O trabalho de traumas no setor de impacto

30 de janeiro de 2025

O termo trauma causa espanto para muita gente, mas está cada vez mais sendo tratado de forma científica e estratégica no campo de impacto social também. Uma pesquisa da The Well Being Project e a George Washington University em parceria com o Collective Change Lab chamada “Ciclos de trauma e a jornada para o bem-estar” investiga o efeito dos traumas nas pessoas que trabalham no setor do impacto e também como aparecem nos diversos desafios, causas, problemas e potenciais soluções. 


De acordo com o relatório:
“O trauma está em toda parte – em nossas casas, comunidades, instituições e sistemas. No trabalho de mudança social, também vemos traumas nas raízes dos maiores desafios que o mundo enfrenta hoje – e nas vidas das pessoas que trabalham para enfrentá-los. Abordagens de mudança social baseadas no trauma têm o poder de ajudar a desbloquear a cura, o bem-estar e a transformação social para todos.”


Esse artigo traz alguns passos para que as pessoas que trabalham com impacto possam reconhecer em si mesmas, em seus times, organizações e principalmente nos seus públicos atendidos a sabedoria dos traumas como parte das causas dos problemas e soluções que buscam resolver.


Compreender os traumas no campo de impacto pode informar estratégias para a transformação social nos ajudando a lidar com a complexidade de que traumas são também de origem histórica e coletiva. Ao ponto que ao não serem identificados e integrados, continuam a causar a estagnação dos problemas que vivenciamos hoje.


Primeiro passo: identificar e reconhecer os diferentes tipos de traumas


Para começarmos a nos informar sobre os traumas nas causas que atuamos é importante identificar os diferentes tipos de traumas e a forma como se interrelacionam, de acordo com o artigo
Healing Systems da Stanford Social Innovation Review:


  • Trauma individual se refere a uma ferida invisível causada por um evento avassalador, série de eventos ou condições duradouras. 
  • Trauma intergeracional ocorre quando um ou mais ancestrais passam adiante traumas não curados que vivenciaram antes de terem filhos ou durante a gravidez. 
  • Trauma coletivo descreve o impacto em nível populacional de um evento ou processo catastrófico que interrompe as estruturas que uma comunidade ou sociedade criou para sustentar seu modo de vida.
  • Trauma histórico pode ser coletivo e intergeracional por natureza, mas se refere especificamente a danos intencionais e opressão cometidos contra um grupo de pessoas por causa de características como raça, religião ou identidade nacional, social ou sexual, e visa subjugá-los para ganho. 
  • Trauma sistêmico inclui os impactos não abordados de traumas individuais, intergeracionais, coletivos e históricos, bem como traumas recentes criados por estruturas sistêmicas e dinâmicas relacionais prejudiciais dos dias atuais.


Segundo passo: compreender os padrões individuais e coletivos de reação aos traumas


Os traumas que carregamos influenciam a maneira como interpretamos e respondemos ao mundo, tanto nos desafios diários quanto nas próprias soluções que desenhamos. Perceber os efeitos dos traumas nas pessoas, nas relações entre grupos, nas estruturas sociais, políticas, econômicas e nos padrões repetidos dos sistemas pode nos ajudar a encontrar soluções mais transformadoras para as causas que atuamos e para o nosso próprio desenvolvimento como lideranças da transformação social. 


  • Respostas de luta: comportamento hipervigilante, agressivo e controlador, incluindo críticas excessivamente duras, reações exageradas a infrações menores, condenação implacável de erros como falhas de caráter, retenção de informações e desconfiança crônica e injustificada;
  • Respostas de fuga: fragmentação, confusão e desorganização, não reconhecimento de uma realidade avassaladora, minimização de consequências e incoerência entre palavras e ações;
  • Respostas de congelamento: paralisia, dissociação, retraimento, dormência, insensibilidade, vontade imobilizada, sensação de vazio ou desconexão e incapacidade de acessar emoções.


