Avaliação de Competência e feedback: desafios da Autogestão

12 de setembro de 2024

Confira a experiência da Phomenta na criação de artefatos e processos de avaliação de competências e feedback no modelo de autogestão.

Na transição de uma governança tradicional para um modelo inovador, surgem dúvidas sobre como avaliar e desenvolver profissionalmente as pessoas. Como profissional de Recursos Humanos, lembro-me de me sentir perdida após ler o livro "Reinventando as Organizações", de Frederic Laloux. Na faculdade e em cursos preparatórios, somos condicionados a seguir receitas prontas e a buscar benchmarking para implementação em nossas organizações. No entanto, nem todas as soluções são adequadas para todos os contextos. Compreendi isso após a leitura e com experimentações no contexto da Phomenta - desbloqueando e inventando novas práticas que funcionam no nosso meio.


Laloux aborda novas formas de governança que vão além dos modelos tradicionais. Ele apresenta exemplos de empresas reais que adotaram os seguintes princípios:
autogestão, a partir da qual estruturas sem hierarquia tradicional permitem que equipes tomem decisões de forma colaborativa; plenitude, que cultiva um ambiente onde os funcionários podem ser autênticos e expressar todas as suas dimensões; e propósito evolutivo, em que as organizações se adaptam continuamente e são guiadas por um propósito maior. Laloux demonstra como esses novos paradigmas podem ser eficazes na criação de organizações mais adaptáveis, inovadoras e humanas.


Hacking Cultural usando para elaboração de uma avaliação de competência 


Um conceito bem interessante que foi crucial para avaliar o cenário em que eu estava e elaborar experimentos, que fizessem sentido para as pessoas envolvidas. O hacking cultural envolve adaptar e modificar o funcionamento das organizações de forma criativa e improvisada, semelhante ao que hackers fazem com sistemas computacionais. Coloquei em prática realizando 1:1 com todas as pessoas da organização, perguntando sobre seus sonhos e dores em relação à avaliação de competências e ao clima organizacional. As perguntas foram elaboradas de forma leve para capturar a essência do que seria interessante para o experimento futuro que eu desejava realizar. Após as entrevistas, consegui delinear alguns planos de ação.

fonte:
https://targetteal.com/pt/blog/culture-hacking/


Ferramentas Personalizadas


Acredito que o desenvolvimento de uma ferramenta personalizada para a avaliação de competências é essencial. Sinto-me privilegiada por criar e aplicar soluções personalizadas para os Phomenters. A seguir, os passos que realizei para a elaboração da ferramenta:


Definição de Competências: identificamos as competências essenciais para o sucesso na Phomenta, considerando tanto os clientes externos quanto os internos, com base nos nossos valores e cultura organizacional.

Avaliação: desenvolvemos uma ferramenta de avaliação personalizada, permitindo que os Phomenters realizem uma autoavaliação e selecionem duas pessoas para continuar o processo de avaliação, incluindo a liderança e uma convidada pela pessoa avaliada.


Feedback contínuo: implementamos rodadas de feedback contínuo, incentivando a comunicação aberta e a troca de ideias entre os membros da equipe. Esse processo ajuda a identificar áreas de melhoria e a celebrar os sucessos. A pessoa escolhida pelo avaliado oferece um presente, caso o avaliado queira se aprofundar em algum conhecimento específico, seguindo o aconselhamento para desenvolver os pontos de melhoria abordados.


Cultura de aprendizado: promovemos uma cultura de aprendizado constante, onde os Phomenters são incentivados a buscar desenvolvimento pessoal e profissional, oferecendo recursos e suporte para que todos alcancem seu potencial máximo.


Condução de feedback


Além dos passos para elaborar uma ferramenta e uma cultura de feedback, o cuidado com a condução dessas conversas é essencial. Disponibilizamos instruções claras sobre o que é feedback, suas categorias e como conduzi-lo de forma eficaz. Adotamos duas categorias de feedback: retorno positivo, que reconhece um desempenho bem-sucedido, e alinhamento/construtivo, que oferece sugestões de melhoria e identifica áreas a serem ajustadas.


Para conduzir um feedback, escolhemos uma competência a ser avaliada, utilizando um formulário com as competências definidas. Fatos, sentimentos e percepções são trazidos à conversa, e uma palavra norteadora ajuda a contextualizar e a abordar a competência de maneira clara. Se necessário, uma pessoa pode ser convidada para ajudar atuando como facilitadora. O feedback é oferecido com amor e sinceridade, e técnicas como espelhamento (repetir o que ouviu para checar o entendimento do que foi dito) ajudam a garantir que as mensagens sejam compreendidas.


