Gestão ágil de projetos: o que é e como ela pode beneficiar as ONGs?

22 de julho de 2022

Este conteúdo foi produzido por  Vitor Freitas


Você pode já ter ouvido falar sobre a gestão ágil de projetos, mas hoje vou contextualizar um pouco mais sobre como esse conceito pode transformar a forma como sua organização planeja e executa projetos. 


O conceito de gestão ágil existe há muitos anos, mas ganhou força a partir da publicação do “Manifesto Ágil” em 2001, que consiste em um guia para a execução de qualquer tipo de gestão ágil com base em 4 valores e 12 princípios que traduzem as intenções desse modo de enxergar a gestão. Mas o que é a gestão ágil na prática? 


O que é gestão ágil


Muito além de metodologias mirabolantes, ferramentas digitais e “post-its” coloridos na parede, a gestão ágil é uma nova forma de encarar projetos a partir de uma visão mais integrada, com planejamento e execução em ciclos curtos permitindo gerar testes rápidos e recalcular a rota quando necessário. 


Podemos conceituar a gestão ágil como um grande guarda-chuva com diferentes metodologias dentro dele, algumas delas você pode já ter ouvido falar como o “Kanban”, utilizado para acompanhar atividades do dia a dia e o “Scrum”, uma metodologia mais robusta de planejamento e execução com foco na otimização e integração de equipes.


De modo geral, todas as metodologias e ferramentas convergem em um foco principal que é a ideia de que um projeto não é uma jornada linear, estática e definida apenas no seu início. Um projeto é um organismo vivo com diferentes necessidades ao longo do tempo e podemos trabalhar com essas necessidades quando quebramos o projeto em partes menores para execução e aprimoramento a partir dos resultados que vamos coletando durante seu desenvolvimento.


Essa forma de encarar a gestão de projetos pode ser um ponto de virada para muitas organizações, abaixo comento alguns dos principais benefícios do modelo ágil para o terceiro setor. 


Benefícios da gestão ágil para o terceiro setor 


1º Mudanças e adaptações rápidas 


No terceiro setor muitas vezes atuamos em cenários de grandes incertezas para resolver desafios com alta complexidade. Por exemplo, enquanto no segundo setor pensamos em um projeto para lançar um novo aplicativo de delivery, no terceiro setor podemos citar um projeto que busca democratizar o acesso à alimentação em determinada região. 


Nesse exemplo, o nível de complexidade é muito alto e o desenvolvimento do projeto depende de inúmeros fatores e cenários que não são estáveis. Nesse contexto, as metodologias ágeis ajudam, pois permitem planejar e executar ciclos curtos a todo momento, se adaptando às necessidades de cada instante e garantindo que o projeto consiga atender às necessidades do público alvo. Ser ágil é lidar com a instabilidade.


Além disso, como nas metodologias ágeis nós dividimos o projeto em ciclos menores de planejamento e execução, é possível ter maior visibilidade dos resultados, em períodos mais curtos de tempo. Não é necessário esperar até o final de todo o processo para ter certeza – ou não – de que o impacto planejado será alcançado.


2º Integração 


Quando pensamos em metodologias ágeis, nós saímos da visão tradicional de uma pessoa controlando todas as fases de um projeto e passamos para uma divisão de papéis, responsabilidade  e maior autonomia da equipe de projeto. A chave desse novo modo de agir é a integração entre pessoas, papéis, processos e etapas dentro de um mesmo projeto.


Nas metodologias ágeis, a macroestrutura é dividida em equipes multidisciplinares que possuem autonomia para a tomada de certas decisões, se assemelhando mais a um “organismo vivo” do que uma “pirâmide”.



3º Beneficiário (cliente) no centro de tudo 


No ágil, o público alvo do projeto é o centro de todas as tomadas de decisões e mudanças, com diferentes momentos para planejamento e execução. O relacionamento com o público alvo do projeto deve ser constante, sem perder de vista o propósito do projeto. 


Assim, existe uma jornada de aprendizado progressivo onde se aprende mais sobre o projeto a medida que se avança em suas etapas. É um processo de aprendizado junto com os beneficiários, quais são suas necessidades e como estão reagindo aos resultados do projeto.


Para finalizar, o intuito desse texto não é fazer com que você mude toda a gestão dos projetos da sua organização para metodologias ágeis de uma vez, mas sim trazer uma nova ótica de como você enxerga a gestão dos projetos que atua hoje em dia. 


