Segurança Psicológica nas ONGs: Da teoria à prática

29 de agosto de 2024

Saiba como tornar o ambiente de trabalho mais acolhedor para sua organização e contribuir para que sua equipe se sinta mais segura para colaborar, aprender e experimentar.

A ONG em que você trabalha é um lugar onde existe segurança psicológica?

Você está familiarizada com esse termo?


Segurança psicológica, definida por sua maior pesquisadora, a Professora Ph.D da Harvard Business School, Amy Edmondson, se refere a “um clima de equipe caracterizado pela confiança interpessoal e respeito mútuo em que as pessoas estão confortáveis sendo elas mesmas”.


De forma mais ampla, em um ambiente de trabalho seguro psicologicamente, as pessoas sentem-se apoiadas emocionalmente para manifestar suas ideias, dar e receber feedbacks sinceros e amistosos, assumir riscos e admitir erros, entendendo o trabalho também como um exercício de aprendizagem em conjunto.


Ao contrário disso, em espaços onde os colaboradores experimentem o sentimento de serem negligenciados, diminuídos ou humilhados, dizer o que se pensa e sente torna-se emocionalmente caro, fazendo com que a pessoa se feche, se autocensure e redirecione sua energia para o gerenciamento de risco, prevenção da dor e autopreservação, o que, consequentemente, mina a motivação, a colaboração, criatividade e o adoece.


Em tempos em que as organizações sociais precisam estar atentas a novas formas de inovação, gerenciamento e mensuração de impacto, voltar-se para a manutenção de um ambiente seguro emocionalmente é um caminho fundamental para potencializar resultados.


Você deve estar se perguntando: Então, como identifico a presença da segurança psicológica em minha ONG ou como desenvolvê-la?


Tenho algumas sugestões para você:

 

As 4 etapas da Segurança Psicológica


De acordo com o livro “As 4 etapas da Segurança Psicológica: definindo o caminho para a inclusão e a inovação”, de Timothy R. Clarke, investir em segurança psicológica é, na verdade, criar sistemas sociais saudáveis. Neles estão inclusos: Sentir-se incluído, seguro para aprender, seguro para contribuir e seguro para desafiar, “tudo sem medo de ser envergonhado, marginalizado ou punido de algum modo”.


Em seu livro, Timothy desenvolve uma progressão lógica, apresentada em 4 aspectos, para que se crie um ambiente mantenedor de equipes saudáveis. São eles: 


  • Segurança da Inclusão: Nesse estágio, é muito importante que a liderança promova um ambiente de acolhimento e aceitação, para que as pessoas possam se sentir incluídas, pertencentes a um grupo e seguras para expressar suas ideias.


  • Segurança do Aprendizado: Neste ponto, enfatiza-se não somente o aprendizado intelectual, como também as complexidades emocionais do processo de aprendizagem, onde a pessoa é motivada a experimentar, testar e até mesmo errar.


  • Segurança da Colaboração: Corresponde à necessidade de cada um em colaborar e fazer a diferença, sentindo-se ouvido e considerado. As pessoas podem contribuir com a apresentação de informações, ideias, preocupações, opiniões e propostas, às suas chefias, relativamente (1) ao modo como o trabalho poderá ser executado, (2) ao que deve/ não deve ser feito, (3) a como uma determinada decisão pode ser posta em prática, e (4) a como uma determinada política deve ser formada e executada. 


  • Segurança do Desafiador: Neste aspecto, a pessoa se sente segura para questionar os processos e situações, sem receio de retaliação, proporcionando um terreno fértil para a criatividade e a inovação prosperarem.



Mas e quando as coisas não vão bem? Como identificar a falta de segurança psicológica de uma organização?


Sinais da Falta de Segurança Psicológica


A colaboração é um fator que está na essência do terceiro setor. Se escolhemos trabalhar em um setor onde o maior objetivo não é o lucro financeiro, mas sim a melhoria da sociedade, contribuir com a comunidade atendida pela organização ou com as pessoas da equipe deveria ser algo natural, porém, o fato é que se o ambiente da ONG não é considerado seguro por seus colaboradores, a cooperação torna-se fragmentada, já que as pessoas deixam de querer contribuir para a melhoria da organização ou experimentam o medo de falar.


O silêncio foi um dos indicadores pesquisados como sinal da falta de segurança psicológica por estudiosos como o Ph.D Daniel Costa Pacheco, do Centro de Estudos Econômicos Aplicados do Atlântico, de Açores, Portugal.


Daniel define o silêncio, no contexto organizacional, como “a omissão de informações, sugestões, preocupações e questões. O silêncio informal surge por motivo defensivo, relacional, malicioso ou por timidez e de acordo com o clima e cultura organizacional, também pode ser levado em consideração como uma resposta à injustiça organizacional percebida”.

