30 formas de captar recursos para a sua organização

24 de março de 2023

Este conteúdo foi produzido por Daiany França


Captar recursos é uma tarefa fundamental para a sustentabilidade econômica de qualquer projeto esportivo. A boa notícia é que existem diferentes estratégias de captação de recursos validadas no Brasil, que podem ser trabalhadas de acordo com as necessidades e características de cada organização. Neste texto, destaco 30 delas, desde a captação direta com empresas até a geração de renda por meio de vendas de produtos e serviços.


Importante dizer, que este levantamento contou com o apoio das líderes esportivas Carolina Chrispim Pires dos Santos, Ellen Moraes Scherrer, Jaqueline Gonçalves da Silva Valente e Susane Velasques do Nascimento, alunas do “Curso Sesc de Gestão do Esporte: diversidade, cultura e lazer”. Para saber mais sobre essa iniciativa do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo, clique aqui.

Fonte Estratégia Definição
Empresas, institutos e fundações 1. Leis de incentivo Mecanismo de renúncia fiscal que permite a pessoas físicas e jurídicas direcionem parte do valor de seus impostos devidos para projetos em leis de incentivo (esporte, cultura, fundos da infância e adolescência, etc.). Essa prática pode ser aplicada em níveis federal (Imposto de Renda), estadual (ICMS) e municipal (ISS/IPTU), seguindo a legislação específica de cada esfera. Para utilizar essa forma de captação de recursos, é crucial conhecer a legislação relacionada ao benefício fiscal escolhido, pois cada etapa envolve diversos aspectos que demandam cuidado e tarefas a serem realizadas. Essa forma de captação vem crescendo em popularidade e atraindo cada vez mais apoiadores e patrocinadores.
Empresas, institutos e fundações 2. Editais Recurso financeiro geralmente não reembolsável, destinado a projetos que se concentram em uma área geográfica ou temática específica. Esses recursos podem ser fornecidos por empresas, institutos e fundações, mas também por governos, agências internacionais de cooperação ou até mesmo outras organizações da sociedade civil.
Empresas, institutos e fundações 3. Captação direta (doação ou patrocínio não incentivado) Patrocínios ou doações realizadas de maneira planejada, monitorada e sistemática, realizadas com recursos próprios, desvinculadas de recursos de leis de incentivo (não necessita incentivo fiscal).
Empresas, institutos e fundações 4. Arredondamento Doação do troco que o cliente recebe para um projeto ou organização parceira.
Empresas, institutos e fundações 5. Produtos sociais (licenciamento) Produtos sociais referem-se a itens licenciados que envolvem marcas ou personagens conhecidos, nos quais o detentor dos direitos autorais (ou seja, da propriedade intelectual) concede permissão para sua exploração comercial em produtos, serviços ou promoções. Nesses casos, a receita gerada é destinada a apoiar uma causa, projeto ou organização beneficiária. Exemplos incluem a água AMA da Ambev e o Doritos Rainbow.
Empresas, institutos e fundações 6. Cashback social O programa de fidelização de cashback é adotado por marcas e empresas, permitindo que os consumidores, ao concluir uma compra, optem por direcionar parte do valor gasto a uma causa social em vez de recebê-lo de volta. Nesse modelo, o cliente seleciona a causa e a empresa realiza a doação desse montante, que se converte em ações que geram impacto social positivo.
Empresas, institutos e fundações 7. Matchfunding (financiamento misto) Forma de captação de recursos que combina o crowdfunding (financiamento coletivo) com a participação de uma empresa, instituto ou fundação que iguala ou multiplica as contribuições recebidas dos apoiadores. Nesse modelo, a organização responsável pelo projeto busca angariar fundos através de contribuições financeiras de pessoas físicas ou jurídicas e um parceiro, geralmente uma empresa ou instituição, compromete-se a igualar, dobrar ou multiplicar os valores arrecadados até um limite pré-estabelecido. Isso incentiva os apoiadores a contribuírem, já que seus aportes terão um impacto maior do que o valor individualmente contribuído.
