30 formas de captar recursos para a sua organização

24 de março de 2023

Este conteúdo foi produzido por Daiany França


Captar recursos é uma tarefa fundamental para a sustentabilidade econômica de qualquer projeto esportivo. A boa notícia é que existem diferentes estratégias de captação de recursos validadas no Brasil, que podem ser trabalhadas de acordo com as necessidades e características de cada organização. Neste texto, destaco 30 delas, desde a captação direta com empresas até a geração de renda por meio de vendas de produtos e serviços.


Importante dizer, que este levantamento contou com o apoio das líderes esportivas Carolina Chrispim Pires dos Santos, Ellen Moraes Scherrer, Jaqueline Gonçalves da Silva Valente e Susane Velasques do Nascimento, alunas do “Curso Sesc de Gestão do Esporte: diversidade, cultura e lazer”. Para saber mais sobre essa iniciativa do Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo, clique aqui.

Fonte Estratégia Definição
Empresas, institutos e fundações 1. Leis de incentivo Mecanismo de renúncia fiscal que permite a pessoas físicas e jurídicas direcionem parte do valor de seus impostos devidos para projetos em leis de incentivo (esporte, cultura, fundos da infância e adolescência, etc.). Essa prática pode ser aplicada em níveis federal (Imposto de Renda), estadual (ICMS) e municipal (ISS/IPTU), seguindo a legislação específica de cada esfera. Para utilizar essa forma de captação de recursos, é crucial conhecer a legislação relacionada ao benefício fiscal escolhido, pois cada etapa envolve diversos aspectos que demandam cuidado e tarefas a serem realizadas. Essa forma de captação vem crescendo em popularidade e atraindo cada vez mais apoiadores e patrocinadores.
Empresas, institutos e fundações 2. Editais Recurso financeiro geralmente não reembolsável, destinado a projetos que se concentram em uma área geográfica ou temática específica. Esses recursos podem ser fornecidos por empresas, institutos e fundações, mas também por governos, agências internacionais de cooperação ou até mesmo outras organizações da sociedade civil.
Empresas, institutos e fundações 3. Captação direta (doação ou patrocínio não incentivado) Patrocínios ou doações realizadas de maneira planejada, monitorada e sistemática, realizadas com recursos próprios, desvinculadas de recursos de leis de incentivo (não necessita incentivo fiscal).
Empresas, institutos e fundações 4. Arredondamento Doação do troco que o cliente recebe para um projeto ou organização parceira.
Empresas, institutos e fundações 5. Produtos sociais (licenciamento) Produtos sociais referem-se a itens licenciados que envolvem marcas ou personagens conhecidos, nos quais o detentor dos direitos autorais (ou seja, da propriedade intelectual) concede permissão para sua exploração comercial em produtos, serviços ou promoções. Nesses casos, a receita gerada é destinada a apoiar uma causa, projeto ou organização beneficiária. Exemplos incluem a água AMA da Ambev e o Doritos Rainbow.
Empresas, institutos e fundações 6. Cashback social O programa de fidelização de cashback é adotado por marcas e empresas, permitindo que os consumidores, ao concluir uma compra, optem por direcionar parte do valor gasto a uma causa social em vez de recebê-lo de volta. Nesse modelo, o cliente seleciona a causa e a empresa realiza a doação desse montante, que se converte em ações que geram impacto social positivo.
Empresas, institutos e fundações 7. Matchfunding (financiamento misto) Forma de captação de recursos que combina o crowdfunding (financiamento coletivo) com a participação de uma empresa, instituto ou fundação que iguala ou multiplica as contribuições recebidas dos apoiadores. Nesse modelo, a organização responsável pelo projeto busca angariar fundos através de contribuições financeiras de pessoas físicas ou jurídicas e um parceiro, geralmente uma empresa ou instituição, compromete-se a igualar, dobrar ou multiplicar os valores arrecadados até um limite pré-estabelecido. Isso incentiva os apoiadores a contribuírem, já que seus aportes terão um impacto maior do que o valor individualmente contribuído.
Empresas, institutos e fundações 8. Obrigações legais e investimentos mitigatórios Refere-se às contribuições feitas para atender programas socioambientais que estão diretamente vinculados ao cumprimento de condições estabelecidas em processos de licenciamento, sentenças judiciais (ou equivalentes) ou por exigência legal. Nesses casos, as empresas ou indivíduos são obrigados a realizar doações para cumprir os requisitos legais ou regulatórios, frequentemente como parte de uma compensação ou mitigação de impactos negativos causados por suas atividades.
