6 dicas para melhorar o engajamento da diretoria

29 de julho de 2021

Este conteúdo foi produzido por Bruno Faloppa


Você já conheceu alguma organização incrível, porém cujos membros da diretoria não estavam todos engajados? Você já trabalhou ou trabalha em alguma instituição onde é possível notar claramente que há pessoas que se empenham muito mais do que as outras?


Infelizmente, esse é um cenário muito comum – não apenas no terceiro setor, mas também em diversos ramos empresariais. De acordo com uma pesquisa internacional feita pela Gallup, em 2020, 80% dos funcionários não estão engajados em seus respectivos trabalhos e funções. Caso queiram saber mais sobre muitos estudos internacionais sobre o tema, é possível pesquisar o termo “Board Engagement”.


Falando especificamente do terceiro setor, o envolvimento dos funcionários e da diretoria são primordiais para a sustentabilidade, o fortalecimento e até o crescimento de qualquer organização.


Por isso, apontamos a seguir 3 elementos para avaliar se a diretoria da sua instituição está engajada, além de 6 dicas de como aumentar o envolvimento das pessoas.


COMO SABER SE A DIRETORIA ESTÁ ENGAJADA 


  • As pessoas estão deixando de comparecer a muitas reuniões que estavam marcadas com antecedência e atrasando diversas entregas?

  • Quando precisam apresentar algum andamento sobre as atividades, não demonstram que se prepararam antecipadamente?

  • Quando há encontros virtuais ou presenciais, as pessoas estão ficando a maior parte do tempo quietas e sem expressar uma opinião?


Não há uma ciência exata quando o assunto é o envolvimento emocional e pessoal de seres humanos. Porém, caso a resposta seja “sim” para as três perguntas acima, há um indício de que nem todos estão muito motivados com suas funções.


Para melhorar essa situação, é necessário entender que não existe uma receita para motivar as pessoas. O que existe é uma série de boas práticas para elevar o engajamento interno. Confira abaixo:


6 DICAS DE COMO ENGAJAR A DIRETORIA DA SUA ORGANIZAÇÃO

  1. Conheça a motivação da equipe
    Sejam pessoas que estão há muitos anos na diretoria ou que simplesmente chegaram há pouco tempo, muitas vezes não lhes foi perguntado o que as motivou para estarem na organização, nem o que realmente as faz brilhar olhos e acordar todo dia para trabalhar.
    Uma sugestão é criar um formulário online e anônimo ─ algo com poucas perguntas, no máximo 5 ─, no qual cada membro da diretoria poderá expressar o que mais gosta de fazer, o que o motiva e o que acredita não estar funcionando atualmente.
    Após obter as respostas, mesmo sendo de forma anônima, será possível ter um panorama geral da equipe e criar ações para fortalecer constantemente a motivação.

  2. Esclareça a função de cada pessoa
    O desconhecimento ou nebulosidade a respeito dos direitos e deveres de cada membro também é um ponto de desmotivação.
    Crie um documento de fácil acesso para toda a organização que contenha as responsabilidades de cada função.
    Faça esse documento em conjunto com todos os participantes da diretoria e utilize-o para criar um maior sentimento de colaboração e pertencimento.

  3. Avalie o desempenho regularmente
    Tão importante quanto as ações e atividades do dia a dia, é necessário que exista uma análise do que foi realizado, do que deu certo e do que ainda pode ser melhorado.
    Crie metas em conjunto com a equipe para os períodos do ano ─ podem ser semestrais, trimestrais, mensais, o que fizer mais sentido para sua organização no momento.

  4. Tenha reuniões individuais de feedback
    Assim como é importante a criação e o acompanhamento periódico de metas, também são necessários momentos individuais para conversar sobre o que deu certo e sobre possíveis melhorias.
    Para isso, decidam uma frequência para a realização desses bate-papos. Se possível, faça conversas individuais e crie um ambiente de confiança, sem exposição.

  5. Otimize as comunicações e as reuniões
    Uma das maiores queixas no trabalho refere-se a problemas na comunicação e reuniões desnecessárias. É importante estar próximo do time, mas também otimizar o tempo de cada um.
    Crie um canal ─ seja por e-mail, WhatsApp ou qualquer meio ─ para que cada pessoa informe diariamente qual será seu foco no dia (no máximo 3 itens). Isto resultará em uma maior visibilidade e transparência, facilitando até a ajuda entre os membros nas tarefas.
    Antes de qualquer reunião, envie a pauta do que será tratado e convide apenas as pessoas relacionadas com o tema que será abordado. Participar de reuniões sem necessidade é um grande fator de desmotivação.