Empresas, institutos e fundações 8. Obrigações legais e investimentos mitigatórios Refere-se às contribuições feitas para atender programas socioambientais que estão diretamente vinculados ao cumprimento de condições estabelecidas em processos de licenciamento, sentenças judiciais (ou equivalentes) ou por exigência legal. Nesses casos, as empresas ou indivíduos são obrigados a realizar doações para cumprir os requisitos legais ou regulatórios, frequentemente como parte de uma compensação ou mitigação de impactos negativos causados por suas atividades.
Empresas, institutos e fundações 9. Voluntariado corporativo ou Pro Bono Conjunto de ações promovidas pelas empresas que visa incentivar e apoiar o envolvimento de seus funcionários em iniciativas voltadas para a comunidade. Essas atividades estabelecem uma relação vantajosa para todos os participantes: a ONG se beneficia ao receber consultoria especializada e gratuita para aprimorar sua gestão, enquanto os colaboradores desenvolvem habilidades interpessoais e expandem suas redes de contato no ambiente de trabalho.
Indivíduos 10. Eventos (jantares, leilões, bingos, etc.) Consiste em organizar e promover atividades ou ocasiões especiais com o objetivo de arrecadar fundos para uma causa, projeto ou organização. Esses eventos geralmente atraem pessoas interessadas em apoiar a causa, proporcionando uma oportunidade de conscientização, engajamento e doação. Em eventos como jantares beneficentes, os convidados compram ingressos para participar e, muitas vezes, são oferecidos itens ou serviços em leilões e sorteios para aumentar a arrecadação. Leilões podem ser realizados com produtos ou experiências doadas por empresas ou indivíduos, e os participantes fazem lances para adquiri-los. Bingos e outros jogos também podem ser organizados como formas de entretenimento, onde os participantes compram cartelas ou ingressos, e parte ou toda a receita é destinada à causa em questão. Esses eventos de captação de recursos não só geram apoio financeiro para a causa, mas também fortalecem a conexão entre os apoiadores e a organização, expandem o alcance e a visibilidade da causa e proporcionam uma experiência social e divertida para os participantes.
Indivíduos 11. Nota fiscal (Ex: SP e CE) Estratégia que envolve programas fiscais estabelecidos em alguns estados com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância de solicitar notas fiscais e incentivar a participação no controle e na aplicação de recursos públicos. Esses programas geralmente sorteiam prêmios e apoiam organizações.
Indivíduos 12. Apadrinhamento Os doadores, também conhecidos como padrinhos ou madrinhas, realizam contribuições mensais para apoiar projetos sociais que beneficiam um afilhado ou afilhada específico(a).
Indivíduos 13. Crowdfunding (vaquinha, financiamento coletivo) O crowdfunding, também conhecido como vaquinha ou financiamento coletivo, é uma estratégia de captação de recursos na qual um grande número de pessoas é mobilizado para contribuir financeiramente para uma campanha ou projeto específico. Essa abordagem é predominantemente realizada online, através de plataformas especializadas que facilitam a criação, divulgação e gerenciamento das campanhas.
Indivíduos 14. Heranças A doação por meio de heranças é uma estratégia menos comum e, por vezes, complexa de contribuição para causas ou organizações. Existem dois cenários principais para a doação de bens: a doação em vida, que costuma ser mais simples e menos problemática, e a doação após a morte do doador, registrada em testamento. A doação feita após a morte do doador, por meio de testamento, pode ser complicada devido às restrições legais, como a limitação da doação a até 50% do total da herança e análise da divisão caso o falecido tenha familiares vivos, dependendo do grau de parentesco. Além disso, existe o ITCMD (Imposto sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação), um imposto que incide sobre esse tipo de doação (a título de informação, existe uma proposta na Reforma Tributária, no Senado, que extingue o ITCMD). Em ambos os casos, a doação por meio de heranças permite que os doadores contribuam significativamente para causas que lhes são importantes, seja durante sua vida ou após seu falecimento, deixando um legado duradouro.