Cada projeto tem um contexto e um objetivo,  o ágil não é a solução para tudo, mas sim uma nova forma de se pensar a gestão de projetos e de oferecer ferramentas para o gestor de projetos. 


Ser ágil não é algo que acontece da noite para o dia, não é um evento pontual ou uma “mudança de chave” instantânea. Ser ágil é uma jornada de transformação sobre como enxergamos e gerenciamos nossos projetos para conseguir atingir a transformação desejada.





Vitor Freitas é agente do Círculo de Aceleração Social da Phomenta.

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Você pode amar muito um time e ainda assim vê-lo perder campeonatos por anos. Pode ter a maior torcida do país, uma história gigante e uma camisa pesada. Mas sem gestão, isso não se sustenta. No terceiro setor acontece algo muito parecido. Sou corinthiana e não acompanho o futebol tão de perto. Mesmo assim, é impossível ignorar o que Palmeiras e Flamengo vêm construindo nos últimos anos. Escrevo este artigo no final de 2025 e, ao olhar para os principais campeonatos do período recente, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, esses dois clubes seguem protagonizando finais, títulos e campanhas consistentes. Não por acaso, também passaram a aparecer em premiações internacionais que reconhecem excelência em gestão, como o Globe Soccer Awards. Mas nem sempre foi assim. E é exatamente aí que essa história interessa às organizações da sociedade civil. Quando a virada não acontece no campo Palmeiras e Flamengo já viveram fases marcadas por dívidas, crises internas e resultados bem abaixo do potencial que tinham. A mudança não começou com um craque, nem com um gol histórico. Começou fora de campo. Por volta de 2012 e 2013, os dois clubes passaram a tratar a gestão como eixo central. Planejamento financeiro, profissionalização das equipes, governança e visão de longo prazo deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões concretas. Se você não gosta de futebol, continue comigo. O ponto aqui não é o esporte. É entender que amor, tradição e propósito são fundamentais, mas não substituem uma boa gestão. Com gestão, a gente vai mais longe. O que o Palmeiras ensina No Palmeiras, a virada tem um nome bastante conhecido: Paulo Nobre. Ao assumir a presidência do clube em 2013, encontrou um cenário delicado, com dívidas e pouca previsibilidade. Uma das decisões mais simbólicas foi emprestar recursos próprios para reorganizar as finanças do time. Um gesto arriscado, mas inserido em uma estratégia maior. A partir daí, vieram parcerias estratégicas como a Crefisa, a profissionalização da gestão e a criação de novas fontes de receita. A modernização do Allianz Parque transformou o estádio em um ativo que gera renda muito além dos jogos, com shows e eventos. É a lógica de enxergar a estrutura como meio para sustentar a missão, algo bastante familiar para quem atua no terceiro setor. O Flamengo e a coragem de arrumar a casa O Flamengo sempre teve popularidade e potencial. O que faltava era organização. A virada começou com decisões duras e pouco populares, como uma política rigorosa de controle de gastos e reorganização financeira. Antes de investir pesado em contratações, o clube investiu em processos, equipe técnica qualificada e responsabilidade fiscal. Os títulos vieram depois. Não como milagre, mas como consequência. O que tudo isso tem a ver com as OSCs? Muito mais do que parece. Os dois clubes mostram que investir na base (jovens atletas em formação para o time principal) é apostar no longo prazo, mesmo quando o retorno não é imediato. No terceiro setor, isso aparece na formação de equipes, no fortalecimento institucional e no desenvolvimento de lideranças. Eles também reforçam uma verdade incômoda: amor não é estratégia. Paixão move, mas não organiza fluxo de caixa, não constrói indicadores e não garante sustentabilidade. Há ainda a importância de diversificar fontes de receita, inclusive para organizações grandes e reconhecidas, e de contar com profissionais qualificados, além de investir em quem já faz parte da equipe. Nada disso acontece do dia para a noite. O processo é longo, exige constância e escolhas difíceis. Um convite para quem lidera organizações sociais  Se você lidera uma OSC, vale a reflexão. O quanto da sua energia está concentrada apenas na causa e o quanto está direcionada para fortalecer a gestão que sustenta essa causa? Gestão não esfria o propósito. Pelo contrário. Ela protege a missão, amplia o impacto e garante que o trabalho continue existindo daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futebol e no terceiro setor, amor é o ponto de partida. Gestão é o que transforma esse amor em legado.
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