Terceiro passo: desenhar e facilitar práticas de cura individual e coletiva


Para transformar sistemas sociais de maneira eficaz, é fundamental aplicar uma abordagem que considere os traumas subjacentes que perpetuam os problemas. Isso envolve adotar uma perspectiva centrada na cura, que busca conectar a sociedade à nossa humanidade compartilhada e liberar nosso potencial criativo para enfrentar questões sociais e ambientais. Ao criar espaços propícios para a cura, podemos transformar sistemas traumatizados em ambientes de compaixão e cuidado, reparando relacionamentos e promovendo um fluxo saudável de ideias.


A cura coletiva, que enfatiza o poder dos relacionamentos, permite que indivíduos e grupos identifiquem e tratem danos causados a si mesmos e aos outros. Essa abordagem transforma a energia destrutiva do trauma em maior consciência e compaixão, incentivando a colaboração e a inovação nas práticas sociais. Líderes de mudança social frequentemente se inspiram em tradições indígenas e práticas de justiça restaurativa, utilizando essas sabedorias para integrar a cura coletiva em seus esforços de transformação de sistemas, promovendo assim uma mudança mais significativa e duradoura. Algumas práticas que podem ser adotadas:


  • Honrar e acolher as tradições culturais, identidades e línguas de todas as pessoas afetadas ou participantes de processos de mudança social
  • Introduzir práticas corporais como dança, canto, meditação em grupo e trabalho somático para ajudar os participantes a se reconectarem com sua fisicalidade e regular seus sistemas nervosos
  • Práticas horizontais e relacionais, como círculos de cura, que incentivam a escuta empática e reduzem desequilíbrios de poder
  • Incluindo atenção plena ou outras práticas de cultivo da consciência para fortalecer a consciência das pessoas e a capacidade de hospedar seus próprios estados ativados e os dos outros
  • Reconectar-se à natureza e seu poder de cura como parte fundamental do processo
  • Entrar no poder de contar e possuir a própria história e testemunhar as histórias dos outros
  • Imbuir o processo com sacralidade por meio de rituais, como fazer uma bênção tradicional, ler um texto ou poema espiritual, reconhecer ancestrais e gerações anteriores ou compartilhar lendas tradicionais ou histórias.


Grupos de indivíduos que se envolvem intencionalmente em um processo de cura coletiva buscam reparar relacionamentos, restaurar conexões e aprofundar sua capacidade de se manterem conectados a si mesmos e uns aos outros, mesmo em momentos de ativação emocional. Esses núcleos de restauração e reparo têm um impacto que se irradia para fora, influenciando as relações pessoais, as organizações e as coalizões, além dos movimentos mais amplos dos quais os membros do grupo fazem parte.


Para a saúde mental e o bem estar florescerem de maneira sustentável, precisamos normalizar a conversa  e o trabalho sobre traumas, reconhecendo como fontes de sabedoria e transformação que podem trazer um novo potencial para as lideranças sociais, assim como novas soluções para as estratégias de impacto e a relação com beneficiários e parcerias.


Referências:

https://www.intergenerational-trauma.com/ 

https://ssir.org/articles/entry/healing-trauma-systems

CYCLES OF TRAUMA AND THE JOURNEY TO WELLBEING: A Framework For Trauma Informed Practices & Positive Social Change. Executive Summary & Part I: Why Does Trauma Matter for Wellbeing and Social Change?



Diego Baptista: Consultor na Facilitação Profunda sobre desafios complexos, traumas coletivos e a dimensão interior da mudança sistêmica, regeneração e impacto. Mentor de desenvolvimento interior para agentes de mudança e lideranças informadas pelos traumas.