Indivíduos 15. Campanhas anuais iniciativas recorrentes e com duração pré-determinada que visam captar recursos para organizações, projetos ou causas específicas. Essas campanhas são acompanhadas por um plano de comunicação dinâmico e eficiente, que demonstra os resultados práticos das contribuições feitas pelos doadores, com o objetivo de conquistar e manter doadores frequentes e garantir visibilidade constante para a organização. Exemplos notáveis de campanhas anuais de arrecadação incluem o Criança Esperança e o TELETON. Essas campanhas se caracterizam por eventos de grande alcance na mídia, que mobilizam o público, personalidades e empresas em prol de causas sociais, como a promoção da saúde, educação e bem-estar de crianças e jovens.
Indivíduos 16. Telemarketing Esta estratégia permite que as organizações entrem em contato, via chamadas telefônicas, com um grande número de pessoas, apresentem suas causas e solicitem contribuições financeiras.
Indivíduos 17. Cofrinho Comumente realizadas em estabelecimentos comerciais colaboradores, as doações por meio de cofrinhos solidários incentivam os clientes a contribuir com quantias modestas, aproveitando trocos ou não, em apoio a organizações ou causas específicas.
Indivíduos 18. Assinatura (doação recorrente) Forma de contribuição financeira em que os doadores se comprometem a realizar doações regulares e previsíveis para uma organização ou causa específica. Essa modalidade de doação é frequentemente apoiada por estratégias de marketing e arrecadação para atrair e reter doadores.
Indivíduos 19. Aplicativos Envolve o uso de plataformas de mensagens e redes sociais para aprimorar a comunicação e o relacionamento com os doadores, facilitando o processo de doação e promovendo o engajamento.
Indivíduos 20. Atletas e vozes do esporte Muitos atletas e profissionais de diferentes áreas do esporte, quando incentivados, podem doar um percentual do seu salário para projetos esportivos e paradesportivos, ou iniciativas de outras causas. É o exemplo da rede global Common Goal, que mobiliza a indústria do futebol para comprometer um mínimo de 1% de todas as receitas dos membros para impulsionar o desenvolvimento humano por meio do esporte.
Indivíduos 21. Peer-to-peer (P2P) Estratégia que envolve mobilizar uma rede de doadores ou amigos para que se comprometam com uma meta de doação pré-definida. Nesse modelo, os apoiadores se tornam embaixadores e captadores de recursos, incentivando seu próprio círculo de contatos a contribuir para a causa ou organização.
Indivíduos 22. Face-to-face (Diálogos diretos) Estratégia que envolve o contato pessoal e direto com potenciais doadores para apresentar uma causa e solicitar doações. Um exemplo é o Greenpeace, que realiza campanhas de captação face-to-face nas ruas e outros locais públicos, compartilha informações sobre questões ambientais e incentivaas pessoas a fazerem doações.
Geração de renda 23. Venda de produtos e serviços (bazar, loja própria, etc.) Estratégia em que uma organização comercializa produtos ou presta serviços para gerar renda. Essa abordagem pode ser dividida em dois tipos, pelo menos: Venda B2B (business-to-business): ocorre quando duas organizações negociam entre si, podendo ser a venda de um serviço ou produto de uma organização para uma empresa ou até mesmo uma negociação entre duas organizações da sociedade civil; e Venda B2C (business-to-consumer): acontece quando a organização vende diretamente para o consumidor final, como em bazares ou lojas virtuais.
Geração de renda 24. Aluguel de espaços do projeto Como o próprio nome já diz, significa alugar espaços próprios do projeto ou da organização para terceiros, como salão de festas, a fim de captar recursos livres* para o projeto esportivo ou paradesportivo. *Recurso livre é uma forma de financiamento que não possui restrições específicas quanto à sua utilização. Ou seja, a organização que recebe esse tipo de recurso tem a liberdade de decidir como empregá-lo, conforme suas prioridades e necessidades. Esses recursos podem ser utilizados para cobrir despesas operacionais, investimentos em projetos, infraestrutura, entre outras finalidades. A disponibilidade de recursos livres é fundamental para a sustentabilidade financeira e a flexibilidade das organizações, permitindo que elas se adaptem às mudanças e respondam a novos desafios.
Geração de renda 25. Fundos patrimoniais Um Fundo Patrimonial Filantrópico, também conhecido como Endowment, é um mecanismo de financiamento para organizações sem fins lucrativos que permite a criação de um fundo perene, cujo objetivo é gerar rendimentos ao longo do tempo. As doações são alocadas nesse fundo e investidas em diferentes instrumentos financeiros, como ações e títulos, com o objetivo de proteger e aumentar o capital ao longo do tempo. No Brasil, a Lei Federal nº 13.800/2019, regulamenta a criação e gestão desses fundos no país.
