Como construir as metas de captação da sua ONG?

31 de março de 2022

Este conteúdo foi produzido por Pedro Sá

Este é um tema interessante que conversa muito com outros artigos do Portal do Impacto.


Acesse todo nosso conteúdo sobre Captação de Recursos
aqui!


Definir metas para captação ou para qualquer tipo de projeto passa, antes de tudo, por
compreender o que se quer e onde se quer chegar. Para entender isso, é importante ter muita clareza e discernimento. Hoje, gostaria de apresentar uma ferramenta muito simples, porém muito eficiente, para auxiliar você – empreendedor(a) do terceiro setor, mobilizador(a) de recursos ou consultor(a) de projetos – a melhorar sua definição de metas de captação. 


Antes de definir metas e falarmos da ferramenta, precisamos saber nossos objetivos de captação! Quais são? No artigo
Como escolher as estratégias de captação de recursos para sua ONG?”¹, abordamos alguns pontos importantes, por exemplo: Qual o custo anual da minha organização, ou seja, quanto eu preciso captar para garantir a execução das atividades de forma plena durante 12 meses? Que tipos de estratégias eu posso/tenho condições de abraçar para alcançar esse objetivo? Com quem posso contar da minha equipe para trabalhar nessas estratégias?


Feito isso, é hora de partir para as metas!
Metas são nada menos do que aquele objetivo que queremos alcançar, que geralmente é representado por um número de forma quantificada e fragmentada. 


Por exemplo: 

“O custo anual da minha OSC Sorriso Feliz (fictícia) é o valor de R$ 400 mil reais, que manterá as atividades esportivas, culturais e sociais em funcionamento durante 12 meses.” Esse seria nosso objetivo, levando em conta que é o que precisamos captar para atender às nossas necessidades.


A partir do custo total geral da OSC, faço um movimento da visão macro (do total) para a visão micro (das particularidades). Quebro este custo total em algumas partes (metas), e uma das formas possíveis de se fazer isso é dividir os gastos por área de atuação. Posso considerar as atividades esportivas, sociais e culturais e mensurar na ponta do lápis quanto cada uma custa por 12 meses e projetar as metas com base nesse valor. 


Nesse exemplo, terei basic
amente três metas para atingir, uma para cada tipo de atividade. Uma vez definidas as estratégias de captação (vide artigo citado anteriormente), podemos projetar o valor de retorno para cada estratégia escolhida, utilizando a ferramenta SMART² – um acrônimo das seguintes palavras em inglês: Specific (específico), Mensurable (mensurável), Attainable (alcançável), Relevant (Relevante) e  Time based (tempo determinado).



Basicamente, para definir suas metas de forma eficiente, você precisa ter total atenção nesses cinco pontos:


Específico - A meta não pode ser generalista, tal como “quero ter mais recursos para as atividades esportivas”, pois não tem como medir o êxito do projeto ou não. Nesse caso, estipule o quanto você deseja: “Quero aumentar em 20% o recurso para as atividades esportivas .”


Mensurável - Temos que ter condições de medir a meta. Nesse caso, a medida será a comparação do resultado anterior com o resultado obtido ao final do processo, e o verificador será justamente a diferença do resultado. Para uma meta ser mensurável, ela deve responder às seguintes questões:


Qual é o resultado esperado?

Quanto tempo será necessário para a equipe alcançar a meta?


Trabalhando em nosso caso, teremos:

Qual é o resultado esperado? → Aumento de 20% do recurso para esporte.

Quanto tempo será necessário para a equipe alcançar a meta? → 12 meses.


Alcançável - o bom senso para entender as suas potencialidades e limites pode te proporcionar clareza para definir metas alcançáveis. É importante não colocar metas muito altas, que podem gerar mal estar na equipe caso não sejam atingidas. Porém, também é necessário o cuidado de não estipular metas muito baixas, que costumam proporcionar conforto e relaxamento aos colaboradores. Portanto, antes de criar uma meta, é fundamental avaliar os seguintes pontos:


Com base no histórico, é possível atingir a meta estabelecida?

Qual a opinião dos colaboradores? Eles acreditam que é possível alcançá-la?