Empresas, institutos e fundações 9. Voluntariado corporativo ou Pro Bono Conjunto de ações promovidas pelas empresas que visa incentivar e apoiar o envolvimento de seus funcionários em iniciativas voltadas para a comunidade. Essas atividades estabelecem uma relação vantajosa para todos os participantes: a ONG se beneficia ao receber consultoria especializada e gratuita para aprimorar sua gestão, enquanto os colaboradores desenvolvem habilidades interpessoais e expandem suas redes de contato no ambiente de trabalho.
Indivíduos 10. Eventos (jantares, leilões, bingos, etc.) Consiste em organizar e promover atividades ou ocasiões especiais com o objetivo de arrecadar fundos para uma causa, projeto ou organização. Esses eventos geralmente atraem pessoas interessadas em apoiar a causa, proporcionando uma oportunidade de conscientização, engajamento e doação. Em eventos como jantares beneficentes, os convidados compram ingressos para participar e, muitas vezes, são oferecidos itens ou serviços em leilões e sorteios para aumentar a arrecadação. Leilões podem ser realizados com produtos ou experiências doadas por empresas ou indivíduos, e os participantes fazem lances para adquiri-los. Bingos e outros jogos também podem ser organizados como formas de entretenimento, onde os participantes compram cartelas ou ingressos, e parte ou toda a receita é destinada à causa em questão. Esses eventos de captação de recursos não só geram apoio financeiro para a causa, mas também fortalecem a conexão entre os apoiadores e a organização, expandem o alcance e a visibilidade da causa e proporcionam uma experiência social e divertida para os participantes.
Indivíduos 11. Nota fiscal (Ex: SP e CE) Estratégia que envolve programas fiscais estabelecidos em alguns estados com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância de solicitar notas fiscais e incentivar a participação no controle e na aplicação de recursos públicos. Esses programas geralmente sorteiam prêmios e apoiam organizações.
Indivíduos 12. Apadrinhamento Os doadores, também conhecidos como padrinhos ou madrinhas, realizam contribuições mensais para apoiar projetos sociais que beneficiam um afilhado ou afilhada específico(a).
Indivíduos 13. Crowdfunding (vaquinha, financiamento coletivo) O crowdfunding, também conhecido como vaquinha ou financiamento coletivo, é uma estratégia de captação de recursos na qual um grande número de pessoas é mobilizado para contribuir financeiramente para uma campanha ou projeto específico. Essa abordagem é predominantemente realizada online, através de plataformas especializadas que facilitam a criação, divulgação e gerenciamento das campanhas.
Indivíduos 14. Heranças A doação por meio de heranças é uma estratégia menos comum e, por vezes, complexa de contribuição para causas ou organizações. Existem dois cenários principais para a doação de bens: a doação em vida, que costuma ser mais simples e menos problemática, e a doação após a morte do doador, registrada em testamento. A doação feita após a morte do doador, por meio de testamento, pode ser complicada devido às restrições legais, como a limitação da doação a até 50% do total da herança e análise da divisão caso o falecido tenha familiares vivos, dependendo do grau de parentesco. Além disso, existe o ITCMD (Imposto sobre Transmissão “Causa Mortis” e Doação), um imposto que incide sobre esse tipo de doação (a título de informação, existe uma proposta na Reforma Tributária, no Senado, que extingue o ITCMD). Em ambos os casos, a doação por meio de heranças permite que os doadores contribuam significativamente para causas que lhes são importantes, seja durante sua vida ou após seu falecimento, deixando um legado duradouro.
Indivíduos 15. Campanhas anuais iniciativas recorrentes e com duração pré-determinada que visam captar recursos para organizações, projetos ou causas específicas. Essas campanhas são acompanhadas por um plano de comunicação dinâmico e eficiente, que demonstra os resultados práticos das contribuições feitas pelos doadores, com o objetivo de conquistar e manter doadores frequentes e garantir visibilidade constante para a organização. Exemplos notáveis de campanhas anuais de arrecadação incluem o Criança Esperança e o TELETON. Essas campanhas se caracterizam por eventos de grande alcance na mídia, que mobilizam o público, personalidades e empresas em prol de causas sociais, como a promoção da saúde, educação e bem-estar de crianças e jovens.
Indivíduos 16. Telemarketing Esta estratégia permite que as organizações entrem em contato, via chamadas telefônicas, com um grande número de pessoas, apresentem suas causas e solicitem contribuições financeiras.
Indivíduos 17. Cofrinho Comumente realizadas em estabelecimentos comerciais colaboradores, as doações por meio de cofrinhos solidários incentivam os clientes a contribuir com quantias modestas, aproveitando trocos ou não, em apoio a organizações ou causas específicas.