Leia mais sobre Clima Organizacional

Outro sintoma enfatizado por Amy Edmondson e Timothy Clarke é a presença do medo. Clarke (2023) afirma: “o medo é o inimigo. Ele congela a iniciativa, amarra a criatividade, gera conformidade em vez de compromisso e reprime o que de outra forma seria uma explosão de inovação”.


A sensação de medo e insegurança podem ser causados por diversos fatores e situações, sendo que, nem sempre, são identificados de forma clara ou rápida. Ela pode estar presente em comportamentos e circunstâncias provocadas pela liderança (ou com sua permissividade) e se manifestam como:


  • Liderança autoritária e microgerenciamento


  • Microagressões e discriminação


  • Falta de feedback construtivo


  • Falta de comunicação aberta e transparente


  • Gestão ineficaz de conflitos


  • Políticas e práticas injustas


No livro  “A vantagem decisiva” de Patrick Lencioni (2021), o autor pontua: “A maior vantagem que qualquer organização pode alcançar é sua saúde organizacional. No entanto, embora seja algo simples, gratuito e acessível, é ignorado pela maioria dos seus líderes”. 


Relação de poder


As relações de poder dentro da organização são definidoras do clima estabelecido nele. Seus sinais podem ser percebidos na relação da liderança com os liderados, mas também na relação entre seus gestores.


No caso das ONGs, pode ocorrer alguns agravantes para a segurança psicológica como o caso de:


  • Diretorias que são estabelecidas por influência social e não por conhecimento aprofundado da causa defendida pela organização. Isso faz com que as “ordens” sejam delegadas por quem tem mais poder, sem escuta da equipe ou da comunidade atendida.


  • Poder de decisão dos fundadores, que muitas vezes possuem muita vontade de fazer as coisas acontecerem, mas pouca formação ou conhecimento em Gestão de Pessoas. 


  • Estilos de liderança centralizadores ou autoritários e que, por conformidade da diretoria, permanecem no cargo por décadas sem se disponibilizarem a repensar sua forma de agir, já que “tem dado certo” por tanto tempo. Neste caso, quem questiona acaba sendo a pessoa-problema.


  • Patrocinadores ou apoiadores financeiros que exigem a forma com que os recursos serão gastos ou manejados, também sem conhecimento do contexto da equipe.


Por onde começar?


A empresa Moodar, que é uma plataforma de Gestão de Saúde Emocional, oferece em seu blog, em um artigo chamado “Programa de Saúde Psicológica: Como criar um do zero”, uma série de sugestões práticas de por onde começar a cultivar um ambiente de trabalho seguro psicologicamente. Dentre as sugestões estão:

  • Avaliação inicial de melhoria a serem realizadas
  • Educação e conscientização por meio de treinamentos
  • Implementar rotinas de feedback e reuniões 1:1: 
  • Fomentar práticas diárias de diálogo (como a dinâmica de “Como você chega?” para as reuniões)
  • Reconhecer e valorizar ideias dos colaboradores
  • Ser um suporte eficiente
  • Estar disponível para escutar a qualquer momento
  • Encarar o erro e o fracasso como parte do aprendizado
  • Demonstrar vulnerabilidade e construir vínculos
  • Combater situações de Assédio
  • Incentivar qualidade e resolutividade no trabalho em equipe
  • Manter uma comunicação clara e esclarecedora


Benefícios de se investir em segurança psicológica


Segurança psicológica é um termo recente que ganhou notoriedade a partir do momento em que o Google divulgou seus dados sobre o projeto Aristóteles, um estudo de mais de dois anos, analisando 180 equipes, que observou os fatores que diferenciam times medianos e times de alta performance, tendo como base a teoria da professora de Harvard Dr. Amy Edmondson.


Neste estudo, ficou claro que, mais do que habilidades individuais ou competências técnicas, a presença da segurança psicológica mostrou-se ser um fator fundamental para o sucesso de uma equipe. Ela atua como alicerce para o desenvolvimento de um ambiente de trabalho saudável e produtivo.


Daniel Pacheco, organiza em sua dissertação de mestrado intitulada “Silêncio/voz nas organizações e segurança psicológica”, de 2015, os três níveis de benefícios de se investir nestes elementos:


  • Nível individual: Melhoria da saúde mental e do bem-estar e o aumento da autoconfiança e autoestima, reduzindo a sensação de stress e ansiedade. Aumento do engajamento, motivação e desempenho individual no trabalho


  • Nível grupal ou de equipe: Influencia na melhoria da comunicação, na cooperação entre os membros da equipe, assim como na melhoria do desempenho, principalmente na resolução de conflitos e tomada de decisão.



  • Nível organizacional: Proporciona o aumento da produtividade e da eficiência organizacional, juntamente com o desenvolvimento de uma cultura de confiança e respeito mútuo, onde se retém e atrai talentos.
Leia também o artigo ''Percepção de Suporte Organizacional''

Em síntese, a segurança proporcionada gera confiança, a confiança gera vitalidade e a vitalidade gera melhores resultados em todas as esferas.