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Por Maria Cecília Prates   1 de setembro de 2026
Essa é uma discussão relevante que está colocada pelo Collective Impact Forum, uma rede de instituições do terceiro setor, criada desde 2013 para estimular a busca do impacto social coletivo . Essa rede é coordenada pela FSG (Foundation Strategy Group), empresa de consultoria sem fins lucrativos, fundada por Michael Porter e Mark Kramer, e que atua segundo quatro ideias centrais: a filantropia catalisadora (que antes eles denominavam por “filantropia estratégica”); o impacto coletivo; os mercados inclusivos; e o valor compartilhado.  A ideia do impacto social coletivo foi inicialmente lançada em 2011, em texto publicado por John Kania e Mark Kramer, em oposição à prática predominante do impacto social isolado. Até hoje as organizações sociais têm atuado basicamente de modo individual, por meio de intervenções isoladas. Segundo os autores, essa estratégia funciona muito bem quando se trata de “problemas técnicos”, isto é, problemas bem definidos, com solução conhecida de antemão e em que uma organização sozinha tem competência para a sua implementação no todo. Um exemplo é a necessidade de um treinamento específico para ajudar na inserção no mercado de trabalho. Nessas iniciativas de impacto isolado, as organizações sociais atuando em uma mesma área-fim tendem a competir entre si junto aos financiadores. Pois prevalece a lógica de que quem apresenta desempenho melhor, consegue captar mais recursos e, assim, dar maior escala ao seu negócio social. A avaliação de impacto é conduzida de modo individual, e o esforço é por isolar a influência individual do trabalho da organização de outros fatores concorrendo simultaneamente – como, por exemplo, a influência de outras instituições da localidade. Porém, o que ocorre é que no setor social os problemas são, em sua grande maioria, “adaptativos”, isto é, complexos, cheio de interdependências, em que a solução não é conhecida de antemão e, mesmo que fosse, nenhuma instituição sozinha teria os recursos e a autoridade para promover a mudança necessária. Um exemplo é a necessidade de apoio e educação integral para crianças em situação de vulnerabilidade. Daí, segundo os autores, para os problemas sociais e ambientais complexos, as iniciativas de impacto coletivo tendem a ter um potencial de transformação muito maior. Ao invés de uma atuação individualizada, a ideia é que as organizações de diferentes setores [público, privado e terceiro setor] passem a atuar de modo coordenado e integrado, cada uma em sua área de expertise , com o objetivo de alcançarem juntas a mudança social desejada, de forma duradoura e em grande escala. Como advertem Kania e Kramer, a implementação dessa estratégia coletiva não é trivial e, para ser bem sucedida, deve atender a cinco condições básicas : ter uma agenda em comum (o mesmo entendimento do problema social e de sua solução); ter um sistema informatizado de medição compartilhada (“ shared measurement ”); executar as atividades de modo complementar de acordo com um plano de ação; manter comunicação contínua, como base para a confiança entre os diferentes atores; ter a presença de uma organização coordenadora “ backbone organization ”). Só que o cumprimento de todas essas condições exige investimentos significativos em termos financeiros e de tempo, para construir laços de confiança entre os atores, formar uma base de conhecimentos e infra-estrutura de suporte. Nessas iniciativas de impacto coletivo, prevalece a colaboração ao invés da competição. Quer isso dizer que as organizações sociais de uma dada localidade, atuando em uma mesma área-fim, tendem a colaborar entre si para gerar o máximo benefício. E, diferente do que é feito para as iniciativas sociais individuais, a avaliação de impacto é conduzida de modo abrangente (e não isolado), e tem o foco nos resultados de longo prazo da ação conjunta dos diferentes atores. A meu ver, uma abordagem mais consistente para implementar a avaliação de impacto. Enfim, há prós e contras tanto para as iniciativas de impacto social isolado como para as de impacto coletivo. Porém, se formos adotar as iniciativas de impacto coletivo, para que elas sejam bem-sucedidas, há um longo caminho a ser trilhado antes, pois são muitos os cuidados e pré-requisitos a serem obedecidos. Fica a reflexão.
