O futuro dos centavos: o que a economia digital pode ensinar às organizações sociais sobre microdoações

Para muitas organizações sociais, ampliar e diversificar as fontes de financiamento continua sendo um dos maiores desafios de sustentabilidade. Em um cenário de transformação digital acelerada, novas infraestruturas de pagamento estão criando oportunidades para que pequenos valores, somados em escala, se tornem uma fonte relevante de recursos para causas sociais.
Uma dessas mudanças vem de um lugar aparentemente simples: o futuro das moedas. Nos últimos anos, a discussão sobre o fim das moedas físicas, especialmente as de baixo valor, deixou de ser apenas um tema operacional para os bancos centrais e passou a ocupar a mesa de varejistas, governos e empresas de tecnologia.
Esse movimento global evidencia uma tendência irreversível: o dinheiro físico está encolhendo e forçando o mercado a reinventar a lógica dos pequenos valores. A pergunta inevitável é: e o Brasil? A resposta é que estamos mais inseridos nessa transformação do que parece e, em alguns aspectos, já saímos na frente.
O uso de dinheiro físico no Brasil está encolhendo rapidamente: em 2019, 76,6% dos pagamentos no país eram feitos em espécie; em 2023, essa proporção caiu para 40,5%. No mesmo período, o Pix cresceu de forma exponencial e hoje é utilizado por 76% da população brasileira, tornando-se o meio de pagamento mais popular e frequente do país (Banco Central do Brasil – Pesquisa “O Brasileiro e sua Relação com o Dinheiro”).
Mesmo com esse cenário cada vez mais sem uso de dinheiro físico, o não centavo perde importância, apenas muda de função. A transição mundial do dinheiro físico para o digital abre espaço para soluções que reduzam custos operacionais, facilitem a vida do consumidor, tragam impacto social para o centro das relações de
consumo e transformem o varejo no principal motor de microdoações.
Como as organizações sociais podem acompanhar essas mudanças
Para organizações da sociedade civil, entender essa transformação nos meios de pagamento pode abrir novas possibilidades de mobilização de recursos. Alguns caminhos importantes incluem:
- Acompanhar tendências de pagamentos digitais, como Pix, carteiras digitais e novos modelos de microdoação integrados ao varejo.
- Explorar parcerias com empresas e plataformas de pagamento, que cada vez mais incorporam mecanismos de doação em suas jornadas de compra.
- Investir em educação financeira e cultura de doação, mostrando ao público como pequenos valores podem gerar impacto quando somados em escala.
- Acompanhar pesquisas e dados do setor, como estudos do Banco Central, relatórios de filantropia e iniciativas que conectam tecnologia e impacto social.
Esse é um sinal claro de que, no futuro da economia digital, cada centavo continua contando, especialmente quando ele deixa de ser físico e passa a ser propósito.
Mayda Companhone - Head de produtos no Movimento Arredondar. Com formação em Comunicação Social (2006) e especialização em Marketing Digital e E-commerce (2015-2016), sua jornada profissional é marcada pela constante inovação. Atuou inicialmente com produtos digitais focados em e-commerce até 2021, e a partir de 2021, mergulhou no dinâmico mundo das fintechs. Estudou Product Management e Product Discovery pela PM3 entre 2024 e 2025. Desde então, tem sido fundamental no desenvolvimento de produtos financeiros disruptivos, incluindo BaaS, Crédito, PIX, cobranças e plataformas de orquestração de pagamentos.
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