Relevante - para saber se uma meta é ou não relevante, podemos nos fazer algumas perguntas básicas, tais como: qual é o impacto positivo que essa meta vai gerar para nossa OSC, uma vez atingida? Qual o propósito de ela estar listada em nosso plano de ação? Se essa meta não existisse, que falta faria em nossa organização? Se você tem respostas que satisfazem essas perguntas e corroboram com a existência da meta, você está no caminho certo. Quanto mais relevante for a meta, mais motivados estarão os envolvidos. Claro, considerando que sejam metas alcançáveis.


Tempo Determinado - por último, não podemos esquecer que toda meta precisa de um prazo a se cumprir. Caso contrário, todo o trabalho desenvolvido se perde no caminho. Imagine traçar a meta para ser atingida em 2 anos, sendo que o recurso será necessário em menos de 12 meses!


Desenhada suas metas, estipule
como você acompanhará os indicadores de cada uma delas e como você apresentará o resultado ao final do processo. Monitore e avalie cada ação desenvolvida para o alcance das metas. 


Uma última dica: aproprie-se do Ciclo PDCA³ (
Plan: Planejar; Do: Fazer, executar; Check: Checar, verificar, mensurar; e Act: Agir), que te ajuda a avaliar de forma dinâmica como as ações estão sendo desenvolvidas, o que está dando certo e o que precisa melhorar.


Mãos à obra!




Gostou do conteúdo do Pedro e quer interagir com ele? Escreva para prolazerconsult@gmail.com



Pedro Sá

Pedro Sá  é graduado em Gestão Desportiva e de Lazer pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), possui uma história no setor social desde os 15 anos e, como profissional, já atuou na administração pública e privada; hoje atua como consultor independente em gestão de projetos de impacto e captação de recursos.


