Papo do Impacto - Lacre do Bem

29 de fevereiro de 2024

Colunista: Diego Ferreira
Entrevistadas: Ivete Rodrigues de Macedo
Gestora Social Lacre do Bem e Julia Fernandes Rodrigues Macedo Idealizadora do Lacre do Bem e estudante universitária da UFMG.

Gosto de trazer aqui na minha coluna no Portal do Impacto algumas organizações que podem compartilhar sua história no Papo de Impacto. O Lacre do Bem é uma que tem bastante história e ensinamentos para compartilhar com o ambiente de impacto social no Brasil.


O Lacre do Bem tem a missão de promover, motivado pela reciclagem, a inclusão de pessoas com deficiência física nos diversos setores da sociedade. Com isso podemos dizer que além da inclusão também é uma organização que gera impacto de sustentabilidade na sociedade.


Com os lacres de latinhas que tem pontos de coleta espalhados em diversos locais conhecidos da capital mineira, o lacre do bem consegue doar cadeiras de rodas para pessoas com deficiência e entidades filantrópicas.


Para falar sobre essa jornada, convidei para o para o papo de Impacto a Ivete Rodrigues de Macedo e a Julia Fernandes que vão falar sobre conquistas e desafios do Lacre do Bem.
 

01 - Como nasceu o Lacre do Bem? Compartilhe com a gente a história da ONG em Belo Horizonte até os dias de hoje


Em 2013, aos nove anos de idade, Julia Macedo, começou a juntar lacres de latinhas de alumínio para comprar e doar uma cadeira de rodas. A ideia surgiu quando a família recebeu um origami em agradecimento ao ajudar uma instituição que cuida de crianças com paralisia cerebral. Ela ficou tão tocada com o gesto que decidiu fazer mais.


A missão não era fácil, pois, para comprar mais uma cadeira de rodas são necessários o equivalente a 140 garrafas pets, ou seja, 352 mil lacres (105 quilos). Mas Julia não desistiu. Pediu ajuda para a família, amigos, espalhou cartazes e bilhetinhos na escola onde estudava e a campanha foi crescendo. Foi assim que surgiu o Lacre do Bem, em 2016 registramos a OSC e  hoje é conduzido com o apoio de voluntários, escolas e empresas parceiras por todo o Brasil. Criamos uma imensa rede do bem.


02 - Uma iniciativa social como o Lacre do Bem precisa de voluntários engajados! Qual é o perfil do voluntário  que atua na ONG? Compartilhe mais sobre esse ambiente de apoio e voluntariado.


Temos vários voluntários engajados na causa: são estudantes, profissionais de várias empresas que conhecem o nosso trabalho e querem promover impacto social e ambiental. Temos também “voluntários” de penas alternativas ressocializando o indivíduo a prestar serviços para a comunidade. O ambiente que o Lacre do Bem nos proporciona é de muita troca, aprendizado e conexão, todos os voluntários são um grande elo da nossa instituição e, com o auxílio deles, somos capazes de alcançar e até mesmo de ultrapassar grandes resultados de impacto social e ambiental.

Uma mulher de jaqueta preta está sorrindo ao lado de uma mulher tirando uma selfie com seu telefone

03 - Quais são os maiores desafios enfrentados no trabalho diário realizado pelo Lacre do Bem? 


Temos grandes desafios de aumentar o número de pontos de coletas em todo o Brasil, conseguir atender mais pedidos de cadeiras de rodas, patrocinadores para nossas urnas, nossa logística operacional de coleta e doação de cadeiras de rodas. Aumentar nossa equipe de voluntariado e doadores recorrentes, criar produtos sociais para sustentabilidade social. Ter apoio para construção da nossa sede própria aumentando o número de atendimentos jurídicos, psicológico, atender o público de idosos e obesos. Além disso, é inevitável falar sobre o nosso desafio na maior oferta de palestras e oficinas, especialmente, nos ambientes escolares e empresariais. Conscientizando este público sobre a importância da reciclagem, principalmente sobre as mudanças climáticas. 


04 - Aproveite e compartilhe também as principais conquistas do Lacre do Bem nos últimos anos.