Indivíduos 18. Assinatura (doação recorrente) Forma de contribuição financeira em que os doadores se comprometem a realizar doações regulares e previsíveis para uma organização ou causa específica. Essa modalidade de doação é frequentemente apoiada por estratégias de marketing e arrecadação para atrair e reter doadores.
Indivíduos 19. Aplicativos Envolve o uso de plataformas de mensagens e redes sociais para aprimorar a comunicação e o relacionamento com os doadores, facilitando o processo de doação e promovendo o engajamento.
Indivíduos 20. Atletas e vozes do esporte Muitos atletas e profissionais de diferentes áreas do esporte, quando incentivados, podem doar um percentual do seu salário para projetos esportivos e paradesportivos, ou iniciativas de outras causas. É o exemplo da rede global Common Goal, que mobiliza a indústria do futebol para comprometer um mínimo de 1% de todas as receitas dos membros para impulsionar o desenvolvimento humano por meio do esporte.
Indivíduos 21. Peer-to-peer (P2P) Estratégia que envolve mobilizar uma rede de doadores ou amigos para que se comprometam com uma meta de doação pré-definida. Nesse modelo, os apoiadores se tornam embaixadores e captadores de recursos, incentivando seu próprio círculo de contatos a contribuir para a causa ou organização.
Indivíduos 22. Face-to-face (Diálogos diretos) Estratégia que envolve o contato pessoal e direto com potenciais doadores para apresentar uma causa e solicitar doações. Um exemplo é o Greenpeace, que realiza campanhas de captação face-to-face nas ruas e outros locais públicos, compartilha informações sobre questões ambientais e incentivaas pessoas a fazerem doações.
Geração de renda 23. Venda de produtos e serviços (bazar, loja própria, etc.) Estratégia em que uma organização comercializa produtos ou presta serviços para gerar renda. Essa abordagem pode ser dividida em dois tipos, pelo menos: Venda B2B (business-to-business): ocorre quando duas organizações negociam entre si, podendo ser a venda de um serviço ou produto de uma organização para uma empresa ou até mesmo uma negociação entre duas organizações da sociedade civil; e Venda B2C (business-to-consumer): acontece quando a organização vende diretamente para o consumidor final, como em bazares ou lojas virtuais.
Geração de renda 24. Aluguel de espaços do projeto Como o próprio nome já diz, significa alugar espaços próprios do projeto ou da organização para terceiros, como salão de festas, a fim de captar recursos livres* para o projeto esportivo ou paradesportivo. *Recurso livre é uma forma de financiamento que não possui restrições específicas quanto à sua utilização. Ou seja, a organização que recebe esse tipo de recurso tem a liberdade de decidir como empregá-lo, conforme suas prioridades e necessidades. Esses recursos podem ser utilizados para cobrir despesas operacionais, investimentos em projetos, infraestrutura, entre outras finalidades. A disponibilidade de recursos livres é fundamental para a sustentabilidade financeira e a flexibilidade das organizações, permitindo que elas se adaptem às mudanças e respondam a novos desafios.
Geração de renda 25. Fundos patrimoniais Um Fundo Patrimonial Filantrópico, também conhecido como Endowment, é um mecanismo de financiamento para organizações sem fins lucrativos que permite a criação de um fundo perene, cujo objetivo é gerar rendimentos ao longo do tempo. As doações são alocadas nesse fundo e investidas em diferentes instrumentos financeiros, como ações e títulos, com o objetivo de proteger e aumentar o capital ao longo do tempo. No Brasil, a Lei Federal nº 13.800/2019, regulamenta a criação e gestão desses fundos no país.
Geração de renda 26. Negócios de impacto Negócio de impacto é uma empresa que busca gerar impacto social ou ambiental positivo ao mesmo tempo em que gera lucro financeiro. Ou seja, é uma empresa que tem a sustentabilidade como pilar fundamental, tanto em termos sociais e ambientais quanto econômicos. Um projeto esportivo ou organização, por exemplo, pode optar por criar um negócio de impacto como estratégia de geração de renda. Vale lembrar que a criação de um negócio de impacto exige um alto nível de comprometimento e dedicação, além de uma equipe qualificada e recursos financeiros suficientes para viabilizar a iniciativa. Por isso, é importante que a organização avalie cuidadosamente suas capacidades e recursos antes de tomar essa decisão.
Governos 27. Parceria público-privada (PPP) Modelo de administração indireta em que uma organização privada se associa com o poder público para fornecer um serviço ou executar um projeto de interesse público. No Brasil, as PPPs são regulamentadas pela Lei Federal nº 11.079, de 30 de dezembro de 2004, que estabelece normas gerais para licitação e contratação de parcerias público-privadas no país. Para participar de uma PPP, a organização da sociedade civil deve estar qualificada para atuar no objeto da parceria e ter condições de cumprir as exigências e obrigações previstas no processo licitatório e contrato.