Por Ana Carolina Vieira 31 de julho de 2026
Se você trabalha em uma organização social, provavelmente já conhece esta situação: o prazo para entregar um relatório se aproxima e começa uma verdadeira força-tarefa para reunir fotos, encontrar comprovantes, levantar números e tentar resgatar atividades realizadas meses atrás. A boa notícia é que a prestação de contas não precisa ser um processo estressante. Ao longo da minha trajetória em operações e acompanhamento de organizações sociais, percebo que as maiores dificuldades não estão relacionadas à falta de trabalho realizado, mas à ausência de uma rotina simples para organizar as informações. Afinal, quem está no dia a dia da execução sabe que as demandas são intensas e nem sempre sobra tempo para registrar cada passo. A verdade é que prestar contas vai muito além de cumprir uma obrigação com financiadores ou parceiros. É uma oportunidade valiosa de evidenciar o impacto gerado, fortalecer a credibilidade da organização e consolidar uma base de conhecimento essencial para o crescimento institucional. A prestação de contas começa antes do relatório Um dos erros mais comuns é enxergar a prestação de contas como uma atividade pontual, que acontece apenas ao final de um projeto ou sob demanda. Na prática, ela deve ser construída ao longo de toda a execução. Quando a organização estabelece o hábito de registrar ações, resultados e evidências periodicamente, o trabalho deixa de ser uma carga concentrada e passa a integrar a rotina da equipe. Uma boa prática é reservar um tempo mensal para atualizar indicadores, organizar documentos e reunir registros; esse pequeno cuidado economiza horas preciosas no futuro. Fotos, listas de presença, depoimentos, notas fiscais e comprovantes de despesas são documentos recorrentemente solicitados. Por isso, vale a pena criar uma estrutura simples de armazenamento. Pastas organizadas por projeto, período ou tipo de atividade fazem toda a diferença, o importante é que a equipe saiba onde encontrar os arquivos e que haja um padrão claro para salvá-los. Lembre-se: quanto mais próximo do momento da atividade o registro for realizado, menores são as chances de perder informações valiosas. Ao pensar em indicadores, muitas organizações acreditam que precisam de sistemas sofisticados, no entanto, o mais importante é começar pelo básico. Algumas perguntas norteadoras ajudam muito: ● Quando a ação foi realizada? ● Quantas pessoas foram atendidas? ● Quantas atividades foram realizadas? ● Quantos voluntários participaram? ● Quantos materiais foram distribuídos? ● Quais resultados ou mudanças foram observados? Esses dados fornecem uma visão consistente sobre o alcance das ações. Com o tempo, a organização pode aprimorar suas métricas, mas o primeiro passo é garantir que as informações essenciais estejam sendo registradas. Uma prestação de contas organizada transmite profissionalismo, responsabilidade e transparência. Além de cumprir exigências de editais, ela consolida a confiança de doadores, parceiros, voluntários e da própria comunidade. Estamos em momento onde o doador busca muito mais transparência, e, organizações que demonstram seus resultados com clareza saem na frente, não necessariamente porque fazem mais, mas porque comunicam melhor o valor daquilo que realizam. Talvez a principal mudança de perspectiva seja entender que a prestação de contas não existe apenas para quem está fora da organização; ela é uma ferramenta vital de gestão interna. Ao monitorar indicadores, registrar aprendizados e analisar resultados, a equipe identifica desafios, corrige rotas e planeja os próximos passos com mais segurança. Mais do que um relatório, a prestação de contas é uma poderosa aliada na construção de organizações mais sustentáveis e preparadas para ampliar seu impacto. E, no fim das contas, o