Referências:


Clarke, T. As 4 etapas da Segurança Psicológica: definindo o caminho para a inclusão e a inovação. Traduzido por Daniel Salgado. Rio de Janeiro: Alta Books, 2023.


Edmondson, A. (1999). Segurança psicológica e comportamento de aprendizagem em equipes de trabalho.


Lencioni, P. A vantagem decisiva. Traduzido por Flavio Chamis. Rio de Janeiro: Sextante, 2021.


Moodar. Programa de Saúde Psicológica: Como criar um do zero. Disponível em:
https://www.moodar.com.br/blogmoodar/programas-seguranca-psicologica-trabalho-como-criar-zero


Pacheco, D.C. (2015) Silêncio/voz nas organizações e segurança psicológica. Dissertação de Mestrado em Ciências Econômicas e Empresariais. Departamento de Economia e Gestão. Universidade de Açores, Portugal. Disponível em:
https://repositorio.uac.pt/bitstream/10400.3/3605/2/DissertMestradoDanielCostaPacheco2015.pdf


Sara Dias é pesquisadora e facilitadora do movimento e do bem-estar. 

Profª Mestra em Artes da Cena pela UNICAMP,  pós-graduanda em Gestão de Pessoas e Psicologia Organizacional e instrutora de Yoga. Possui experiência como educadora social desde 2006 e desenvolve projetos relacionados à Saúde Mental e Bem-Estar no Terceiro Setor. 