Autonomia na carreira


Acreditamos na importância da autonomia, permitindo que cada Phomenter seja responsável por sua carreira. Ser responsável pela própria carreira é fundamental porque capacita cada indivíduo a tomar controle de seu desenvolvimento profissional, certificando que suas ações e escolhas estejam alinhadas com seus objetivos e valores pessoais. O feedback é uma oportunidade para autorreflexão, desenvolvimento de competências e alinhamento com a Phomenta. Valorizamos a autorresponsabilização, colaboração e respeito mútuo, com um processo aberto e transparente focado em conhecimento.


Quando começamos a estudar sobre autogestão como governança, aprendemos que somos responsáveis por resolver nossas demandas a partir de cada papel que desempenhamos. Da mesma forma, entendemos que somos responsáveis por nosso desenvolvimento e aprendizagem na organização. Por isso, oferecemos ferramentas e damos liberdade para que cada indivíduo possa se desenvolver naquilo que faz sentido para si. Essa abordagem não só promove crescimento profissional, mas também incentiva um ambiente de trabalho mais engajado e proativo, onde cada membro da equipe sente-se valorizado e motivado a contribuir para o sucesso coletivo.


Conclusão


A transição para um modelo de governança inovador apresenta desafios, mas também oferece oportunidades para criar soluções personalizadas que atendam às necessidades específicas da nossa organização. Acreditamos estar no caminho certo e, juntos, continuaremos a crescer e evoluir. Além da governança que adotamos, creio que o raciocínio e a forma como construímos nossas ferramentas podem beneficiar também organizações tradicionais. Nesse sentido, a autonomia na carreira é importante para o desenvolvimento de pessoas que almejam sua transformação, o que, por sua vez, impacta positivamente a organização, trazendo mais inovação para o negócio.


Se você ficou interessado em saber mais e gostaria de acessar nossas ferramentas, entre em contato em pollyana.bonvecchi@phomenta.com.br.


Meu nome é Pollyana, tenho 30 anos, sou casada e uma apaixonada mãe de dois pets queridos. ❤️ Minha jornada na área de Recursos Humanos começou em 2014 e, desde então, encontrar a essência das relações humanas tem sido minha maior motivação.


Sou especializada em Recrutamento e Seleção, com uma pós-graduação em Psicologia Organizacional. Sou uma otimista firme na habilidade inata das pessoas de crescerem e prosperarem, e tenho um carinho especial por trabalhar com clima e design organizacional.



