Gestão de Pessoas e Bem-estar no Terceiro Setor - Treinamento, Formação e Plano de carreira 3/6

16 de março de 2023

Este conteúdo foi produzido por Sara Dias


Olá! Chegamos ao texto nº 3, de uma série de 6, abordando a relação do Bem-estar no Terceiro Setor e práticas da Gestão de Pessoas. Ao final deste artigo, você encontrará o link para os dois primeiros textos, caso queira conferir. Por agora, vamos falar sobre o desenvolvimento de pessoas, em contexto profissional, e como isso afeta diretamente nos resultados qualitativos de nosso trabalho.


Podemos iniciar esta reflexão, ajustando a nossa ótica para uma das possíveis necessidades humanas básicas: o desejo de nos sentirmos competentes e respeitados no que fazemos, com uma autoimagem de eficiência, e com o sentimento de confiança na realização de nossas tarefas, neste caso, na área profissional.


Não sei como este tema é tratado em sua ONG, mas te confesso que em algumas em que trabalhei, tudo isso passa longe.



TREINAMENTO E FORMAÇÃO


Para visualizar melhor, vamos pensar na palavra "Treinamento". Podemos descrevê-la como oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento dos colaboradores, sendo possível realizá-lo de diversas maneiras: em tutorias, eventos, palestras ou cursos. Inclusive, em boas reuniões de equipes. 


Ela pode corresponder até mesmo ao primeiro dia de trabalho de uma pessoa em sua instituição. Reflita um pouco: Como ela é recebida? Como lhe é apresentado o espaço, os projetos e as funções que ela desempenhará? 


Em minhas experiências como educadora social, 50% das vezes que entrei em uma organização nova, fui direcionada em meu primeiro dia de atividade, a uma sala com cerca de 20 crianças, alvoroçadas com a minha chegada, para já colocar "a mão na massa". Sem me explicarem a estrutura das oficinas, sem um tempo para planejar, sem ler o projeto em que eu estava sendo inserida. 


Os desafios citados pela grande parte das organizações, que não conseguem priorizar o processo de aprendizagem de sua equipe, mencionados por Sophia Góes, no livro "Cuidar de quem cuida" são: a falta de tempo, a sobrecarga da equipe e falta de recursos para os cursos. No entanto, com um pouco de planejamento e estratégias gerenciais, é possível que essas oportunidades sejam criadas, até mesmo, com recursos internos ou com conteúdos gratuitos.


O fato é que, são necessárias algumas habilidades e a disponibilidade do próprio gestor em conhecer sua equipe, ou os novos integrantes, para então, mapear as possibilidades de desenvolvimento dos mesmos. E isso para o bem comum, não só de quem é treinado, mas também para a qualidade das entregas esperadas.


Os treinamentos ou formações a serem oferecidas podem ser, então, divididos no que chamamos hoje de Hard Skills (competências técnicas) e Soft Skills (competências comportamentais).


Sobre as Hard Skills, vale lembrar: ter um certificado não garante que a pessoa domine todas as habilidades necessárias para a função que você a contratou. E isso não é ruim. Só significa que você, com seu olhar atento, poderá identificar onde ela pode ficar ainda melhor. Onde ela pode crescer e oferecer melhores entregas.


Já sobre as Soft Skills, como: a proatividade, adaptabilidade, liderança, comunicação assertiva, inteligência emocional, autoconhecimento, empatia, entre outras, possibilitarão que a pessoa possa se relacionar melhor com a equipe e com o público atendido. Garantindo, inclusive, que ela lide bem com as questões emocionais da causa trabalhada pela ONG. 


O importante, neste processo, é que a pessoa que atua como agente de transformação, ou seja, o colaborador, deve estar no centro das preocupações da gestão. Sendo necessário, neste sentido, um momento de escuta, de percepção sensível e de visão dos benefícios que o investimento em desenvolvimento irá proporcionar para todas as partes envolvidas. Vale muito a pena perguntar que tipo de capacitação a pessoa gostaria de receber, porque ninguém melhor do que ela para falar de suas dificuldades e ambições.


PLANO DE CARREIRA 


Agora, vamos falar de planos a médio e longo prazo, ou seja: os Planos de Carreira. Neste ponto, podemos observar se a instituição pode, e quer, oferecer possibilidades para que membros de sua equipe ocupem cargos com maiores responsabilidades, com o passar do tempo. Seria analisar se o engajamento da pessoa pode se converter em uma "promoção", refletida em novas funções e novos salários.


O Plano de Carreira pode ser percebido como um estímulo para que o colaborador permaneça em sua organização, pois consegue ver claramente espaços para evoluir. Oferecer essa perspectiva de forma estruturada, gera confiança e credibilidade na gestão, motivando a vontade de crescer.


Todavia, é importante observar que nem todas as pessoas, necessariamente, almejam cargos de liderança em suas funções, mas podem desejar ser ainda melhores no que fazem, atuando como especialistas. Ou mesmo, recebendo desafios complementares ao que já faz.


Segundo Elaine Saad, representante da Right Management para América Latina, desenvolver um talento não requer apenas preparar os funcionários para o bom desempenho. “O desenvolvimento de oportunidades na carreira inspira o colaborador a dar o melhor de si e a usar todos os seus recursos e habilidades, o que, consequentemente, eleva o nível de desempenho organizacional”.


O contrário é verdadeiro. As consequências de não haver uma preocupação quanto ao crescimento das pessoas em uma organização, podem ser percebidas no sentimento de frustração das mesmas, com comprometimento dos resultados, na falta de motivação e na alta rotatividade presente no setor.


