Marketing digital de causas: estratégias de divulgação para ONGs nas redes sociais

20 de março de 2025

Você sabia que o marketing no ambiente digital (ou marketing digital como popularmente ficou conhecido) é uma ferramenta importante para divulgação de serviços, produtos e, também, para a promoção do impacto social? Isso mesmo que você leu! Organizações do Terceiro Setor que investem em uma comunicação eficaz conseguem ampliar a visibilidade de suas ações e engajar o território em suas causas. 


Deixe a gente explicar melhor. Neste artigo queremos apresentar algumas estratégias práticas e exercícios para auxiliar ONGs, coletivos e projetos sociais na criação de conteúdos assertivos, utilizando algumas práticas de produção de conteúdo, visando garantir maior alcance do público nas mídias sociais. 


Por que o marketing digital para causas? – Comece pelo porquê


Compreender o “porquê” por trás da causa é o primeiro passo para uma comunicação eficiente. Para as organizações do Terceiro Setor, transmitir claramente seus valores e objetivos fortalece a identificação do público com a causa de atuação e gera confiança.

Então, vamos ao exercício de reflexão

  • Pergunta: "qual é o propósito principal da nossa organização e como podemos transmiti-lo de forma clara?"
  • Atividade: reúna a equipe para listar os valores e objetivos essenciais de sua causa e definição, em uma frase simples, o “porquê” de sua organização existir.

Exemplo prático para uma ONG na área da saúde:

  • Possível resposta: "Nosso propósito é garantir acesso a serviços de saúde de qualidade, promovendo a prevenção e o cuidado contínuo."
  • Forma de transmissão: crie uma frase curta e de efeito, como: "Cuidamos da saúde para transformar vidas”.


Sugestões de conteúdos e formatos para o Instagram:  Posts no Feed

  • Imagens informativas: use gráficos ou ilustrações que destaquem dados importantes sobre a necessidade de acesso à saúde no território.
    Exemplo:
    infográficos com estatísticas sobre a falta de atendimento médico em regiões vulneráveis.
  • Depoimentos de beneficiários: publique fotos e relatos de pessoas que receberam atendimento ou tiveram suas vidas transformadas pelo trabalho da ONG.
    Exemplo:
    "Conheça a história da Maria, que encontrou saúde e qualidade de vida através de nossas campanhas contra a hipertensão."

Segundo estudos na área, a comunicação dos valores fortalece o engajamento e potencializa o impacto social das iniciativas (ACEVEDO et al. 2020).


Como o marketing digital impulsiona a divulgação das ações sociais da sua ONG?


Bom, não existe uma resposta certa, mas um primeiro passo importante é “inspirar para transformar”. A presença nas redes sociais permite que as ONGs contem suas histórias de maneira autêntica e humanizada. O uso de conteúdos visuais, vídeos e depoimentos reais torna a mensagem mais próxima e tem o potencial de criar uma conexão genuína com o leitor.


Perguntas práticas que podemos fazer para começar a produção de conteúdo:


  • "Que histórias reais podemos contar para demonstrar nossa atuação e os benefícios gerados?"
  • "Como podemos incluir depoimentos dos beneficiários para criar uma conexão emocional?"


Exemplo prático para uma ONG na área da saúde:

Possível resposta 1: "Podemos contar a história de crianças que, após participarem de nossos programas de educação, demonstram maior interesse pelos estudos e melhor desempenho escolar”.

Possível resposta 2: "Podemos incluir depoimentos de pais e educadores que evidenciem a importância dos nossos programas na formação das crianças e na promoção de um ambiente de aprendizado mais inclusivo”.

Possibilidade de Post no feed: use imagens que mostrem as crianças em atividades educativas, com legendas que explicam os benefícios dos projetos.

Exemplo:
uma imagem de uma sala de aula interativa com a legenda: "Descubra como nossas atividades lúdicas despertam o amor pelo aprendizado e transformam o futuro dos pequenos."

Essa abordagem, fundamentada na transparência, potencializa a mobilização de seguidores e contribui para a ampliação do alcance das ações (GALLEGO; GALINDO, 2007).


O que se espera do marketing digital na divulgação de ações de impacto?