Inscreva-se na nossa Newsletter

Últimas publicações

Por Instituto Phomenta 9 de julho de 2026
A Inteligência Artificial (IA) não vai salvar nenhuma Organização da Sociedade Civil (OSC). Todo mundo já entendeu que ela é indispensável, que agiliza os processos, que ajuda no corre do dia a dia e que tem mil e uma utilidades. Mas ela, sozinha, não vai tirar a sua organização do vermelho e nem vai desafogar a sua equipe. A IA é uma ferramenta poderosa para apoiar a sua gestão, mas ela só funciona se for treinada e alimentada do jeito certo. E a grande pergunta é: você já sabe como fazer isso? A verdadeira inovação da tecnologia no terceiro setor não está nas ferramentas gratuitas e famosas que todo mundo usa na internet. O segredo está em construir uma estratégia modelada exclusivamente para a captação de recursos via editais. Se as exigências de quem financia mudaram, a forma como as ONGs planejam seus projetos precisa evoluir na mesma velocidade. É exatamente por isso que nasceu o Captação com Causa. Esse projeto, que tem duração de 18 meses, e é uma iniciativa da Fundação FEAC com apoio do Instituto Phomenta, tem um objetivo bem prático: foram selecionadas 10 organizações sociais de Campinas, que após formações, passam a utilizar uma plataforma de IA totalmente customizada para o terceiro setor. Por que focar em IA para buscar recursos? O que move esse projeto é uma ferida antiga das ONGs: o maior problema das organizações brasileiras hoje não é a falta de editais. As oportunidades estão publicadas por aí, na internet. O verdadeiro desafio das equipes, que quase sempre são enxutas, está em quatro passos básicos da rotina: Saber exatamente o que procurar para não aceitar qualquer dinheiro e acabar desviando da própria missão; Conseguir filtrar quais oportunidades realmente valem a pena e fazem sentido; Criar o hábito de buscar recursos de forma constante, e não só quando o caixa aperta; Transformar esse monte de informação em dinheiro no bolso para manter os projetos de pé. Escrever um projeto para um edital é complexo. Os formulários exigem justificativas profundas, orçamentos detalhados e até análise de riscos. Para equipes que já passam o dia se desdobrando no atendimento direto às comunidades, a IA entra como copiloto. Ela assume o trabalho mecânico de escrever e revisar textos, devolvendo para o captador o que ele tem de mais escasso: tempo para pensar na estratégia. Mas… como não deixar o texto com cara de robô? As ferramentas gratuitas que vemos por aí costumam "alucinar", que é o termo técnico para quando a IA inventa dados falsos ou cria argumentos superficiais simplesmente porque ela não conhece a realidade da sua ONG. Para blindar os projetos contra esse erro, o Captação com Causa ajuda as organizações a criarem um ambiente protegido e seguro, alimentando a inteligência artificial com a identidade real da instituição. Esse treino consiste em criar um perfil superdetalhado dentro do sistema, incluindo: O histórico da organização e as causas que ela defende; A região onde ela atua e o perfil das pessoas que ela atende; Dados locais e o impacto real que ela já gera no território. Quanto mais rico e detalhado for esse perfil, mais a IA se transforma em uma assistente exclusiva da causa. A partir daí, a máquina passa a escrever falando a mesma língua do financiador. Ela aprende a usar os termos técnicos que os avaliadores de editais procuram, cruza as palavras-chave exigidas e ajuda a encaixar a história da sua comunidade dentro das metas do orçamento. Falando a linguagem de quem investe Hoje em dia, as empresas e institutos que financiam projetos sociais mudaram a forma de avaliar as propostas. Eles não olham mais apenas para o número bruto de pessoas atendidas; eles querem ver o valor real do impacto gerado. Por isso, o projeto treina a IA para usar uma métrica chamada SROI (Retorno Social sobre o Investimento) . Para se ter uma ideia de como isso funciona: pesquisas do setor mostram que, para cada R$ 1 investido em projetos sociais por meio de incentivos fiscais no Brasil, cerca de R$ 7,59 retornam em benefícios reais para a sociedade e para a economia. Quando a IA é ensinada a cruzar os dados públicos da sua cidade (como pesquisas do IBGE) com o histórico de entregas da sua ONG, ela ajuda a provar matematicamente o valor do seu trabalho. O seu projeto deixa de parecer um "custo" para o investidor e passa a ser visto como um investimento seguro e transformador. O que muda na prática para as organizações? Com esse método bem aplicado, as inovações que as ONGs podem esperar mudam completamente o jogo da captação: Fim do desespero de última hora: A organização sai daquele modelo de correr atrás de edital na véspera do vencimento e passa a ter uma rotina organizada e previsível; Propostas sem erros bobos: Os projetos ficam muito mais robustos, diminuindo drasticamente as reprovações por preenchimento incompleto, metas vagas ou erros de orçamento; Mais confiança dos financiadores: Uma ONG que consegue provar seu impacto com dados seguros conquista a confiança de grandes investidores e