Portal do Impacto como ferramenta de apoio aos gestores das ONGs

11 de novembro de 2020

A pandemia do Covid-19 e o isolamento social trouxeram à sociedade uma obrigatoriedade em se adaptar, se reestruturar para continuar de alguma forma em funcionamento. A Phomenta também precisou dessa reorganização para continuar levando da melhor forma possível a educação em gestão e inovação às ONGs. 


Após a Phomenta acomodar todos os seus colaboradores em home office com segurança, o próximo passo foi pensar em como continuar apoiando as ONGs mesmo em período de pandemia e isolamento. Em março, foi lançado o Portal do Impacto Coronavírus, um espaço com conteúdos diversos e gratuitos para apoiar as ONGs durante esse momento. Desde então, o Portal teve vários acessos, nos primeiros três meses, somou mais de 20 mil acessos e passou por algumas mudanças. Entendemos que as ONGs precisariam de conteúdos não só durante a pandemia, mas também no pós e o site passou a  se chamar somente Portal do Impacto.   


Foi muito importante todo esse processo de mudança do Portal, onde muitas organizações encontraram um ponto de apoio para trocar aprendizados com seus pares, entenderem seu processo de organização e como estavam lidando com esse momento de crise global. E é sobre um desses casos que viemos falar.


Maria Selma Pereira de Freitas, 49 anos, coordenadora do Projeto Promovida, participou durante dois anos do Programa Criança e Saúde, um projeto da Phomenta em parceria com o Instituto Sabin, e relatou um pouco sobre como o Portal do Impacto a ajudou em seu trabalho.

 

Em seu relato, Selma fala da importância do Portal do Impacto nesse momento de incertezas trazido pela pandemia, e que mesmo não participando de nenhum programa com a Phomenta no ano de 2020, ela não se sentiu sozinha, o Portal trouxe pra ela uma sensação de proximidade com a Phomenta. O que a ajudou passar por esse momento de crise, tanto pessoalmente quanto com a continuidade do seu trabalho na sua ONG.

 

“A minha relação com o Portal do Impacto é de confiança e esperança. A Phomenta nunca nos deixou sozinhos. As Instituições das mais simples às mais complexas em estrutura e organização, encontram espaço no Portal para se orientar e se informar. O Portal é o jornal eficaz das notícias do Terceiro Setor. Encontramos sempre conteúdos atualizados. Ainda sinto não poder acompanhar todas as propostas, mas aproveito o máximo que consigo e compartilho com os demais colegas da rede. Desde os primeiros momentos da pandemia, a Phomenta se importou com as Instituições como uma mãe que protege e acredita que os filhos têm horizontes para vislumbrar. Gosto de ouvir a Phomenta! Muito obrigada a essa equipe que pensa na gente!”, relata Selma.

 

 A Promovida é uma Instituição de Assistência Social que tem 22 anos de atuação, na cidade satélite de São Sebastião - DF. A Organização tem como missão, a diminuição e combate aos diversos níveis de pobreza; como material; afetiva e violação de direitos, por meio de serviços de convivência e fortalecimento de vínculos. Hoje, a instituição atende 217 crianças e adolescentes de 06 a 14 anos. 

 

Com o início da pandemia, alguns atendimentos presenciais foram suspensos, mas a Instituição não parou os seus trabalhos. Se reinventaram para assistir às crianças e suas famílias em suas casas, chegando a atender em média 750 pessoas. Foi mantido um grupo no whatsapp com 190 pessoas cadastradas para continuar o acompanhamento, inclusive da situação escolar. As pessoas que não conseguem acessar as plataformas de ensino remoto por algum motivo, recebem atendimento para apoio individual, e, com horário marcado e seguindo todas as medidas e recomendações de saúde, podem ir à Instituição para utilizar a sala de informática e realizar suas atividades com acompanhamento de um monitor. A Instituição também faz entrega de produtos de higiene e limpeza, cestas de alimentos e pães. A produção e distribuição de dois mil pães ocorrem semanalmente. 