É importante sabermos que quando falamos sobre marketing digital e, principalmente, de redes sociais, que o que gera conexão sempre será um bom caminho. E, é preciso lembrar que uma boa estratégia digital é medida pela capacidade de transformar visualizações em engajamento efetivo. Para tanto, é fundamental criar conteúdos que falem diretamente ao público-alvo, evitando jargões e termos técnicos que possam dificultar a compreensão. Mas, afinal, como saber o interesse do público da organização?


Exercício de Planejamento de Conteúdo

  • Pergunta: "Quais dúvidas e interesses do nosso público podemos responder em nossos conteúdos?"
  • Atividade: realizar uma pesquisa interna ou consultar as redes sociais para identificar as principais perguntas dos seguidores e, em seguida, criar conteúdos sobre temas relevantes e acessíveis.

Exemplo para uma ONG Ambiental:

  1. Possíveis resposta em relação às dúvidas:
    "Como a poluição afeta a biodiversidade local?"
    "Quais são as melhores práticas de reciclagem para reduzir o impacto ambiental?"
    "Como posso contribuir para a preservação das matas e florestas em meu território?"

  2. O que pode ser relevante a partir da resposta:
    Dicas práticas para reduzir o consumo de plástico.
    Informações sobre projetos locais de reflorestamento.
    Estudos de caso que mostram o impacto positivo de ações de conservação.

  3. Sugestões de conteúdos e formatos para Instagram:
  • Posts no feed: crie gráficos simples que explicam, por exemplo, como a reciclagem contribui para a diminuição da poluição e a preservação dos recursos naturais.

Estudos indicam que uma linguagem simples e direta amplia o alcance e facilita o engajamento, transformando a comunicação em uma ferramenta de mobilização (SILVA et al., 2017).


Exercícios e perguntas adicionais para a produção de conteúdo


Para aprofundar a estratégia de comunicação, as ONGs podem utilizar os seguintes questionamentos:


 Identificação da causa

  • "Quais desafios nossa causa enfrenta e como nossas ações podem contribuir para superá-los?"

Engajamento do público

  • "Qual formato de conteúdo (texto, imagem, vídeo) gera mais interação com nosso público?"

Resultados e impacto

  • "Como podemos medir o sucesso de nossas campanhas? Quais indicadores refletem o engajamento e a mobilização da comunidade nas redes?"

Autenticidade da comunicação

  • "Estamos comunicando nossa mensagem de maneira clara e verdadeira? Como podemos simplificar ainda mais nosso discurso?"

A realização de sessões de brainstorming e feedback com a equipe contribui para responder essas questões e aprimorar a estratégia de comunicação.


Conclusão: conectando causas e pessoas com marketing digital


O marketing digital, quando bem aplicado, tem um potencial muito grande de transformar a divulgação das ações de ONGs nas redes sociais. Essa transformação pode ter objetivos diversos para a organização, como atrair novos doadores, demonstrar ao território a ação ou ganhar mais espaço e reconhecimento pelo trabalho realizado. A combinação de uma comunicação clara, conteúdos de interesse do público e estratégias que conectam gera um ambiente favorável para o engajamento e a mobilização social. E tem pergunta adicional logo abaixo: 


Pergunta final para reflexão

  • "De que forma nossa comunicação pode evoluir para inspirar e engajar ainda mais pessoas com a nossa causa?"


Como vimos, o alinhamento entre estratégia digital para redes sociais e missão social é crucial para a promoção de imagem, engajamento e divulgação de causas em ações de impacto.


Referências:

As referências que você verá a seguir  serviram de inspiração para a criação do conteúdo, e não para a transcrição literal de citações. Ou seja, o texto foi elaborado com base no contexto geral e nas ideias presentes nos artigos, mas não são citações diretas, transcritas na íntegra:


SILVA, Vanessa Oliveira da; ALBINO, Andréia Aparecida; DUQUE, Luciano Polisseni; CALDEIRA, Tharcisio Alexandrino. Análise da literatura publicada no Brasil sobre marketing social e marketing de causas sociais.
Revista Acadêmica de Administração, v. 10, n. 155-165, 2017. Disponível em:<[https://www.viannasapiens.com.br/revista/article/view/97/83]>. Acesso em: 30 jan. 2025.