Conseguimos realizar um trabalho maravilhoso de grandes resultados de impacto social e ambiental. Ganhamos recentemente o título de utilidade pública estadual. 

Temos a cessão de direitos de um lote da Prefeitura de Belo Horizonte, estamos com o projeto de execução da obra aprovado e estamos com a missão de captar recursos para realizar o sonho de ter nosso espaço e contribuir muito com a sociedade.



05 - O Lacre do Bem tem presença em diversos pontos conhecidos de Belo Horizonte. Como você enxerga a relação do público com o trabalho que o Lacre do bem realiza?


Maravilhoso, o público participa ativamente da campanha, grava vídeos entregando os lacres, tira fotos das urnas nas empresas parceiras, marca as empresas o Lacre do Bem e até cobram quando as empresas não juntam lacres ou é um ponto de coleta oficial. Avisam também quando a urna está cheia e precisa de coleta, são verdadeiros ajudantes do Lacre do Bem. A campanha não se faz sozinha e sim com milhares de mãos.


Dois recipientes de papel picado estão sobre uma mesa de vidro.

06 - Compartilhe com  a gente alguns números que refletem o trabalho social do Lacre do Bem. Fale mais sobre o número de cadeiras de rodas distribuídas e pessoas impactadas pelo trabalho 


Já doamos mais de 900 cadeiras de rodas e reciclamos 86 toneladas de lacres. Impactamos milhares de brasileiros em enxergar a importância de reciclar, doando cadeiras de rodas e informando e defendendo os direitos das Pessoas com Deficiência e dos idosos. 


07- Parcerias são essenciais para ONGs que desejam ampliar seu impacto social! Como são as parcerias que apoiam o Lacre do Bem? Como enxerga as parcerias com o setor público e privado?


Todas as parcerias privadas ou públicas são de extrema importância para o Lacre do Bem, com ela conseguimos estar com a urna onde o público precisa, e até incentivando empresas a praticar a responsabilidade social, impacto social e impacto ambiental.

Um grupo de pessoas vestindo camisas azuis que dizem suave

08 - O Portal do Impacto tem como objetivo levar conteúdo para iniciativas de impacto social de diversos setores no Brasil. Deixe um recado final para essa comunidade de voluntários e ONGs que estão procurando crescer suas atividades. Obrigado por participar.


O trabalho de impacto social transforma vidas, e leva esperanças a quem precisa. Recentemente fomos entregar uma cadeira de rodas a uma senhora Dona Adélia, assim que chegamos na casa dela, a filha nos recebeu e disse: minha mãe está muito triste, caladas estes dias não quer conversar. Mas insisti em ir dar um oi e a conhecê-la, assim que entrei no quarto, vi ela acamada, no quarto escuro, falei para ela, Bom dia Dona Adélia vim trazer sua cadeira de rodas, ela deu um sorriso e disse minha cadeira de rodas chegou, e pediu para colocar ela na cadeira de rodas que ela queria ir lá fora na casa, tomar sol e ver as plantinhas dela, quantas 


Dona Adélia estão esperando uma cadeira de rodas para ter a rotina diária, atividades simples, como tomar um sol, ver as plantas, ir ao médico com qualidade de vida? Vamos juntos, gerar impacto social e ambiental?

O que fazemos pode ser uma mudança muito grande na vida de várias pessoas, seja luz na vida das pessoas e nas suas. Faça algo para o próximo.


Nós agradecemos a oportunidade de participar do Papo de Impacto. Gratidão!



Inclusão e sustentabilidade em uma união incrível de impacto social


Acredito que o Lacre do Bem tem uma atuação notável com inclusão, acessibilidade e sustentabilidade e se destaca mais ainda com o seu relacionamento com público que encontra os pontos de coleta da organização espalhados em diversos locais de Belo Horizonte.Esse é aquele tipo de jornada que começou com uma atitude simples e hoje consegue impactar a vida de muitas pessoas! Que essa entrevista aqui no papo de impacto possa levar muitas dicas para muitas organizações que acompanham o Portal do Impacto.


Parabéns Lacre do Bem.