Governos 28. Emendas parlamentares As emendas parlamentares são uma forma de os deputados e senadores influenciarem a destinação de recursos públicos para projetos e ações de interesse de suas bases eleitorais. Elas consistem em propostas de alteração no orçamento federal, estadual ou municipal, que visam alocar recursos para determinadas áreas ou projetos específicos, como obras de infraestrutura, projetos de saúde, educação, cultura, esportes, entre outros. As emendas podem ser individuais, quando propostas por um único parlamentar, ou coletivas, quando apresentadas por um grupo de parlamentares de uma mesma bancada ou com interesse comum. Elas são apresentadas durante o processo de elaboração do orçamento anual e passam por um processo de avaliação e análise antes de serem aprovadas.
Governos 29. Chamamentos públicos (termo de fomento e termo de colaboração) O Termo de Fomento é o instrumento que formaliza as parcerias entre a administração pública e as Organizações da Sociedade Civil (OSC) para alcançar finalidades de interesse público e recíproco, envolvendo a transferência de recursos financeiros. Já o Termo de Colaboração formaliza parcerias entre a administração pública e as OSC para a consecução de finalidades de interesse público e recíproco propostas pelo poder público, envolvendo transferência de recursos financeiros. Nesses casos, a administração pública sugere o plano de trabalho e seleciona as OSC que irão colaborar com a tarefa. As parcerias devem ser formalizadas através de chamamento público e processo de seleção, que devem obedecer às regras estabelecidas na Lei nº 13.019/14. O Acordo de Cooperação é utilizado para formalizar parcerias que não envolvem a transferência de recursos financeiros.
Internacional 30. Internacional As formas de captação de recursos internacionais para organizações incluem diversas estratégias e abordagens. Por exemplo, a participação em editais e programas de financiamento de organismos internacionais e governos de outros países. Nesse sentido, é importante entender os critérios de elegibilidade e elaborar um projeto bem estruturado e alinhado aos objetivos do programa. As relações pessoais também são importantes para a captação de recursos internacionais, principalmente em relação à busca de apoio financeiro de indivíduos e instituições filantrópicas em outros países. A participação em redes e fóruns internacionais também pode ser uma forma eficiente de obter recursos e estabelecer parcerias. Por fim, é importante mencionar que a captação de recursos internacionais envolve uma série de desafios, como a necessidade de compreender a cultura e as políticas dos países envolvidos, além de questões legais e fiscais. Por isso, é fundamental contar com profissionais capacitados e especializados para lidar com essa forma de captação de recursos.

Atenção: Esta lista não esgota todas as possibilidades de captação de recursos, mas oferece uma ampla variedade de estratégias que podem ser úteis para diferentes perfis de organizações. É importante lembrar que cada iniciativa requer um plano de ação específico, sendo recomendado que a liderança da ONG trabalhe com foco em no máximo três estratégias ao mesmo tempo, uma vez que o sucesso da captação vai depender de diferentes fatores, incluindo planejamento bem estruturado e uma equipe comprometida.


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Texto originalmente publicado em
https://lideresesportivos.com.br/30-formas-de-captar-recursos-para-o-seu-projeto-esportivo/






Daiany França Saldanha é líder de parcerias e novos negócios na Phomenta.