segredo está na constância: pequenos registros feitos ao longo do ano são muito mais eficientes do que grandes esforços concentrados às vésperas de um prazo. Afinal, narrar o impacto gerado fica muito mais fácil quando ele foi acompanhado durante toda a jornada. *Ana Carolina Vieira – Analista de Operações e Impacto Formada em Secretariado Executivo, possui experiência nas áreas administrativa e financeira, com atuação na gestão de processos internos, organização de informações, atendimento e comunicação. Ao longo de sua trajetória, desenvolveu habilidades em planejamento, controle operacional e suporte à gestão, contribuindo para a eficiência e o fortalecimento das rotinas organizacionais.
Por Instituto Phomenta 9 de julho de 2026
A Inteligência Artificial (IA) não vai salvar nenhuma Organização da Sociedade Civil (OSC). Todo mundo já entendeu que ela é indispensável, que agiliza os processos, que ajuda no corre do dia a dia e que tem mil e uma utilidades. Mas ela, sozinha, não vai tirar a sua organização do vermelho e nem vai desafogar a sua equipe. A IA é uma ferramenta poderosa para apoiar a sua gestão, mas ela só funciona se for treinada e alimentada do jeito certo. E a grande pergunta é: você já sabe como fazer isso? A verdadeira inovação da tecnologia no terceiro setor não está nas ferramentas gratuitas e famosas que todo mundo usa na internet. O segredo está em construir uma estratégia modelada exclusivamente para a captação de recursos via editais. Se as exigências de quem financia mudaram, a forma como as ONGs planejam seus projetos precisa evoluir na mesma velocidade. É exatamente por isso que nasceu o Captação com Causa. Esse projeto, que tem duração de 18 meses, e é uma iniciativa da Fundação FEAC com apoio do Instituto Phomenta, tem um objetivo bem prático: foram selecionadas 10 organizações sociais de Campinas, que após formações, passam a utilizar uma plataforma de IA totalmente customizada para o terceiro setor. Por que focar em IA para buscar recursos? O que move esse projeto é uma ferida antiga das ONGs: o maior problema das organizações brasileiras hoje não é a falta de editais. As oportunidades estão publicadas por aí, na internet. O verdadeiro desafio das equipes, que quase sempre são enxutas, está em quatro passos básicos da rotina: Saber exatamente o que procurar para não aceitar qualquer dinheiro e acabar desviando da própria missão; Conseguir filtrar quais oportunidades realmente valem a pena e fazem sentido; Criar o hábito de buscar recursos de forma constante, e não só quando o caixa aperta; Transformar esse monte de informação em dinheiro no bolso para manter os projetos de pé. Escrever um projeto para um edital é complexo. Os formulários exigem justificativas profundas, orçamentos detalhados e até análise de riscos. Para equipes que já passam o dia se desdobrando no atendimento direto às comunidades, a IA entra como copiloto. Ela assume o trabalho mecânico de escrever e revisar textos, devolvendo para o captador o que ele tem de mais escasso: tempo para pensar na estratégia. Mas… como não deixar o texto com cara de robô? As ferramentas gratuitas que vemos por aí costumam "alucinar", que é o termo técnico para quando a IA inventa dados falsos ou cria argumentos superficiais simplesmente porque ela não conhece a realidade da sua ONG. Para blindar os projetos contra esse erro, o Captação com Causa ajuda as organizações a criarem um ambiente protegido e seguro, alimentando a inteligência artificial com a identidade real da instituição. Esse treino consiste em criar um perfil superdetalhado dentro do sistema, incluindo: O histórico da organização e as causas que ela defende; A região onde ela atua e o perfil das pessoas que ela atende; Dados locais e o impacto real que ela já gera no território. Quanto mais rico e detalhado for esse perfil, mais a IA se transforma em uma assistente exclusiva da causa. A partir daí, a máquina passa a escrever falando a mesma língua do financiador. Ela aprende a usar os termos técnicos que os avaliadores de editais procuram, cruza as palavras-chave exigidas e