Um homem de terno está sentado em frente a um microfone

Diego Borges Ferreira: Profissional com experiência em comunicação no Linkedin, networking, gestão de comunidades e treinamento de equipes em empresas, startups e organizações que desejam a utilizar a plataforma. Principalmente com iniciativas que tem foco em impacto social e nas quais já apoiou diversas no Brasil e exterior.

E-mail: liondiegos@gmail.com


Inscreva-se na nossa Newsletter

Últimas publicações

Por Instituto Phomenta 11 de junho de 2026
Nem todo edital é uma oportunidade. Entenda os riscos do desvio de missão e como captar recursos de forma estratégica.
Por Jaice Balduino 1 de junho de 2026
O doador brasileiro está mudando: mais seletivo, exigente e orientado por impacto. Descubra o que as organizações sociais precisam oferecer para conquistar e fidelizar quem doa no cenário atual.
Por Instituto Phomenta 26 de maio de 2026
Quem está no dia a dia da gestão de uma ONG conhece bem o dilema: a gente passa tanto tempo cuidando dos projetos e atendendo a ponta que a nossa própria estrutura vai ficando para trás. Já diz o ditado: “em casa de ferreiro…”. Nosso financeiro roda no limite, a equipe fica sobrecarregada, os processos são travados e a liderança vive exausta. A verdade é que a gente se acostumou a operar no modo de sobrevivência. Então, que tal dar um passo para trás e avaliar o todo? Durante o FIFE 2026, o sociólogo Domingos Armani trouxe uma provocação que cutucou feridas necessárias. Ele alertou que muitas organizações ainda insistem em carregar crenças e estigmas que funcionam como mapas obsoletos. Só que, o grande problema de usar um mapa velho é que o mundo mudou, e o desenho antigo já não bate com o terreno real de hoje. Insistir na ideia de que investir na própria estrutura é "gastar dinheiro que deveria ir para o projeto" é um desses mapas velhos que precisamos rasgar. Fortalecer a casa, o chamado Desenvolvimento Institucional (DI), é o que garante que a ONG continue existindo e gerando impacto no longo prazo. E essa mudança de mentalidade muda tudo, inclusive o jeito de captar recursos. Mudar a postura para financiar a sua estratégia Captar recursos para o Desenvolvimento Institucional, ou seja para estruturar a gestão, investir em tecnologia e manter o time funcionando, exige parar de pedir dinheiro apenas para o "projeto da vez". No painel da Plataforma Conjunta, ainda no FIFE, o debate girou em torno de como virar essa chave diante dos financiadores. Para ajudar a avaliar como a sua organização está se posicionando, montamos um checklist prático com os principais aprendizados da mesa: Checklist de postura para o fortalecimento da ONG [ ] Você se explica pela estratégia ou pelo portfólio? Quando vai conversar com um parceiro, você gasta todo o tempo listando as oficinas da semana ou apresenta primeiro a missão e a visão de futuro da organização? Grandes parceiros querem financiar o futuro da sua causa, não apenas uma ação pontual. [ ] Você sabe compartilhar vulnerabilidades? Se a sua organização fosse perfeita e não tivesse nenhum problema de gestão, ela não precisaria de apoio. Fale da sua vulnerabilidade, mas com estratégia. Acompanha o próximo ponto! [ ] O desafio vem acompanhado de uma solução? Mostrar os pontos fracos da gestão para o parceiro só funciona se você já apresentar a rota para resolver o problema. A vulnerabilidade precisa vir colada com a sua capacidade de planejamento. [ ] O estigma da escassez foi abandonado? A gestão já superou a velha crença de que o Terceiro Setor precisa trabalhar sofrendo, com ferramentas defasadas e computadores lentos? Modernizar a estrutura interna é uma decisão de eficiência, não um luxo. Saiba que você pode merece e precisa de estrutura. Modernizar para não parar no caminho Se os mapas antigos não funcionam mais, o papel de quem gere é desenhar novas rotas. Olhar para o Desenvolvimento Institucional serve para dar musculatura para a organização. Quando paramos de “vender o almoço para pagar o jantar” e começamos a financiar a nossa própria estratégia, a ONG ganha a sustentabilidade que precisa para transformar a realidade na ponta de forma estruturada e contínua.