Geração de renda 26. Negócios de impacto Negócio de impacto é uma empresa que busca gerar impacto social ou ambiental positivo ao mesmo tempo em que gera lucro financeiro. Ou seja, é uma empresa que tem a sustentabilidade como pilar fundamental, tanto em termos sociais e ambientais quanto econômicos. Um projeto esportivo ou organização, por exemplo, pode optar por criar um negócio de impacto como estratégia de geração de renda. Vale lembrar que a criação de um negócio de impacto exige um alto nível de comprometimento e dedicação, além de uma equipe qualificada e recursos financeiros suficientes para viabilizar a iniciativa. Por isso, é importante que a organização avalie cuidadosamente suas capacidades e recursos antes de tomar essa decisão.
Governos 27. Parceria público-privada (PPP) Modelo de administração indireta em que uma organização privada se associa com o poder público para fornecer um serviço ou executar um projeto de interesse público. No Brasil, as PPPs são regulamentadas pela Lei Federal nº 11.079, de 30 de dezembro de 2004, que estabelece normas gerais para licitação e contratação de parcerias público-privadas no país. Para participar de uma PPP, a organização da sociedade civil deve estar qualificada para atuar no objeto da parceria e ter condições de cumprir as exigências e obrigações previstas no processo licitatório e contrato.
Governos 28. Emendas parlamentares As emendas parlamentares são uma forma de os deputados e senadores influenciarem a destinação de recursos públicos para projetos e ações de interesse de suas bases eleitorais. Elas consistem em propostas de alteração no orçamento federal, estadual ou municipal, que visam alocar recursos para determinadas áreas ou projetos específicos, como obras de infraestrutura, projetos de saúde, educação, cultura, esportes, entre outros. As emendas podem ser individuais, quando propostas por um único parlamentar, ou coletivas, quando apresentadas por um grupo de parlamentares de uma mesma bancada ou com interesse comum. Elas são apresentadas durante o processo de elaboração do orçamento anual e passam por um processo de avaliação e análise antes de serem aprovadas.
Governos 29. Chamamentos públicos (termo de fomento e termo de colaboração) O Termo de Fomento é o instrumento que formaliza as parcerias entre a administração pública e as Organizações da Sociedade Civil (OSC) para alcançar finalidades de interesse público e recíproco, envolvendo a transferência de recursos financeiros. Já o Termo de Colaboração formaliza parcerias entre a administração pública e as OSC para a consecução de finalidades de interesse público e recíproco propostas pelo poder público, envolvendo transferência de recursos financeiros. Nesses casos, a administração pública sugere o plano de trabalho e seleciona as OSC que irão colaborar com a tarefa. As parcerias devem ser formalizadas através de chamamento público e processo de seleção, que devem obedecer às regras estabelecidas na Lei nº 13.019/14. O Acordo de Cooperação é utilizado para formalizar parcerias que não envolvem a transferência de recursos financeiros.
Internacional 30. Internacional As formas de captação de recursos internacionais para organizações incluem diversas estratégias e abordagens. Por exemplo, a participação em editais e programas de financiamento de organismos internacionais e governos de outros países. Nesse sentido, é importante entender os critérios de elegibilidade e elaborar um projeto bem estruturado e alinhado aos objetivos do programa. As relações pessoais também são importantes para a captação de recursos internacionais, principalmente em relação à busca de apoio financeiro de indivíduos e instituições filantrópicas em outros países. A participação em redes e fóruns internacionais também pode ser uma forma eficiente de obter recursos e estabelecer parcerias. Por fim, é importante mencionar que a captação de recursos internacionais envolve uma série de desafios, como a necessidade de compreender a cultura e as políticas dos países envolvidos, além de questões legais e fiscais. Por isso, é fundamental contar com profissionais capacitados e especializados para lidar com essa forma de captação de recursos.