  6. Crie um ambiente agradável
    Já parou para pensar o quanto a sua organização trabalha e gera impacto? E vocês comemoram essas conquistas?
    Não deixe de celebrar com a equipe e não fique esperando para comemorar apenas quando acabarem um enorme projeto.
    Tenha momentos de descontração após o horário de trabalho, reconheça as pessoas nas redes sociais da organização, tenha um dia em que cada um possa sair 30 minutos antes… Conheça o seu time e crie um ambiente onde todos sintam prazer de trabalhar e compartilhar com as pessoas à sua volta.


Como podemos perceber, o engajamento de uma equipe é um processo e, como todo processo, leva um tempo para ser implementado e para que os primeiros resultados apareçam.


Porém, trabalhar com as pessoas certas e motivadas será a chave para alcançar cada vez mais os objetivos das organizações do terceiro setor: fomentar esperança e transformar vidas!


Este conteúdo foi produzido por Bruno Faloppa



Carla Prates

Bruno Faloppa, do time de Aceleração Social da Phomenta.


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Por Nathalia Albuquerque 2 de março de 2026
Você pode amar muito um time e ainda assim vê-lo perder campeonatos por anos. Pode ter a maior torcida do país, uma história gigante e uma camisa pesada. Mas sem gestão, isso não se sustenta. No terceiro setor acontece algo muito parecido. Sou corinthiana e não acompanho o futebol tão de perto. Mesmo assim, é impossível ignorar o que Palmeiras e Flamengo vêm construindo nos últimos anos. Escrevo este artigo no final de 2025 e, ao olhar para os principais campeonatos do período recente, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, esses dois clubes seguem protagonizando finais, títulos e campanhas consistentes. Não por acaso, também passaram a aparecer em premiações internacionais que reconhecem excelência em gestão, como o Globe Soccer Awards. Mas nem sempre foi assim. E é exatamente aí que essa história interessa às organizações da sociedade civil. Quando a virada não acontece no campo Palmeiras e Flamengo já viveram fases marcadas por dívidas, crises internas e resultados bem abaixo do potencial que tinham. A mudança não começou com um craque, nem com um gol histórico. Começou fora de campo. Por volta de 2012 e 2013, os dois clubes passaram a tratar a gestão como eixo central. Planejamento financeiro, profissionalização das equipes, governança e visão de longo prazo deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões concretas. Se você não gosta de futebol, continue comigo. O ponto aqui não é o esporte. É entender que amor, tradição e propósito são fundamentais, mas não substituem uma boa gestão. Com gestão, a gente vai mais longe. O que o Palmeiras ensina No Palmeiras, a virada tem um nome bastante conhecido: Paulo Nobre. Ao assumir a presidência do clube em 2013, encontrou um cenário delicado, com dívidas e pouca previsibilidade. Uma das decisões mais simbólicas foi emprestar recursos próprios para reorganizar as finanças do time. Um gesto arriscado, mas inserido em uma estratégia maior. A partir daí, vieram parcerias estratégicas como a Crefisa, a profissionalização da gestão e a criação de novas fontes de receita. A modernização do Allianz Parque transformou o estádio em um ativo que gera renda muito além dos jogos, com shows e eventos. É a lógica de enxergar a estrutura como meio para sustentar a missão, algo bastante familiar para quem atua no terceiro setor. O Flamengo e a coragem de arrumar a casa O Flamengo sempre teve popularidade e potencial. O que faltava era organização. A virada começou com decisões duras e pouco populares, como uma política rigorosa de controle de gastos e reorganização financeira. Antes de investir pesado em contratações, o clube investiu em processos, equipe técnica qualificada e responsabilidade fiscal. Os títulos vieram depois. Não como milagre, mas como consequência. O que tudo isso tem a ver com as OSCs? Muito mais do que parece. Os dois clubes mostram que investir na base (jovens atletas em formação para o time principal) é apostar no longo prazo, mesmo quando o retorno não é imediato. No terceiro setor, isso aparece na formação de equipes, no fortalecimento institucional e no desenvolvimento de lideranças. Eles também reforçam uma verdade incômoda: amor não é estratégia. Paixão move, mas não organiza fluxo de caixa, não constrói indicadores e não garante sustentabilidade. Há ainda a importância de diversificar fontes de receita, inclusive para organizações grandes e reconhecidas, e de contar com profissionais qualificados, além de investir em quem já faz parte da equipe. Nada disso acontece do dia para a noite. O processo é longo, exige constância e escolhas difíceis. Um convite para quem lidera organizações sociais  Se você lidera uma OSC, vale a reflexão. O quanto da sua energia está concentrada apenas na causa e o quanto está direcionada para fortalecer a gestão que sustenta essa causa? Gestão não esfria o propósito. Pelo contrário. Ela protege a missão, amplia o impacto e garante que o trabalho continue existindo daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futebol e no terceiro setor, amor é o ponto de partida. Gestão é o que transforma esse amor em legado.
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