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Ferramentas de computação em nuvem, automação de processos e sistemas de gestão já impactam profundamente a comunicação e a administração das organizações. E, sem dúvida, a Inteligência Artificial é o próximo grande divisor de águas. A IA já é uma realidade acessível ao terceiro setor, mas ainda pouco dominada de forma qualificada, segura e estratégica. Existe um enorme potencial para geração de conhecimento, análise de dados, automação, pesquisa e avaliação de projetos. É possível, por exemplo, utilizar ferramentas de IA para analisar evidências científicas, apoiar processos de avaliação, medir resultados e até realizar auditorias internas de gestão. Ainda assim, o setor carece de investimento em formação, treinamento e desenvolvimento de soluções de IA criadas pelo terceiro setor e para o terceiro setor. Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer um desafio estrutural: muitas organizações de base, especialmente em territórios periféricos, ainda têm dificuldade de incorporar tecnologia às suas soluções. Não por falta de visão, mas por falta de acesso à educação, à formação técnica e a investimentos sociais. É comum vermos tecnologias avançadas sendo desenvolvidas por startups e organizações de impacto, enquanto quem atua diretamente no território não dispõe dos recursos necessários para utilizá-las. Sem articulação, essa equação não fecha. Por isso, outra tendência que se consolida é a valorização de redes, consórcios e articulações territoriais. Organizações que atuam de forma isolada tendem a ter mais dificuldade de acessar investimentos. Financiadores buscam cada vez mais iniciativas coletivas, capazes de envolver múltiplos atores, setores e saberes. A experiência mostra que articular financiamento privado, cooperação técnica com o poder público e o engajamento de organizações de base é um caminho consistente para gerar impacto real e sustentável. Nesse novo cenário, o uso de dados e evidências deixou de ser opcional. A atuação precisa ser responsiva às necessidades reais dos territórios, e isso só é possível por meio da observação sistemática, da geração cidadã de dados e da tomada de decisões baseadas em evidências. O investimento social privado no Brasil amadureceu — e espera projetos bem estruturados, com governança sólida e clareza de resultados. É impossível falar de inovação sem falar de ética. Tecnologias como a Inteligência Artificial precisam ser desenvolvidas e utilizadas com base em princípios claros: respeito à privacidade e à LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), justiça social, mitigação de vieses discriminatórios, controle social sobre dados e sistemas, segurança da informação e responsabilidade ambiental. O impacto climático da tecnologia, muitas vezes invisível, também precisa entrar na equação. Regulamentação e compromisso das empresas e investidores são indispensáveis. O financiamento das organizações também passa por mudanças relevantes. Doações online, campanhas como o Dia de Doar, cessão de tecnologias e licenças por empresas e, sobretudo, o fortalecimento dos mecanismos de incentivo fiscal têm ampliado as possibilidades de sustentabilidade. Quando uma empresa direciona parte de seus impostos para projetos sociais no território onde atua, o recurso retorna diretamente para a comunidade, em forma de educação, inovação e oportunidades. Isso fortalece a democracia e aproxima o investimento social da vida real das pessoas. As parcerias intersetoriais, aliás, tendem a se tornar ainda mais estratégicas. Políticas de ESG impulsionaram empresas a assumirem compromissos mais concretos com impacto social e ambiental. Quando essa agenda sai do discurso e se traduz em atuação no território, com cooperação técnica e investimento de longo prazo, os resultados são muito mais consistentes. Diante de um cenário marcado por polarização política e desinformação, o papel das organizações da sociedade civil também se amplia. Educação midiática, consumo crítico da informação e inclusão digital são hoje pilares da defesa da democracia. Eu acredito que capacitar pessoas em habilidades digitais é também fortalecer sua capacidade de participação cidadã. O terceiro setor está, sim, mais profissionalizado — e isso é necessário. 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Não é novidade que iniciativas culturais de territórios do Norte e Nordeste enfrentam desafios estruturais para acessar recursos e ampliar seu impacto. Dados de um levantamento realizado pela Iniciativa Pipa, em parceria com o Instituto Nu, mostram que 31% das organizações periféricas de cultura e educação operam com orçamento anual de até R$ 5 mil, enquanto 58% funcionam de forma totalmente voluntária, sem equipes remuneradas. Nesse cenário, a captação de recursos e o acesso a editais seguem como obstáculos frequentes. É a partir dessa realidade que nasce o Phomentando a Cultura: um programa apresentado pelo Ministério da Cultura, Governo do Brasil - ao lado do povo brasileiro, com patrocínio Nubank via Lei Rouanet. Este é um projeto voltado ao fortalecimento de fazedores e trabalhadores da cultura que atuam em organizações, coletivos, grupos, pontos e pontões culturais das regiões Norte e Nordeste. Formação prática para estruturar projetos culturais O Phomentando a Cultura tem como objetivo apoiar iniciativas culturais que já atuam em seus territórios, mas que precisam organizar melhor seus projetos, entender o que os editais realmente avaliam e se preparar para o credenciamento na Lei Rouanet e outros editais de fomento à cultura. Ao longo do programa, os participantes têm acesso a uma jornada de aceleração online, gratuita e acessível, com foco em: Organização e estruturação de projetos culturais Leitura estratégica de editais Preparação para o credenciamento de projetos na Lei Rouanet Orientações para ampliar as chances em editais estaduais, municipais e seleções de empresas, incluindo