GALLEGO, Angélica Helena Santini Montes; GALINDO, Daniel dos Santos. Criança Esperança: exemplo do marketing de causas sociais, articulado pelas relações públicas. In: V CONGRESSO NACIONAL DE HISTÓRIA DA MÍDIA, 2007, São Paulo.
Anais... São Paulo: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 2007. Disponível em: <[http://www.intercom.org.br/papers/outros/hmidia2007/resumos/R0193-1.pdf]>. Acesso em: 30 jan. 2025.


ACEVEDO, Claudia Rosa; OLIVEIRA, Leonardo Domingues de; SILVA, Rafael Mendes; CATÃO, Bruno Alves.
Percepção de consumidores sobre ações de marketing de causa de empresas privadas. South American Development Society Journal, São Paulo, v. 6, n. 17, p. 40-58, 2020. Disponível em:https://www.sadsj.org/index.php/revista/article/view/300. Acesso em: 3 fev. 2025.



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Você pode amar muito um time e ainda assim vê-lo perder campeonatos por anos. Pode ter a maior torcida do país, uma história gigante e uma camisa pesada. Mas sem gestão, isso não se sustenta. No terceiro setor acontece algo muito parecido. Sou corinthiana e não acompanho o futebol tão de perto. Mesmo assim, é impossível ignorar o que Palmeiras e Flamengo vêm construindo nos últimos anos. Escrevo este artigo no final de 2025 e, ao olhar para os principais campeonatos do período recente, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, esses dois clubes seguem protagonizando finais, títulos e campanhas consistentes. Não por acaso, também passaram a aparecer em premiações internacionais que reconhecem excelência em gestão, como o Globe Soccer Awards. Mas nem sempre foi assim. E é exatamente aí que essa história interessa às organizações da sociedade civil. Quando a virada não acontece no campo Palmeiras e Flamengo já viveram fases marcadas por dívidas, crises internas e resultados bem abaixo do potencial que tinham. A mudança não começou com um craque, nem com um gol histórico. Começou fora de campo. Por volta de 2012 e 2013, os dois clubes passaram a tratar a gestão como eixo central. Planejamento financeiro, profissionalização das equipes, governança e visão de longo prazo deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões concretas. Se você não gosta de futebol, continue comigo. O ponto aqui não é o esporte. É entender que amor, tradição e propósito são fundamentais, mas não substituem uma boa gestão. Com gestão, a gente vai mais longe. O que o Palmeiras ensina No Palmeiras, a virada tem um nome bastante conhecido: Paulo Nobre. Ao assumir a presidência do clube em 2013, encontrou um cenário delicado, com dívidas e pouca previsibilidade. Uma das decisões mais simbólicas foi emprestar recursos próprios para reorganizar as finanças do time. Um gesto arriscado, mas inserido em uma estratégia maior. A partir daí, vieram parcerias estratégicas como a Crefisa, a profissionalização da gestão e a criação de novas fontes de receita. A modernização do Allianz Parque transformou o estádio em um ativo que gera renda muito além dos jogos, com shows e eventos. É a lógica de enxergar a estrutura como meio para sustentar a missão, algo bastante familiar para quem atua no terceiro setor. O Flamengo e a coragem de arrumar a casa O Flamengo sempre teve popularidade e potencial. O que faltava era organização. A virada começou com decisões duras e pouco populares, como uma política rigorosa de controle de gastos e reorganização financeira. Antes de investir pesado em contratações, o clube investiu em processos, equipe técnica qualificada e responsabilidade fiscal. Os títulos vieram depois. Não como milagre, mas como consequência. O que tudo isso tem a ver com as OSCs? Muito mais do que parece. Os dois clubes mostram que investir na base (jovens atletas em formação para o time principal) é apostar no longo prazo, mesmo quando o retorno não é imediato. No terceiro setor, isso aparece na formação de equipes, no fortalecimento institucional e no desenvolvimento de lideranças. Eles também reforçam uma verdade incômoda: amor não é estratégia. Paixão move, mas não organiza fluxo de caixa, não constrói indicadores e não garante sustentabilidade. Há ainda a importância de diversificar fontes de receita, inclusive para organizações grandes e reconhecidas, e de contar com profissionais qualificados, além de investir em quem já faz parte da equipe. Nada disso acontece do dia para a noite. O processo é longo, exige constância e escolhas difíceis. Um convite para quem lidera organizações sociais  Se você lidera uma OSC, vale a reflexão. O quanto da sua energia está concentrada apenas na causa e o quanto está direcionada para fortalecer a gestão que sustenta essa causa? Gestão não esfria o propósito. Pelo contrário. Ela protege a missão, amplia o impacto e garante que o trabalho continue existindo daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futebol e no terceiro setor, amor é o ponto de partida. Gestão é o que transforma esse amor em legado.