 

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Por Nina Valentini • 3 de novembro de 2026
Imagine que você precisa fechar uma proposta de edital até sexta, mas falta o seguinte dado: ‘Quantas famílias vivem em insegurança alimentar no território onde sua organização atua?’ Você pergunta à IA e em segundos, ela devolve um número preciso, bem escrito, convincente. Você cola na proposta e segue para o próximo item. Mas, uma pergunta importa, você conferiu esse número? Se a resposta for não, você não está sozinho, e o alerta acaba de ganhar peso oficial. O novo relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), publicado este mês pela ONU, dedica seu capítulo especial exatamente a esse risco, o que acontece com as estatísticas (e com a confiança pública) quando a inteligência artificial vira a fonte padrão de respostas. Três pontos do relatório de 2026 dos ODS interessam diretamente a quem gere uma organização social: 1. A IA responde com convicção, mas nem sempre com dados reais. Segundo o relatório, os modelos de linguagem respondem a consultas sobre dados "frequentemente com base em informação desatualizada ou não verificada, em vez de estatísticas oficiais". Quando o dado oficial não existe, os sistemas preenchem a lacuna com extrapolações, "produzindo números que podem parecer oficiais enquanto mascaram incerteza significativa". Em bom português: a IA não costuma dizer "não sei". Ela inventa. 2. O risco não é só errar; é espalhar o erro. "Sem estatísticas oficiais confiáveis, a desinformação pode escalar mais rápido do que nunca", alerta o relatório. Um número inventado que entra numa proposta hoje pode reaparecer num relatório de atividades amanhã e num material de imprensa depois. 3. As fontes oficiais estão sob pressão, e é disso que a IA se alimenta. Todo país precisa de orçamento para produzir dados como censos, pesquisas e manter as estatísticas em dia. No Brasil, quem faz isso é o IBGE; em cada país, o instituto nacional de estatística. E o relatório mostra que essa engrenagem está sem combustível. Dos 135 países com um plano estatístico nacional em andamento em 2025, só 59% estavam totalmente financiados. Traduzindo: o mundo depende cada vez mais de dado confiável justamente quando ficou mais caro e mais difícil produzi-lo. Toda pesquisa que atrasa, todo levantamento que não sai, vira uma lacuna. E é exatamente nessa lacuna que a IA entra, preenchendo com número inventado. Além de alertar, a ONU também age, pois a base de dados dos ODS saltou de 115 para 233 indicadores entre 2016 e 2026. Há dez anos eram 330 mil registros; hoje são mais de 3,2 milhões. No Brasil, IBGE, DataSUS e o Mapa das OSCs (IPEA) estão a um clique de distância. Nunca houve tanta estatística oficial disponível, confiável e gratuita. Mas, nem sempre para a realidade local ou causa específica em que a sua organização atua. Por que isso bate na sua organização? O custo de um dado falso é desproporcional ao tamanho do erro e um número errado pode reprovar sua proposta num edital ou comprometer uma prestação de contas. Avaliadores experientes conferem fontes e os financiadores estão cada vez mais orientados a dados. Quem apresenta números verificáveis se diferencia; quem apresenta números bonitos sem origem checável acaba exposto. Como discute o artigo "O que o doador moderno espera das organizações sociais" , a transparência é um dos principais fatores para fortalecer a relação entre organizações e doadores. Afinal, confiança se constrói em anos e pode ser perdida em um único parágrafo. No terceiro setor, em que a inteligência artificial já está presente na rotina das organizações, o desafio não é mais a adoção da tecnologia, mas a sua governança. Dados divulgados pelo programa IA.3 – Inteligência Artificial para o Terceiro Setor apontam que 95% das organizações não possuem políticas ou orientações formais para o uso de IA. Em outras palavras, o risco está institucionalizado antes mesmo de ser percebido. A resposta não é abandonar a IA, é usá-la com regras. Quatro regras para usar IA em qualquer rotina 1. A IA redige; ela não é fonte. Todo número que entrar num texto precisa ter origem oficial nomeada: IBGE, Mapa das OSCs (IPEA), a base de dados dos ODS da ONU. A IA pode ajudar a encontrar e resumir; a fonte é sempre outra. 2. Peça a fonte e vá conferir no original. Pergunte à IA de onde saiu o dado. Se não houver link, documento ou publicação que você consiga abrir e verificar, o número não entra. Sem exceção. 3. Revisão humana obrigatória antes de compartilhar externamente. Qualquer texto com estatística (proposta, relatório, post) passa por uma pessoa que confere os números contra as fontes. Vinte minutos de revisão custam menos que uma reputação. 