a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) A proposta é identificar o que costuma travar a aprovação de projetos e orientar ajustes possíveis dentro da realidade de cada iniciativa. Aceleração com orientação e acompanhamento Diferente de formações genéricas, o programa oferece orientação técnica e acompanhamento, com revisão de documentos, análise de gargalos e direcionamentos para que as organizações consigam avançar em processos de seleção e captação. Os encontros são pensados para quem vive a cultura no dia a dia e precisa de informações objetivas, sem linguagem técnica excessiva ou soluções distantes da realidade dos territórios. Presença nos territórios: caravana pelo Norte e Nordeste Nesta primeira edição, o Instituto Phomenta também promove uma caravana presencial, com eventos de lançamento, conexões e troca de aprendizados em 10 cidades: São Luís (MA) Macapá (AP) Santarém (PA) Olinda (PE) Manaus (AM) Porto Velho (RO) Rio Branco (AC) Teresina (PI) Salvador (BA) Fortaleza (CE) Os encontros presenciais são abertos a fazedores de cultura locais e fazem parte da estratégia de aproximação com os territórios. É a chance de entender ainda melhor o que o programa oferece. A agenda completa pode ser consultada no site. Quem pode participar Mesmo quem não estiver nas cidades visitadas pela caravana pode se inscrever no Phomentando a Cultura. O programa é voltado para: Organizações, coletivos, grupos, pontos ou pontões de cultura sediados em cidades do Norte e Nordeste Pessoas que desenvolvem atividades culturais de forma contínua e impactam seus territórios Inscrições abertas  O Phomentando a Cultura é uma oportunidade gratuita para quem quer fortalecer sua atuação cultural, estruturar melhor seus projetos e ampliar o acesso a recursos. As inscrições estão abertas e podem ser feitas pelo link: https://www.phomenta.com.br/phomentando-a-cultura
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Você pode amar muito um time e ainda assim vê-lo perder campeonatos por anos. Pode ter a maior torcida do país, uma história gigante e uma camisa pesada. Mas sem gestão, isso não se sustenta. No terceiro setor acontece algo muito parecido. Sou corinthiana e não acompanho o futebol tão de perto. Mesmo assim, é impossível ignorar o que Palmeiras e Flamengo vêm construindo nos últimos anos. Escrevo este artigo no final de 2025 e, ao olhar para os principais campeonatos do período recente, Libertadores, Brasileirão e Copa do Brasil, esses dois clubes seguem protagonizando finais, títulos e campanhas consistentes. Não por acaso, também passaram a aparecer em premiações internacionais que reconhecem excelência em gestão, como o Globe Soccer Awards. Mas nem sempre foi assim. E é exatamente aí que essa história interessa às organizações da sociedade civil. Quando a virada não acontece no campo Palmeiras e Flamengo já viveram fases marcadas por dívidas, crises internas e resultados bem abaixo do potencial que tinham. A mudança não começou com um craque, nem com um gol histórico. Começou fora de campo. Por volta de 2012 e 2013, os dois clubes passaram a tratar a gestão como eixo central. Planejamento financeiro, profissionalização das equipes, governança e visão de longo prazo deixaram de ser discurso e passaram a orientar decisões concretas. Se você não gosta de futebol, continue comigo. O ponto aqui não é o esporte. É entender que amor, tradição e propósito são fundamentais, mas não substituem uma boa gestão. Com gestão, a gente vai mais longe. O que o Palmeiras ensina No Palmeiras, a virada tem um nome bastante conhecido: Paulo Nobre. Ao assumir a presidência do clube em 2013, encontrou um cenário delicado, com dívidas e pouca previsibilidade. Uma das decisões mais simbólicas foi emprestar recursos próprios para reorganizar as finanças do time. Um gesto arriscado, mas inserido em uma estratégia maior. A partir daí, vieram parcerias estratégicas como a Crefisa, a profissionalização da gestão e a criação de novas fontes de receita. A modernização do Allianz Parque transformou o estádio em um ativo que gera renda muito além dos jogos, com shows e eventos. É a lógica de enxergar a estrutura como meio para sustentar a missão, algo bastante familiar para quem atua no terceiro setor. O Flamengo e a coragem de arrumar a casa O Flamengo sempre teve popularidade e potencial. O que faltava era organização. A virada começou com decisões duras e pouco populares, como uma política rigorosa de controle de gastos e reorganização financeira. Antes de investir pesado em contratações, o clube investiu em processos, equipe técnica qualificada e responsabilidade fiscal. Os títulos vieram depois. Não como milagre, mas como consequência. O que tudo isso tem a ver com as OSCs? Muito mais do que parece. Os dois clubes mostram que investir na base (jovens atletas em formação para o time principal) é apostar no longo prazo, mesmo quando o retorno não é imediato. No terceiro setor, isso aparece na formação de equipes, no fortalecimento institucional e no desenvolvimento de lideranças. Eles também reforçam uma verdade incômoda: amor não é estratégia. Paixão move, mas não organiza fluxo de caixa, não constrói indicadores e não garante sustentabilidade. Há ainda a importância de diversificar fontes de receita, inclusive para organizações grandes e reconhecidas, e de contar com profissionais qualificados, além de investir em quem já faz parte da equipe. Nada disso acontece do dia para a noite. O processo é longo, exige constância e escolhas difíceis. Um convite para quem lidera organizações sociais  Se você lidera uma OSC, vale a reflexão. O quanto da sua energia está concentrada apenas na causa e o quanto está direcionada para fortalecer a gestão que sustenta essa causa? Gestão não esfria o propósito. Pelo contrário. Ela protege a missão, amplia o impacto e garante que o trabalho continue existindo daqui a cinco, dez ou vinte anos. No futebol e no terceiro setor, amor é o ponto de partida. Gestão é o que transforma esse amor em legado.