Inscreva-se na nossa Newsletter

Últimas publicações

Por Maria Cecília Prates   1 de setembro de 2026
Essa é uma discussão relevante que está colocada pelo Collective Impact Forum, uma rede de instituições do terceiro setor, criada desde 2013 para estimular a busca do impacto social coletivo . Essa rede é coordenada pela FSG (Foundation Strategy Group), empresa de consultoria sem fins lucrativos, fundada por Michael Porter e Mark Kramer, e que atua segundo quatro ideias centrais: a filantropia catalisadora (que antes eles denominavam por “filantropia estratégica”); o impacto coletivo; os mercados inclusivos; e o valor compartilhado.  A ideia do impacto social coletivo foi inicialmente lançada em 2011, em texto publicado por John Kania e Mark Kramer, em oposição à prática predominante do impacto social isolado. Até hoje as organizações sociais têm atuado basicamente de modo individual, por meio de intervenções isoladas. Segundo os autores, essa estratégia funciona muito bem quando se trata de “problemas técnicos”, isto é, problemas bem definidos, com solução conhecida de antemão e em que uma organização sozinha tem competência para a sua implementação no todo. Um exemplo é a necessidade de um treinamento específico para ajudar na inserção no mercado de trabalho. Nessas iniciativas de impacto isolado, as organizações sociais atuando em uma mesma área-fim tendem a competir entre si junto aos financiadores. Pois prevalece a lógica de que quem apresenta desempenho melhor, consegue captar mais recursos e, assim, dar maior escala ao seu negócio social. A avaliação de impacto é conduzida de modo individual, e o esforço é por isolar a influência individual do trabalho da organização de outros fatores concorrendo simultaneamente – como, por exemplo, a influência de outras instituições da localidade. Porém, o que ocorre é que no setor social os problemas são, em sua grande maioria, “adaptativos”, isto é, complexos, cheio de interdependências, em que a solução não é conhecida de antemão e, mesmo que fosse, nenhuma instituição sozinha teria os recursos e a autoridade para promover a mudança necessária. Um exemplo é a necessidade de apoio e educação integral para crianças em situação de vulnerabilidade. Daí, segundo os autores, para os problemas sociais e ambientais complexos, as iniciativas de impacto coletivo tendem a ter um potencial de transformação muito maior. Ao invés de uma atuação individualizada, a ideia é que as organizações de diferentes setores [público, privado e terceiro setor] passem a atuar de modo coordenado e integrado, cada uma em sua área de expertise , com o objetivo de alcançarem juntas a mudança social desejada, de forma duradoura e em grande escala. Como advertem Kania e Kramer, a implementação dessa estratégia coletiva não é trivial e, para ser bem sucedida, deve atender a cinco condições básicas : ter uma agenda em comum (o mesmo entendimento do problema social e de sua solução); ter um sistema informatizado de medição compartilhada (“ shared measurement ”); executar as atividades de modo complementar de acordo com um plano de ação; manter comunicação contínua, como base para a confiança entre os diferentes atores; ter a presença de uma organização coordenadora “ backbone organization ”). Só que o cumprimento de todas essas condições exige investimentos significativos em termos financeiros e de tempo, para construir laços de confiança entre os atores, formar uma base de conhecimentos e infra-estrutura de suporte. Nessas iniciativas de impacto coletivo, prevalece a colaboração ao invés da competição. Quer isso dizer que as organizações sociais de uma dada localidade, atuando em uma mesma área-fim, tendem a colaborar entre si para gerar o máximo benefício. E, diferente do que é feito para as iniciativas sociais individuais, a avaliação de impacto é conduzida de modo abrangente (e não isolado), e tem o foco nos resultados de longo prazo da ação conjunta dos diferentes atores. A meu ver, uma abordagem mais consistente para implementar a avaliação de impacto. Enfim, há prós e contras tanto para as iniciativas de impacto social isolado como para as de impacto coletivo. Porém, se formos adotar as iniciativas de impacto coletivo, para que elas sejam bem-sucedidas, há um longo caminho a ser trilhado antes, pois são muitos os cuidados e pré-requisitos a serem obedecidos. Fica a reflexão.
Por Ana Carolina Vieira 31 de julho de 2026