garante sua sustentabilidade no longo prazo. Quer saber mais sobre captação estratégica e tecnologia? Aproveite para conferir nossos outros textos sobre sustentabilidade financeira e inteligência artificial no terceiro setor: O perigo do "dinheiro a qualquer custo": não deixe a procura por editais desvirtuar a sua missão: Entenda como a urgência para acessar editais sem alinhamento prévio pode desvirtuar a missão institucional da sua OSC e saiba como selecionar financiadores que respeitem os seus valores reais. Por que sua estratégia de captação precisa de IA (urgente)?: Conheça os dados oficiais sobre a sobrecarga dos captadores de recursos no Brasil e descubra por que a inteligência artificial virou uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para criar rotinas eficientes.
Por Instituto Phomenta 4 de julho de 2026
Você com certeza já viveu essa cena: o processo de seleção de voluntários foi um sucesso, a reunião de integração é melhor ainda e todo mundo sai motivado. Duas semanas depois, metade do grupo some sem dar notícias, os e-mails ficam sem resposta e, na hora daquela ação crucial, a coordenação precisa se desdobrar porque metade dos confirmados cancelou em cima da hora. Se a rotina da sua ONG parece um eterno ciclo de recrutar pessoas para cobrir o desfalque das anteriores, saiba que você não está só. Manter voluntários conectados a uma causa a longo prazo é um dos maiores desafios de gestão no Terceiro Setor. Para entender o tamanho do problema, basta olhar para o cenário nacional. Os dados da Pesquisa Voluntariado no Brasil, realizada pelo IDIS/Datafolha (2021) afirmam que, dos 57 milhões de brasileiros e brasileiras que realizam ou já realizaram trabalhos voluntários, apenas 12% fazem ações regularmente. Ainda de acordo com a pesquisa, embora o desejo de fazer o bem seja alto no país, entre os voluntários insatisfeitos e menos entusiasmados aparece a falta de motivação e de apoio/recursos, como fatores que trazem desengajamento.
Por Instituto Phomenta 25 de junho de 2026
Manter uma Organização da Sociedade Civil (OSC) de portas abertas no Brasil é um desafio diário de sobrevivência. Historicamente, a sustentabilidade financeira é o maior gargalo do terceiro setor, mas, frente ao montante de trabalho e às obrigações do dia a dia, ainda não conseguimos olhar para ela de forma estratégica. Assim, tratamos a busca por recursos como um evento de última hora, e não como um processo diário. Os dados do setor desenham um cenário alarmante sobre a estrutura das organizações brasileiras. Segundo a pesquisa da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR)*, 37% dos respondentes apontam como a maior dificuldade da captação a necessidade de dividir o tempo com outras demandas da instituição. Na maioria dos casos, a função é acumulada pela diretoria ou por técnicos que já estão sobrecarregados com a operação na ponta. O resultado é um ciclo vulnerável, especialista em "apagar incêndios": uma corrida desesperada contra o tempo para preencher formulários complexos apenas quando o caixa já entrou no vermelho. Diante dessa escassez crônica de tempo, a Inteligência Artificial (IA) passou a ser uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para viabilizar a sustentabilidade institucional, mas poucas organizações ainda sabem como usá-la. A maioria das ONGs usa IA sem estratégia A rotina ideal de captação exige monitoramento constante do mercado, leitura minuciosa de editais, adequação técnica de propostas e relatórios rigorosos de prestação de contas. Mas você leu bem: ideal . Não é o que temos à mão no dia a dia. Para equipes enxutas, a IA se tornou o caminho para assumir essa carga operacional. Na captação de recursos, a máquina atua — ou deveria atuar — como um copiloto técnico: fazendo a triagem de diretrizes complexas e adaptando a linguagem de projetos para diferentes perfis de financiadores, devolvendo ao profissional o tempo necessário para pensar estrategicamente. Porém, de acordo com o levantamento do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) , feito com mais de 1,5 mil organizações, 62% assumem que ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Vivemos em uma constante urgência para adotar a tecnologia, mas o pouco background gerou um uso amador e desordenado. Um mapeamento recente conduzido também pelo IDIS com mais de 500 entidades revelou que 95% das organizações sociais utilizam IA sem qualquer política ou orientação formal, e 75% dependem exclusivamente de ferramentas gratuitas de mercado. O risco aqui é que, com a soma da pouca estratégia e da falta de substância, as ONGs só consigam gerar, por meio da IA, propostas superficiais e desconectadas da realidade do território. São materiais incipientes, que podem levar à desclassificação imediata dos projetos pelos avaliadores dos editais. Como usar a IA a seu favor? Como resposta direta a esse cenário de equipes sobrecarregadas e necessidade de profissionalização tecnológica, a Fundação FEAC, com apoio do Instituto Phomenta, estruturou o projeto Captação com Causa. A iniciativa de 18 meses