esse treino consiste em criar um perfil superdetalhado dentro do sistema, incluindo: O histórico da organização e as causas que ela defende; A região onde ela atua e o perfil das pessoas que ela atende; Dados locais e o impacto real que ela já gera no território. Quanto mais rico e detalhado for esse perfil, mais a IA se transforma em uma assistente exclusiva da causa. A partir daí, a máquina passa a escrever falando a mesma língua do financiador. Ela aprende a usar os termos técnicos que os avaliadores de editais procuram, cruza as palavras-chave exigidas e ajuda a encaixar a história da sua comunidade dentro das metas do orçamento. Falando a linguagem de quem investe Hoje em dia, as empresas e institutos que financiam projetos sociais mudaram a forma de avaliar as propostas. Eles não olham mais apenas para o número bruto de pessoas atendidas; eles querem ver o valor real do impacto gerado. Por isso, o projeto treina a IA para usar uma métrica chamada SROI (Retorno Social sobre o Investimento) . Para se ter uma ideia de como isso funciona: pesquisas do setor mostram que, para cada R$ 1 investido em projetos sociais por meio de incentivos fiscais no Brasil, cerca de R$ 7,59 retornam em benefícios reais para a sociedade e para a economia. Quando a IA é ensinada a cruzar os dados públicos da sua cidade (como pesquisas do IBGE) com o histórico de entregas da sua ONG, ela ajuda a provar matematicamente o valor do seu trabalho. O seu projeto deixa de parecer um "custo" para o investidor e passa a ser visto como um investimento seguro e transformador. O que muda na prática para as organizações? 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