Se você trabalha em uma organização social, provavelmente já conhece esta situação: o prazo para entregar um relatório se aproxima e começa uma verdadeira força-tarefa para reunir fotos, encontrar comprovantes, levantar números e tentar resgatar atividades realizadas meses atrás. A boa notícia é que a prestação de contas não precisa ser um processo estressante. Ao longo da minha trajetória em operações e acompanhamento de organizações sociais, percebo que as maiores dificuldades não estão relacionadas à falta de trabalho realizado, mas à ausência de uma rotina simples para organizar as informações. Afinal, quem está no dia a dia da execução sabe que as demandas são intensas e nem sempre sobra tempo para registrar cada passo. A verdade é que prestar contas vai muito além de cumprir uma obrigação com financiadores ou parceiros. É uma oportunidade valiosa de evidenciar o impacto gerado, fortalecer a credibilidade da organização e consolidar uma base de conhecimento essencial para o crescimento institucional. A prestação de contas começa antes do relatório Um dos erros mais comuns é enxergar a prestação de contas como uma atividade pontual, que acontece apenas ao final de um projeto ou sob demanda. Na prática, ela deve ser construída ao longo de toda a execução. Quando a organização estabelece o hábito de registrar ações, resultados e evidências periodicamente, o trabalho deixa de ser uma carga concentrada e passa a integrar a rotina da equipe. Uma boa prática é reservar um tempo mensal para atualizar indicadores, organizar documentos e reunir registros; esse pequeno cuidado economiza horas preciosas no futuro. Fotos, listas de presença, depoimentos, notas fiscais e comprovantes de despesas são documentos recorrentemente solicitados. Por isso, vale a pena criar uma estrutura simples de armazenamento. Pastas organizadas por projeto, período ou tipo de atividade fazem toda a diferença, o importante é que a equipe saiba onde encontrar os arquivos e que haja um padrão claro para salvá-los. Lembre-se: quanto mais próximo do momento da atividade o registro for realizado, menores são as chances de perder informações valiosas. Ao pensar em indicadores, muitas organizações acreditam que precisam de sistemas sofisticados, no entanto, o mais importante é começar pelo básico. Algumas perguntas norteadoras ajudam muito: ● Quando a ação foi realizada? ● Quantas pessoas foram atendidas? ● Quantas atividades foram realizadas? ● Quantos voluntários participaram? ● Quantos materiais foram distribuídos? ● Quais resultados ou mudanças foram observados? Esses dados fornecem uma visão consistente sobre o alcance das ações. Com o tempo, a organização pode aprimorar suas métricas, mas o primeiro passo é garantir que as informações essenciais estejam sendo registradas. Uma prestação de contas organizada transmite profissionalismo, responsabilidade e transparência. Além de cumprir exigências de editais, ela consolida a confiança de doadores, parceiros, voluntários e da própria comunidade. Estamos em momento onde o doador busca muito mais transparência, e, organizações que demonstram seus resultados com clareza saem na frente, não necessariamente porque fazem mais, mas porque comunicam melhor o valor daquilo que realizam. Talvez a principal mudança de perspectiva seja entender que a prestação de contas não existe apenas para quem está fora da organização; ela é uma ferramenta vital de gestão interna. Ao monitorar indicadores, registrar aprendizados e analisar resultados, a equipe identifica desafios, corrige rotas e planeja os próximos passos com mais segurança. Mais do que um relatório, a prestação de contas é uma poderosa aliada na construção de organizações mais sustentáveis e preparadas para ampliar seu impacto. E, no fim das contas, o segredo está na constância: pequenos registros feitos ao longo do ano são muito mais eficientes do que grandes esforços concentrados às vésperas de um prazo. Afinal, narrar o impacto gerado fica muito mais fácil quando ele foi acompanhado durante toda a jornada. *Ana Carolina Vieira – Analista de Operações e Impacto Formada em Secretariado Executivo, possui experiência nas áreas administrativa e financeira, com atuação na gestão de processos internos, organização de informações, atendimento e comunicação. Ao longo de sua trajetória, desenvolveu habilidades em planejamento, controle operacional e suporte à gestão, contribuindo para a eficiência e o fortalecimento das rotinas organizacionais.
Por Instituto Phomenta 9 de julho de 2026
A Inteligência Artificial (IA) não vai salvar nenhuma Organização da Sociedade Civil (OSC). Todo mundo já entendeu que ela é indispensável, que agiliza os processos, que ajuda no corre do dia a dia e que tem mil e uma utilidades. Mas ela, sozinha, não vai tirar a sua organização do vermelho e nem vai desafogar a sua equipe. A IA é uma ferramenta poderosa para apoiar a sua gestão, mas ela só funciona se for treinada e alimentada do jeito certo. E a grande pergunta é: você já sabe como fazer isso? A verdadeira inovação da tecnologia no terceiro setor não está nas ferramentas gratuitas e famosas que todo mundo usa na internet. O segredo está em construir uma estratégia modelada exclusivamente para a captação de recursos via editais. Se as exigências de quem financia mudaram, a forma como as ONGs planejam seus projetos precisa evoluir na mesma velocidade. É exatamente por isso que nasceu o Captação com Causa. Esse projeto, que tem duração de 18 meses, e é uma iniciativa da Fundação FEAC com apoio do Instituto Phomenta, tem um objetivo bem prático: foram selecionadas 10 organizações sociais de Campinas, que após formações, passam a utilizar uma plataforma de IA totalmente customizada para o terceiro setor. Por que focar em IA para buscar recursos? O que move esse projeto é uma ferida antiga das ONGs: o maior problema das