Comunicação humanizada: como chegar no coração das pessoas?

7 de julho de 2022


Este conteúdo foi produzido por Natália Gonzales, co-founder da
Nuclear.HUB e idealizadora do Social.LAB

Analisando o cenário de estratégias de comunicação da iniciativa privada, há um crescente movimento pela pauta da comunicação humanizada. Já foi até criada a expressão “share of heart” (espaço do coração) para ser adicionada às tradicionais “share of market” (fatia de mercado) e “share of mind” (espaço da mente do consumidor) quando o assunto é engajar e vender para as pessoas. Mas o que isso tem a ver com o mundo do terceiro setor?


As organizações da sociedade civil têm uma causa que a guia e um problema social que direciona seus esforços diários. Parece óbvio imaginar que isso certamente já seria suficiente para tudo que fossemos pensar sobre estratégias de comunicação estaria totalmente conectado com o fato de serem estratégias com foco no relacionamento, escuta, diálogo e conexão com a audiência. Porém, não é bem isso que acontece.


O que move as pessoas é a conexão com outras pessoas


Não à toa, uma grande parte das marcas faz parcerias com influenciadores (o que acontecerá cada vez mais). Afinal de contas, gente se conecta com gente. E isso foi comprovado em pesquisa recente do Statista, que mostrou o Brasil como um dos países em que os influenciadores têm mais poder sob as decisões de compra das pessoas. Aqui você confere também como pode “surfar nessa onda” sendo uma organização do terceiro setor e usar isso a favor dos seus pedidos de doação. 


Olhar para o outro (de verdade), escutar o outro (de verdade)


Mais que informar, é buscar se relacionar, se envolver. É preciso conhecer quem está “do outro lado” para poder criar uma conexão além de simplesmente envio de mensagens e dados. 


Para essa reflexão, trago algumas perguntas que podem te auxiliar nesse momento:


  • Quantas vezes no último mês eu incentivei minha audiência a interagir comigo por meio de enquetes, caixinhas de perguntas no Instagram?
  • Eu conheço o perfil de quem acompanha nossos conteúdos e também dos que já doam para a organização?
  • Dos que já doam, eu sei a razão dessa pessoa ter tomado essa decisão de doar, e mais, o porquê ela permanece (se for uma doadora recorrente)?


Será possível ser mais assertivo no desenho de novas estratégias quando baseamos essas decisões em dados que nos dão a direção, e isso acontece passando tanto por dados quantitativos, como qualitativos também. Um bom exemplo que pode ajudar na última pergunta acima, por exemplo, é pensar em uma entrevista semi-estruturada com alguns doadores para compreender melhor o perfil, seus comportamentos, o canal que prefere receber informações sobre transparência, a frequência, etc.


Menos sobre você, mais sobre a transformação que você gera


Recentemente, um post da Agência de Bolso me chamou a atenção. Era uma animação falando sobre ninguém gostar de conversar com aquela pessoa que só fala de si: “eu, eu, eu, eu”. E reforçava: não seja essa marca que só fala de si.


É muito comum vermos somente conteúdos institucionais nos canais oficiais das organizações, porém sem essa aproximação, afinal, por trás de toda marca, existem pessoas, sejam as funcionárias, as voluntárias, as beneficiadas, etc, a conexão fica mais difícil de acontecer. 


Porém, para entender como você conta sobre a transformação que você gera, você precisa ter bem claro qual o
problema direciona sua atuação e, com isso, terá mais clareza para poder criar um banco de histórias coerente, fazer stories no dia a dia da organização mostrando as atividades, compartilhar uma reunião de desenho de projetos que fazem com frequência, ou até mesmo mostrar que estão em um curso de capacitação que o time todo está envolvido. 


Adequando Simon Sinek para a realidade do terceiro setor:


“100% dos clientes (doadores) são pessoas.


100% dos funcionários são pessoas.


(100% dos patrocinadores são pessoas.)


Se você não entende de pessoas, você não entende de negócios.”



E se nesse momento você pensou: “Ah, mas eu não apareço em vídeo por nada, a câmera não é minha amiga”. Lembre-se:
não é sobre você, é pelo outro, para o outro. E se precisar de um empurrãozinho a mais para gravar, clique aqui.


Um ponto importante para finalizar: não é todo mundo que vai se conectar com sua organização, com sua causa. E está tudo bem. Cada pessoa tem seu repertório, seus valores e vai fazer um julgamento a partir das informações e experiências que sua organização compartilhar e proporcionar para ela. A decisão final é dela, porém, garanta que você está fazendo a sua parte!

Natália Gonzales: Eterna bailarina e fascinada pelo impacto gerado por causas sociais. Relações Públicas e mestra em comunicação mobilização. Atualmente é cofundadora da @nuclear.hub, hub de saberes sobre comunicação de causas e do Social.LAB, espaço com conteúdos, mentorias e comunidade para quem atua com causas. Contato: contato@wearenuclear.com.br.





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