4. Tenha uma política de uso de IA, nem que seja de uma página. O que pode, o que não pode, quem revisa. Uma página resolve: o objetivo não é burocratizar, é garantir que toda a equipe siga o mesmo padrão. Confiança é a moeda O relatório mostra também que só 36% das metas avaliáveis estão no caminho certo ou com progresso moderado e a dívida externa dos países de baixa e média renda atingiu o recorde de US$ 8,9 trilhões em 2024. Mas há avanços reais, como a proteção social alcançando pela primeira vez mais da metade da população mundial. Quem doa, doa porque acredita, quem financia, financia porque confia no que a organização diz e nos números que divulga. Dados verificáveis são ativos de captação e argumento de renovação de parceria. Cada organização que trata dados com rigor fortalece a cultura de doação de que todo o setor depende. A IA veio para ficar, e é bem-vinda, mas na sua próxima proposta, antes de apertar "enviar", volte à pergunta do início: você conferiu o último número que a IA te deu?
Por Emanuele Morais • 29 de setembro de 2026
A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é uma ferramenta que ajuda a visualizar a situação financeira da organização de forma mais clara. Com ela, é possível identificar receitas, despesas e resultados de um período, facilitando a tomada de decisões. Neste artigo, você vai entender o que é o DRE para ONGs, por que ele é importante para a gestão financeira e como uma planilha gratuita pode ajudar sua organização a manter esse controle de forma simples. O que é um DRE e por que ele é importante para ONGs? A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é um relatório financeiro que apresenta todas as movimentações da organização. Por meio dele, é possível visualizar de forma consolidada quanto entrou, quanto foi gasto e qual foi o resultado obtido. Para as ONGs, o DRE funciona como uma ferramenta de análise financeira. Ele ajuda a identificar quais atividades demandam mais recursos, acompanhar a evolução das receitas ao longo do tempo e avaliar a sustentabilidade financeira da organização. Essas informações são fundamentais para planejar projetos, definir prioridades e tomar decisões com mais segurança. Melhore a organização das finanças da sua OSC. Baixe gratuitamente nossa planilha editável de DRE para ONGs. Como uma planilha financeira ajuda na gestão da ONG? Além de simplificar os registros, a planilha permite visualizar os dados de maneira mais clara. Isso ajuda a identificar padrões de gastos, acompanhar a entrada de recursos e verificar se o orçamento está sendo executado conforme o planejado. Com informações atualizadas e acessíveis, a equipe gestora ganha mais agilidade para planejar ações, definir prioridades e acompanhar a saúde financeira da organização. Dessa forma, a planilha deixa de ser apenas um instrumento de registro e passa a apoiar a tomada de decisões no dia a dia, tudo com visão estratégica e atenção aos detalhes. Quando as finanças são organizadas, todo processo se torna mais simples! A DRE para ONGs é uma ferramenta que fortalece a organização financeira e contribui para a sustentabilidade da instituição, pois facilita o controle dos recursos e apoia o planejamento das próximas ações. Baixe gratuitamente sua planilha de DRE para ONGs
Por Maria Cecília Prates   • 1 de setembro de 2026
Essa é uma discussão relevante que está colocada pelo Collective Impact Forum, uma rede de instituições do terceiro setor, criada desde 2013 para estimular a busca do impacto social coletivo . Essa rede é coordenada pela FSG (Foundation Strategy Group), empresa de consultoria sem fins lucrativos, fundada por Michael Porter e Mark Kramer, e que atua segundo quatro ideias centrais: a filantropia catalisadora (que antes eles denominavam por “filantropia estratégica”); o impacto coletivo; os mercados inclusivos; e o valor compartilhado.  A ideia do impacto social coletivo foi inicialmente lançada em 2011, em texto publicado por John Kania e Mark Kramer, em oposição à prática predominante do impacto social isolado. Até hoje as organizações sociais têm atuado basicamente de modo individual, por meio de intervenções isoladas. Segundo os autores, essa estratégia funciona muito bem quando se trata de “problemas técnicos”, isto é, problemas bem definidos, com solução conhecida de antemão e em que uma organização sozinha tem competência para a sua implementação no todo. Um exemplo é a necessidade de um treinamento específico para ajudar na inserção no mercado de trabalho. Nessas iniciativas de impacto isolado, as organizações sociais atuando em uma mesma área-fim tendem a competir entre si junto aos financiadores. Pois prevalece a lógica de que quem apresenta desempenho melhor, consegue captar mais recursos e, assim, dar maior escala ao seu negócio social. A avaliação de impacto é conduzida de modo