Atenção: Esta lista não esgota todas as possibilidades de captação de recursos, mas oferece uma ampla variedade de estratégias que podem ser úteis para diferentes perfis de organizações. É importante lembrar que cada iniciativa requer um plano de ação específico, sendo recomendado que a liderança da ONG trabalhe com foco em no máximo três estratégias ao mesmo tempo, uma vez que o sucesso da captação vai depender de diferentes fatores, incluindo planejamento bem estruturado e uma equipe comprometida.


Gostou deste conteúdo? Compartilhe com outros empreendedores de ONGs!



Texto originalmente publicado em
https://lideresesportivos.com.br/30-formas-de-captar-recursos-para-o-seu-projeto-esportivo/






Daiany França Saldanha é líder de parcerias e novos negócios na Phomenta.


Inscreva-se na nossa Newsletter

Últimas publicações

Por Instituto Phomenta 11 de junho de 2026
Nem todo edital é uma oportunidade. Entenda os riscos do desvio de missão e como captar recursos de forma estratégica.
Por Jaice Balduino 1 de junho de 2026
O doador brasileiro está mudando: mais seletivo, exigente e orientado por impacto. Descubra o que as organizações sociais precisam oferecer para conquistar e fidelizar quem doa no cenário atual.
Por Instituto Phomenta 26 de maio de 2026
Quem está no dia a dia da gestão de uma ONG conhece bem o dilema: a gente passa tanto tempo cuidando dos projetos e atendendo a ponta que a nossa própria estrutura vai ficando para trás. Já diz o ditado: “em casa de ferreiro…”. Nosso financeiro roda no limite, a equipe fica sobrecarregada, os processos são travados e a liderança vive exausta. A verdade é que a gente se acostumou a operar no modo de sobrevivência. Então, que tal dar um passo para trás e avaliar o todo? Durante o FIFE 2026, o sociólogo Domingos Armani trouxe uma provocação que cutucou feridas necessárias. Ele alertou que muitas organizações ainda insistem em carregar crenças e estigmas que funcionam como mapas obsoletos. Só que, o grande problema de usar um mapa velho é que o mundo mudou, e o desenho antigo já não bate com o terreno real de hoje. Insistir na ideia de que investir na própria estrutura é "gastar dinheiro que deveria ir para o projeto" é um desses mapas velhos que precisamos rasgar. Fortalecer a casa, o chamado Desenvolvimento Institucional (DI), é o que garante que a ONG continue existindo e gerando impacto no longo prazo. E essa mudança de mentalidade muda tudo, inclusive o jeito de captar recursos. Mudar a postura para financiar a sua estratégia Captar recursos para o Desenvolvimento Institucional, ou seja para estruturar a gestão, investir em tecnologia e manter o time funcionando, exige parar de pedir dinheiro apenas para o "projeto da vez". No painel da Plataforma Conjunta, ainda no FIFE, o debate girou em torno de como virar essa chave diante dos financiadores. Para ajudar a avaliar como a sua organização está se posicionando, montamos um checklist prático com os principais aprendizados da mesa: Checklist de postura para o fortalecimento da ONG [ ] Você se explica pela estratégia ou pelo portfólio? Quando vai conversar com um parceiro, você gasta todo o tempo listando as oficinas da semana ou apresenta primeiro a missão e a visão de futuro da organização? Grandes parceiros querem financiar o futuro da sua causa, não apenas uma ação pontual. [ ] Você sabe compartilhar vulnerabilidades? Se a sua organização fosse perfeita e não tivesse nenhum problema de gestão, ela não precisaria de apoio. Fale da sua vulnerabilidade, mas com estratégia. Acompanha o próximo ponto! [ ] O desafio vem acompanhado de uma solução? Mostrar os pontos fracos da gestão para o parceiro só funciona se você já apresentar a rota para resolver o problema. A vulnerabilidade precisa vir colada com a sua capacidade de planejamento. [ ] O estigma da escassez foi abandonado? A gestão já superou a velha crença de que o Terceiro Setor precisa trabalhar sofrendo, com ferramentas defasadas e computadores lentos? Modernizar a estrutura interna é uma decisão de eficiência, não um luxo. Saiba que você pode merece e precisa de estrutura. Modernizar para não parar no caminho Se os mapas antigos não funcionam mais, o papel de quem gere é desenhar novas rotas. Olhar para o Desenvolvimento Institucional serve para dar musculatura para a organização. Quando paramos de “vender o almoço para pagar o jantar” e começamos a financiar a nossa própria estratégia, a ONG ganha a sustentabilidade que precisa para transformar a realidade na ponta de forma estruturada e contínua.