ajuda a encaixar a história da sua comunidade dentro das metas do orçamento. Falando a linguagem de quem investe Hoje em dia, as empresas e institutos que financiam projetos sociais mudaram a forma de avaliar as propostas. Eles não olham mais apenas para o número bruto de pessoas atendidas; eles querem ver o valor real do impacto gerado. Por isso, o projeto treina a IA para usar uma métrica chamada SROI (Retorno Social sobre o Investimento) . Para se ter uma ideia de como isso funciona: pesquisas do setor mostram que, para cada R$ 1 investido em projetos sociais por meio de incentivos fiscais no Brasil, cerca de R$ 7,59 retornam em benefícios reais para a sociedade e para a economia. Quando a IA é ensinada a cruzar os dados públicos da sua cidade (como pesquisas do IBGE) com o histórico de entregas da sua ONG, ela ajuda a provar matematicamente o valor do seu trabalho. O seu projeto deixa de parecer um "custo" para o investidor e passa a ser visto como um investimento seguro e transformador. O que muda na prática para as organizações? Com esse método bem aplicado, as inovações que as ONGs podem esperar mudam completamente o jogo da captação: Fim do desespero de última hora: A organização sai daquele modelo de correr atrás de edital na véspera do vencimento e passa a ter uma rotina organizada e previsível; Propostas sem erros bobos: Os projetos ficam muito mais robustos, diminuindo drasticamente as reprovações por preenchimento incompleto, metas vagas ou erros de orçamento; Mais confiança dos financiadores: Uma ONG que consegue provar seu impacto com dados seguros conquista a confiança de grandes investidores e garante sua sustentabilidade no longo prazo. Quer saber mais sobre captação estratégica e tecnologia? Aproveite para conferir nossos outros textos sobre sustentabilidade financeira e inteligência artificial no terceiro setor: O perigo do "dinheiro a qualquer custo": não deixe a procura por editais desvirtuar a sua missão: Entenda como a urgência para acessar editais sem alinhamento prévio pode desvirtuar a missão institucional da sua OSC e saiba como selecionar financiadores que respeitem os seus valores reais. Por que sua estratégia de captação precisa de IA (urgente)?: Conheça os dados oficiais sobre a sobrecarga dos captadores de recursos no Brasil e descubra por que a inteligência artificial virou uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para criar rotinas eficientes.
Por Instituto Phomenta 4 de julho de 2026
Você com certeza já viveu essa cena: o processo de seleção de voluntários foi um sucesso, a reunião de integração é melhor ainda e todo mundo sai motivado. Duas semanas depois, metade do grupo some sem dar notícias, os e-mails ficam sem resposta e, na hora daquela ação crucial, a coordenação precisa se desdobrar porque metade dos confirmados cancelou em cima da hora. Se a rotina da sua ONG parece um eterno ciclo de recrutar pessoas para cobrir o desfalque das anteriores, saiba que você não está só. Manter voluntários conectados a uma causa a longo prazo é um dos maiores desafios de gestão no Terceiro Setor. Para entender o tamanho do problema, basta olhar para o cenário nacional. Os dados da Pesquisa Voluntariado no Brasil, realizada pelo IDIS/Datafolha (2021) afirmam que, dos 57 milhões de brasileiros e brasileiras que realizam ou já realizaram trabalhos voluntários, apenas 12% fazem ações regularmente. Ainda de acordo com a pesquisa, embora o desejo de fazer o bem seja alto no país, entre os voluntários insatisfeitos e menos entusiasmados aparece a falta de motivação e de apoio/recursos, como fatores que trazem desengajamento.
Por Instituto Phomenta 25 de junho de 2026