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O adoecimento mental da população brasileira tem se intensificado nos últimos anos e já se reflete de forma direta no mundo do trabalho. O aumento de afastamentos por transtornos mentais, a ampliação de quadros de ansiedade e a exaustão profissional passaram a ocupar o centro dos debates sobre produtividade, gestão de pessoas e sustentabilidade organizacional. No Terceiro Setor, esse cenário não é diferente — e apresenta contornos ainda mais críticos. Dados da Pesquisa Saúde Mental e Bem-Estar no Terceiro Setor (2023), realizada pelo Instituto Phomenta, revelam que 55% dos profissionais do setor expressam algum nível de preocupação com sua saúde mental e bem-estar. Esse contexto foi debatido no Webinar Tendências para o Terceiro Setor 2026, promovido pelo Instituto Phomenta, que apontou a saúde mental como uma das principais tendências e desafios estruturais para as organizações sociais nos próximos anos. A pesquisa ouviu 842 profissionais, de 214 cidades, em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Os dados mostram que o alto comprometimento com a causa convive com estresse constante, sensação de urgência permanente e dificuldade de estabelecer limites entre vida pessoal e trabalho, um paradoxo cada vez mais presente no cotidiano das organizações da sociedade civil. Cuidar de quem cuida Durante muito tempo, o trabalho no Terceiro Setor esteve associado à ideia de propósito como fator de proteção emocional. Os dados da pesquisa indicam que essa narrativa já não se sustenta. Entre os respondentes, 38% classificam sua saúde mental como regular e 17% como ruim, evidenciando um cenário de alerta que afeta tanto profissionais quanto lideranças. O recorte de gênero revela desigualdades importantes. As mulheres, que representam 65% da força de trabalho no Terceiro Setor, são as que expressam maiores níveis de preocupação: 60% relatam algum grau de insatisfação com sua saúde mental e bem-estar, frente a 45% dos homens. Entre os jovens, os índices são ainda mais elevados. Profissionais de 18 a 24 anos e de 25 a 34 anos apresentam os piores indicadores, com 69% e 70%, respectivamente, avaliando sua saúde mental como regular ou ruim. Esses dados foram destacados no Webinar Tendências para o Terceiro Setor 2026 como um sinal de que o setor precisa repensar suas práticas internas se quiser manter equipes engajadas e sustentáveis. A NR-1 e o impacto direto na gestão das organizações Outro ponto central do debate foi a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A partir de maio de 2025, organizações com pessoas contratadas sob regime CLT passam a ter a responsabilidade de identificar, prevenir e gerenciar riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Entre os fatores de risco mais recorrentes, a pesquisa da Phomenta aponta: excesso de demandas e tarefas, indicado por 64% dos respondentes como principal fator de estresse; jornadas prolongadas e dificuldade de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho; ausência de reconhecimento e suporte institucional; conflitos interpessoais e condições precárias de trabalho. Os efeitos desse modelo aparecem nos sintomas relatados: 77% dos profissionais mencionam ansiedade como um dos principais impactos, e 64% relatam exaustão física. Durante o webinar, foi reforçado que o cumprimento da NR-1, embora necessário, não é suficiente para enfrentar um problema estrutural. O desafio está na revisão das práticas de gestão de pessoas, incluindo distribuição de tarefas, modelos de liderança, processos decisórios e a forma como o cuidado é incorporado, ou negligenciado, na cultura organizacional. Saúde mental como estratégia de sustentabilidade A pesquisa também evidencia que mais de 70% dos respondentes não percebem ações intencionais de suas organizações voltadas à promoção do bem-estar. Esse dado foi amplamente debatido no Webinar Tendências para o Terceiro Setor 2026, que destacou a urgência de transformar o cuidado em estratégia institucional. Entre as organizações que adotam ações voltadas à saúde mental, os profissionais citam iniciativas como atendimento psicológico, espaços de diálogo, formações, flexibilidade no trabalho e momentos de convivência. Ainda assim, esses esforços seguem sendo exceção, e não regra. No Terceiro Setor, cuidar da saúde mental das equipes deixou de ser um tema secundário. Trata-se de uma condição para a permanência das pessoas, para a qualidade do trabalho realizado e para a coerência entre missão institucional e práticas internas. A crise de saúde mental convida o setor a um exercício de autocrítica. Não é possível enfrentar desigualdades externas se, internamente, as relações de trabalho reproduzem exaustão, urgência permanente e invisibilização do cuidado. Em 2026, organizações que colocarem as pessoas no centro da gestão estarão mais preparadas para sustentar seu impacto social no longo prazo. Assista completo:
Por Instituto Phomenta 12 de janeiro de 2026
As transformações no cenário internacional de financiamento foram um dos alertas mais sensíveis apresentados no Webinar: Tendências de 2026 para o Terceiro Setor, realizado pelo Instituto Phomenta. Em um contexto de instabilidade política, mudanças de prioridades globais e retração de recursos externos, organizações brasileiras já sentem os impactos de uma filantropia internacional mais seletiva, menos previsível e cada vez mais estratégica. Em 2026, essa tendência se consolida e exige das organizações sociais um reposicionamento em relação à forma como acessam, gerenciam e diversificam suas fontes de recursos. A retração do financiamento internacional Durante o webinar, foram destacados movimentos recentes que ajudam a explicar o cenário atual, como a redução de repasses de países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o enfraquecimento de programas tradicionais de cooperação internacional e o encerramento ou redirecionamento de iniciativas históricas, como a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional). Essas mudanças não acontecem de forma isolada. Elas refletem disputas geopolíticas, reorientação de agendas nacionais e uma priorização maior de crises internas por parte de países doadores. Para muitas organizações do Sul Global, isso representa a perda de fontes que, por décadas, sustentaram projetos e estruturas institucionais. Menos recursos, mais exigências Além da diminuição do volume de recursos, o webinar destacou um aumento significativo no nível de exigência dos financiadores internacionais que permanecem ativos. Entre os critérios mais observados estão: capacidade de gestão financeira e institucional; governança estruturada; indicadores consistentes de resultados; alinhamento com agendas globais específicas; histórico de parcerias e execução. Em 2026, organizações com baixa maturidade institucional tendem a enfrentar ainda mais barreiras para acessar recursos internacionais, mesmo quando atuam em causas prioritárias. O papel do financiamento público no Brasil Em contraste com a retração internacional, observamos o crescimento dos repasses federais no Brasil nos últimos anos. Esse movimento abre oportunidades, mas também traz desafios próprios. Acesso a recursos públicos exige preparo técnico, capacidade de prestação de contas, adequação jurídica e fôlego financeiro para lidar com prazos e burocracias. Para muitas organizações, isso demanda investimentos prévios em estrutura e equipe, o que nem sempre é possível sem apoio externo. Ainda assim, o aumento do financiamento público reforça a importância de olhar para o território nacional como parte estratégica da sustentabilidade financeira. Diversificação como estratégia de sobrevivência Uma das principais reflexões trazidas é que depender de uma única fonte de recursos se torna cada vez mais arriscado. Em 2026, a diversificação deixa de ser recomendação e passa a ser condição de sobrevivência. Isso envolve combinar diferentes fontes, como: filantropia nacional; parcerias com empresas; recursos públicos; doações individuais; prestação de serviços alinhados à missão. O impacto das mudanças na autonomia das organizações As transformações na filantropia internacional também afetam a autonomia das organizações sociais. Com menos recursos disponíveis e maior competição, cresce o risco de adaptação excessiva a agendas externas, em detrimento das demandas reais dos territórios. Por isso a importância de manter o foco na missão e no impacto social, mesmo diante de pressões financeiras. Organizações mais preparadas institucionalmente tendem a negociar melhor, fazer escolhas mais estratégicas e preservar sua coerência. O que essa tendência exige das organizações Em 2026, o cenário de financiamento será mais restrito, mais técnico e mais competitivo. Organizações que investem em desenvolvimento institucional, planejamento financeiro e fortalecimento da gestão terão mais condições de atravessar esse contexto com menos rupturas. Como discutido no webinar, adaptar-se às mudanças da filantropia internacional não significa abandonar princípios, mas sim construir bases mais sólidas para seguir atuando com impacto, autonomia e sustentabilidade no longo prazo. Confira o Conteúdo:
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