Inscreva-se na nossa Newsletter

Últimas publicações

Por Instituto Phomenta 11 de junho de 2026
Nem todo edital é uma oportunidade. Entenda os riscos do desvio de missão e como captar recursos de forma estratégica.
Por Jaice Balduino 1 de junho de 2026
O doador brasileiro está mudando: mais seletivo, exigente e orientado por impacto. Descubra o que as organizações sociais precisam oferecer para conquistar e fidelizar quem doa no cenário atual.
Por Instituto Phomenta 26 de maio de 2026
Quem está no dia a dia da gestão de uma ONG conhece bem o dilema: a gente passa tanto tempo cuidando dos projetos e atendendo a ponta que a nossa própria estrutura vai ficando para trás. Já diz o ditado: “em casa de ferreiro…”. Nosso financeiro roda no limite, a equipe fica sobrecarregada, os processos são travados e a liderança vive exausta. A verdade é que a gente se acostumou a operar no modo de sobrevivência. Então, que tal dar um passo para trás e avaliar o todo? Durante o FIFE 2026, o sociólogo Domingos Armani trouxe uma provocação que cutucou feridas necessárias. Ele alertou que muitas organizações ainda insistem em carregar crenças e estigmas que funcionam como mapas obsoletos. Só que, o grande problema de usar um mapa velho é que o mundo mudou, e o desenho antigo já não bate com o terreno real de hoje. Insistir na ideia de que investir na própria estrutura é "gastar dinheiro que deveria ir para o projeto" é um desses mapas velhos que precisamos rasgar. Fortalecer a casa, o chamado Desenvolvimento Institucional (DI), é o que garante que a ONG continue existindo e gerando impacto no longo prazo. E essa mudança de mentalidade muda tudo, inclusive o jeito de captar recursos. Mudar a postura para financiar a sua estratégia Captar recursos para o Desenvolvimento Institucional, ou seja para estruturar a gestão, investir em tecnologia e manter o time funcionando, exige parar de pedir dinheiro apenas para o "projeto da vez". No painel da Plataforma Conjunta, ainda no FIFE, o debate girou em torno de como virar essa chave diante dos financiadores. Para ajudar a avaliar como a sua organização está se posicionando, montamos um checklist prático com os principais aprendizados da mesa: Checklist de postura para o fortalecimento da ONG [ ] Você se explica pela estratégia ou pelo portfólio? Quando vai conversar com um parceiro, você gasta todo o tempo listando as oficinas da semana ou apresenta primeiro a missão e a visão de futuro da organização? Grandes parceiros querem financiar o futuro da sua causa, não apenas uma ação pontual. [ ] Você sabe compartilhar vulnerabilidades? Se a sua organização fosse perfeita e não tivesse nenhum problema de gestão, ela não precisaria de apoio. Fale da sua vulnerabilidade, mas com estratégia. Acompanha o próximo ponto! [ ] O desafio vem acompanhado de uma solução? Mostrar os pontos fracos da gestão para o parceiro só funciona se você já apresentar a rota para resolver o problema. A vulnerabilidade precisa vir colada com a sua capacidade de planejamento. [ ] O estigma da escassez foi abandonado? A gestão já superou a velha crença de que o Terceiro Setor precisa trabalhar sofrendo, com ferramentas defasadas e computadores lentos? Modernizar a estrutura interna é uma decisão de eficiência, não um luxo. Saiba que você pode merece e precisa de estrutura. Modernizar para não parar no caminho Se os mapas antigos não funcionam mais, o papel de quem gere é desenhar novas rotas. Olhar para o Desenvolvimento Institucional serve para dar musculatura para a organização. Quando paramos de “vender o almoço para pagar o jantar” e começamos a financiar a nossa própria estratégia, a ONG ganha a sustentabilidade que precisa para transformar a realidade na ponta de forma estruturada e contínua.
Por Instituto Phomenta 14 de maio de 2026
Quem trabalha em ONG sabe que a comunicação costuma ser o pratinho que mais cai. Com tantas atividades executadas ao mesmo tempo, a estratégia acaba ficando para trás porque o operacional consome todo o dia. Mas o uso da Inteligência Artificial (IA) tem mostrado que dá para mudar esse cenário. Esse foi um dos temas centrais do Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica (FIFE 2026), o principal encontro sobre gestão do Terceiro Setor no Brasil. O debate focou em como a tecnologia pode organizar processos e liberar tempo para o que realmente importa. O cenário brasileiro é curioso: de um lado, a OpenAI aponta que o Brasil é o terceiro país que mais usa o ChatGPT no mundo (atrás apenas de EUA e Índia), com cerca de 140 milhões de mensagens diárias enviadas por aqui. Por outro lado, o uso estratégico nas ONGs ainda engatinha. Um levantamento do IDIS com mais de 1,5 mil organizações revela que 62% delas ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Ou seja, a tecnologia está na nossa mão, mas o setor social ainda está descobrindo como transformá-la em aliada da gestão. Para tirar proveito real dessas ferramentas, o segredo é o jeito que você as alimenta. Durante a palestra de Marco Iarussi, publicitário social e fundador da Curta Causa, aprendemos que o "treinamento" que você dá à IA é o que define se o resultado será genérico ou útil. Mão na massa: Passo a passo para montar seu plano com IA Para a IA aprender sobre a sua realidade e não entregar respostas vazias, siga este roteiro: 1. Não mude de conversa Escolha um único chat para tratar do seu plano de comunicação, seja no ChatGPT, Gemini ou Claude. Se você abre uma conversa nova toda vez, a IA "esquece" o contexto. Mantendo o mesmo canal, ela guarda o histórico e entende as necessidades específicas da sua organização. 2. Dê informações reais Antes de pedir o plano completo, descubra o que a IA já "pensa" sobre você. Isso serve para corrigir erros e fornecer dados que ela ainda não tem. Prompt: "O que você sabe sobre a causa [inserir sua causa] e o que conhece sobre o trabalho da [nome da sua ONG]?" 3. Alinhe o que é um plano de verdade Veja se o robô entende o seu universo. Se ele tiver uma visão muito comercial, o plano parecerá uma propaganda de loja, o que não funciona para o setor social. Prompt: "Para você, o que não pode faltar em um plano de comunicação para uma ONG? Liste os pontos principais." (Leia e diga o que você concorda ou não). 4. Descubra o que ninguém está falando Use a ferramenta para encontrar novos ângulos e sair do óbvio. Prompt: "O que o pessoal mais fala sobre [sua causa] hoje? E o que você acha que ainda não foi dito, mas que ajudaria as pessoas a entenderem melhor o nosso impacto?" 5. Peça o plano prático Agora que o chat está treinado, peça a estrutura final. Prompt: "Com base em tudo o que já conversamos aqui, monte um calendário de 30 dias para as nossas redes sociais. O foco deve ser [ex: prestação de contas ou atrair novos voluntários]." Onde entra a ética e o seu papel Usar a tecnologia para facilitar o dia a dia é inteligência de gestão, mas exige cuidado. A IA serve para fazer o primeiro rascunho e organizar as ideias, mas a palavra final, a conferência dos dados e o olhar humano sobre a causa precisam ser seus. O objetivo é automatizar o que for repetitivo para que você tenha fôlego. Com a comunicação organizada, sobra tempo para construir relacionamentos de verdade e focar no que nenhuma máquina substitui a confiança e o olho no olho com quem apoia a sua organização. 
Por Camila Pasin 30 de abril de 2026
Empresas brasileiras deixaram de ser apenas financiadoras e se tornaram plataformas de engajamento. Entenda como transformar uma simples doação em uma verdadeira aliança de impacto.
Por Gabriel Pires 9 de abril de 2026
Minha OSC precisa de um código de ética? No terceiro setor, valores sem regras claras podem gerar conflitos e riscos. Entenda por que o código de ética é essencial para a gestão das OSCs.
mostrar mais

Participe do nosso grupo no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão

Entrar para o grupo