Por Instituto Phomenta 14 de maio de 2026
Quem trabalha em ONG sabe que a comunicação costuma ser o pratinho que mais cai. Com tantas atividades executadas ao mesmo tempo, a estratégia acaba ficando para trás porque o operacional consome todo o dia. Mas o uso da Inteligência Artificial (IA) tem mostrado que dá para mudar esse cenário. Esse foi um dos temas centrais do Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica (FIFE 2026), o principal encontro sobre gestão do Terceiro Setor no Brasil. O debate focou em como a tecnologia pode organizar processos e liberar tempo para o que realmente importa. O cenário brasileiro é curioso: de um lado, a OpenAI aponta que o Brasil é o terceiro país que mais usa o ChatGPT no mundo (atrás apenas de EUA e Índia), com cerca de 140 milhões de mensagens diárias enviadas por aqui. Por outro lado, o uso estratégico nas ONGs ainda engatinha. Um levantamento do IDIS com mais de 1,5 mil organizações revela que 62% delas ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Ou seja, a tecnologia está na nossa mão, mas o setor social ainda está descobrindo como transformá-la em aliada da gestão. Para tirar proveito real dessas ferramentas, o segredo é o jeito que você as alimenta. Durante a palestra de Marco Iarussi, publicitário social e fundador da Curta Causa, aprendemos que o "treinamento" que você dá à IA é o que define se o resultado será genérico ou útil. Mão na massa: Passo a passo para montar seu plano com IA Para a IA aprender sobre a sua realidade e não entregar respostas vazias, siga este roteiro: 1. Não mude de conversa Escolha um único chat para tratar do seu plano de comunicação, seja no ChatGPT, Gemini ou Claude. Se você abre uma conversa nova toda vez, a IA "esquece" o contexto. Mantendo o mesmo canal, ela guarda o histórico e entende as necessidades específicas da sua organização. 2. Dê informações reais Antes de pedir o plano completo, descubra o que a IA já "pensa" sobre você. Isso serve para corrigir erros e fornecer dados que ela ainda não tem. Prompt: "O que você sabe sobre a causa [inserir sua causa] e o que conhece sobre o trabalho da [nome da sua ONG]?" 3. Alinhe o que é um plano de verdade Veja se o robô entende o seu universo. Se ele tiver uma visão muito comercial, o plano parecerá uma propaganda de loja, o que não funciona para o setor social. Prompt: "Para você, o que não pode faltar em um plano de comunicação para uma ONG? Liste os pontos principais." (Leia e diga o que você concorda ou não). 4. Descubra o que ninguém está falando Use a ferramenta para encontrar novos ângulos e sair do óbvio. Prompt: "O que o pessoal mais fala sobre [sua causa] hoje? E o que você acha que ainda não foi dito, mas que ajudaria as pessoas a entenderem melhor o nosso impacto?" 5. Peça o plano prático Agora que o chat está treinado, peça a estrutura final. Prompt: "Com base em tudo o que já conversamos aqui, monte um calendário de 30 dias para as nossas redes sociais. O foco deve ser [ex: prestação de contas ou atrair novos voluntários]." Onde entra a ética e o seu papel Usar a tecnologia para facilitar o dia a dia é inteligência de gestão, mas exige cuidado. A IA serve para fazer o primeiro rascunho e organizar as ideias, mas a palavra final, a conferência dos dados e o olhar humano sobre a causa precisam ser seus. O objetivo é automatizar o que for repetitivo para que você tenha fôlego. Com a comunicação organizada, sobra tempo para construir relacionamentos de verdade e focar no que nenhuma máquina substitui a confiança e o olho no olho com quem apoia a sua organização. 
Por Camila Pasin 30 de abril de 2026
Empresas brasileiras deixaram de ser apenas financiadoras e se tornaram plataformas de engajamento. Entenda como transformar uma simples doação em uma verdadeira aliança de impacto.
Por Gabriel Pires 9 de abril de 2026
Minha OSC precisa de um código de ética? No terceiro setor, valores sem regras claras podem gerar conflitos e riscos. Entenda por que o código de ética é essencial para a gestão das OSCs.
mostrar mais

Participe do nosso grupo no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão

Entrar para o grupo