Estas são questões que não podem mais ser ignoradas. Desenvolvimento pessoal organizacional é uma questão de bem-estar. Está intimamente ligado à promoção de um ambiente onde se pode experimentar excelentes experiências. E não, isso não é utopia. Se chama, em inglês,
employee experience, e está entre as mais atualizadas tendências do mercado de trabalho, segundo a GPTW - Great Pleace to Work (Excelente Lugar Para Trabalhar).



Texto 1/6 - Gestão de Pessoas e Bem-estar no Terceiro Setor 

Acesse o aqui

Texto 2/6 - Diversidade, Inclusão e Atração

Acesse o aqui


Sara Dias é Prof.ª Mestra em Artes da Cena pela UNICAMP e Instrutora de Yoga, atua como educadora social desde 2006 e atualmente desenvolve projetos relacionados ao bem-estar no terceiro setor. 



Contato: saradias.ds@gmail.com


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Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer um desafio estrutural: muitas organizações de base, especialmente em territórios periféricos, ainda têm dificuldade de incorporar tecnologia às suas soluções. Não por falta de visão, mas por falta de acesso à educação, à formação técnica e a investimentos sociais. É comum vermos tecnologias avançadas sendo desenvolvidas por startups e organizações de impacto, enquanto quem atua diretamente no território não dispõe dos recursos necessários para utilizá-las. Sem articulação, essa equação não fecha. Por isso, outra tendência que se consolida é a valorização de redes, consórcios e articulações territoriais. Organizações que atuam de forma isolada tendem a ter mais dificuldade de acessar investimentos. Financiadores buscam cada vez mais iniciativas coletivas, capazes de envolver múltiplos atores, setores e saberes. 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Por Nathalia Albuquerque 2 de março de 2026
Você pode amar muito um time e ainda assim vê-lo perder campeonatos por anos. Pode ter a maior torcida do país, uma história gigante e uma camisa pesada. Mas sem gestão, isso não se sustenta. No terceiro setor acontece algo muito parecido. Sou corinthiana e não acompanho o futebol tão de perto. Mesmo assim, é impossível ignorar o que Palmeiras e Flamengo vêm construindo nos últimos anos. Escrevo este artigo no final de 2025 e, ao olhar para os principais campeonatos do período recente, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, esses dois clubes seguem protagonizando finais, títulos e campanhas consistentes. Não por acaso, também passaram a aparecer em premiações internacionais que reconhecem excelência em gestão, como o Globe Soccer Awards. Mas nem sempre foi assim. E é exatamente aí que essa história interessa às organizações da sociedade civil. Quando a virada não acontece no campo Palmeiras e Flamengo já viveram fases marcadas por dívidas, crises internas e resultados bem abaixo do potencial que tinham. A mudança não começou com um craque, nem com um gol histórico. Começou fora de campo. Por volta de 2012 e 2013, os dois clubes passaram a tratar a gestão como eixo central. Planejamento financeiro, profissionalização das equipes, governança e visão de longo prazo deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões concretas. Se você não gosta de futebol, continue comigo. O ponto aqui não é o esporte. É entender que amor, tradição e propósito são fundamentais, mas não substituem uma boa gestão. Com gestão, a gente vai mais longe. O que o Palmeiras ensina No Palmeiras, a virada tem um nome bastante conhecido: Paulo Nobre. Ao assumir a presidência do clube em 2013, encontrou um cenário delicado, com dívidas e pouca previsibilidade. Uma das decisões mais simbólicas foi emprestar recursos próprios para reorganizar as finanças do time. Um gesto arriscado, mas inserido em uma estratégia maior. A partir daí, vieram parcerias estratégicas como a Crefisa, a profissionalização da gestão e a criação de novas fontes de receita. A modernização do Allianz Parque transformou o estádio em um ativo que gera renda muito além dos jogos, com shows e eventos. É a lógica de enxergar a estrutura como meio para sustentar a missão, algo bastante familiar para quem atua no terceiro setor. O Flamengo e a coragem de arrumar a casa O Flamengo sempre teve popularidade e potencial. O que faltava era organização. A virada começou com decisões duras e pouco populares, como uma política rigorosa de controle de gastos e reorganização financeira. Antes de investir pesado em contratações, o clube investiu em processos, equipe técnica qualificada e responsabilidade fiscal. Os títulos vieram depois. Não como milagre, mas como consequência. O que tudo isso tem a ver com as OSCs? Muito mais do que parece. Os dois clubes mostram que investir na base (jovens atletas em formação para o time principal) é apostar no longo prazo, mesmo quando o retorno não é imediato. No terceiro setor, isso aparece na formação de equipes, no fortalecimento institucional e no desenvolvimento de lideranças. Eles também reforçam uma verdade incômoda: amor não é estratégia. Paixão move, mas não organiza fluxo de caixa, não constrói indicadores e não garante sustentabilidade. Há ainda a importância de diversificar fontes de receita, inclusive para organizações grandes e reconhecidas, e de contar com profissionais qualificados, além de investir em quem já faz parte da equipe. Nada disso acontece do dia para a noite. O processo é longo, exige constância e escolhas difíceis. Um convite para quem lidera organizações sociais  Se você lidera uma OSC, vale a reflexão. O quanto da sua energia está concentrada apenas na causa e o quanto está direcionada para fortalecer a gestão que sustenta essa causa? Gestão não esfria o propósito. Pelo contrário. Ela protege a missão, amplia o impacto e garante que o trabalho continue existindo daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futebol e no terceiro setor, amor é o ponto de partida. Gestão é o que transforma esse amor em legado.
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