individual, e o esforço é por isolar a influência individual do trabalho da organização de outros fatores concorrendo simultaneamente – como, por exemplo, a influência de outras instituições da localidade. Porém, o que ocorre é que no setor social os problemas são, em sua grande maioria, “adaptativos”, isto é, complexos, cheio de interdependências, em que a solução não é conhecida de antemão e, mesmo que fosse, nenhuma instituição sozinha teria os recursos e a autoridade para promover a mudança necessária. Um exemplo é a necessidade de apoio e educação integral para crianças em situação de vulnerabilidade. Daí, segundo os autores, para os problemas sociais e ambientais complexos, as iniciativas de impacto coletivo tendem a ter um potencial de transformação muito maior. Ao invés de uma atuação individualizada, a ideia é que as organizações de diferentes setores [público, privado e terceiro setor] passem a atuar de modo coordenado e integrado, cada uma em sua área de expertise , com o objetivo de alcançarem juntas a mudança social desejada, de forma duradoura e em grande escala. Como advertem Kania e Kramer, a implementação dessa estratégia coletiva não é trivial e, para ser bem sucedida, deve atender a cinco condições básicas : ter uma agenda em comum (o mesmo entendimento do problema social e de sua solução); ter um sistema informatizado de medição compartilhada (“ shared measurement ”); executar as atividades de modo complementar de acordo com um plano de ação; manter comunicação contínua, como base para a confiança entre os diferentes atores; ter a presença de uma organização coordenadora “ backbone organization ”). Só que o cumprimento de todas essas condições exige investimentos significativos em termos financeiros e de tempo, para construir laços de confiança entre os atores, formar uma base de conhecimentos e infra-estrutura de suporte. Nessas iniciativas de impacto coletivo, prevalece a colaboração ao invés da competição. Quer isso dizer que as organizações sociais de uma dada localidade, atuando em uma mesma área-fim, tendem a colaborar entre si para gerar o máximo benefício. E, diferente do que é feito para as iniciativas sociais individuais, a avaliação de impacto é conduzida de modo abrangente (e não isolado), e tem o foco nos resultados de longo prazo da ação conjunta dos diferentes atores. A meu ver, uma abordagem mais consistente para implementar a avaliação de impacto. Enfim, há prós e contras tanto para as iniciativas de impacto social isolado como para as de impacto coletivo. Porém, se formos adotar as iniciativas de impacto coletivo, para que elas sejam bem-sucedidas, há um longo caminho a ser trilhado antes, pois são muitos os cuidados e pré-requisitos a serem obedecidos. Fica a reflexão.
Por Ana Carolina Vieira • 31 de julho de 2026
Se você trabalha em uma organização social, provavelmente já conhece esta situação: o prazo para entregar um relatório se aproxima e começa uma verdadeira força-tarefa para reunir fotos, encontrar comprovantes, levantar números e tentar resgatar atividades realizadas meses atrás. A boa notícia é que a prestação de contas não precisa ser um processo estressante. Ao longo da minha trajetória em operações e acompanhamento de organizações sociais, percebo que as maiores dificuldades não estão relacionadas à falta de trabalho realizado, mas à ausência de uma rotina simples para organizar as informações. Afinal, quem está no dia a dia da execução sabe que as demandas são intensas e nem sempre sobra tempo para registrar cada passo. A verdade é que prestar contas vai muito além de cumprir uma obrigação com financiadores ou parceiros. É uma oportunidade valiosa de evidenciar o impacto gerado, fortalecer a credibilidade da organização e consolidar uma base de conhecimento essencial para o crescimento institucional. A prestação de contas começa antes do relatório Um dos erros mais comuns é enxergar a prestação de contas como uma atividade pontual, que acontece apenas ao final de um projeto ou sob demanda. Na prática, ela deve ser construída ao longo de toda a execução. Quando a organização estabelece o hábito de registrar ações, resultados e evidências periodicamente, o trabalho deixa de ser uma carga concentrada e passa a integrar a rotina da equipe. Uma boa prática é reservar um tempo mensal para atualizar indicadores, organizar documentos e reunir registros; esse pequeno cuidado economiza horas preciosas no futuro. Fotos, listas de presença, depoimentos, notas fiscais e comprovantes de despesas são documentos recorrentemente solicitados. Por isso, vale a pena criar uma estrutura simples de armazenamento. Pastas organizadas por projeto, período ou tipo de atividade fazem toda a diferença, o importante é que a equipe saiba onde encontrar os arquivos e que