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Quer doar, mas não sabe se o dinheiro vai chegar onde precisa? No Brasil, a desconfiança ainda trava doações. Veja como doar de forma efetiva e gerar impacto social real.
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O adoecimento mental da população brasileira tem se intensificado nos últimos anos e já se reflete de forma direta no mundo do trabalho. O aumento de afastamentos por transtornos mentais, a ampliação de quadros de ansiedade e a exaustão profissional passaram a ocupar o centro dos debates sobre produtividade, gestão de pessoas e sustentabilidade organizacional. No Terceiro Setor, esse cenário não é diferente — e apresenta contornos ainda mais críticos. Dados da Pesquisa Saúde Mental e Bem-Estar no Terceiro Setor (2023), realizada pelo Instituto Phomenta, revelam que 55% dos profissionais do setor expressam algum nível de preocupação com sua saúde mental e bem-estar. Esse contexto foi debatido no Webinar Tendências para o Terceiro Setor 2026, promovido pelo Instituto Phomenta, que apontou a saúde mental como uma das principais tendências e desafios estruturais para as organizações sociais nos próximos anos. A pesquisa ouviu 842 profissionais, de 214 cidades, em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Os dados mostram que o alto comprometimento com a causa convive com estresse constante, sensação de urgência permanente e dificuldade de estabelecer limites entre vida pessoal e trabalho, um paradoxo cada vez mais presente no cotidiano das organizações da sociedade civil. Cuidar de quem cuida Durante muito tempo, o trabalho no Terceiro Setor esteve associado à ideia de propósito como fator de proteção emocional. Os dados da pesquisa indicam que essa narrativa já não se sustenta. Entre os respondentes, 38% classificam sua saúde mental como regular e 17% como ruim, evidenciando um cenário de alerta que afeta tanto profissionais quanto lideranças. O recorte de gênero revela desigualdades importantes. As mulheres, que representam 65% da força de trabalho no Terceiro Setor, são as que expressam maiores níveis de preocupação: 60% relatam algum grau de insatisfação com sua saúde mental e bem-estar, frente a 45% dos homens. Entre os jovens, os índices são ainda mais elevados. Profissionais de 18 a 24 anos e de 25 a 34 anos apresentam os piores indicadores, com 69% e 70%, respectivamente, avaliando sua saúde mental como regular ou ruim. Esses dados foram destacados no Webinar Tendências para o Terceiro Setor 2026 como um sinal de que o setor precisa repensar suas práticas internas se quiser manter equipes engajadas e sustentáveis. A NR-1 e o impacto direto na gestão das organizações Outro ponto central do debate foi a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1). A partir de maio de 2025, organizações com pessoas contratadas sob regime CLT passam a ter a responsabilidade de identificar, prevenir e gerenciar riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Entre os fatores de risco mais recorrentes, a pesquisa da Phomenta aponta: excesso de demandas e tarefas, indicado por 64% dos respondentes como principal fator de estresse; jornadas prolongadas e dificuldade de equilíbrio entre vida pessoal e trabalho; ausência de reconhecimento e suporte institucional; conflitos interpessoais e condições precárias de trabalho. Os efeitos desse modelo aparecem nos sintomas relatados: 77% dos profissionais mencionam ansiedade como um dos principais impactos, e 64% relatam exaustão física. Durante o webinar, foi reforçado que o cumprimento da NR-1, embora necessário, não é suficiente para enfrentar um problema estrutural. O desafio está na revisão das práticas de gestão de pessoas, incluindo distribuição de tarefas, modelos de liderança, processos decisórios e a forma como o cuidado é incorporado, ou negligenciado, na cultura organizacional. Saúde mental como estratégia de sustentabilidade A pesquisa também evidencia que mais de 70% dos respondentes não percebem ações intencionais de suas organizações voltadas à promoção do bem-estar. Esse dado foi amplamente debatido no Webinar Tendências para o Terceiro Setor 2026, que destacou a urgência de transformar o cuidado em estratégia institucional. Entre as organizações que adotam ações voltadas à saúde mental, os profissionais citam iniciativas como atendimento psicológico, espaços de diálogo, formações, flexibilidade no trabalho e momentos de convivência. Ainda assim, esses esforços seguem sendo exceção, e não regra. No Terceiro Setor, cuidar da saúde mental das equipes deixou de ser um tema secundário. Trata-se de uma condição para a permanência das pessoas, para a qualidade do trabalho realizado e para a coerência entre missão institucional e práticas internas. A crise de saúde mental convida o setor a um exercício de autocrítica. Não é possível enfrentar desigualdades externas se, internamente, as relações de trabalho reproduzem exaustão, urgência permanente e invisibilização do cuidado. Em 2026, organizações que colocarem as pessoas no centro da gestão estarão mais preparadas para sustentar seu impacto social no longo prazo. Assista completo:
Por Instituto Phomenta 12 de janeiro de 2026
As transformações no cenário internacional de financiamento foram um dos alertas mais sensíveis apresentados no Webinar: Tendências de 2026 para o Terceiro Setor, realizado pelo Instituto Phomenta. Em um contexto de instabilidade política, mudanças de prioridades globais e retração de recursos externos, organizações brasileiras já sentem os impactos de uma filantropia internacional mais seletiva, menos previsível e cada vez mais estratégica. Em 2026, essa tendência se consolida e exige das organizações sociais um reposicionamento em relação à forma como acessam, gerenciam e diversificam suas fontes de recursos. A retração do financiamento internacional Durante o webinar, foram destacados movimentos recentes que ajudam a explicar o cenário atual, como a redução de repasses de países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o enfraquecimento de programas tradicionais de cooperação internacional e o encerramento ou redirecionamento de iniciativas históricas, como a USAID (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional). Essas mudanças não acontecem de forma isolada. Elas refletem disputas geopolíticas, reorientação de agendas nacionais e uma priorização maior de crises internas por parte de países doadores. Para muitas organizações do Sul Global, isso representa a perda de fontes que, por décadas, sustentaram projetos e estruturas institucionais. Menos recursos, mais exigências Além da diminuição do volume de recursos, o webinar destacou um aumento significativo no nível de exigência dos financiadores internacionais que permanecem ativos. Entre os critérios mais observados estão: capacidade de gestão financeira e institucional; governança estruturada; indicadores consistentes de resultados; alinhamento com agendas globais específicas; histórico de parcerias e execução. Em 2026, organizações com baixa maturidade institucional tendem a enfrentar ainda mais barreiras para acessar recursos internacionais, mesmo quando atuam em causas prioritárias. O papel do financiamento público no Brasil Em contraste com a retração internacional, observamos o crescimento dos repasses federais no Brasil nos últimos anos. Esse movimento abre oportunidades, mas também traz desafios próprios. Acesso a recursos públicos exige preparo técnico, capacidade de prestação de contas, adequação jurídica e fôlego financeiro para lidar com prazos e burocracias. Para muitas organizações, isso demanda investimentos prévios em estrutura e equipe, o que nem sempre é possível sem apoio externo. Ainda assim, o aumento do financiamento público reforça a importância de olhar para o território nacional como parte estratégica da sustentabilidade financeira. Diversificação como estratégia de sobrevivência Uma das principais reflexões trazidas é que depender de uma única fonte de recursos se torna cada vez mais arriscado. Em 2026, a diversificação deixa de ser recomendação e passa a ser condição de sobrevivência. Isso envolve combinar diferentes fontes, como: filantropia nacional; parcerias com empresas; recursos públicos; doações individuais; prestação de serviços alinhados à missão. O impacto das mudanças na autonomia das organizações As transformações na filantropia internacional também afetam a autonomia das organizações sociais. Com menos recursos disponíveis e maior competição, cresce o risco de adaptação excessiva a agendas externas, em detrimento das demandas reais dos territórios. Por isso a importância de manter o foco na missão e no impacto social, mesmo diante de pressões financeiras. Organizações mais preparadas institucionalmente tendem a negociar melhor, fazer escolhas mais estratégicas e preservar sua coerência. O que essa tendência exige das organizações Em 2026, o cenário de financiamento será mais restrito, mais técnico e mais competitivo. Organizações que investem em desenvolvimento institucional, planejamento financeiro e fortalecimento da gestão terão mais condições de atravessar esse contexto com menos rupturas. Como discutido no webinar, adaptar-se às mudanças da filantropia internacional não significa abandonar princípios, mas sim construir bases mais sólidas para seguir atuando com impacto, autonomia e sustentabilidade no longo prazo. Confira o Conteúdo:
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