Manter uma Organização da Sociedade Civil (OSC) de portas abertas no Brasil é um desafio diário de sobrevivência. Historicamente, a sustentabilidade financeira é o maior gargalo do terceiro setor, mas, frente ao montante de trabalho e às obrigações do dia a dia, ainda não conseguimos olhar para ela de forma estratégica. Assim, tratamos a busca por recursos como um evento de última hora, e não como um processo diário. Os dados do setor desenham um cenário alarmante sobre a estrutura das organizações brasileiras. Segundo a pesquisa da Associação Brasileira de Captadores de Recursos (ABCR)*, 37% dos respondentes apontam como a maior dificuldade da captação a necessidade de dividir o tempo com outras demandas da instituição. Na maioria dos casos, a função é acumulada pela diretoria ou por técnicos que já estão sobrecarregados com a operação na ponta. O resultado é um ciclo vulnerável, especialista em "apagar incêndios": uma corrida desesperada contra o tempo para preencher formulários complexos apenas quando o caixa já entrou no vermelho. Diante dessa escassez crônica de tempo, a Inteligência Artificial (IA) passou a ser uma ferramenta de infraestrutura obrigatória para viabilizar a sustentabilidade institucional, mas poucas organizações ainda sabem como usá-la. A maioria das ONGs usa IA sem estratégia A rotina ideal de captação exige monitoramento constante do mercado, leitura minuciosa de editais, adequação técnica de propostas e relatórios rigorosos de prestação de contas. Mas você leu bem: ideal . Não é o que temos à mão no dia a dia. Para equipes enxutas, a IA se tornou o caminho para assumir essa carga operacional. Na captação de recursos, a máquina atua — ou deveria atuar — como um copiloto técnico: fazendo a triagem de diretrizes complexas e adaptando a linguagem de projetos para diferentes perfis de financiadores, devolvendo ao profissional o tempo necessário para pensar estrategicamente. Porém, de acordo com o levantamento do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) , feito com mais de 1,5 mil organizações, 62% assumem que ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Vivemos em uma constante urgência para adotar a tecnologia, mas o pouco background gerou um uso amador e desordenado. Um mapeamento recente conduzido também pelo IDIS com mais de 500 entidades revelou que 95% das organizações sociais utilizam IA sem qualquer política ou orientação formal, e 75% dependem exclusivamente de ferramentas gratuitas de mercado. O risco aqui é que, com a soma da pouca estratégia e da falta de substância, as ONGs só consigam gerar, por meio da IA, propostas superficiais e desconectadas da realidade do território. São materiais incipientes, que podem levar à desclassificação imediata dos projetos pelos avaliadores dos editais. Como usar a IA a seu favor? Como resposta direta a esse cenário de equipes sobrecarregadas e necessidade de profissionalização tecnológica, a Fundação FEAC, com apoio do Instituto Phomenta, estruturou o projeto Captação com Causa. A iniciativa de 18 meses foi desenhada justamente para aplicar a IA como uma solução de sustentabilidade em 10 OSCs selecionadas de Campinas. Para combater o uso desordenado e a dependência de plataformas gratuitas apontados pelas pesquisas, o programa introduz no dia a dia das instituições bots customizados e programados especificamente para o contexto do terceiro setor. Em vez de soluções genéricas, as organizações ganham um sistema que filtra editais de forma preditiva e qualifica a escrita técnica das propostas, reduzindo drasticamente o tempo gasto na formatação dos projetos. O foco principal do projeto, que conta com um match funding de R$ 100 mil, é estruturar a captação como uma rotina viável. Por meio de assessoramentos individuais e coletivos, o programa prepara os profissionais para utilizarem a IA com postura crítica, garantindo que a tecnologia trabalhe a serviço da estratégia humana. Ao transformar a tecnologia em uma aliada, o Captação com Causa mira na mobilização de R$ 800 mil entre as participantes e na comprovação de que, com o método correto, a captação de recursos pode deixar de ser um susto sazonal e se tornar uma estratégia previsível, perene e sustentável. Quer saber mais sobre o Captação com Causa? Confira nosso último artigo! *Fonte: Censo ABCR
Por Instituto Phomenta 11 de junho de 2026
Nem todo edital é uma oportunidade. Entenda os riscos do desvio de missão e como captar recursos de forma estratégica.
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