foi desenhada justamente para aplicar a IA como uma solução de sustentabilidade em 10 OSCs selecionadas de Campinas. Para combater o uso desordenado e a dependência de plataformas gratuitas apontados pelas pesquisas, o programa introduz no dia a dia das instituições bots customizados e programados especificamente para o contexto do terceiro setor. Em vez de soluções genéricas, as organizações ganham um sistema que filtra editais de forma preditiva e qualifica a escrita técnica das propostas, reduzindo drasticamente o tempo gasto na formatação dos projetos. O foco principal do projeto, que conta com um match funding de R$ 100 mil, é estruturar a captação como uma rotina viável. Por meio de assessoramentos individuais e coletivos, o programa prepara os profissionais para utilizarem a IA com postura crítica, garantindo que a tecnologia trabalhe a serviço da estratégia humana. Ao transformar a tecnologia em uma aliada, o Captação com Causa mira na mobilização de R$ 800 mil entre as participantes e na comprovação de que, com o método correto, a captação de recursos pode deixar de ser um susto sazonal e se tornar uma estratégia previsível, perene e sustentável. Quer saber mais sobre o Captação com Causa? Confira nosso último artigo! *Fonte: Censo ABCR
Por Instituto Phomenta 11 de junho de 2026
Nem todo edital é uma oportunidade. Entenda os riscos do desvio de missão e como captar recursos de forma estratégica.
Por Jaice Balduino 1 de junho de 2026
O doador brasileiro está mudando: mais seletivo, exigente e orientado por impacto. Descubra o que as organizações sociais precisam oferecer para conquistar e fidelizar quem doa no cenário atual.
Por Instituto Phomenta 26 de maio de 2026
Quem está no dia a dia da gestão de uma ONG conhece bem o dilema: a gente passa tanto tempo cuidando dos projetos e atendendo a ponta que a nossa própria estrutura vai ficando para trás. Já diz o ditado: “em casa de ferreiro…”. Nosso financeiro roda no limite, a equipe fica sobrecarregada, os processos são travados e a liderança vive exausta. A verdade é que a gente se acostumou a operar no modo de sobrevivência. Então, que tal dar um passo para trás e avaliar o todo? Durante o FIFE 2026, o sociólogo Domingos Armani trouxe uma provocação que cutucou feridas necessárias. Ele alertou que muitas organizações ainda insistem em carregar crenças e estigmas que funcionam como mapas obsoletos. Só que, o grande problema de usar um mapa velho é que o mundo mudou, e o desenho antigo já não bate com o terreno real de hoje. Insistir na ideia de que investir na própria estrutura é "gastar dinheiro que deveria ir para o projeto" é um desses mapas velhos que precisamos rasgar. Fortalecer a casa, o chamado Desenvolvimento Institucional (DI), é o que garante que a ONG continue existindo e gerando impacto no longo prazo. E essa mudança de mentalidade muda tudo, inclusive o jeito de captar recursos. Mudar a postura para financiar a sua estratégia Captar recursos para o Desenvolvimento Institucional, ou seja para estruturar a gestão, investir em tecnologia e manter o time funcionando, exige parar de pedir dinheiro apenas para o "projeto da vez". No painel da Plataforma Conjunta, ainda no FIFE, o debate girou em torno de como virar essa chave diante dos financiadores. Para ajudar a avaliar como a sua organização está se posicionando, montamos um checklist prático com os principais aprendizados da mesa: Checklist de postura para o fortalecimento da ONG [ ] Você se explica pela estratégia ou pelo portfólio? Quando vai conversar com um parceiro, você gasta todo o tempo listando as oficinas da semana ou apresenta primeiro a missão e a visão de futuro da organização? Grandes parceiros querem financiar o futuro da sua causa, não apenas uma ação pontual. [ ] Você sabe compartilhar vulnerabilidades? Se a sua organização fosse perfeita e não tivesse nenhum problema de gestão, ela não precisaria de apoio. Fale da sua vulnerabilidade, mas com estratégia. Acompanha o próximo ponto! [ ] O desafio vem acompanhado de uma solução? Mostrar os pontos fracos da gestão para o parceiro só funciona se você já apresentar a rota para resolver o problema. A vulnerabilidade precisa vir colada com a sua capacidade de planejamento. [ ] O estigma da escassez foi abandonado? A gestão já superou a velha crença de que o Terceiro Setor precisa trabalhar sofrendo, com ferramentas defasadas e computadores lentos? Modernizar a estrutura interna é uma decisão de eficiência, não um luxo. Saiba que você pode merece e precisa de estrutura. Modernizar para não parar no caminho Se os mapas antigos não funcionam mais, o papel de quem gere é desenhar novas rotas. Olhar para o Desenvolvimento Institucional serve para dar musculatura para a organização. Quando paramos de “vender o almoço para pagar o jantar” e começamos a financiar a nossa própria estratégia, a ONG ganha a sustentabilidade que precisa para transformar a realidade na ponta de forma estruturada e contínua.
mostrar mais

Participe do nosso grupo no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão

Entrar para o grupo