haja um padrão claro para salvá-los. Lembre-se: quanto mais próximo do momento da atividade o registro for realizado, menores são as chances de perder informações valiosas. Ao pensar em indicadores, muitas organizações acreditam que precisam de sistemas sofisticados, no entanto, o mais importante é começar pelo básico. Algumas perguntas norteadoras ajudam muito: ● Quando a ação foi realizada? ● Quantas pessoas foram atendidas? ● Quantas atividades foram realizadas? ● Quantos voluntários participaram? ● Quantos materiais foram distribuídos? ● Quais resultados ou mudanças foram observados? Esses dados fornecem uma visão consistente sobre o alcance das ações. Com o tempo, a organização pode aprimorar suas métricas, mas o primeiro passo é garantir que as informações essenciais estejam sendo registradas. Uma prestação de contas organizada transmite profissionalismo, responsabilidade e transparência. Além de cumprir exigências de editais, ela consolida a confiança de doadores, parceiros, voluntários e da própria comunidade. Estamos em momento onde o doador busca muito mais transparência, e, organizações que demonstram seus resultados com clareza saem na frente, não necessariamente porque fazem mais, mas porque comunicam melhor o valor daquilo que realizam. Talvez a principal mudança de perspectiva seja entender que a prestação de contas não existe apenas para quem está fora da organização; ela é uma ferramenta vital de gestão interna. Ao monitorar indicadores, registrar aprendizados e analisar resultados, a equipe identifica desafios, corrige rotas e planeja os próximos passos com mais segurança. Mais do que um relatório, a prestação de contas é uma poderosa aliada na construção de organizações mais sustentáveis e preparadas para ampliar seu impacto. E, no fim das contas, o segredo está na constância: pequenos registros feitos ao longo do ano são muito mais eficientes do que grandes esforços concentrados às vésperas de um prazo. Afinal, narrar o impacto gerado fica muito mais fácil quando ele foi acompanhado durante toda a jornada. *Ana Carolina Vieira – Analista de Operações e Impacto Formada em Secretariado Executivo, possui experiência nas áreas administrativa e financeira, com atuação na gestão de processos internos, organização de informações, atendimento e comunicação. Ao longo de sua trajetória, desenvolveu habilidades em planejamento, controle operacional e suporte à gestão, contribuindo para a eficiência e o fortalecimento das rotinas organizacionais.
Por Instituto Phomenta • 9 de julho de 2026
A Inteligência Artificial (IA) não vai salvar nenhuma Organização da Sociedade Civil (OSC). Todo mundo já entendeu que ela é indispensável, que agiliza os processos, que ajuda no corre do dia a dia e que tem mil e uma utilidades. Mas ela, sozinha, não vai tirar a sua organização do vermelho e nem vai desafogar a sua equipe. A IA é uma ferramenta poderosa para apoiar a sua gestão, mas ela só funciona se for treinada e alimentada do jeito certo. E a grande pergunta é: você já sabe como fazer isso? A verdadeira inovação da tecnologia no terceiro setor não está nas ferramentas gratuitas e famosas que todo mundo usa na internet. O segredo está em construir uma estratégia modelada exclusivamente para a captação de recursos via editais. Se as exigências de quem financia mudaram, a forma como as ONGs planejam seus projetos precisa evoluir na mesma velocidade. É exatamente por isso que nasceu o Captação com Causa. Esse projeto, que tem duração de 18 meses, e é uma iniciativa da Fundação FEAC com apoio do Instituto Phomenta, tem um objetivo bem prático: foram selecionadas 10 organizações sociais de Campinas, que após formações, passam a utilizar uma plataforma de IA totalmente customizada para o terceiro setor. Por que focar em IA para buscar recursos? O que move esse projeto é uma ferida antiga das ONGs: o maior problema das organizações brasileiras hoje não é a falta de editais. As oportunidades estão publicadas por aí, na internet. O verdadeiro desafio das equipes, que quase sempre são enxutas, está em quatro passos básicos da rotina: Saber exatamente o que procurar para não aceitar qualquer dinheiro e acabar desviando da própria missão; Conseguir filtrar quais oportunidades realmente valem a pena e fazem sentido; Criar o hábito de buscar recursos de forma constante, e não só quando o caixa aperta; Transformar esse monte de informação em dinheiro no bolso para manter os projetos de pé. Escrever um projeto para um edital é complexo. Os formulários exigem justificativas profundas, orçamentos detalhados e até análise de riscos. Para equipes que já passam o dia se desdobrando no atendimento direto às comunidades, a IA entra como copiloto. Ela assume o trabalho mecânico de escrever e revisar textos, devolvendo para