organizações brasileiras hoje não é a falta de editais. As oportunidades estão publicadas por aí, na internet. O verdadeiro desafio das equipes, que quase sempre são enxutas, está em quatro passos básicos da rotina: Saber exatamente o que procurar para não aceitar qualquer dinheiro e acabar desviando da própria missão; Conseguir filtrar quais oportunidades realmente valem a pena e fazem sentido; Criar o hábito de buscar recursos de forma constante, e não só quando o caixa aperta; Transformar esse monte de informação em dinheiro no bolso para manter os projetos de pé. Escrever um projeto para um edital é complexo. Os formulários exigem justificativas profundas, orçamentos detalhados e até análise de riscos. Para equipes que já passam o dia se desdobrando no atendimento direto às comunidades, a IA entra como copiloto. Ela assume o trabalho mecânico de escrever e revisar textos, devolvendo para o captador o que ele tem de mais escasso: tempo para pensar na estratégia. Mas… como não deixar o texto com cara de robô? As ferramentas gratuitas que vemos por aí costumam "alucinar", que é o termo técnico para quando a IA inventa dados falsos ou cria argumentos superficiais simplesmente porque ela não conhece a realidade da sua ONG. Para blindar os projetos contra esse erro, o Captação com Causa ajuda as organizações a criarem um ambiente protegido e seguro, alimentando a inteligência artificial com a identidade real da instituição. Esse treino consiste em criar um perfil superdetalhado dentro do sistema, incluindo: O histórico da organização e as causas que ela defende; A região onde ela atua e o perfil das pessoas que ela atende; Dados locais e o impacto real que ela já gera no território. Quanto mais rico e detalhado for esse perfil, mais a IA se transforma em uma assistente exclusiva da causa. A partir daí, a máquina passa a escrever falando a mesma língua do financiador. Ela aprende a usar os termos técnicos que os avaliadores de editais procuram, cruza as palavras-chave exigidas e ajuda a encaixar a história da sua comunidade dentro das metas do orçamento. Falando a linguagem de quem investe Hoje em dia, as empresas e institutos que financiam projetos sociais mudaram a forma de avaliar as propostas. Eles não olham mais apenas para o número bruto de pessoas atendidas; eles querem ver o valor real do impacto gerado. Por isso, o projeto treina a IA para usar uma métrica chamada SROI (Retorno Social sobre o Investimento) . Para se ter uma ideia de como isso funciona: pesquisas do setor mostram que, para cada R$ 1 investido em projetos sociais por meio de incentivos fiscais no Brasil, cerca de R$ 7,59 retornam em benefícios reais para a sociedade e para a economia. Quando a IA é ensinada a cruzar os dados públicos da sua cidade (como pesquisas do IBGE) com o histórico de entregas da sua ONG, ela ajuda a provar matematicamente o valor do seu trabalho. O seu projeto deixa de parecer um "custo" para o investidor e passa a ser visto como um investimento seguro e transformador. O que muda na prática para as organizações? Com esse método bem aplicado, as inovações que as ONGs podem esperar mudam completamente o jogo da captação: Fim do desespero de última hora: A organização sai daquele modelo de correr atrás de edital na véspera do vencimento e passa a ter uma rotina organizada e previsível; Propostas sem erros bobos: Os projetos ficam muito mais robustos, diminuindo drasticamente as reprovações por preenchimento incompleto, metas vagas ou erros de orçamento; Mais confiança dos financiadores: Uma ONG que consegue provar seu impacto com dados seguros conquista a confiança de grandes investidores e garante sua sustentabilidade no longo prazo. Quer saber mais sobre captação estratégica e tecnologia? Aproveite para conferir nossos outros textos sobre sustentabilidade financeira e inteligência artificial no terceiro setor: O perigo do "dinheiro a qualquer custo": não deixe a procura por editais desvirtuar a sua missão: Entenda como a urgência para acessar editais sem alinhamento prévio pode desvirtuar a missão institucional da sua OSC e saiba como selecionar financiadores que respeitem os seus valores reais. Por que sua estratégia de captação precisa de IA (urgente)?: Conheça os dados oficiais sobre a sobrecarga dos captadores de recursos no Brasil e descubra por que a inteligência artificial virou uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para criar rotinas eficientes.
Por Instituto Phomenta 4 de julho de 2026
Você com certeza já viveu essa cena: o processo de seleção de voluntários foi um sucesso, a reunião de integração é melhor ainda e todo mundo sai motivado. Duas semanas depois, metade do grupo some sem dar notícias, os e-mails ficam sem resposta e, na hora daquela ação crucial, a coordenação precisa se desdobrar porque metade dos confirmados cancelou em cima da hora. Se a rotina da sua ONG parece um eterno ciclo de recrutar pessoas para cobrir o desfalque das anteriores, saiba que você não está só. Manter voluntários conectados a uma causa a longo prazo é um dos maiores desafios de gestão no Terceiro Setor. Para entender o tamanho do problema, basta olhar para o cenário nacional. Os dados da Pesquisa Voluntariado no Brasil, realizada pelo IDIS/Datafolha (2021) afirmam que, dos 57 milhões de brasileiros e brasileiras que realizam ou já realizaram trabalhos voluntários, apenas 12% fazem ações regularmente. Ainda de acordo com a pesquisa, embora o desejo de fazer o bem seja alto no país, entre os voluntários insatisfeitos e menos entusiasmados aparece a falta de motivação e de apoio/recursos, como fatores que trazem desengajamento.