Por Instituto Phomenta 14 de maio de 2026
Quem trabalha em ONG sabe que a comunicação costuma ser o pratinho que mais cai. Com tantas atividades executadas ao mesmo tempo, a estratégia acaba ficando para trás porque o operacional consome todo o dia. Mas o uso da Inteligência Artificial (IA) tem mostrado que dá para mudar esse cenário. Esse foi um dos temas centrais do Fórum Interamericano de Filantropia Estratégica (FIFE 2026), o principal encontro sobre gestão do Terceiro Setor no Brasil. O debate focou em como a tecnologia pode organizar processos e liberar tempo para o que realmente importa. O cenário brasileiro é curioso: de um lado, a OpenAI aponta que o Brasil é o terceiro país que mais usa o ChatGPT no mundo (atrás apenas de EUA e Índia), com cerca de 140 milhões de mensagens diárias enviadas por aqui. Por outro lado, o uso estratégico nas ONGs ainda engatinha. Um levantamento do IDIS com mais de 1,5 mil organizações revela que 62% delas ainda estão em um estágio baixo ou inexistente de adoção de IA. Ou seja, a tecnologia está na nossa mão, mas o setor social ainda está descobrindo como transformá-la em aliada da gestão. Para tirar proveito real dessas ferramentas, o segredo é o jeito que você as alimenta. Durante a palestra de Marco Iarussi, publicitário social e fundador da Curta Causa, aprendemos que o "treinamento" que você dá à IA é o que define se o resultado será genérico ou útil. Mão na massa: Passo a passo para montar seu plano com IA Para a IA aprender sobre a sua realidade e não entregar respostas vazias, siga este roteiro: 1. Não mude de conversa Escolha um único chat para tratar do seu plano de comunicação, seja no ChatGPT, Gemini ou Claude. Se você abre uma conversa nova toda vez, a IA "esquece" o contexto. Mantendo o mesmo canal, ela guarda o histórico e entende as necessidades específicas da sua organização. 2. Dê informações reais Antes de pedir o plano completo, descubra o que a IA já "pensa" sobre você. Isso serve para corrigir erros e fornecer dados que ela ainda não tem. Prompt: "O que você sabe sobre a causa [inserir sua causa] e o que conhece sobre o trabalho da [nome da sua ONG]?" 3. Alinhe o que é um plano de verdade Veja se o robô entende o seu universo. Se ele tiver uma visão muito comercial, o plano parecerá uma propaganda de loja, o que não funciona para o setor social. Prompt: "Para você, o que não pode faltar em um plano de comunicação para uma ONG? Liste os pontos principais." (Leia e diga o que você concorda ou não). 4. Descubra o que ninguém está falando Use a ferramenta para encontrar novos ângulos e sair do óbvio. Prompt: "O que o pessoal mais fala sobre [sua causa] hoje? E o que você acha que ainda não foi dito, mas que ajudaria as pessoas a entenderem melhor o nosso impacto?" 5. Peça o plano prático Agora que o chat está treinado, peça a estrutura final. Prompt: "Com base em tudo o que já conversamos aqui, monte um calendário de 30 dias para as nossas redes sociais. O foco deve ser [ex: prestação de contas ou atrair novos voluntários]." Onde entra a ética e o seu papel Usar a tecnologia para facilitar o dia a dia é inteligência de gestão, mas exige cuidado. A IA serve para fazer o primeiro rascunho e organizar as ideias, mas a palavra final, a conferência dos dados e o olhar humano sobre a causa precisam ser seus. O objetivo é automatizar o que for repetitivo para que você tenha fôlego. Com a comunicação organizada, sobra tempo para construir relacionamentos de verdade e focar no que nenhuma máquina substitui a confiança e o olho no olho com quem apoia a sua organização. 
Por Camila Pasin 30 de abril de 2026
Empresas brasileiras deixaram de ser apenas financiadoras e se tornaram plataformas de engajamento. Entenda como transformar uma simples doação em uma verdadeira aliança de impacto.
Por Gabriel Pires 9 de abril de 2026
Minha OSC precisa de um código de ética? No terceiro setor, valores sem regras claras podem gerar conflitos e riscos. Entenda por que o código de ética é essencial para a gestão das OSCs.
mostrar mais

Participe do nosso grupo no WhatsApp para receber nossos conteúdos em primeira mão

Entrar para o grupo