o captador o que ele tem de mais escasso: tempo para pensar na estratégia. Mas… como não deixar o texto com cara de robô? As ferramentas gratuitas que vemos por aí costumam "alucinar", que é o termo técnico para quando a IA inventa dados falsos ou cria argumentos superficiais simplesmente porque ela não conhece a realidade da sua ONG. Para blindar os projetos contra esse erro, o Captação com Causa ajuda as organizações a criarem um ambiente protegido e seguro, alimentando a inteligência artificial com a identidade real da instituição. Esse treino consiste em criar um perfil superdetalhado dentro do sistema, incluindo: O histórico da organização e as causas que ela defende; A região onde ela atua e o perfil das pessoas que ela atende; Dados locais e o impacto real que ela já gera no território. Quanto mais rico e detalhado for esse perfil, mais a IA se transforma em uma assistente exclusiva da causa. A partir daí, a máquina passa a escrever falando a mesma língua do financiador. Ela aprende a usar os termos técnicos que os avaliadores de editais procuram, cruza as palavras-chave exigidas e ajuda a encaixar a história da sua comunidade dentro das metas do orçamento. Falando a linguagem de quem investe Hoje em dia, as empresas e institutos que financiam projetos sociais mudaram a forma de avaliar as propostas. Eles não olham mais apenas para o número bruto de pessoas atendidas; eles querem ver o valor real do impacto gerado. Por isso, o projeto treina a IA para usar uma métrica chamada SROI (Retorno Social sobre o Investimento) . Para se ter uma ideia de como isso funciona: pesquisas do setor mostram que, para cada R$ 1 investido em projetos sociais por meio de incentivos fiscais no Brasil, cerca de R$ 7,59 retornam em benefícios reais para a sociedade e para a economia. Quando a IA é ensinada a cruzar os dados públicos da sua cidade (como pesquisas do IBGE) com o histórico de entregas da sua ONG, ela ajuda a provar matematicamente o valor do seu trabalho. O seu projeto deixa de parecer um "custo" para o investidor e passa a ser visto como um investimento seguro e transformador. O que muda na prática para as organizações? Com esse método bem aplicado, as inovações que as ONGs podem esperar mudam completamente o jogo da captação: Fim do desespero de última hora: A organização sai daquele modelo de correr atrás de edital na véspera do vencimento e passa a ter uma rotina organizada e previsível; Propostas sem erros bobos: Os projetos ficam muito mais robustos, diminuindo drasticamente as reprovações por preenchimento incompleto, metas vagas ou erros de orçamento; Mais confiança dos financiadores: Uma ONG que consegue provar seu impacto com dados seguros conquista a confiança de grandes investidores e garante sua sustentabilidade no longo prazo. Quer saber mais sobre captação estratégica e tecnologia? Aproveite para conferir nossos outros textos sobre sustentabilidade financeira e inteligência artificial no terceiro setor: O perigo do "dinheiro a qualquer custo": não deixe a procura por editais desvirtuar a sua missão: Entenda como a urgência para acessar editais sem alinhamento prévio pode desvirtuar a missão institucional da sua OSC e saiba como selecionar financiadores que respeitem os seus valores reais. Por que sua estratégia de captação precisa de IA (urgente)?: Conheça os dados oficiais sobre a sobrecarga dos captadores de recursos no Brasil e descubra por que a inteligência artificial virou uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para criar rotinas eficientes.
Por Instituto Phomenta • 4 de julho de 2026
Você com certeza já viveu essa cena: o processo de seleção de voluntários foi um sucesso, a reunião de integração é melhor ainda e todo mundo sai motivado. Duas semanas depois, metade do grupo some sem dar notícias, os e-mails ficam sem resposta e, na hora daquela ação crucial, a coordenação precisa se desdobrar porque metade dos confirmados cancelou em cima da hora. Se a rotina da sua ONG parece um eterno ciclo de recrutar pessoas para cobrir o desfalque das anteriores, saiba que você não está só. Manter voluntários conectados a uma causa a longo prazo é um dos maiores desafios de gestão no Terceiro Setor. Para entender o tamanho do problema, basta olhar para o cenário nacional. Os dados da Pesquisa Voluntariado no Brasil, realizada pelo IDIS/Datafolha (2021) afirmam que, dos 57 milhões de brasileiros e brasileiras que realizam ou já realizaram trabalhos voluntários, apenas 12% fazem ações regularmente. Ainda de acordo com a pesquisa, embora o desejo de fazer o bem seja alto no país, entre os voluntários insatisfeitos e menos entusiasmados aparece a falta de motivação e de apoio/recursos, como fatores que trazem desengajamento.
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