Por Instituto Phomenta 25 de junho de 2026
Manter uma Organização da Sociedade Civil (OSC) de portas abertas no Brasil é um desafio diário de sobrevivência. Historicamente, a sustentabilidade financeira é o maior gargalo do terceiro setor, mas, frente ao montante de trabalho e às obrigações do dia a dia, ainda não conseguimos olhar para ela de forma estratégica. Assim, tratamos a busca por recursos como um evento de última hora, e não como um processo diário. Os dados do setor desenham um cenário alarmante sobre a estrutura das organizações brasileiras. Segundo a pesquisa da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR)*, 37% dos respondentes apontam como a maior dificuldade da captação a necessidade de dividir o tempo com outras demandas da instituição. Na maioria dos casos, a função é acumulada pela diretoria ou por técnicos que já estão sobrecarregados com a operação na ponta. O resultado é um ciclo vulnerável, especialista em "apagar incêndios": uma corrida desesperada contra o tempo para preencher formulários complexos apenas quando o caixa já entrou no vermelho. Diante dessa escassez crônica de tempo, a Inteligência Artificial (IA) passou a ser uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para viabilizar a sustentabilidade institucional, mas poucas organizações ainda sabem como usá-la. A maioria das ONGs usa IA sem estratégia A rotina ideal de captação exige monitoramento constante do mercado, leitura minuciosa de editais, adequação técnica de propostas e relatórios rigorosos de prestação de contas. Mas você leu bem: ideal . Não é o que temos à mão no dia a dia. Para equipes enxutas, a IA se tornou o caminho para assumir essa carga operacional. Na captação de recursos, a máquina atua — ou deveria atuar — como um copiloto técnico: fazendo a triagem de diretrizes complexas e adaptando a linguagem de projetos para diferentes perfis de financiadores, devolvendo ao profissional o tempo necessário para pensar estrategicamente. Porém, de acordo com o levantamento do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) , feito com mais de 1,5 mil organizações, 62% assumem que ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Vivemos em uma constante urgência para adotar a tecnologia, mas o pouco background gerou um uso amador e desordenado. Um mapeamento recente conduzido também pelo IDIS com mais de 500 entidades revelou que 95% das organizações sociais utilizam IA sem qualquer política ou orientação formal, e 75% dependem exclusivamente de ferramentas gratuitas de mercado. O risco aqui é que, com a soma da pouca estratégia e da falta de substância, as ONGs só consigam gerar, por meio da IA, propostas superficiais e desconectadas da realidade do território. São materiais incipientes, que podem levar à desclassificação imediata dos projetos pelos avaliadores dos editais. Como usar a IA a seu favor? Como resposta direta a esse cenário de equipes sobrecarregadas e necessidade de profissionalização tecnológica, a Fundação FEAC, com apoio do Instituto Phomenta, estruturou o projeto Captação com Causa. A iniciativa de 18 meses foi desenhada justamente para aplicar a IA como uma solução de sustentabilidade em 10 OSCs selecionadas de Campinas. Para combater o uso desordenado e a dependência de plataformas gratuitas apontados pelas pesquisas, o programa introduz no dia a dia das instituições bots customizados e programados especificamente para o contexto do terceiro setor. Em vez de soluções genéricas, as organizações ganham um sistema que filtra editais de forma preditiva e qualifica a escrita técnica das propostas, reduzindo drasticamente o tempo gasto na formatação dos projetos. O foco principal do projeto, que conta com um match funding de R$ 100 mil, é estruturar a captação como uma rotina viável. Por meio de assessoramentos individuais e coletivos, o programa prepara os profissionais para utilizarem a IA com postura crítica, garantindo que a tecnologia trabalhe a serviço da estratégia humana. Ao transformar a tecnologia em uma aliada, o Captação com Causa mira na mobilização de R$ 800 mil entre as participantes e na comprovação de que, com o método correto, a captação de recursos pode deixar de ser um susto sazonal e se tornar uma estratégia previsível, perene e sustentável. Quer saber mais sobre o Captação com Causa? Confira nosso último artigo! *Fonte: Censo ABCR
Por Instituto Phomenta 11 de junho de 2026
Nem todo edital é uma oportunidade. Entenda os riscos do desvio de missão e como captar recursos de forma estratégica.
mostrar mais

Participe do nosso grupo no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão

Entrar para o grupo